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terça-feira, 6 de setembro de 2016

CTNBio E OS TRANSGÊNICOS*




Governo faz manobras para liberação de Milho transgênico sem aprovação no Brasil

Denúncia da Campanha que assistiu a última reunião da CTNBio, órgão que autoriza o cultivos de transgênicos no Brasil, é  estarrecedora. A reunião foi aberta pelo Ministro Kassab, e a todo instante os conselheiros foram pressionados a aprovar três variedades de milho transgênico. O motivo? Um carregamento dos EUA de mais de um milhão de toneladas estava pronto para vir. O problema é que os EUA não têm capacidade de separar os grãos transgênicos, de modo que não seria possível garantir que o milho embarcado para o Brasil fosse apenas das variedades já aprovadas aqui.
Bravos representantes do MDA e MMA pediram vistas ao processo, e impediram que fosse votado nesta plenária. A deliberação final  fica para o mês que vem, por isso é importante que a sociedade se manifeste. Houve fortíssima pressão do setor produtivo para liberar em caráter de urgência esta carga. Infelizmente, não havia representantes do Ministério Público na reunião e esse órgão não pode se omitir em fazer cumprir a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente, como afirma a lei de Biossegurança.
Após essa posição dos membros do MMA e do MDA, houve forte pressão dos representantes do MCTI, MDIC e MAPA e outros membros, para que os dois membros voltassem atrás no seu pedido de vistas, ou seja, para que a carga de transgênicos fosse liberada imediatamente. O pedido de vistas, declarado na plenária, baseou-se na falta de informações que deixassem claro a ausência de risco para a saúde e o meio ambiente a partir da liberação dessa carga de grãos.
É publico e notório que esses processos foram analisados em apenas 7 dias, como consta no site da CTNBIO, o que também subsidiou esse pedido de vistas pelos membros do MMA e MDA, que teve como motivação apenas questões técnicas e científicas.
Já os demais membros da CTNBio, que insistiam na liberação rápida do uso desses grãos, colocaram apenas argumentos econômicos. Segundo eles, os grãos serão para uso exclusivo de ração animal, e não serão cultivados. Mas é difícil garantir isso, pois podem ocorrer imprevistos, como roubo da carga, acidente durante o transporte, que podem causar danos sobre o meio ambiente, ou mesmo impactar a própria produção nacional de grãos, uma vez que eles não foram testados no Brasil, como deve ocorrer antes de qualquer liberação comercial.
Também foi colocado na plenária, como forma de pressão, que esse tipo de liberação de cargas de grãos será frequente nos próximos anos.
Para que serve a CTNBio? É um cartório, onde qualquer coisa é aprovada? Ou um lugar onde cientistas debatem a biossegurança?
O que certamente não ficara evidente para a população é que alimento é esse. Contaminado com transgênicos, agrotóxicos, ou seja, nos colocando, mais e mais, em situação de insegurança alimentar e sem soberania. Qual a qualidade do alimento que comeremos no governo Temer?
O Brasil exportou cerca de 30 milhões de toneladas de milho em 2015, e prevê 23 milhões este ano. E agora, precisa importar o lixo dos EUA, porque lá está sobrando, e porque o dólar está caindo, e porque aqui pode faltar. Esse é o "Agro" brasileiro: está pouco se lixando pro nosso país, só quer saber do seu lucro às custas da nossa saúde e do nosso meio ambiente.
 
Fonte: http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/647-denuncia-ctnbio-quer-enfiar-transgenicos-nao-avaliados-pela-nossa-goela-abaixo

domingo, 23 de agosto de 2015

SEMENTES CRIOULAS E A CTNBio*




Sementes crioulas e transgênicas...realidades antagônicas**



A semente crioula é aquela que é cuidada (plantada, selecionada/melhorada, armazenada e trocada!) pelo agricultor há muitos anos, atendendo às necessidades particulares (escolha pelo tipo, sabor, etc.), assim como pelas características regionais - edafoclimáticas. As sementes são patrimônio natural,  porém, estão lentamente perdendo seu espaço (desaparecendo!) na natureza em função do avanço do melhoramento genético e biotecnologia, e dos monopólios do agrobussines de sementes, agrotóxicos e afins.... Ou seja, os agricultores que antes cuidavam dela ano após ano só encontram sementes tratadas/modificadas/envenenadas em lojas...  Lógico, são sementes de alta prdodutividade e que exigiriam um outro sistema para o agricultor cuidar, com campos de produção específico para sementes, mas... que fiquemos cientes que estamos todos controlados... Tendo que conviver em realidades antagônicas.

O trabalho deve ser o de RESGATE de CULTURA para que não se perca de vez, o saber (e SABOR!) crioulo/tradicional e natural...com uma grande DIVERSIDADE de ESPÉCIES e ACESSO LIVRE aos recursos naturais.

Vejam estas cartilhas e a notícia abaixo e o artigo sobre o FEIJÃO Transgênico:

Semente Crioula é legal: a nova legislação brasileira de sementes e mudas. ARTICULAÇÂO NACIONAL DE AGROECOLOGIA. Cartilha disponível em:http://www.asabrasil.org.br/UserFiles/File/semente%20crioula02.pdf

Semente Crioula: cuidar, multiplicar e partilhar. AS-PTA. jan, 2009. Cartilha disponível em http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Semente-crioula-cuidar-multiplicar-e-partilhar.pdf

O Governo Federal comprará, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), sementes crioulas das organizações da agricultura familiar. Serão reservados R$ 10 milhões para a iniciativa, que está também associada à estratégia de fomentar bancos de sementes comunitários.

R$ 10 milhões para compra de Sementes Crioulas
Fonte: MDS e Folha de São Paulo



A iniciativa, associada à inclusão produtiva rural do Plano Brasil Sem Miséria, envolve o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esta ação é complementar ao fomento produtivo, que articula a oferta, a partir deste mês, de assistência técnica, sementes adaptadas da Embrapa e o Fomento Produtivo - transferência direta de R$ 2,4 mil por família, para 33 mil famílias neste ano, entre agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e assentados.

Essa boa notícia foi divulgada na segunda-feira (10) pelo jornal Folha de São Paulo. De acordo com o jornal, "o governo decidiu comprar de agricultores familiares R$ 10 milhões de um tipo rústico de semente para doar à população extremamente pobre - com renda individual de até R$ 70 mensais".

A ação faz parte do Plano Brasil Sem Miséria e será anunciada nesta sexta-feira (14) pela presidente Dilma Rousseff, durante a assinatura de um pacto na região sul para o cumprimento do programa.

A compra será feita por edital, a ser lançado, que selecionará quais pequenos produtores venderão sementes. A aquisição beneficiará 2200 famílias, que poderão receber até R$ 4.500 pela venda. "Para você garantir maior distribuição de renda, é interessante canalizar esse poder de compra do governo federal para os agricultores mais pobres", disse Maya Takagi, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social. "Em vez de você comprar das empresas, adquire uma parte disso da agricultura familiar", afirma.

A chamada semente crioula é menos produtiva do que as tratadas geneticamente, porém sua produção é mais independente do uso de tecnologia e pode se adaptar melhor à região nativa. A necessidade de aquisição das sementes decorre do fato de a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) não possuir esse tipo de insumo, disse Takagi.

A Embrapa, segundo ela, trabalha com sementes já modificadas para condições específicas. Cerca de 150 toneladas começarão a ser distribuídas, na quinta, para 43 mil famílias de Minas Gerais.



 O feijão nosso de cada dia
17 de outubro de 2011
*José Maria Gusman Ferraz*
Pelas declarações do presidente da CTNBio, Edilson Paiva, parece que tudo é maravilha e que a nova tecnologia [feijão transgênico] numa atitude ufanista e perigosa, foi aprovada em bases científicas sólidas. E que todo argumento pedindo precaução e mais estudos para esclarecer pontos questionáveis apresentados no processo são puro obscurantismo e posições simplesmente ideológicas.

Não vou discorrer sobre os princípios e tratados assinados pelo Brasil (Princípio da Precaução, Convenção sobre a Biodiversidade, em itens relacionadas à agrobiodiversidade, como a BFN - Biodiversidade, limentação e Nutrição -, Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura da FAO - TIRFAA - e Global Plan of Action - GPA), pois são sumariamente desconsiderados pela CTNBio. Pois vamos aos fatos científicos desprezados por aqueles que acham obscurantismo se preocupar com a pulação brasileira que come diariamente em média 170 gramas de feijão, praticamente a vida toda.

Para garantir que não existe risco para a população de se alimentar com este feijão [transgênico] foram analisados 10 ratos, que foram alimentados por apenas 35 dias com o feijão transgênico comparados com o mesmo feijão não transgênico. Não foram avaliados, ao menos não foram apresentados, dados sobre os efeitos em animais em período de gestação e tampouco estudos de efeitos sobre mais de uma geração, previstos em normas da CTNBio.

Para as observações listadas a seguir foram avaliados apenas 3 ratos dos 10 iniciais, e os resultados foram: um maior tamanho das vilosidades no intestino delgado (jejuno), esta mesma tendência foi observada nas
avaliações do intestino delgado (íleo), mesma tendência também no intestino grosso (cólon). Avaliando os rins, observou-se que houve uma diminuição do tamanho dos rins (direito e esquerdo); houve também aumento no peso do fígado dos animais submetidos a dieta com o feijoeiro 5.1 da Embrapa.

A alegação para desconsiderar estas informações é que os dados não são estatisticamente significativos. Como se pode obter dados significativos com a avaliação de 3 animais alimentados durante 35 dias? Lembrando que a população brasileira consome durante toda a vida? Nenhuma revista científica séria no mundo aceitaria um trabalho destes para publicação com esta amostragem, mas os "cientistas" aceitaram.

Quando os dados foram estatisticamente significativos observados na planta do feijão, nos seguintes aspectos: a) no teor de vitamina B2 em grãos do feijoeiro Embrapa 5.1 comparados com seu parental; b) observada diferença estatisticamente significativa para o teor de Cisteína (aminoácido) entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental, observada uma diferença estatística entre o evento Embrapa 5.1 e seu parental para o Extrato etéreo (gorduras), os "cientistas" não consideraram importantes em seu parecer.

Em todos os casos, o comportamento deveria ser idêntico entre o feijão Embrapa 5.1, e o seu parental - e não foram. Qual a causa destes resultados?
Informações estas que são alertas mais que suficientes para que uma pesquisa preocupada com a biossegurança analisasse o caso com mais rigor. Outro fato relevante é a falta de estudos com Rhizobium e nodulação no feijoeiro, característica importante em leguminosas. Quando levantado este questionamento, o presidente da CTNBio afirmou na última reunião que poderíamos ficar tranqüilos, "ele garantia que não seria afetada a fixação biológica", isto sem nenhum estudo realizado por ele ou pela Embrapa neste evento, numa demonstração clara de "isenção ideológica e alto espírito científico", em prol da aprovação.

Um fato muito importante a ser considerado é de que se trata da primeira liberação comercial no mundo de uma planta transgênica com esta construção genética, o que é motivo para comemorar, mas também para redobrar os cuidados antes de sua liberação.

A Embrapa informa que, no processo do feijão transgênico, a Embrapa 5.1 interage de forma diferenciada com cada genoma recepto, isto pode comprometer biossegurança ou o biorrisco do produto resultante dos
premeditados novos cruzamentos decorrentes da liberação pela CTNBio. A liberação comercial no evento Embrapa 5.1 é base para o desenvolvimento de variedades comerciais de feijoeiro, portanto a sua liberação implicará na possibilidade de ser utilizado em cruzamentos convencionais, com qualquer material de feijão e que, a partir daí, no entender da CTNBio, não necessita mais passar por avaliações da CTNBio, por ser considerado um cruzamento convencional em toda "Terra Brazilis".

Seria obscurantismo optar por mais estudos para esclarecer estas dúvidas, ou seria uma cegueira científica a desconsideração destes fatos?
*José Maria Gusman Ferraz é membro da CTNBio, pesquisador aposentado da Embrapa, professor de Mestrado em Agroecologia da UFSCar, pesquisador convidado do Laboratório de Engenharia Ecológica da Unicamp e diretor da Associação Brasileira de Agroecologia.*

*Artigo publicado no Jornal da Ciência (SBPC), em 06.10.2011*


*Título editado
**Publicado em 2011, parcialmente editado, mantidas datas e material assinado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

TRANSGÊNICOS

Monsanto revela que milho transgênico pode fazer mal à saúde

O milho, um dos alimentos mais antigos da história da humanidade, atualmente tem a maior parte da sua produção destinada, no Brasil, ao consumo animal. Apenas cerca de 15% é para o consumo humano.
O problema em torno deste alimento, defendido por conter vitaminas A e do complexo B, proteínas e minerais como o ferro, fósforo, potássio e cálcio, tem fundamento na utilização do grão transgênico.
Um artigo publicado no International Journal of Biological Sciences mostrou que o consumo da semente modificada tem efeitos negativos principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas.1
Embora suas propriedades nutricionais sejam mantidas, [referência retirada]#, o estudo francês revelou que os grãos do milho transgênico apontam claros sinais de toxidade. O biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe puderam divulgar a pesquisa depois que um decisão judicial obrigou a Monsanto revelar sua própria análise dos grãos que manteve em sigilo impedindo que a informação se tornasse pública.
Os franceses então divulgaram a comparação dos efeitos das sementes MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos, sendo as duas últimas permitidas no Brasil, bem como sementes resultantes do seu cruzamento.
No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade. O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.
Os autores do artigo publicado no International Journal of Biological Sciences concluíram que os dados sugerem fortemente que estas três variedades de milho transgênico induzem a um estado de toxicidade, que pode resultar da exposição a pesticidas (glifosato e Bt) que nunca fizeram parte de nossa alimentação.
A Comissão Técnica de Biossegurança, a CTNBio, informa que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”. A CTNBio também avalia que no caso do MON 810 “os efeitos intencionais da modificação não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.
Acrescentamos ao artigo publicado originalmente no site do MST, o Manual do Consumidor, elaborado pelo Greenpeace:

Fontes: MST e Greenpeace
# – Segundo a assessoria de comunicação do médico Durval Riba-Filho, mencionado no artigo publicado pelo MST, que manteve contato telefônico com a Redação da Revista ecoLÓGICA hoje (28/04), o médico nunca concedeu tal entrevista.