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terça-feira, 18 de junho de 2019

CONHECIMENTO INDÍGENA




Primeiro Centro de Medicina Indígena é inaugurado em Manaus




Oferecer os conhecimentos do Bahsese, palavra que, na língua tukano, significa “benzimento”, a indígenas e não-indígenas que enfrentem problemas de saúde na região de Manaus. Esse é o objetivo do Barserikowi’i, o primeiro Centro de Medicina Indígena da Amazônia, inaugurado na semana passada.

Idealizado por João Paulo Barreto, doutorando em Antropologia pela Universidade Federal do Amazonas e membro da etnia tukano, o centro será comandado inicialmente por Manoel Lima, da etnia tuyuka, e Ovídio Barreto, também da etnia Tukano. Os dois são Kumuã com décadas de experiência.
Os Kumuã são especialistas indígenas do Alto Rio Negro, que desde o nascimento recebem o poder de cura e de tratamento e passam por rigorosa formação da infância até a juventude. Segundo João Paulo, a ideia não é que os doentes abandonem os possíveis tratamentos alopatas da medicina ocidental, mas que tenham a possibilidade de alternativa.


Conforme ele falou à Agência Brasil, o tratamento é apoiado no Bahsese e nas plantas medicinais. “O modelo é acionado dentro de um elemento, que pode ser água, tabaco, cigarro ou urtiga, no qual o Kumu, ou benzedor, aciona os princípios curativos contidos nos vegetais. Quando ele faz isso, ele não está rezando, mas evocando esses princípios para curar doenças. Por isso, ele tem que dominar o conhecimento de animais e vegetais”, explicou.
Cada consulta no centro será feita mediante cobrança de R$10, e o valor do tratamento dependerá do diagnóstico. Eles podem levar dias, semanas ou até um ano. Além dos atendimentos médicos, o centro também será usado para a realização de cursos e oficinais, que vão da gastronomia à astrologia, além da venda de peças de artesanato de várias etnias.

Fonte: https://www.hypeness.com.br/2017/06/primeiro-centro-de-medicina-indigena-e-inaugurado-em-manaus/?utm_source=social&fbclid=IwAR1MMkbxPX6ee95E34stOY9HlmH0jJ4ap60ZZfM_qAQdVKD7it5NPKrRpU4


domingo, 18 de março de 2018

SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA



Com tinta e alegria, juventude indígena revitaliza área abandonada em São Gabriel da Cachoeira (AM)


Por 10 dias, jovens e voluntários de todas as idades se uniram ao grafiteiro Raiz para transformar o espaço público da cidade no Alto Rio Negro
Com muita música, dança, teatro e pintura, jovens e voluntários de todas as idades se uniram em um mutirão artístico entre os dias 28 de fevereiro e 09 de março. Com o grafiteiro manauara Raí Campos, o Raiz, jovens da cidade mais indígena do Brasil revitalizaram uma passagem entre a praia e a praça do Rodoviário em São Gabriel da Cachoeira, onde vinham ocorrendo episódios de violência. O que antes era assustador e maltratado foi substituído por pinturas retratando a vasta cultura dos 23 povos indígenas do Alto rio Negro.

“Nesse evento vimos que conseguimos reunir todo tipo de gente e essa união foi a parte mais legal dessa transformação”, completa o jovem.
A mobilização contou também com o apoio do ICMBio, do Exército brasileiro e da produtora Usina da Imaginação, que gentilmente realizou imagens com drone do local revitalizado. Para escutar os boletins informativos realizados pela Rede de Comunicadores Indígenas do rio Negro, basta acessar aqui.

Desafio de ser mais sustentável

São Gabriel da Cachoeira, assim como outras cidades do Brasil, sofre com o crescimento desordenado. A expansão da área urbana está aumentando e beirando as fronteiras com as terras indígenas demarcadas que rodeiam a cidade. Com isso vários problemas se intensificam, como a alta incidência de doenças como malária e a crescente violência urbana. Considerado o município com a maior extensão de áreas protegidas da União, São Gabriel não tem saneamento básico, tem pouca iluminação pública e raros espaços de lazer para crianças e jovens.
Com aproximadamente 45 mil habitantes - cerca de 25 mil na área urbana - a cidade sofre com constantes cortes de água, de energia (que é gerada por uma termelétrica que consome 23 mil litros de diesel por dia) e má gestão do lixo, que é descartado em vários terrenos da cidade e no lixão municipal, situado no bairro da Boa Esperança. Vale lembrar que São Gabriel da Cachoeira construiu de forma participativa e aprovou na Câmara de Vereadores, em 2006, um Plano Diretor, mas até hoje não foi implementado.
Assista ao vídeo:


Especial São Gabriel planeja seu futuro – série de seis reportagens
Imagens: