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segunda-feira, 1 de maio de 2017

ECONOMIA SUSTENTÁVEL



O que é uma Nova Economia Sustentável?

Por Mauro Schorr Orua



Uma nova economia mundial ética e sustentável, que coisa estranha não, realmente uma utopia, um sonho, no mundo moderno, mas utopia é o que a gente chama de uma boa maré de calmaria, onde os bons ventos nos levam, para uma saudável e criativa evolução, então a utopia continua valendo, e muito, para que tenhamos um mundo mais justo e saudável
Para podermos alcançar uma economia sólida, duradoura e sustentável, temos alguns passos fundamentais, que infelizmente os nossos novos heróis da mídia, os candidatos a presidência, estão ainda longe de comentar qualquer assunto a respeito:
I - Economia sustentável é a "crista da onda da salvação de nosso futuro no planeta"
- Não investe em futilidades, não alimenta um consumo perdulário, valoriza profundamente o conforto essencial
- Busca o consumo ou o investimento ético, de melhor custo benefício
- Investe em produtos e atividades que tenham maior durabilidade
- Valoriza e irradia o conforto essencial, uma qualidade de vida saudável, inteligente, que não prima pelo excesso de conforto e luxo, e nem a sua ausência, e sim um belo e mais orgânico modo de viver em maior harmonia com os ritmos naturais do nosso planeta, sem desmerecer as conquistas mais dinâmicas e úteis da vida moderna
- Observa as questões sociais, valoriza a ausência de exploração do trabalho e do trabalhador (a)
- A verdadeira economia sustentável é aquela que se dirige a depender menos possível do uso direto do poder do dinheiro, e coloca em pauta ações que não necessitem realmente da moeda corrente, mas sim da geração de riqueza e abundância, que acentue uma primorosa auto-suficiência, como um norte, uma meta que seja mais profundamente alcançada

II – A Economia Sustentável não pode ser para poucos
- É preciso se qualificar um teto salarial máximo pessoal em cada país do planeta, por que os desequilíbrios de ganho financeiro direto estão exagerados, e por causa deles, aumenta a violência brutalmente na sociedade
- Por causa da concentração de renda, temos uma disputa desleal de poder, e com isso uma manipulação e escravização política e econômica voraz e sem limites de todas as nações da terra neste momento.
“Pode-se afirmar que existe hoje dinheiro e comida sobrando no mundo moderno... É o momento ideal de se reunir os habitantes dos bairros e ruas e se unir as forças, empoderando de vida e beleza suas cidades, formando novas ressuscitadas ecoaldeias e ecobairros”.
- Esta situação não consegue ser facilmente freada, e pode ser inicialmente com o aumento dos impostos para os que recebem mais do que R$ - 40.000.00 mensais, com a obrigação de serem repassados os recursos para projetos de recuperação sócio-ambiental e melhoria da educação e saúde das populações mais excluídas.
- Interessante que os impostos de poupança no Brasil atingem 6-7 % ao ano, e os juros dos cartões bancários, mais de 170 % anuais, este tipo de sistema de exploração financeira da sociedade precisa ser urgentemente revisto, é uma injustiça completa o que está ocorrendo, uma subordinação da sociedade aos bancos, e com eles, o repasse de bilhares de recursos para papéis fictícios, e não reais, como a recuperação de áreas degradadas, despoluição de ambientes, melhoria da educação, saúde pública, estradas, portos, aeroportos, entre outros.
- Os produtos e a tecnologia da sustentabilidade e de uma ótima qualidade de vida, não podem ser tão elitizados como estão sendo. O sistema matrix quer faturar com os temas mais sagrados e vitais para a nossa salvação futura, desta forma, somente quem tem poder de capital e de compra vai poder adquirir e se abastecer desta nova cultura, este será um sério erro que teremos que evitar para o despertar de praticamente toda a sociedade, e não para os privilegiados de sempre, sobretudo em temas atuais como a permacultura, biodinâmica, antroposofia, yoga, medicina chinesa, psicologia transpessoal, alimentação viva, veganismo e outros.


III – Economia da Saúde Vital e Espiritual da Humanidade
- Os ritmos de vida da humanidade, são intensos, e escravizados em função de acumular-se dinheiro e bens móveis e imóveis, e para isso surgem turnos de trabalho de 8 a 15 horas diários.
- Trabalha-se para se juntar dinheiro, e o dinheiro acumulado, serve para pagarem-se os médicos e os remédios, que podem atenuar os sofrimentos advindos destes modelos stressantes de vida, este é o recado do mestre Dalai Lama.
- Uma nova economia prioriza o contato antes do trabalho, com a saúde física, mental, emocional e espiritual, com isso teremos menos custos de manutenção de nossa saúde, maior prevenção a doenças, e com isso mais economia sendo gerada, e uma nova vida de maior qualidade e prazer
- Temos que lutar para que os trabalhadores comecem a atuar profissionalmente, durante 4 a 6 horas diariamente, e as demais, que eles se dediquem a melhorar a qualidade de vida de suas famílias, casas, terrenos, agricultura, ambiente, educação dos filhos, a sua cidade e país.
- 8 horas diárias de trabalho, mais 2-3 horas de trânsito engarrafado, vão deixar loucos e doentes 85% dos trabalhadores, sejam ricos ou pobres, e isso precisa ser reavaliado urgentemente, chamamos este repensar de novos ritmos vitais da paz.

IV - Uma Economia da Saúde do Bem Estar para Todos
- Uma coisa boa dos liberalistas, é que podemos pegar a onda da globalização deles e globalizar aos poucos, as melhores culturas e dicas de todo o planeta humano e não humano em nosso dia-a-dia, para isso é necessário um espírito ou mentalidade mais aberta, perspicaz, e que aprecie se descongelar, se renovar e ter coragem para avançar com alegria e determinação, em um novo paradigma holístico. 

- Conhecimento, é uma massa de idéias flutuantes, e os saberes, já é o resultado de sua prática, quanto mais saberes diversos vividos, mais poderemos avançar em soluções, em qualidade de vida e em nossa nova economia sustentável.
- Uma nova economia da beleza, da vida, da saúde, que faça as pessoas despertar, que torne a vida melhor, mais feliz, de menor custo, que fale a linguagem do ser e não do ego, que conquiste a confiança do ser interior, da sabedoria interior, é o que chamamos de uma nova economia espiritual, que agrega valores espirituais, mais terapêuticos e artísticos.
- Uma nova economia desta forma pode ser considerada em menor escala "uma "economia branda e mais artesanal", e em maior proporção, uma economia mais orgânica e vital, e os anos de estudo e aprendizado, precisam participar na valorização e uso correto de seus produtos
Conclusão:
“Uma economia holística é a nossa utopia, desafio e revelação para a nossa sustentabilidade real”.
Afinal, podemos chamar por exemplo uma horta de simplesmente uma área de produção de alimentos, energia e de dinheiro.
Ou podemos fazer de uma forma tão bela e saudável, que ela seja considerada uma nova bio-arquitetura da vida, um pequeno oásis e templo vivo terapêutico, e até um altar para a devoção espiritual.
E desta forma, percebe-se que antes agíamos como mercantilistas da vida e da terra, cujo alvo era produzir e vender, basicamente monocultivos.
Agora, agimos como os artistas, onde alguns pintam quadros em telas, outros, quadros vivos, na terra, ambos possuem o mesmo valor, e conseguem desta forma unir tudo, a renda financeira, a renda vital e espiritual, e quem ganha não é somente o ser humano, mas todo o oásis planeta Terra, nosso único lar e bela biológica espaçonave de luz orgônica azulada, este diamante vivo reluzente voando no céu estelar infinito...
E bem nas asas da grande águia da nova era quântica que estamos começando a conhecer e a aceitar sua força poderosa e desafiadora.
Assim esta horta pode dar frutos como legumes, raízes, folhas, ervas medicinais frescas e secas, óleos para massagem, fumos, rapés, remédios fitoterápicos, perfumes, sementes, mudas, adubo orgânico, molhos, patês, pestos, sucos verdes, ajudar com temperos em pães, pizzas, tortas salgados, servir para aulas de educação ambiental, processos terapêuticos e para a meditação.
Quantos de novos valores quali e quantitativos econômicos e múltiplos potenciais podemos encontrar em pequenas atividades, que a era atual de virgo, dessecou e espremeu em fatias fragmentadas, frágeis, e bastante insustentáveis, com um custo muito alto de manutenção e até distanciamento da natureza e de nossa real qualidade de vida sadia?
Por fim, o primeiro passo é identificar o que é a sua natural vocação. Comece dando muito valor a ela. Sua vocação e talento são uma luz e voz que berra dentro de você, bate a sua porta todos os dias, até você acordar.
Através de seu amor e paixão por determinado assunto, o sucesso será encontrado na medida certa, mas o nosso conceito de sucesso não é algo momentâneo, mas corresponde a se ter vitórias o tempo todo, vitórias de nossa harmonia com o mundo, a cada segundo, cada encontro com alguém, uma vitória de nossa verdade e de nosso amor, e cada gesto e ação, uma comunhão com profunda gratidão e devoção.
Sem estes novos elementos, libertando nossas verdades eternas aprisionadas, uma nova economia e sociedade não poderão realmente renascer e existir, e nossa civilização, não avançarão, para os bons ventos do norte insistente e corajoso da nossa utopia, que é bem provável que não seja justamente nossa, mas do próprio criador do universo.
Floripa, Ilha da Magia, SC, 21 de Julho de 2010


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tabaré Vázquez: “Política, filosofia e cultura devem primar sobre a economia”

 

"Para uns, semear medo traz benefícios eleitorais; para outros, é um bom negócio. O resultado é uma sociedade que esteriliza o espaço público” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Felipe Prestes
A uma plateia de médicos, o colega de profissão e ex-presidente do Uruguai Tabaré Vázquez constatou que vivemos em um tempo “fronteiriço”, ainda impossível de ser compreendido, chamado por muitos de pós-modernidade, o qual gera novas patologias, como a sensação de vazios, a obsessão por segurança e por saúde, o consumo massificado e o individualismo exagerado. “Incerteza, insegurança e desproteção deveriam figurar entre as patologias das grandes cidades em nosso tempo. Para uns, semear medo traz benefícios eleitorais; para outros, é um bom negócio. O resultado é uma sociedade que esteriliza o espaço público”, disse em sua participação no 7º Fórum Político da Unimed-RS, nesta sexta-feira (22), no Teatro do Bourbon Contry, em Porto Alegre.
Para Tabaré, neste tempo a reflexão deve predominar sobre questões técnicas. “A política, a filosofia, a cultura devem primar neste tempo. Não podemos nos submeter à economia”. Citando o escritor francês do século XV François Rabelais, complementou: “A ciência sem consciência é a ruína da alma”.
Ele disse ainda que a sociedades devem ser encaradas como seres vivos, que também sofrem patologias. Além disto, considera que o “imobilismo social” e o “apego ao passado” devem ser considerados enfermidades. Por outro lado, Vázquez ressaltou que as utopias já são parte deste passado. “Se algo está claro neste tempo é que as utopias épicas e os relatos heroicos já saíram de moda”.
"Utopias épicas e relatos heroicos já saíram de moda", disse Tabaré Vázquez durante evento em Porto Alegre | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Sobre o individualismo, o ex-presidente exemplificou mostrando que boa parte dos líderes de maio de 68 esqueceram das velhas ideologias e foram buscar a salvação pessoal por meio da yoga, do tai chi chuan, etc. “Onde ficou a revolução? O homem novo? O socialismo”, questionou.
América do Sul é a região que pior distribui riqueza, diz ex-presidente
Tabaré Vázquez começou sua palestra falando mostrando dados que mostram a situação precária em que ainda vive boa parte dos moradores de grandes cidades no mundo e, em especial, na América Latina. “Nosso subcontinente não é a região mais pobre do mundo, pelo contrário, temos muitas riquezas naturais. Mas somos a que pior distribui entre seus habitantes”, disse.
Ele defendeu o desenvolvimento sustentável, mas, principalmente, que as sociedades se desenvolvam homegeneamente, que todos os cidadãos sejam beneficiados pelo desenvolvimento. “O desenvolvimento sustentável é a única alternativa”, disse. Tabaré afirmou que um dos meios para efetuar a justiça social é a questão tributária, tirando mais de quem tem mais e distribuindo, por meio da seguridade social e de investimentos sociais.
Saúde e educação são eixos principais para melhora da qualidade de vida, argumentou Tabaré Vázquez | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Vázquez defendeu que os dois eixos principais para melhorar a qualidade de vida e dos serviços públicos devem ser saúde e educação. Em seu governo no Uruguai, ele relatou que sistematizou a saúde pública e privada, de modo que se complementem. “A sociedade não acaba no Estado”, afirmou.
No campo da educação, fez defesa veemente do Plan Ceibal, pelo qual o Uruguai deu um computador a cada aluno da escola pública do país e a cada professor. “Quando resolvemos dar um computador para cada criança, apareceram uns fenômenos para criticar”. Vázquez acredita que planos como este são um modo de dar igualdade de condições. “Esta talvez seja uma das melhores formas de distribuir a riqueza”.