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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

EVOLUÇÃO HUMANA




Humanos ‘modernos’ tiveram filhos com os neandertais há 100.000 anos

DNA analisado sugere relações sexuais durante dezenas de milhares de anos






Há um detalhe pornográfico da pré-história que destroça o relato da Criação divina elaborado por qualquer uma das religiões: o sexo com neandertais. Nossa espécie não só fornicou repetidamente com aquela outra extinta há 40.000 anos como ambas tiveram numerosos filhos férteis, deixando um rastro de DNAneandertal que sobrevive hoje em nossas células.


 não foi um arroubo de um dia. Um novo estudo revela que há 100.000 anos os neandertais e os humanos modernos já tinham filhos em comum, uns 45.000 anos antes dos primeiros encontros documentados até agora. Não houve um Deus que criasse uma espécie humana. Quando muito, criou várias diferentes que copulavam entre si. Os autores do trabalho, encabeçados pelo biólogo espanhol Sergi Castellano, traçam um passado intrincado. Os humanos modernos, os Homo sapiens, surgiram na África há uns 200.000 anos e alguns deles saíram do continente há uns 65.000 anos, cruzando pelo caminho com os neandertais europeus e dando origem a bilhões de pessoas que hoje habitam o planeta fora da África. Isso é o que já se sabia. O novo estudo sugere que há mais de 100.000 anos outra população de Homo sapiens saiu da África e manteve relações sexuais, possivelmente no Oriente Médio ou no sul da Arábia, com grupos de neandertais que estavam deslocando-se em direção à Ásia. Aquele humanos modernos pioneiros se extinguiram, mas seu rastro aparece agora no DNA extraído dos restos de uma mulher neandertal achados em uma caverna da Sibéria, na fronteira entre a Rússia e a Mongólia.
“A mescla com os neandertais ocorreu muito antes do que acreditávamos”, afirma Castellano, pesquisador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig (Alemanha). “O Homo sapiens abandonou o lar paterno antes do que pensávamos. E, à luz da introgressão [o movimento de genes de uma espécie a outra], vemos que teve uma adolescência bastante animada”, brinca, por sua vez, María Martinón-Torres, paleoantropóloga do University College de Londres, e que não está a par do novo trabalho.


“É preciso imaginar a evolução humana como um jorro de interconexões entre espécies, não como uma linha com ramificações”,  Carles Lalueza-Fox

A equipe de pesquisadores anunciou no ano passado o achado de restos de 47 humanos modernos na caverna de Fuyan, no sul da China, datados de mais de 80.000 anos. A descoberta mostrava que os Homo sapiens colonizaram a Ásia antes do que se pensava. “O DNA ratifica nossa descoberta, pois fala de um cruzamento entre sapiens e neandertais há 100.000 anos, e por isso o Homo sapiens já tinha que estar fora da África antes dos 50.000 anos defendidos pelas teorias clássicas. Estamos assistindo a uma mudança de paradigma. A Ásia deixa de desempenhar um papel secundário e ganha um protagonismo revelador nas etapas cruciais da evolução”, reflete Martinón-Torres, da equipe de pesquisa das jazidas de Atapuerca, em Burgos.
O novo estudo, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, analisa também os genomas dos neandertais europeus, achados na caverna de Vindija (Croácia) e na jazida asturiana de El Sidrón. Os cientistas também revolveram o genoma de outro indivíduo encontrado na mesma caverna siberiana onde estava a mulher neandertal, um membro da espécie dos denisovanos, desconhecida até 2010 e separada da linhagem dos neandertais há mais de 400.000 anos. Nenhum dos três, nem os neandertais europeus nem o denisovano, apresentam DNA de humanos modernos em seu genoma, o que não significa que suas espécies jamais se tenham cruzado, segundo ressaltam os autores.
Outra análise genética, realizada em 2013, mostrou DNA denisovano em humanos modernos da Ásia e Oceania, e até 0,2% de genes denisovanos em nativos americanos. O mesmo estudo, elaborado por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), sugeria cruzamentos entre denisovanos e Homo erectus, outra espécie de hominídeo que tradicionalmente tem servido para classificar restos fósseis díspares achados na Ásia e datados entre 70.000 e 1,9 milhão de anos. “Somos uma mescla de fragmentos de todos os nossos antepassados”, declarou em uma recente entrevista Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e coautor do novo estudo.
“Esses achados confirmam uma mudança de modelo da evolução humana. Vemos uma porção de setas de hibridização [misturas entre espécies] em um momento ou outro, em um sentido ou outro. Deve ter ocorrido centenas de vezes. Temos uma visão extremamente simplista da evolução humana. É preciso imaginá-la como um jorro de interconexões entre espécies, não como uma linha com ramificações”, sentencia outro dos coautores do trabalho, Carles Lalueza-Fox, pesquisador do CSIC no Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/16/internacional/1455633230_824000.html

terça-feira, 21 de abril de 2015

OS PESTICIDAS E O AUTISMO



A indústria dos pesticidas está desesperadamente tentando esconder estudos condenatórios

Cientista do MIT O Glifosato Causará Autismo em 50 das Crianças até 2025
Corroborando uma crescente tendência no aumento das taxas de autismo, uma cientista sênior de pesquisa do MIT, alertou que de todas as crianças, um inquietante 50% serão autistas em 2025. Quem é o culpado? Round-Up, o mais vendido da Monsanto que contém glifosato, está no topo da lista.
O uso excessivo de glifosato em nossa alimentação está causando doenças como Alzheimer, autismo, câncer, doenças cardiovasculares e deficiências da nutrição, entre outros. Stephanie Seneff,  uma bióloga PhD, que já publicou mais de 170 artigos acadêmicos revisados ​​por pares, e estudou essas doenças por mais de três décadas, aponta os transgênicos como um dos principais contribuintes para doenças neurológicas em crianças.
Em uma recente conferência, a Dra. Seneff declarou:
“No ritmo atual, em 2025, uma em cada duas crianças serão autistas.”
Atualmente, uma em cada 68 crianças nos EUA nascem com autismo. Atualmente é a deficiência de desenvolvimento de mais rápido crescimento, com taxas aumentado em quase 120% desde o ano de 2000. Em dez anos, o custo para tratar as pessoas afetadas pelo autismo irá custar 400 bilhões de dólares por ano nos EUA, além dos custos emocionais incalculáveis, os ​​quais as famílias pagarão diariamente para viver e apoiar uma criança com autismo.
A Dra. Seneff notou que os sintomas de toxicidade do glifosato assemelha-se estreitamente com aqueles do autismo. Ela também apresentou dados na conferência que mostram uma correlação estranhamente consistente entre o uso de Roundup em plantações (e a criação das sementes transgênicas Roundup-ready), com o aumento das taxas de autismo.
A correlação entre os dois incluem biomarcadores, tais como a deficiência de zinco e ferro, baixo serum sulfate, convulsões e doenças mitocondriais.
Um colega palestrante que estava presente relatou após a apresentação da Dra. Seneff que:
“Todos as 70 ou mais pessoas presentes estavam se contorcendo, provavelmente porque agora tinham sérias dúvidas sobre servir os seus filhos, ou eles próprios, qualquer coisa com milho ou soja, os quais são quase todos geneticamente modificados e, assim, contaminados com Roundup e seu glifosato.”
A Dra. Seneff apontou que grande parte dos alimentos em prateleiras de supermercado contém milho e soja transgênicos, todos com pequenas quantidades de vestígios de glifosato. Isto inclui refrigerantes adoçados com alto teor de frutose (geneticamente modificados) e xarope de milho, batatas fritas, cereais, doces, e até mesmo barras de proteína de soja. Grande parte de nossa carne e aves também é alimentada com uma dieta de milho e soja transgênicos, os quais também contêm traços de glifosato.
Você acha que seu pão está seguro? Pense de novo. O trigo é frequentemente pulverizado com produtos químicos Roundup nas vésperas da colheita, significando que, exceto que seus produtos de pão ou trigo sejam certificados não-OGM e orgânicos, eles provavelmente contêm traços de glifosato.
Quando você soma tudo isso – estamos jantando glifosato em quase todos os alimentos que ingerimos, e ele está causando doenças graves. A Dra. Seneff diz que, embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser grandes, é o seu efeito cumulativo que é motivo de preocupação. Sua preocupação parece bem fundamentada, considerando que tem sido encontrado glifosato no sangue e na urina de mulheres grávidas, e ele tem aparecido até mesmo em células fetais.
Leia mais:
Estudo Americano Estabelece uma Possível Correlação entre o Aumento das Doenças Crônicas e o Aume nn




autismo






Leia mais: http://www.noticiasnaturais.com/2015/04/cientista-do-mit-o-glifosato-causara-autismo-em-50-das-criancas-ate-2025/#ixzz3XzGljwlq


Fonte: http://www.noticiasnaturais.com/2015/04/cientista-do-mit-o-glifosato-causara-autismo-em-50-das-criancas-ate-2025/# acesso em 042015

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

BIOGEOGRAFIA



Um quê de arrogância

Faz sentido separar os humanos de todo o resto da diversidade biológica? O livro ‘O terceiro chimpanzé’, resenhado na CH de junho, busca desfazer a ruptura discreta e arbitrária que isola a humanidade de todos os outros seres vivos. 
 
Por: Claudia Russo 
Publicado em 11/07/2011 | Atualizado em 19/07/2011 
em http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/282/um-que-de-arrogancia

 
Um quê de arrogância
À esquerda, o chimpanzé comum (‘Pan troglodytes’), e à direita, 
o chimpanzé pigmeu (‘Pan paniscus’), as duas espécies conhecidas 
de chimpanzés. (fotos: Thomas Lersch/ CC BY 2.5 e Trisha Shears/CC BY-SA 3.0) 

 
Um apanhado sobre as modificações anatômicas e comportamentais que nos fizeram a espécie que somos hoje é o mote deste novo livro do biogeógrafo norte-americano Jared Diamond.
O título do livro enaltece a pequena grandeza das diferenças, comparando genomas do ser humano, o chamado terceiro chimpanzé, com o chimpanzé comum da África tropical e o chimpanzé pigmeu do Zaire.
Por que não nos chamamos de Pan sapiens?
Por que não nos chamamos de Pan sapiens? Faz sentido promover uma dicotomia entre humanos e o resto da diversidade biológica? Ou isso é apenas arrogância e egocentrismo nosso?
O texto inicia com uma clara preocupação conservacionista, com um questionamento sobre o fato de que nossas leis (contra assassinato, por exemplo) se aplicam apenas ao Homo sapiens e não ao primeiro e ao segundo chimpanzés.
Qual o motivo do código de ética humano fazer uma distinção entre os humanos e as demais espécies biológicas? Será que a distinção é arbitrária e demonstra apenas nosso pensamento enviesado e antropocêntrico ou tem alguma característica biológica que explique tais distinções? Se tal distinção tem base biológica realmente, deveríamos ter um código de ética para cada espécie biológica diferente.
Carla de 'O terceiro chimpanzé

Assim, ao longo do texto, o autor estabelece uma análise comparativa entre as características ditas exclusivamente humanas e seus primórdios na diversidade biológica: elefantes pintores, chimpanzés e macacos verdes com rudimentos de vocalização contextualizada, entre outros.
Tais características humanas, ou quase exclusivamente humanas, marcam o que o autor chama de o ‘grande salto para frente’, ditando a ascensão do moderno Homo sapiens. Assim, buscando os rudimentos das características do grande salto na diversidade biológica, o autor busca desfazer a ruptura discreta e arbitrária que isola a humanidade do mundo biológico.
Em muitas passagens, o autor menciona a Papua-Nova Guiné, onde ele mesmo fez boa parte de sua pesquisa. O local, onde a língua mais importante é falada por apenas 3% da população, é um excelente exemplo da importância da linguagem e das formas alternativas de comunicação que brotam da necessidade cotidiana de troca de informações.
Em uma determinada passagem, o autor questiona a lenda do homem caçador, que abate leões africanos e mamutes americanos para sustentar a sua subsistência carnívora. Ele menciona como os caçadores da Papua esbravejam em conversas abertas os momentos gloriosos durante a caça, mas que, ao redor da fogueira, admitem que a caça provê uma pequena parte das suas refeições. A maioria das calorias vem de vegetais coletados pelas mulheres, e a pouca proteína consumida provém de pequenos animais como coelhos e rãs.
Outro ponto importante do livro é a comparação dos humanos com os neandertais. Essas duas espécies conviveram durante algumas dezenas de milhares de anos e o Homo neanderthalensis não sobreviveu a esse encontro. Detalhe: essa espécie era maior, mais musculosa e de cérebro maior.
O autor menciona ainda evidências que sugerem que os neandertais possuem um canal de parto maior. Isso poderia indicar que os bebês nasciam maiores e que a gravidez neandertal poderia levar um ano, em vez dos nove meses humanos, indicando um claro isolamento reprodutivo, uma vez que o bebê híbrido não poderia sobrevir. O que aconteceu com eles? Que características foram determinantes para a sobrevivência do sapiens e a extinção dos neandertais?
Esses últimos eram mais musculosos, o que significa mais comida para garantir a alimentação. Eles careciam de objetos artísticos. Podem ter usado roupas, mas elas devem ter sido de fabricação grosseira, sem sutura ou costura. As ferramentas eram feitas com matéria-prima local. Não tinham embarcações para comercializar seus produtos em longas distâncias.
Outro ponto interessante apontado pelo autor é o fato de que os neandertais exibiam poucas diferenças culturais marcadas pela geografia. Eles habitavam longos territórios que iam da península ibérica até a Rússia; entretanto, toda a cultura neandertal era muito semelhante.
Os neandertais tinham belas ferramentas feitas de maneira burra. A idade avançada na sociedade neandertal era 30 a 40 anos, o que significa que para espécies sem escrita, a passagem de conhecimento de uma geração para outra era pequena e ineficaz.
De leitura fluente, o livro é repleto de passagens interessantes que, juntas, montam um delicioso convite à reflexão.


Claudia Russo
Instituto de Biologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/282/um-que-de-arrogancia