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sexta-feira, 28 de junho de 2013

COTIDIANO




“Onde começam queimando livros…”





A notícia que um livro foi apreendido como se fosse arma no Rio de Janeiro (e justo o Mate-Me Por Favor!) é outro indício de autoritarismo latente que ronda esses dias estranhos que estamos vivendo e mais do que motivo para ficarmos atento à tomada de nossas liberdades. O próprio Ivan Pinheiro Machado, dono da L&PM que publicou o livro apreendido, dá o tom de indignação frente uma situação dessas no blog de sua editora:
“Meu pai era um inimigo da ditadura militar de 1964. Por isso nossa família sofreu vários tipos de intimidações e perseguições. Minha casa foi invadida várias vezes pela repressão. A que mais me marcou foi o dia em que a polícia política (DOPS) invadiu nossa casa e prendeu centenas livros da grande biblioteca do meu pai. “Vamos queimar esta imundície comunista”, dizia o delegado, jogando ensaios de Marx e Schopenhauer numa caixa de lixo.
Ontem eu vi um delegado exibindo na TV um livro publicado pela L&PM Editores: Mate-me por favor dos jornalistas e críticos musicais Legs McNeil e Gillian McCain apreendido na casa de um suposto vândalo.
Não me interessa o que o rapaz fez. Mas o que me chamou a atenção foi a naturalidade com que o delegado apreendeu o livro. Um delegado que não serve a uma ditadura e apreende um livro é porque tem a vocação do autoritarismo. E nenhum respeito por um livro. Mate-me por favor é um livro maravilhoso, editado por minha indicação. Não faz a apologia da violência. Muito pelo contrário. Ele trata de jovens que foram abandonados pelo sistema e elegeram a música como uma forma de protesto. E esta música foi uma bofetada no sistema. Esta música fez com que os delegados e os políticos voltassem os seus olhos para uma enorme legião de jovens sem futuro e sem emprego nos idos dos anos 80. A L&PM Editores, meu caro delegado, já foi vítima durante sua história nos anos sombrios da ditadura de vários delegados que odiavam livros.
O que me surpreende é que um bom livro seja alinhado junto a facas e correntes e exibido na TV como se fosse uma arma. E ninguém diz nada. Lembrou-me o tira ignorante que invadiu a casa do meu pai nos anos 70 para prender os “livros comunistas”. Ele não teve dúvidas; atirou-se na estande e pegou o O vermelho e o negro de Stendhal como um símbolo desta “corja vermelha que quer tomar conta do país…”
Inevitável lembrar não apenas da ditadura militar brasileira, mas na viagem que fiz à Berlim há pouco me deparei com uma frase de uma peça de 1821 citada em uma placa no meio da Bebelplatz, a praça alemã que serviu de palco para a fogueira de livros promovida pelos nazistas em maio de 1933:

“Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen.”

Onde começam queimando livros, terminam queimando gente. Não dá pra aceitar isso numa boa.


Armas brancas e livro apreendidos na casa de suspeito de vandalismo no Rio

terça-feira, 30 de outubro de 2012

ARTIGO

Uiliene x Zeziel: Madeira demitiu a pessoa errada

Professora Uiliene foi demitida após postar uma foto em que mostra a precariedade de escola


| segunda-feira 29 outubro 2012 às 12:03
 
 


 

Professora Uiliene Araújo Santa Rosa (Foto: Correio Popular)

 

A demissão da professora Uiliene Araújo Santa Rosa, de 24 anos, pelo prefeito Sebastião Madeira demonstra claramente como pensa o prefeito. Ele não aceita críticas e persegue quem “ousa” ter opinião contrária à sua. Não é o primeiro caso.
Numa cidade civilizada com uma gestão democrática, quem seria demitido era o secretário de educação Zeziel Ribeiro, por dois motivos: primeiro porque deixou crianças assistirem aulas numa situação degradante; depois por perseguição a uma educadora que denunciou o absurdo. Mas ficou evidente que o secretário contou com o apoio do prefeito e não agiu sozinho. Matéria publicada na página maranhense do site Globo.com mostra que “ele (o secretário) afirmou, ainda, que a demissão foi comunicada ao prefeito Sebastião Madeira, que autorizou o procedimento”. Precisa dizer algo mais?
Mas tem mais: voltemos ao site: “Zeziel Ribeiro da Silva, confirmou a demissão da professora. De acordo com ele, Uiliene Araújo Santa Rosa é seletivada e seu contrato foi rescindido após a postagem da situação da escola nas redes sociais.” Traduzindo: Zeziel Silva perseguiu e demitiu uma professora que defendeu mais qualidade na educação.
Como se vê, o prefeito Madeira demitiu a pessoa errada. E deixou passar uma grande oportunidade de mostrar que tem compromisso com a qualidade dos serviços que sua gestão presta. Preferiu tentar calar uma educadora a pedir explicações ao seu secretário. Um tirano. Uma ameaça às liberdades de manifestação.


Por Marcos Franco Couto


FONTE: http://dominuto.com.br/uiliene-x-zeziel-madeira-demitiu-a-pessoa-errada/