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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

AMAZÔNIA x ARQUEOLOGIA BOTÂNICA

 


Amazônia: indígenas viveram na floresta por 5 mil anos sem destruir bioma, mostra estudo



  • Victoria Gill
  • Repórter de Ciências da BBC News

domingo, 22 de janeiro de 2023

MEIO AMBIENTE - ROCHAS DE PLÁSTICO

 

Pesquisadora da UFPR descobre rochas de plástico no Brasil

O estudo é o primeiro que se refere a um afloramento de rochas de plástico

Afloramento das rochas compostas por plástico (Foto: Fernanda Avelar)

Rochas formadas por plástico. A descoberta na Ilha da Trindade, no Espírito Santo, foi da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal Paraná (UFPR), Fernanda Avelar Santos. A pesquisadora, que faz parte do projeto de estudos costeiros da universidade, estava na ilha fazendo um mapeamento de riscos geológicos. E durante o trabalho de campo se deparou com um conglomerado de rocha formado por plástico de rede de pesca.

O estudo é o primeiro do mundo a nível global no que se refere a um afloramento de rochas de plástico. A descoberta da pesquisadora da UFPR tem 12 metros quadrados de extensão. Outros achados encontrados no Havaí, Ilha da Madeira e Costas da Inglaterra e Japão são de amostras menores. Mas todos os estudos apontam para o impacto humano e de resíduos que influenciam diretamente em processos antes essencialmente naturais.

Amostra de plastiglomerado (Foto: Fernanda Avelar)


O local onde as rochas formadas por plástico foram encontradas é uma ilha vulcânica localizada a 1.140 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo. A Ilha da Trindade é um Patrimônio Natural da União, administrado pela Marinha do Brasil. Além de ser um habitat natural de aves marinhas, na região são encontradas espécies endêmicas de peixes, conjuntos de recifes e tartarugas marinhas, entre elas a tartaruga-verde.




Apesar de ainda não ser possível mensurar os impactos dessa descoberta para a fauna e flora, a publicação vai contribuir para análises mais aprofundadas e possibilitar ações com o intuito de reduzir os efeitos negativos dessa interferência do homem no ciclo biológico do planeta.

O artigo foi publicado no periódico Marine Pollution Bulletin, da plataforma Elsevier. Além de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, a pesquisa contou com a contribuição de cientistas de outras instituições brasileiras. 


Fonte: https://bandnewsfmcuritiba.com/pesquisadora-da-ufpr-descobre-rochas-de-plastico-no-brasil/?fbclid=IwAR0IcgYEjYzv5w7KH6zn_icgjxJE6tsDb_2r9Dzx-rFr-sJB0jtWpeT6jPY

terça-feira, 28 de julho de 2020

ÁRVORES PRÉ-HISTÓRICAS



Araucariaceae: As árvores pré-históricas mais raras do mundo que sobrevivem à extinção




Kate Evans, do Landscape News
domingo, 26 julho 2020 16:15



John Muir, herói ambiental escocês-americano, é famoso por seu ativismo para preservar as sequoias do oeste norte americano. Entretanto, em 1911, aos 73 anos, ele viajou para o outro extremo das Américas em busca de uma espécie de árvore diferente, um gigante das florestas que ele só tinha visto em fotos: a araucária.
Nas montanhas nubladas do Sul do Brasil, Muir caminhou entre as coníferas de copa plana por uma semana e escreveu em seu diário: “Manhã chuvosa. Araucárias por centenas e milhares. Paisagem maravilhosa”. Ele havia visitado a Amazônia recentemente, mas as araucárias eram as árvores que ele queria ver antes de morrer.
Foi, como escreveu, a floresta mais interessante que ele já havia visto em sua vida.
As araucárias do Brasil pertencem à família ancestral das Araucariaceae, as quais encontradas em todo o mundo durante os períodos Jurássico e Cretáceo (entre 200 e 65 milhões de anos atrás). Algumas pesquisas sugerem que, devido as suas folhas ricas em energia e com baixa fermentação, elas eram um alimento essencial para os dinossauros saurópodes.
Atualmente, os três gêneros sobreviventes dessa família estão limitados ao hemisfério sul. E, como os dinossauros que antes vagavam entre eles, essas árvores de aparência peculiar agora estão em risco de extinção.
Dentro da família Araucariaceae, existem 20 espécies no gênero Araucária, incluindo o Araucaria araucana ou Monkey-Puzzle do Chile, o Hoop Pine da Austrália e Papua-Nova Guiné e o Norfolk Island Pine da ilha Norfolk. Outras 22 espécies pertencem ao gênero Agathis, encontrado no Pacífico Sul e no Sudeste Asiático, dos quais o mais famoso é a árvore colossal Kauri, da Nova Zelândia. E o gênero Wollemia, da Austrália, contém apenas uma espécie, um “fóssil vivo” espetacular tão somente descoberto em 1994, dentro de sua última fortaleza em um cânion escondido localizado próximo a Sydney.

Um estudo de 2018 classificou as espécies de gimnospermas (plantas sem flores) no mundo segundo sua história evolutiva e risco de extinção. Das quatro espécies identificadas como tendo a maior prioridade de conservação, três foram Araucariaceae: o pinheiro Wollemi, a araucária brasileira e a Kauri.
A ilha dos tesouros
Apesar da distribuição geográfica dessa família ancestral, quase metade das espécies vivas – 19 de 45 – se encontra somente em um pequeno arquipélago do Pacífico, Nova Caledônia, cerca de 1.000 quilômetros da Austrália.
Essas ilhas tropicais montanhosas abrigam cinco espécies de Agathis e quatorze de Araucária. “Essas plantas são maravilhosas, são diferentes de qualquer outra”, diz Robert Nasi, diretor geral do Centro de Pesquisa Florestal Internacional (CIFOR). Como parte de sua pesquisa para obter seu título de mestrado, Nasi mapeou a distribuição das diferentes espécies de Araucariaceae nas ilhas.
Algumas crescem apenas na atitude das montanhas chuvosas e nubladas da Nova Caledônia, algumas entre florestas de folhas largas e outras em recifes rochosos elevados, próximos à costa. “Então você tem todas essas esquisitices que parecem esconder um dinossauro por trás”, diz Nasi. “Você olha para ver que tipo de monstro antediluviano vai pular do outro lado.”
A Nova Caledônia está isolada de outras massas terrestres há pelo menos 45 milhões de anos, sua geologia é complexa e possui uma ampla variedade de ecossistemas em uma superfície de apenas 18.275 quilômetros quadrados – metade do tamanho da Suíça. O resultado é uma biodiversidade exuberante, não apenas em Araucariaceae, mas também em plantas em geral: o arquipélago possui 3.261 espécies nativas – quase tantas quanto toda a Europa continental – o que a torna o menor hotspot de biodiversidade do mundo.

Entretanto, com cada uma adaptada a um ambiente específico, as Araucariaceae da Nova Caledônia são vulneráveis. Uma espécie, Araucaria scopulorum, é conhecida apenas em alguns locais onde há mineração de níquel, uma das indústrias mais importantes do país. Contudo, esta não é a única ameaça, as mudanças climáticas também representam um risco para muitas dessas espécies.
“Eu não acho que elas desaparecerão durante o nosso tempo de vida, mas também não acho que elas irão durar muito”, diz Nasi. “Uma espécie restrita a uma faixa de 200 metros de altitude em uma montanha em uma ilha do Pacífico provavelmente não tem um futuro esperançoso sob as mudanças climáticas”.
Deveria haver mais esforço para propagar os tesouros botânicos da Nova Caledônia e cultivá-los em coleções vivas, mesmo fora do país, afirma Nasi – e os últimos bastiões das espécies mais ameaçadas devem ser totalmente protegidos da mineração e de outros distúrbios.
Combatendo incêndios e pragas na Nova Zelândia e na Austrália
Um dos membros icônicos da família Araucariaceae na Nova Zelândia, Agathis australis, está enfrentando outras ameaças. As árvores kauris podem viver por mais de 2.000 anos e crescer até 50 metros. Eles são considerados uma taonga, ou uma posse preciosa, pelos povos indígenas maoris.
Uma grande floresta de kauris já atingiu o norte do país, mas a demanda por madeira e terras agrícolas após a chegada dos europeus levou à destruição de 99,5% da mesma floresta no início do século XX.
Alguns fragmentos ainda permanecem em áreas protegidas e em terras particulares, mas os kauris estão atualmente enfrentando um novo inimigo – um patógeno do solo chamado Phytophthora agathidicida, também conhecido como ‘assassino dos kauris’.
Não há cura, mas os cientistas e os maoris estão trabalhando juntos, tentando combinar microbiologia e conhecimento antigo em um esforço para salvar as árvores.
O pinheiro Wollemi da Austrália, Wollemia nobilis, é ainda mais raro e poderia ter desaparecido completamente em estado selvagem no final de 2019, se não fosse por uma missão de resgate ousada e secreta. Até a década de 1990, árvores como Wollemi eram conhecidas apenas de registros antigos de pólen, segundo Cris Brack, cientista florestal da Universidade Nacional da Austrália em Canberra. “Sabíamos que algo como esta árvore havia existido em todo o continente, e depois desapareceu”.
Acreditava-se que eles estavam extintos há milhões de anos. Então, em 1994, um guarda florestal, David Noble, fez rapel em um desfiladeiro no Parque Nacional Wollemi, nas Montanhas Azuis, a noroeste de Sydney, e encontrou uma árvore imponente que ele não reconheceu. Tinha folhas e cascas de samambaia cobertas de bolhas cor de chocolate.
“Foi realmente como encontrar um dinossauro vivo”, disse Brack.

Desde então, foram encontrados cerca de 100 pinheiros Wollemi em quatro bosques no mesmo sistema de cânions, cuja localização é mantida em segredo para protegê-los de vandalismo ou introdução acidental de phytophthora.
A análise genética revelou que a população tem uma diversidade genética extremamente baixa, tornando-a menos resistente a ameaças.
Em um esforço para preservar os pinheiros Wollemi para as gerações futuras, os horticultores do Jardim Botânico Australiano no Monte Annan desenvolveram um método de clonagem de árvores. Desde 2006 elas estão sendo plantadas em jardins familiares e botânicos na Austrália e em todo o mundo.
O Royal Botanic Garden de Sydney lançou recentemente um projeto de ciência cidadã, “I Spy a Wollemi Pine”, para tentar rastrear os diferentes ambientes nos quais as espécies podem crescer.
No final de 2019, enquanto a Austrália queimava, um incêndio florestal sem precedentes começou no Parque Nacional Wollemi, que acabou com mais de 444.000 hectares e se tornou o maior incêndio florestal com ponto único de ignição na história australiana.
Brack acompanhou sua evolução e temeu que fosse a sentença de morte para os pinheiros Wollemi na natureza. “Eu pensei, não há como eles sobreviverem a esse incêndio.” Mas em janeiro, o governo de New South Wales anunciou que havia salvado as árvores em uma missão secreta de resgate.
Aviões jogaram bombas de água e retardantes de fogo em um anel ao redor da floresta. Alguns bombeiros foram levados de helicóptero para o desfiladeiro para instalar e operar um sistema de irrigação e manter o solo úmido.

Poucas árvores saíram chamuscadas e outras duas foram incendiadas, mas o fogo terminou e o resto da população não foi afetada.
O esforço valeu a pena, afirma Brack. Graças a produção de mudas em viveiros, o pinheiro Wollemi não corre o risco de desaparecer. Mas muitos mistérios sobre a genética e a biologia das espécies permanecem, como por que quase foi extinto e como esse pequeno grupo sobreviveu por milênios.
Essas respostas só podem vir da população silvestre e das interações das árvores com o solo, o clima e o ecossistema circundante.
“Poucas coisas vivem isoladas, (na verdade) elas vivem em comunidade”, afirma Brack.
A floresta perdida do Brasil
Sabe-se mais sobre as espécies de araucária que Muir tanto admirava, a Araucária angustifolia do Brasil. Elas são as espécies dominantes em um tipo de floresta que já se estendeu por 200.000 quilômetros quadrados nos três estados do sul do Brasil – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – além de fazer parte da província argentina de Misiones.
Como parte do bioma da Mata Atlântica, outro hotspot da biodiversidade global, a araucária abrigava uma variedade de palmeiras endêmicas, arbustos e árvores frutíferas, incluindo Ilex paraguariensis, cujas folhas são usadas no sul da América do Sul para produzir a popular bebida quente conhecida como mate (espanhol) ou chimarrão (português).
As árvores eram uma fonte crucial de alimento para pássaros, mamíferos e os primeiros habitantes nativos da região, que os arqueólogos chamam de proto-Jê do Sul. No outono, eles coletavam das árvores cones gigantes cheios de sementes nutritivas e ricas em amido, chamadas pinhão. A araucária ainda faz parte da cultura ritual dos sobreviventes do sul do Jês, dos povos indígenas Kaingang e Xokleng-Laklãnõ.
Evidências arqueológicas recentes indicam que há quase 1.000 anos, os Jês do Sul ajudaram as florestas de araucária a se expandirem de sua distribuição natural limitada para cobrir quase todo o platô, mas não se sabe ainda como ou por quê.
Após a colonização do Brasil, os seres humanos começaram a causar o efeito oposto na floresta, derrubando-a para obter madeira e abrir caminho para a agricultura.
Na época da visita de Muir, no início do século XX, as serrarias já estavam em operação. Na década de 1940, a madeira de araucária brasileira foi um dos principais insumos usados ​​para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial, e cerca de 100 milhões de árvores foram derrubadas entre 1930 e 1990. Atualmente, apenas entre 3 e 5% da extensão original da floresta permanece.
A exploração de araucárias hoje em dia é ilegal, mas uma pesquisa realizada em 2019 descobriu que as mudanças climáticas provavelmente levarão as espécies ainda mais perto da extinção.
Oliver Wilson, da Universidade de Reading, e seus colegas usaram simulações para combinar informações climáticas com mapas de vegetação e topografia de alta resolução. Eles previram que até 2070, apenas 3,5% das florestas restantes serão adequadas para araucária e identificaram micro refúgios – áreas frias e úmidas onde as árvores poderiam sobreviver – mas descobriram que mais de um terço dessas áreas já havia sido desmatado.

As araucárias já haviam sobrevivido a grandes mudanças climáticas (afinal, elas têm estado presentes há quase 100 milhões de anos). Entretanto, embora no passado as florestas pudessem mudar para cima e para baixo no continente sul-americano à medida em que o clima flutuava, agora estão essencialmente presas, revela Wilson.
“Elas existem no extremo sul das terras altas do sul do Brasil. Elas não podem subir muito mais. Estão presas a oeste pelo desmatamento, ao sul por elevações baixas e ao norte pela mudança de clima. É como se o clima e as ações humanas juntas estivessem se aproximando. Elas não têm mais para onde ir.”
Ainda assim, algumas intervenções direcionadas podem garantir sua sobrevivência na natureza, revela Wilson. Isso poderia incluir maior proteção nos pontos climáticos mais adequados, reflorestamento e adaptação das regulamentações para incentivar os proprietários de terras a conservar e restaurar a araucária em regiões de pastagem.
Também podemos descobrir mais sobre como o Jê do Sul manejava a floresta, declara Wilson.
“Se, há 1000 anos, eles aumentaram essas florestas diante de um clima que não os ajudava, talvez possamos aprender lições para ajudar a floresta a persistir”.

*Esta história faz parte da série Landscape News Forgotten Forests
**Tradução de Márcio Lázaro. 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

MEIO AMBIENTE


Florestas 'artificiais' podem causar mais danos que benefícios, dizem estudos


sábado, 16 de maio de 2020

PANDEMIA DE CORONAVÍRUS





Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade





Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).
E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.
Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos... Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.
Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).
Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.
A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.
A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista... “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção. Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

MEIO AMBIENTE




Derreteu, num dia, 40% da área superficial da Gronelândia


| Mundo





Em apenas um dia, 40 por cento da área superficial da Gronelândia derreteu, com uma perda recorde de 2 mil milhões de toneladas de gelo. Uma foto partilhada por um climatólogo tornou-se viral, ao expor o fenómeno abrupto de degelo.


A foto foi captada por Steffen Olsen, do Centro para o Oceano e o Gelo, do Instituto Meteorológico Dinamarquês, no dia 13 de junho.

O investigador deparou-se com uma imagem aterradora: grande parte do gelo tinha derretido e os cães de trenó estavam a caminhar sobre água. O manto de gelo tinha apenas 1,2 metros de espessura.
 
A imagem rapidamente se tornou viral. Ao partilhar a imagem no Twitter, Olsen alertou para a necessidade de uma "previsão mais apurada no Ártico" dado a existência destes "eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície".
O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos revelou que mais de 40 por cento da área superficial da Gronelândia derreteu na passada quinta-feira – aproximadamente 712 mil quilómetros da superfície – o que representa uma perda de 2 mil milhões de toneladas de gelo. 

O ocorrido é altamente invulgar para o mês de junho, dado que a maioria do degelo se dá normalmente em julho. Tal pode indicar que, este ano, a Gronelândia obtenha novos recordes de gelo derretido. 

Jason Box, um climatólogo no Serviço Geológico da Dinamarca e da Gronelândia previu que 2019 seria "o maior ano de degelo para a Gronelândia". E relembrou que, este ano, já se verificou um degelo anormal em abril, o que significa que a época de degelo "está a acontecer três semanas mais cedo do que a média, e mais cedo do que o recorde de degelo do ano de 2012". 
Sequência de grandes épocas de degelo

Na quarta-feira, a meteorologia previu temperaturas invulgarmente elevadas em algumas zonas da Gronelândia: 17,3 graus. Impulsionadas pelo ar mais quente que se deslocava do sul, o aumento foi sentido na Gronelândia e no resto do Ártico.

As temperaturas no mês de maio subiram aproximadamente sete grausrelativamente à média calculada de entre 1981 e 2010. Por sua vez, levaram a um recuo do gelo, com a segunda menor extensão de gelo dos últimos 40 anos.

Períodos de degelo significativo não são tão invulgares – ocorreram em 2007, 2010 e 2012. O sucedido "é comparável a alguns picos que vimos em junho de 2012", disse Thomas Mote, investigador na Universidade da Geórgia, à CNN. Em 2012, aproximadamente 97 por cento da camada de gelo derreteu, a primeira vez na História.

"Temos assistido a uma sequência de grandes épocas de degelo, a começar em 2007, que seria inédito anteriormente. Não vimos nada assim antes do final dos anos 1990", acrescentou.

Tal significa que as épocas de degelos estão a tornar-se cada vez mais comuns, podendo contribuir para a subida do nível das águas. "A Gronelândia tem contribuído de forma crescente para a subida do nível do mar a nível global nas últimas duas décadas", disse Mote.

A nível local, o degelo acarreta também consequências, uma vez que a população local depende do gelo para caçar, pescar e circular.