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segunda-feira, 22 de maio de 2017

ARTIGO

O fascismo nosso de cada dia ... ou quem será comido primeiro?
por Fernando Horta
Muitos colegas, professores e pesquisadores da área de humanas torcem o nariz quando ouvem o termo “fascismo” para descrever o momento atual do país. Pensam que é uma demasia. Respeito opiniões em contrário, mas creio que já estamos sim dentro do espectro do fascismo. O fascismo não é um estado em que a sociedade entra, de uma hora para outra, com líderes gritando em microfones, matando pessoas, fazendo guerras, atacando os direitos das minorias e etc.. Isto é muito clichê. As imagens, normalmente em preto e branco, com um líder fardado falando e uma massa organizada respondendo, formam uma estética característica que, quando comparada com as cores atuais, manifestações de ruas e a ausência de uma liderança forte, parecem demonstrar que as duas coisas não são semelhantes. Daí as pessoas acharem “demasiado” se falar em fascismo.
Ocorre que o fascismo, tem algumas linhas clássicas de explicação. Uma delas passa pela análise da psicologia dos indivíduos e argumenta que o fascismo é um comportamento. Não é algo inoculado no indivíduo, de fora para dentro. Mas algo que é pré-existente em muitas pessoas, embora silenciado quando em uma sociedade sadia (com limites e regras igualitárias, respeito pelos direitos individuais e etc.). Durante muito tempo, os historiadores se perguntaram como uma sociedade como a alemã, cujo lastro cultural remonta à Idade Média, sucumbiu ao irracionalismo tão abruptamente? Uma das explicações – que hoje é bastante repelida – falava da genialidade maléfica de Adolf Hitler. Um indivíduo extremamente inteligente, sagaz e com uma retórica insuperável. Este “mal encarnado” teria hipnotizado toda uma nação e criado o nazismo.
Este tipo de explicação, que até hoje tem adeptos, foi se alastrando e aprofundando. Saíram livros sobre a sexualidade de Hitler, sobre sua “brilhante retórica” entre outros assuntos. Também, para reforçar a tese das “lideranças maléficas”, se publicou sobre Göring, Goebbles e Himmler. Cada vez com mais evidências do “mal insuperavelmente inteligente”. Este tipo de narrativa servia aos interesses do ocidente naquela época. Retirava das costas da Alemanha (que tinha virado aliada do ocidente contra a URSS) o peso da culpa pelo nazismo e prometia que o mal havia sido extirpado. A verdade, entretanto, é mais complicada. Hitler se mostrava bastante limitado em sua inteligência. Nada ali sugeria genialidade. Os estudos sobre a história da Alemanha no entre-guerras mostravam o lento processo de fortalecimento do nazismo, que surgia pela polarização política e crise econômica. Os partidos de centro passaram a ficar esvaziados de votos, enquanto a extrema-esquerda (o SPD, partido comunista alemão) e a extrema direita (o nacional socialismo nazista) começaram a concentrar as votações.
Neste processo, a classe média e as elites, temerosas da retirada de seus direitos como os partidos de esquerda prometiam, acabavam aliando-se ao espectro da extrema-direita. Esta é a explicação política que ganhou fôlego na década de 70 e ainda hoje é bastante utilizada. Ocorre que ela usa argumentos estruturais. Invoca o “conservadorismo da classe média”, o “anticomunismo”, os interesses do “grande capital”. A partir da década de 80, os pesquisadores passaram a desconfiar destas grandes generalizações e foram buscar entender os processos mentais que levavam o indivíduo a escolher o caminho A ou B em determinadas situações. Aí se chegou ao viés psicológico do fascismo. Individualmente, o narcisismo mesclado com um autoritarismo e um desprezo pelo diferente eram apontados como características que poderiam ensejar o fascismo. Assim, o fascismo poderia existir mesmo sob uma capa “liberal”. Este é o argumento clássico de Deleuze e Guattari em “Mil Platôs”. O Fascismo seria como uma predisposição psicológica que certos indivíduos apresentam que, quando encontrando um ambiente social favorável, se desenvolveria até o processo de estabilização do autoritarismo.
Em sociedades que quisessem manter-se longe deste perigo, impunha-se algum tipo de controle sobre as “liberdades individuais”. A liberdade de expressão não poderia acobertar o racismo e o preconceito. O livre pensamento não poderia dar guarida às ideologias que não respeitassem a democracia. A livre associação não poderia ser usada para constituição de milícias que visassem atacar grupos minoritários. E assim se reconstruiu a Europa. Lá, é punível imediatamente, declarações fascistas. Por quê? Porque se reconhece que esta “predisposição” se encontra latente na sociedade e, uma vez deflagrado o processo de fortalecimento do fascismo, ele era de difícil contenção. O problema é que este controle social foi completamente anulado pelas redes sociais. Indivíduos totalmente autoritários e violentos se retroalimentam sem controle com discursos de ódio e preconceito em qualquer canto da rede mundial de computadores. “Empoderados” estas bestas-feras saem para as ruas formando grandes grupos políticos articulados. E o monstro surge.
O fascismo inicia-se com a conjuminância de três fatores: uma negação da política como ferramenta de solução dos conflitos sociais, um desprezo pelo que é diferente cultural, política ou socialmente e um fortalecimento do ideal punitivista jurídico ou físico, sempre resguardando o fascista como “reserva moral” do mundo. O fascista crê que está certo, que sua moral é superior à dos outros, que ele é o único que trabalha e que preza pelos “valores tradicionais”. E ataca tudo o que é diferente disto. Tudo vira “corrupção”. Todos são “farinha do mesmo saco”. Esta desconstrução político-social enseja a violência. E através da violência o indivíduo fascista sacia suas duas outras necessidades: minora seu sentimento de inferioridade, porque se vê parte de um coletivo “moralmente superior” e satisfaz seu sadismo através da agressão.
Se o leitor me seguiu até aqui, não pode deixar de ter observado as similaridades com o Brasil atual. Polarização política, as crescentes agressões às minorias, o retorno das ideias conservadoras de “família”, “religião”, “padrões éticos”. A negação do papel social da política, como se algo pudesse (e até devesse) ser “apolítico”. O ativismo jurídico com corte moralizador, pensando em “reconstruir o brasil” pelas mãos togadas. Enfim, é o retrato do Brasil atual. De onde estamos para um fascismo aberto e sem medo de se afirmar não há muita distância. Os discursos contra os direitos humanos já são “normais”, contra os direitos das “mulheres” também. As minorias cada vez mais agredidas e ultimamente até ameaçadas de extinção, afinal quilombolas e índios “não servem nem para procriar”. O quadro é aterrador.
O que agora fica ainda mais evidente, com as denúncias atingindo o PSDB e o PMDB em cheio, é que os que soltaram os monstros, serão comidos primeiro por eles. Tais partidos tinham financiados grupos fascistas como MBL, “Vem pra Rua” e assemelhados contra Dilma, agora serão engolidos pelos mesmos grupos. O problema é que ao serem comidos pelo monstro que soltaram, eles se tornam parte e fortalecem o fascismo. Suas carreiras políticas acabadas nada significam frente à violência que será gerada em nossa sociedade. Todos pagaremos pela irresponsabilidade de lideranças como Temer, Aécio e outros. Afinal, “se todos são iguais”, se “todos são ladrões” quem nos governará? Algum impoluto líder que se diz apolítico e que tem “valores” nacionais, que luta pela “família”, pelos “bons modos”, pelo “bom senso” e que tem capacidade de “gestão”? ... Daqui, só falta ter um bigodinho aparado, falar alemão e fazer péssimas pinturas de vasos, pensando ser um artista incompreendido.
Colaboração: Mário Elizeu Herrmann
Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/o-fascismo-nosso-de-cada-dia-ou-quem-sera-comido-primeiro

domingo, 26 de fevereiro de 2017

ECLIPSE SOLAR*



O Eclipse Solar de 26 de fevereiro de 2017

eclipse solar anular de 26 de fevereiro de 2017
O eclipse de fevereiro poderá ser visto no Brasil? O que podemos esperar? Qual horário?

Neste dia 26 de fevereiro de 2017, um Eclipse Solar Anular chamará a atenção do mundo, e poderá ser visto parcialmente na maior parte da América do Sul, incluindo o Brasil!

Para que você fique por dentro de todos os detalhes sobre o tão esperado Eclipse Solar de 26 de fevereiro de 2017, preparamos uma matéria especial com perguntas e respostas, para que você tire todas as suas dúvidas, e assim, aproveite o máximo desse belíssimo evento.


O Eclipse do dia 26 de fevereiro poderá ser visto do Brasil?

Para a felicidade de muita gente, esse eclipse que acontece agora no dia 26 poderá ser visto parcialmente na maior parte do Brasil. Infelizmente, sua totalidade não poderá ser presenciada em nosso país. Para entender melhor, confira a animação abaixo:

trajetoria e visibilidade do eclipse solar de 26 de fevereiro de 2017
Trajetória do Eclipse Solar em 26 de fevereiro de 2017.
Créditos: A.T. Sinclair / NASA

Como vocês podem ver, todas as regiões compreendidas pelo grande circulo escuro poderão observar o eclipse parcialmente. Só poderá observar a totalidade do eclipse quem estiver em uma das regiões que será atravessada pelo pequeno ponto vermelho, bem no centro do círculo maior.




Outra notícia não muito boa é que uma parte da região norte e nordeste do Brasil não terá a oportunidade de apreciar o eclipse solar do dia 26 de fevereiro. Mas calma! Em agosto desse ano chega a vez de vocês, e aí, será o sul, centro-oeste e sudeste do Brasil que não poderá observar. É quase uma revanche!


Mas tem uma notícia bem legal, seja pra quem estiver no norte/nordeste do Brasil, ou para quem estiver em outros países. Confira:


Transmissão ao vivo - Eclipse Solar Anular de 26 de fevereiro de 2017

Como de costume, teremos uma transmissão ao vivo com imagens em tempo real do Eclipse Solar do dia 26 de fevereiro! O nosso parceiro, Observatório Slooh, fará a cobertura completa desse fantástico evento, e você poderá assistir tudo ao vivo, aqui em nosso site! Fiquem ligados!



Países que poderão observar o Eclipse Solar no dia 26 de fevereiro

Parcialmente, a maior parte da América do Sul, a Antártica e o leste da África. Já a totalidade, ou seja, o famoso Anel de Fogo, aparecerá apenas no Sul do Chile, sul da Argentina, oeste da Angola, do Congo e da Zâmbia. E claro, entre a América do Sul e a África, temos o gigantesco Oceano Atlântico que será cortado pelo eclipse. Isso significa que se você estiver em um navio, ou perdido em um barco, e claro, no ponto ideal, poderá ver o belíssimo Anel de Fogo.

Eclipse Solar de 2012, registrado no Texas, EUA
Eclipse Solar Anular de maio de 2012, registrado no Texas, EUA.
Créditos: AP


Qual será o horário do Eclipse Solar de 26 de fevereiro?

O evento ocorre no dia 26 de fevereiro (domingo), e terá início logo pela amanhã na região sudoeste do Chile, por volta da 12h00 (UTC), e terminando na parte oeste da África, por volta das 17h30 (UTC). Lembrando que os horários informados aqui estão em UTC, que é o horário internacional.




Para saber exatamente quando começa e quando termina o eclipse em cada região, e se o eclipse será ou não visível em sua localidade, confira o mapa interativo criado pela NASA. Basta clicar na imagem abaixo. Depois que você já estiver no mapa, ao clicar, você criará um marcador de local, que informará se você poderá ou não ver o eclipse, e quais serão os horários na sua região. Lembrando que os horários informados estão em UTC (horário internacional), então você deve fazer a conversão para sua o seu horário local. O horário na maior parte do Brasil é de -3 UTC, ou seja, se o horário informado for 16:00 UTC, significa que na maior parte do Brasil será 13:00.

Mapa do Eclipse Solar - 26 de fevereiro de 2017


Qual será a visibilidade desse eclipse? O que podemos esperar?

Se você for uma das pessoas sortudas que estiver exatamente em uma das regiões onde a totalidade poderá ser observada, você poderá presenciar o máximo do eclipse Solar Anular, o que significa que poderá ver o Sol todo encoberto, exceto suas bordas, o que faz lembrar um verdadeiro Anel de Fogo, que é outro nome dado a esse tipo de eclipse.

eclipse solar anular e parcial
Na imagem acima, podemos ter uma ideia de como é visto um Eclipse Solar Anular (esquerda)
e um Eclipse Solar Parcial (direita).         Créditos: divulgação

Aqueles que poderão observar parcialmente (ou seja, a grande maioria), verão uma parte do disco solar encoberta pela Lua. Para ter uma melhor visualização desse espetáculo astronômico e ao mesmo tempo, não arriscar sua visão, utilize equipamentos especializados. Ao utilizar um óculos de soldador, por exemplo, você conseguirá observar o disco solar com perfeição, e poderá ver a Lua na frente do Sol com bastante clareza.

ATENÇÃO: Nunca aponte um telescópio ou binóculos para o Sol. Essa prática, além de danificar seu equipamento pode levar a cegueira permanente. Não brinque com a sorte. A melhor forma de observar um Eclipse Solar é através de projeções, ou usando um filtro de soldador.
como observar o Sol com telescópio - forma correta

Caso você queira observar o eclipse solar utilizando um telescópio, você deve primeiramente acoplar um filtro especializado para observação solar, que deve ser instalado na parte dianteira de seu equipamento, e nunca na parte traseira. Desconfie de filtros que são acoplados na ocular, pois toda a radiação solar deve ser bloqueada ANTES de entrar no equipamento, e não depois, como mostra a imagem acima.


Qual a diferença entre um Eclipse Solar Total e um Eclipse Solar Anular?

Primeiramente, em ambos os casos, algumas regiões do globo poderão observar apenas um eclipse parcial, que é quando uma parte do disco solar é escurecida pela Lua. Mas se você estiver em uma das regiões em que a totalidade poderá ser observada, você poderá presenciar um Eclipse Solar Total comum ou um Eclipse Solar Anular. Isso depende de cada evento.

DIFERENÇA ENTRE ECLIPSE SOLAR TOTAL E ECLIPSE SOLAR ANULAR
Diferença entre Eclipse Solar Total e Eclipse Solar Anular.
Créditos: Galeria do Meteorito / divulgação

No Eclipse Solar Total, podemos ver a Corona (ou Coroa) Solar através de telescópios (devidamente equipados com filtros), e também os famosos Grãos de Baily, que são criados por conta da topografia irregular da Lua. Além disso, no Eclipse Solar Total, alguns segundos antes do ápice, temos o efeito Anel de Diamante, e quando a Lua encobre todo o disco solar, a Coroa brilha ainda mais forte. Já no Eclipse Solar Anular, não vemos esses efeitos, mas em compensação, temos o tão amado Anel de Fogo. O Eclipse Solar Anular é mais raro do que o Eclipse Solar Total.

No dia 26 de fevereiro, será um Eclipse Solar do tipo Anular, que acontece quando a Lua está mais distante da Terra. Nesse caso, ela não consegue bloquear todo o disco solar, e a borda do Sol fica exposta. Já no Eclipse Solar Total, a Lua está mais próxima da Terra, e com isso ela é capaz de bloquear todo o disco solar.

Os dois eventos são magníficos, e cada um tem sua peculiaridade. Depende do gosto de cada um. Mas tem uma coisa que todo mundo concorda: não importa se é um Eclipse Solar Total ou um Eclipse Solar Anular, pois os dois são magníficos e igualmente imperdíveis!

* Editado
Imagens: (capa-divulgação) / A.T. Sinclair / NASA / AP / Google Maps / divulgação / Galeria do Meteorito / divulgação
17/02/17
Fonte: http://www.galeriadometeorito.com/2017/02/tudo-sobre-eclipse-solar-de-26-de-fevereiro-2017.html