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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

BRASIL

 Censo em xeque gera crise pública no IBGE

Censo 2022: polêmica já mobiliza vários ex-presidentes do IBGE

A comunidade estatística e geográfica brasileira vive uma semana de grande polêmica, depois que o ex-presidente do IBGE e hoje pesquisador associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Roberto Olinto, classificou o Censo de 2022 de uma “tragédia absoluta”. Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada na segunda-feira (23), ele criticou a contagem preliminar da população divulgada e recomendou uma revisão da pesquisa sem descartar a possibilidade de refazer tudo, o que significaria jogar no lixo R$ 2,3 bilhões do orçamento.

A Agência Geocracia ouviu técnicos e especialistas ligados ao IBGE a respeito da polêmica. Apurou que as críticas de Olinto ao Censo caíram como uma bomba na casa, mas elas não são novas. Em outubro, comentando à Geocracia a decisão de prorrogar a coleta até dezembro (transformando um período normal de dois meses de coleta censitária em cinco meses), ele já demonstrava receio pela qualidade dos dados.

Na entrevista à Folha, Olinto usou um tom mais contundente: “Eu sinto vergonha disso”, disparou, acrescentando que o Censo “foi feito cheio de erros e gerando desconfiança […]. Imputaram dados para quase 20% da população. Imputar dado é você dizer: eu não tenho dados para 20% da população e vou usar um processo que normalmente se usa para 2%”, afirma.

Na opinião do ex-presidente, os dados preliminares são “coisas absolutamente inexplicáveis. No Rio de Janeiro, os municípios da região metropolitana, todos caíram de população em relação a 2010. No Rio Grande do Sul, um número enorme de municípios judicializou, porque não sabe se o Censo está certo ou errado. Eu acho que está errado”.

Para complicar, horas antes da publicação da entrevista, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e determinou que a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) deste ano tenha como patamar mínimo os coeficientes de distribuição utilizados no exercício de 2018. A decisão, que ainda será avaliada pelo pleno do STF, suspende norma do Tribunal de Contas da União (TCU) de dezembro último que determinava para fins de cálculo do FPM a utilização dos dados populacionais preliminares do Censo Demográfico de 2022, cuja coleta, quase sete meses depois, ainda não está concluída.



A repercussão das declarações de Olinto e da decisão do STF foi grande, com uma nota oficial do IBGE defendendo a qualidade dos dados coletados e com posicionamentos de outros ex-presidentes do Instituto. A começar por Eduardo Rios Neto, que comandou o Censo 2022 e deixou o cargo no início deste mês. Em carta à Folha, nesta quarta-feira (25), ele defendeu o trabalho do Censo e disse que visitou “pessoalmente a presidente do STF, ministra Rosa Weber, para entregar uma carta que explicava as razões para a não conclusão do Censo”.

Para Luiz Ugeda, CEO da Agência Geocracia, a crise em relação aos dados do Censo é muito prejudicial a um país que precisa urgentemente de dados confiáveis: “O grande valor dos órgãos estatísticos, hoje, é o de combater fake data (dados falsos). O desafio do Brasil, neste momento em que o Censo 2022 é questionado, é que faremos a mudança demográfica mais importante de nossa história, decorrente do rápido envelhecimento da população, praticamente no escuro, podendo gerar consequências severas sobre o sistema previdenciário e as necessidades municipais”.

FPM, uma ‘questão nevrálgica’

Os técnicos ouvidos pela Geocracia preferem ficar no anonimato, admitem um certo corporativismo na reação a Olinto, mas reconhecem que houve problemas no Censo: baixo orçamento, pandemia, falta de publicidade para facilitar portas abertas aos técnicos do IBGE, eleições, dificuldades para manter recenseadores durante a pesquisa e, além disso, a morte do então diretor de Informática e presidente da Comissão Operacional do Censo Demográfico David Wu Tai, em 2019: “Ele tinha uma enorme experiência na realização de censos e sua partida por conta da covid deixou um grande vazio na gestão da pesquisa”.

Eles não concordam, no entanto, com o termo “tragédia” e muito menos com a proposta de revisão e descarte dos dados. Defendem que “a maioria dos municípios concluiu bem a coleta, faltando apenas algumas áreas em cidades grandes, e a qualidade dos dados está boa”. E mencionam a Comissão Consultiva do Censo, que acredita haver qualidade estatística nos dados coletados para se fazer os ajustes necessários.

Outras fontes ressaltam que essas críticas e polêmicas sempre surgem no anúncio dos resultados do Censo por conta do cálculo do FPM, que envolve a distribuição de bilhões de reais aos municípios. “Fundo de Participação dos Municípios sempre foi uma questão nevrálgica, porque pega no ponto-chave de distribuição de dinheiro. Ninguém quer aparecer no Censo com menos habitantes e perder recursos”, diz um dos técnicos ouvidos.



Ex-presidente do IBGE entre 1994 e 1999, Simon Schwartzman concorda. Em artigo nesta quinta em O Globo, ele diz que a decisão do Supremo é uma tradição no Brasil. “Já tive esse problema 20 anos atrás. Essas discussões são muito politizadas”, afirma, defendendo uma avaliação técnica da pesquisa pela Comissão Consultiva do Censo: “Sei que o Censo está demorando, que há dificuldade de pagamento, de contratação, mas há a comissão que, em geral, é formada pelos principais demógrafos do país. Ela faz uma avaliação técnica, para que se chegue a um consenso de até onde os dados vão e quais as estimativas que têm de ser feitas”.

Seis presidentes desde o último Censo

Na mesma reportagem de O Globo, que também ouviu Sérgio Besserman (presidente entre 1999 e 2003), Wasmália Bivar, presidente do IBGE entre 2011 e 2016, concorda que o Censo 2022 teve problemas, até por perdas geracionais e pouca consulta a técnicos alijados do processo decisório: “Foram fazendo do jeito que achavam que deviam fazer. Isso foi uma falha bastante significativa. Agora, uma operação deste tamanho não se joga fora, não existe. Mesmo que tenha problemas, existem maneiras para trabalhar com os dados. Na pior das hipóteses, teremos uma amostra enorme que vai trazer resultados para o Brasil”, afirmou.

Mas o que chama a atenção no caso do IBGE é, primeiro, a rotatividade do cargo de presidente do órgão. Desde 2010, quando se realizou o último Censo, o Instituto teve seis presidentes (Eduardo Nunes, 2003-11; Wasmália, 2011-16; Paulo Rabelo de Castro, 2016-17; Roberto Olinto, 2017-18; Suzana Guerra, 2019-21, e Eduardo Rios Neto, 2021-23), uma média de um a cada dois anos, e se prepara para empossar o sétimo, que deve ser nomeado em breve pela ministra Simone Tebet. E, segundo, a quantidade de ex-presidentes dispostos a opinar publicamente sobre os problemas e desafios da casa — um sinal, para alguns, do enfraquecimento cada vez maior do Instituto. “Há décadas, todo mundo interfere no IBGE, e essa questão da Geografia sempre foi problemática, com conflitos envolvendo outros órgãos”, afirma uma técnica aposentada do Instituto, chamando a atenção para o contínuo esvaziamento político da figura do presidente do órgão.

“Toda essa crise evidencia algo cada vez mais claro. É urgente que o IBGE recupere o status de autarquia perdido em 1967, tenha seu próprio orçamento e seja elevado ao status de agência de geoinformação, até para cumprir o que reza o artigo 21, inciso XV, da Constituição, que confere ao Estado a competência para organizar e manter, em âmbito nacional, os serviços oficiais de geografia, geologia e cartografia. Isso está por ser regulamentado há mais de 30 anos, as geotecnologias estão revolucionando o mundo e o Brasil está ficando para trás”, diz Luiz Ugeda, CEO da Agência Geocracia.

Fonte: https://geocracia.com/censo-em-xeque-gera-crise-publica-no-ibge/

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

ÍNDIOS DO BRASIL


305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil



  • – por João Fellet – BBC Brasil em Washington
  • Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.
    As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado no inicio do mês de junho (2017).
    Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.
    No “Caderno Temático: Populações Indígenas”, o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.
    O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.
‘Retomadas’
Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.
Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas “retomadas”, quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.
Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.
Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.
O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).
O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.
Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.
Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o “Atlas Nacional do Brasil Milton Santos”.
Cultura indígena
Indígenas vêm retornando às regiões de origem para reivindicar demarcação de territórios – foto: thinkstockphotos/BBC Brasil
O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.
Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que “o indígena ainda é aquele de 1500”. Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.
“Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995.”
Cofundador da Rádio Yandê, Denilson Baniwa – foto: Arquivo Pessoal
Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.
“Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?”
Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.
“Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada.”
Fonte: BBC Brasil
Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/305-etnias-e-274-linguas-estudo-revela-riqueza-cultural-entre-indios-no-brasil/

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

BRASIL E A FOME*




Cerca de 13 milhões ainda vivem em      pobreza extrema no Brasil, diz IBGE

AP Foto/Silvia Izquierdo

LUCAS VETTORAZZO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Brasil tinha em 2016 cerca de 13,4 milhões de pessoas vivendo em condição de pobreza extrema, divulgou o IBGE nesta sexta-feira (15).
De acordo com a pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, com dados do ano passado, 6,5% da população vivia com até US$ 1,90 por dia no país.
A nota de corte considera a classificação de pobreza extrema definida pelo Banco Mundial. Quando convertido para o câmbio da época, o rendimento dessas pessoas fica em R$ 133,70 por mês. O dado não possui base de comparação com outros anos.
A pesquisa mostrou ainda que um quarto da população brasileira (25,4%) vive no nível menos agudo de pobreza do Banco Mundial, de pessoas que têm renda de até US$ 5,50 por dia, ou R$ 387 mensais.
O instituto divulgou nesta sexta diversos dados sobre mobilidade social e educacional, nível de renda e trabalho, e também detalhes sobre jovens que nem estudam e nem trabalham no país.
Não existe uma classificação oficial no Brasil do que se considera pobreza extrema. O IBGE mensurou o percentual da população nessas condições conforme diversas definições, além da do Banco Mundial.
Um dos conceitos analisados foi o das pessoas aptas a serem beneficiárias do programa Bolsa Família. Segundo o IBGE, 17,5 milhões de pessoas são elegíveis para o programa federal de transferência de renda.
Do total da população brasileira, 4,2% (ou 8,6 milhões) vivem com renda de até R$ 85 por mês —a primeira faixa elegível para obter benefícios do programa. Na segunda faixa, de R$ 85 a R$ 170, o contingente chega a 4,3% da população (8,9 milhões).
Um terceiro conceito analisado foi o de pessoas que recebem até um quarto do salário mínimo por mês (R$ 220), que representam 12,15% da população, ou 25 milhões de pessoas. O contingente avança para 36 milhões (ou 17,8% da população) quando avaliada a faixa que recebe de um quarto do salário até meio salário mínimo.
O salário mínimo em 2016 esteve em R$ 880 por mês. Já em 2017, o valor foi para R$ 937. Há discussões no governo para que esse valor seja reduzido no ano que vem.
REGIÕES
Apesar de ter registrado diversas faixas conceituais de pobreza, o IBGE aprofundou a investigação dos dados na faixa de corte de pobreza menos aguda do Banco Mundial, de pessoas que vivem com até US$ 5,50 por dia (R$ 387 mensais).
Os dados por Estados reforçam a desigualdade entre as regiões mais pobres e as mais ricas do país. Enquanto a média nacional para o conceito é de 25,4% da população, em 15 dos 27 Estados o indicador supera a média. Todos estão nas regiões Norte e Nordeste.
Maranhão (52,4%), Amazonas (49,2%), Acre (46,6%), Pará (45,6%) e Ceará (44,5%) formam o ranking dos locais com o maior percentual de pessoas que vivem na pobreza.
O percentual em São Paulo chega a 12,2% e no Rio, 18,3%. Santa Catarina é o Estado com o menor percentual do país, de 9,4%.
Crianças de até 14 anos compõe a maior parcela da população que vive na pobreza: 42,2% ou 42 milhões de pessoas nessa situação.
Pessoas de 30 a 59 anos, contudo, formam o maior contingente em números absolutos nessa faixa de renda: 85,2 milhões no país, de uma população total em 2016 de 207 milhões de pessoas. A faixa responde por 21,3% dos adultos pobres nessa faixa etária.
Por tipo de arranjo familiar, lares ocupados por mulheres negras sem cônjuges e com filhos são maioria entre os domicílios com pessoas vivendo em situação de pobreza. O percentual pessoas pobres em lares com essa configuração é o mais alto: 64%.
Enquanto 84,9% da população tem acesso a abastecimento de água por rede geral de distribuição, apenas 73,3% das pessoas na faixa da pobreza dispõe do serviço. O esgotamento sanitário por rede coletora está em 63,5% da população em geral do país, mas nas casas dos que estão na pobreza, o percentual atinge 42,2%.
ALUGUEL
A pesquisa demonstrou ainda que ser pobre nas áreas mais ricas do país é mais difícil do que em locais de renda menor, principalmente em razão do alto custo da moradia. O IBGE investigou o percentual de pessoas que comprometem mais de 30% de sua renda para pagar moradia.
Segundo o IBGE, 4,5% da população no Brasil tem aluguel que supera 30% da sua renda mensal. O entendimento mundial é que a pessoa vive em risco quando quase um terço de sua renda é destinada a moradia.
Em áreas mais ricas, o percentual de pessoas nessa condição aumenta. O Distrito Federal tem 8,5% da população nessa situação —o maior percentual do país—, seguida de São Paulo (6,7%) e Rio (5,9%). Considerando somente a capital paulista, o percentual vai a 8%.
No Estado do Maranhão, por exemplo, o indicador é bem mais baixo, em 2,2%, assim como no Piauí (1,2%) e Pará (2%). Dos Estados com menos recursos, o Amazonas é o que tem a maior parcela das pessoas que comprometem até 30% de sua renda com aluguel (4,3%).
*Título Editado 
Fonte: https://br.financas.yahoo.com/noticias/3-cerca-13-milh%C3%B5es-ainda-121600969.html

sábado, 16 de julho de 2016

IBGE ATLAS DIGITAL



IBGE disponibiliza Atlas Digital do Brasil 2016






O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou na segunda-feira, dia 27 de junho, o Atlas Nacional Digital do Brasil 2016. Trata-se de um atlas que incorpora, em ambiente interativo, as informações contidas no Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, publicado em 2010, acrescidas de 170 mapas com informações demográficas, econômicas e sociais atualizadas e um caderno temático sobre a população indígena no Brasil. Com isso, faz um mapeamento inédito sobre a localização dessa população dentro e fora das Terras Indígenas, segundo dados do Censo Demográfico 2010. O Atlas está disponível no site do IBGE. Acesse AQUI


Fonte: http://gaea-astronomia.blogspot.com.br/2016/07/ibge-disponibiliza-atlas-digital-do.html

sábado, 11 de agosto de 2012

MAIS ÍNDIOS

População indígena cresceu 205% em duas décadas, aponta IBGE


Brasil é terra de 305 etnias indígenas | Foto: Wilson Dias/ABr


Segundo dados reveleados nesta sexta (10) pelo Censo 2010, a população indígena no Brasil aumentou 205% desde 1991, quando foi feito o primeiro levantamento no modelo atual. No início da última década do século XX, haviam sido censeados 294 mil indígenas e 734 mil no início do novo milênio.
Para chegar ao número total de índios, o IBGE somou aqueles que se autodeclararam indígenas (817,9 mil) com 78,9 mil que vivem em terras indígenas, mas não tinham optado por essa classificação ao responder à pergunta sobre cor ou raça. Para esse grupo, foi feita uma segunda pergunta, indagando se o entrevistado se considerava índio. O objetivo foi evitar distorções.
A responsável pela pesquisa, Nilza Pereira, explicou que a categoria índios foi inventada pela população não índia e, por isso, alguns se confundiram na autodeclaração e não se disseram indígenas em um primeiro momento. “Para o índio, ele é um xavante, um kaiapó, da cor parda, verde e até marrom”, justificou.
Os povos considerados índios isolados, pelas limitações da própria política de contato, com objetivo de preservá-los, não foram entrevistados e não estão contabilizados no Censo 2010. O estudo da população brasileira também revelou que, entre as 305 etnias contabilizadas, há 274 diferentes idiomas, 37,4% índios com mais de 5 anos de idade falam línguas indígenas, apesar de anos de contato com não índios e cerca de 120 mil não falam português.
Outro apontamento da pesquisa é uma mudança no perfil habitacional dos povos originários brasileiros. Enquanto, em 2000 apenas cerca de 52%  dos indígenas residiam em áreas urbanas, em 2010  57,7% dos censeados residiam em áreas indígenas. Hoje, o Brasil é habitado por 516,9 mil índios, distribuídos em 505 diferentes terras reconhecidas pelo governo brasileiro como pertencentes ao povos originários. A existência de 379 mil fora dessas terras indica a necessidade de ampliação e criação de novas terras, mas também aponta para a migração em busca de educação e de renda, segundo especialistas.
Dos 42,3% índios que não estão nas terras originais, 78,7% habitam áreas urbanas. Dentre as regiões do país, a situação é mais comum no Sudeste, onde 84% dos 99,1 mil índios na região estão fora de suas terras, principalmente em São Paulo (93%) e no Rio de Janeiro (97%). Outros estados como Goiás (96%), Sergipe (94%) e Ceará (86%) também têm percentuais elevados.
No Sudeste também há casos de índios que deixam suas terras por falta de espaço. Pressionados devido ao pequeno território, os guaranis, do sul fluminense, se desmembraram em aldeias menores. Parte foi para um antigo sítio indígena em Niterói e os demais permanecem próximos às terras Guarani Araponga, Guarani de Bracuí e Parati Mirim, somando 2,8% dos índios no estado.
Para o professor de antropologia da Universidade de Campinas (Unicamp), José Maurício Arruti, a migração econômica é uma das explicações para a quantidade de índios fora das aldeias reconhecidas, mas não o único fator. “Tem a ver também com o estabelecimento de núcleos antigos de migração (nas cidades) e com problemas territoriais na origem, que expulsam, principalmente novas gerações”, afirmou.
Outra razão que pode explicar o aumento de índios fora da área original é um fenômeno chamado etnogênese, quando há “reconstrução das comunidades indígenas” que supostamente teriam desaparecido. Há indícios de que seja o caso da Região Nordeste, onde 54% dos índios vivem fora de suas terras, segundo o professor de antropologia da Unicamp.
Com informações da Agência Brasil

Fonte: http://sul21.com.br/jornal/2012/08/populacao-indigena-cresceu-205-em-duas-decadas-aponta-ibge/