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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

BRASIL



Onça-pintada atropelada e decapitada expõe alta matança de animais silvestres na BR-174


 | 15/01/2019 às 22:18


Só no trecho 125 quilômetros da rodovia, no entorno da terra indígena Waimiri Atroari, foram mortos 1.280 animais por atropelamentos de veículos no ano de 2018 

Onça-pintada encontrada decapitada na BR-174 (Foto: Francklin Moura)



Manaus (AM) – O repórter-cinematográfico Francklin Moura viajava de carro na manhã de domingo, 13 de janeiro, pela rodovia federal BR-174 (Boa Vista-Manaus), quando viu no acostamento da estrada uma carcaça de uma onça-pintada, o maior felino das Américas. O cinegrafista, junto com o filho e um primo, fazia o percurso entre as localidades de Rorainópolis e Vila Equador, em Roraima. “Ela estava (a onça) jogada no acostamento, então eu voltei e parei”, contou Francklin à Amazônia Real.
“Eu não tinha visto que estava com a cabeça e as patas dianteiras cortadas”, descreve o cinegrafista sobre o crime ambiental.
Ao achar a onça decapitada na rodovia, Francklin fez duas fotos com o aparelho celular e as divulgou pelo Facebook. “Triste cena na BR-174. Encontramos esse animal jogado no acostamento. Onça-pintada decapitada, que quem fez isso seja punido”, escreveu o cinegrafista em sua rede social.”
No dia seguinte, segunda-feira (14), as imagens de Francklin foram publicadas em jornais e agências de notícias de Manaus, dando visibilidade à matança por atropelamentos de animais silvestres na rodovia.
A onça-pinta (Panthera onca) está na lista internacional como espécie Vulnerável(primeiro grau de ameaça) na Amazônia, conforme o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Matar o animal é um crime ambiental (Lei n.º 9.605 de 12 de fevereiro de 1998).
A BR-174 tem uma extensão de 769 quilômetros, ligando o Amazonas à Venezuela. Um trecho de 125 quilômetros corta a Terra Indígena Waimiri-Atroari. Os indígenas, que se autodenominam Kinja, monitoram a estrada com o apoio de um projeto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), justamente para proteger os animais silvestres. Segundo o levantamento dos Waimiri-Atroari, 1.280 animais morreram atropelados por veículos neste trecho da rodovia em 2018.  Entre os animais mortos estão quatro onças (Leia mais abaixo).
A agência Amazônia Real procurou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para saber se a instituição obteve informações sobre o possível motorista que matou a onça-pintada na BR-174 no último domingo. A assessoria de imprensa da PRF respondeu não ter informações sobre o crime ambiental. A onça decapitada apareceu entre os quilômetros 390 e 360 da rodovia, em Roraima. Mas nesta localização da estrada, a PRF não encontrou a carcaça do animal. 
O cinegrafista Francklin Moura acredita que a onça-pintada tenha sido atropelado por um caminhão, pouco tempo antes de encontrá-la estendida na estrada e tirar as fotos, por volta das 10h40 da manhã de domingo. Ele contou que não havia urubus, pois a carne do bicho ainda estava vermelha e ainda não havia enrijecido. No asfalto, viu um rastro de sangue e nenhum sinal de freada. “Deve ter sido um caminhão que atropelou, porque se fosse um carro pequeno tinha quebrado toda a frente dele”, acredita ele.
No trajeto, Francklin encontrou outros animais mortos na pista. Um jacaré, duas cobras, uma preguiça. “Na onça eu parei porque é caso inusitado. Mas animais mortos, daqui (Manaus) para Boa Vista, tu achas, com facilidade. E o pessoal fala da reserva, não tem nada a ver com reserva, tudo fora da reserva, no lado de Roraima”, recorda.
O biólogo Rogério Fonseca, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenador do Observatório de Imprensa de Ataques de Onças (OIAA Onça), um projeto que monitora ocorrências de conflitos envolvendo grandes felinos, também crê que a onça-pintada tenha sido vítima de atropelamento por um veículo grande. “O veículo que colidiu com esse animal é de uma caminhonete para cima, porque a estrutura óssea ficou com muitas fraturas expostas visíveis na fotografia”, afirma.
Ele não acredita que a onça-pintada tenha sido vítima de caçadores e que a cabeça e as patas tenham sido retiradas por alguém que encontrou o animal já morto.
“O animal ter sido caçado e jogado na beira da pista seria desproporcional. Depois de caçar um animal para finalidade comercial de couro ou pata, seria bobagem expor ele ao público ali, na beira da pista”, completa o biólogo. As amputações foram feitas por alguém que, na opinião dele, estava em um veículo grande o suficiente para ocultar a ação de quem passasse pela rodovia, como uma carreta.

Carcaça poderia ajudar em pesquisas


O professor Rogério Fonseca lamenta que a carcaça da onça-pintada não tenha sido recuperada, para que fosse aproveitada para fins científicos. O biólogo explica que é possível obter muitas informações importantes sobre as espécies, ao analisar carcaças encontradas nas estradas. Ele cita como exemplo, o ecologia alimentar, possíveis doenças que acometeram o animal, especialmente que tenham sido transmitidas por bichos domésticos.
“A gente consegue um registro profundo da vida do animal, podendo fazer a autopsia, necropsia, biópsia completa”, destaca. “Consegue saber se a causa mortis foi mesmo atropelamento ou não. Como a gente viu recentemente uma onça no final do ano passado, com chumbo”, destaca.
Ele se refere a uma onça-pintada macho, encontrada morta em novembro do ano passado, na estrada que liga a BR-174, a 128 quilômetros de Manaus, perto da sede do município de Presidente Figueiredo (AM). Foram encontrados pedaços de chumbo no animal.
O professor da Ufam explica que a Instrução Normativa número 03, de 2014, que ainda está vigente, que trata de aproveitamento de animais atropelados para finalidade científica. Ela autoriza que qualquer pessoa possa fazer o transporte de animais encontrados mortos em estradas até uma instituição de pesquisa. A legislação diz que, quando possível, é preciso fazer um boletim de ocorrência, para apresentar em caso de fiscalização.
Rogério Fonseca admite, porém, que a maioria das pessoas prefere não se arriscar a ter de dar explicações para as autoridades. “O que eu aconselho sempre principalmente àquelas que trafegam nas nossas rodovias aqui na região amazônica, é que comunique onde está o animal à autoridade policial rodoviária, para que eles façam a retirada. Quando é um animal do porte de uma onça ou uma anta, eles fazem o descolamento e retiram o animal da pista e dão destinação para instituições de pesquisa”, orienta.

Monitoramento desde 1997


Segundo o monitoramento dos Waimiri-Atroari, com o apoio da Ufam, animais mortos por atropelamentos de veículos no trecho de 125 quilômetros da rodovia que corta o território indígena já somam mais de 12,8 mil desde 1997, quando eles iniciaram o trabalho.
Nos últimos três anos, conforme o levantamento, 16 grandes felinos (onças-pintadas, onças-pardas e jaguatiricas) foram atropelados por veículos neste trecho da estrada. Mas as principais vítimas são cobras, mucuras, pacas e sauins, de acordo com os dados.
“Eles fiscalizam seis dias por semana, percorrendo aquele trecho, recolhendo lixo, fazendo anotações e retirando os animais atropelados”, conta o biólogo Marcelo Gordo, professor da Ufam. A Universidade já cedeu aos índios dois freezers, para que animais sejam mantidos e encaminhados para estudos científicos.
Gordo conta que os dados obtidos pelo monitoramento indígena já ajudaram a descobrir, por exemplo, que muitas espécies atravessam o asfalto onde ele corta cursos de água, como igarapés. Espécies que dependem diretamente da água, como jacarés, tartarugas, sapos e cobras, além de mamíferos como ariranhas, lontras, capivaras e pacas, são vítimas de atropelamentos principalmente nestes locais.
“Notamos também que a alta velocidade é um determinante para atropelamentos, além do número de veículos que transitam pela rodovia”, ressalta Marcelo Gordo. “Quando a rodovia está ruim, ocorrem menos atropelamentos. Os carros têm que reduzir a velocidade por conta dos buracos”. Ele recomenda que sejam instalados redutores de velocidade, para reduzir o risco de atropelamentos.
Os pesquisadores da Ufam recomendaram também que as copas de árvores se unissem sobre vários trechos da rodovia, criando túneis para a passagem dos carros. A medida permite que animais arborícolas, como macacos e quatis, atravessem a rodovia sem descer para a pista.
Ele destaca que a taxa de mortes de animais por atropelamento durante a noite é entre 50 e 100 vezes maior do que durante o dia. De acordo com Marcelo Gordo, embora a terra indígena permaneça fechada durante a noite (das 18h às 6h, quando podem passar apenas ônibus interestaduais, ambulâncias e caminhões com carga perecível), os carros que passaram pela barreira pouco antes das seis da tarde ainda estão dentro da reserva quando escurece, aumentando a taxa de mortes.
Os dados do monitoramento indicam que 64 onças, das três espécies, já morreram atropeladas no entorno da Terra Indígena Waimiri, desde 1997. O professor da Ufam cita ainda que já foi registrado até o atropelamento de um gavião-real, uma ave que normalmente prefere a copa das árvores. “Provavelmente, desceu para pegar alguma carcaça de animal morto e foi atropelada”, acredita Marcelo Gordo.

Símbolo do Brasil em risco


Onça-pintada é símbolo nacional da biodiversidade no Brasil e tem uma data comemorativa no calendário nacional desde 2018. O Dia Nacional da Onça-Pintada é comemorado no dia 29 de novembro. Nesta data o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promove eventos para unir esforços em ações de divulgação sobre a importância ecológica, econômica e cultural da espécie
Segundo o site ((o)) Eco, a onça-pintada é o maior felino das Américas e, como predador de topo de cadeia em um mundo cada vez mais desmatado, está ameaçada. Embora não esteja na lista internacional de espécies em risco, consta no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do ICMBio, como Vulnerável(primeiro grau de ameaça) na Amazônia, mas seu status de conservação varia em diferentes biomas. No Cerrado, é considerada Em Perigo. Na Caatinga e na Mata Atlântica, a situação dela é bem mais preocupante, a espécie está Criticamente Ameaçada de extinção.




Os textos, fotos e vídeos publicados no website da Amazônia Real estão licenciados com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia com os créditos dos autores e da agência.  
Fonte: http://amazoniareal.com.br/onca-pintada-atropelada-e-decapitada-expoe-alta-matanca-de-animais-silvestres-na-br-174/?fbclid=IwAR1ZnT21RKM7t474Y0fZ9JKJsXm9QWpqvrHcZmD4udyn_BsD8SZK6_tYSlE

sábado, 17 de novembro de 2018

ABELHAS



RIO — O mel é o produto mais visível dos préstimos oferecidos de graça pelas abelhas. Mas, muito além de adoçar nossos alimentos, elas conseguem também adoçar o PIB agrícola brasileiro. Isso porque, dos 141 tipos de culturas agrícolas do país, 85 dependem de polinização por animais, principalmente abelhas. E um estudo da Universidade de São Paulo (USP) estimou que esse serviço prestado de graça gera uma economia de US$ 12 bilhões por ano à agricultura no Brasil.
Este é um dos dados revelados pelo "Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos", lançado nesta quinta-feira, às vésperas da conferência mundial sobre biodiversidade, a COP-14, que acontecerá entre os dias 13 a 29 em Sharm El-Sheik, no Egito.
Elaborado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), que reúne alguns dos maiores especialistas do país no assunto, o diagnóstico aponta desafios e, sobretudo, oportunidades da exploração sustentável da diversidade.

O Brasil abriga 20% da biodiversidade da Terra, ainda tem 40% de sua cobertura vegetal e dispõe de 55 milhões de hectares de terras degradadas pela pecuária que poderiam ser revertidas em plantações, evitando novos desmatamentos, destaca o engenheiro florestal Fábio Scarano, um dos coordenadores da BPBES e presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).
— Temos uma galinha dos ovos de ouro, e até agora só perdemos oportunidades. Está na hora de mudar o jogo — acredita Scarano.
No jogo está, por exemplo, a morosidade na discussão da ratificação do Protocolo de Nagoia, no Congresso Nacional. O protocolo existe há quatro anos e é o acordo global que regula a repartição dos benefícios da biodiversidade. O Brasil discorda de alguns pontos, mas não desata o nó que dificulta negócios baseados em produtos da biodiversidade.

Também coordenador da BPBES, o biólogo Carlos Joly destaca que a principal causa de perda de biodiversidade no país é o uso errado do solo. As mudanças climáticas também exercem grande influência.
— São as atividades humanas os principais vetores de perda de biodiversidade, seja por perda de habitat, por poluição, por demanda de exploração — afirma ele. — E a realização desse "Primeiro Diagnóstico" confirma que esse cenário vem se acentuando no Brasil de maneira muito rápida, talvez porque sejamos justamente o país com a maior diversidade do planeta.

Mudança de paradigma

O relatório destaca que é preciso uma mudança de paradigma, para que a sociedade civil e os tomadores de decisão passem a entender o desenvolvimento ecológico como parte do desenvolvimento social e econômico.
— A biodiversidade é percebida geralmente como um obstáculo ou no máximo um apêndice ao processo de desenvolvimento quando, na verdade, constituem a base de ganho de competitividade em um ambiente global — ressalta Mercedes Bustamante, também coordenadora da BPBES e reconhecida por seus trabalhos sobre o Cerrado.
Segundo ela, duas iniciativas importantes são o estímulo ao cumprimento das leis ambientais já existentes e a incorporação de serviços ecossistêmicos nas políticas de desenvolvimento do país.
A ideia é que o relatório sirva como base para que os governos federal e estadual e o Congresso Nacional recém-eleitos tomem decisões. É isso, ao menos, o que os cientistas esperam.

— Espero, sinceramente, que os que ocupem os cargos de gestão do governo respeitem a Constituição, para pelo menos o cenário não piorar — diz o engenheiro florestal Fábio Scarano. — Mas acredito que não precisamos depender só do governo também. A mudança que vem de baixo para cima pode ter muita força. A organização dos cidadãos, de ONGs e de empresas pode fazer muito, atuando como contrapesos.

Remédios e cosméticos

O país tem, segundo o diagnóstico, mais de 245 espécies de plantas empregadas em produtos cosméticos e farmacêuticos e 36 registradas como fitoterápicos. Com maior investimento, poderia ter muito mais, destaca a pesquisadora Mercedes Bustamante.
Desse bioma vem um caso de sucesso, indicador do potencial nativo. É de lá a fava d’anta, árvore de cujas vargens se extrai quercetina. Esta é a base da rutina, usada em drogas para retardar o processo de envelhecimento e melhorar a circulação do sangue. O Brasil exporta rutina para 36 países, sendo o laboratório Merck o maior comprador. Em 2017, foram exportados US$ 967.657,00 de rutina proveniente de Maranhão e Piauí.
Bustamante destaca ainda o valor alimentício das plantas nativas. O diagnóstico mostra que 469 espécies de plantas são cultivadas em sistemas agroflorestais. E as frutas brasileiras são as de maior teor de vitaminas A (buriti) e C (camu-camu) do mundo.

— Temos o maior potencial do planeta para melhorar a quantidade e a qualidade dos alimentos e há ainda muitas espécies sequer exploradas — diz Bustamante.

Uma nova espécie a cada três dias

O melhor exemplo de sucesso vem da Amazônia. É o açaí, cujo cultivo hoje está atrás somente da pecuária e da exploração de madeira no Pará. O açaí é o exemplo mais importante do uso sustentável da biodiversidade, afirma o climatologista Carlos Nobre, que desenvolve o projeto Terceira Via Amazônica sobre o valor econômico da exploração sustentável da floresta em pé.
De tão vasta a biodiversidade permanece até agora incalculável. Na Amazônia, o projeto de Nobre se debruça, por exemplo, sobre aplicações farmacêuticas e industriais de moléculas de espécies nativas de micro-organismos, plantas e animais e diz que “em média, uma nova espécie é descoberta a cada três dias”, o que demonstra que o número das ainda não identificadas é colossal.

Soja, café e até tomate dependem da polinização

O adjetivo "colossal" se adequa ao trabalho realizado pelas abelhas no campo. Espécies brasileiras se adaptaram a culturas originárias de outros países, caso da soja, do algodão, do café e do tomate. Hoje os cultivadores daqui mantêm uma relação umbilical com as abelhas sem ferrão.
A soja, o motor do PIB agrícola, depende das abelhas para produzir flores e, assim, grãos. A soja se torna mais produtiva graças aos polinizadores, diz Bustamante. Mesmo as plantas que se autofecundam, caso do tomate, não dispensam os préstimos de espécies nativas de abelhas, observa ela.

Outro que não vive sem uma abelha em sua vida é o café, acrescenta Scarano.  Segundo ele, o café não frutifica sem a polinização por uma espécie de abelha brasileira, do grupo das meliponinas ou abelhas sem ferrão. Mas esta abelha pode estar extinta até 2030, diz Scarano.
— O café dá a dimensão da urgência de garantir a sustentabilidade da biodiversidade — frisa ele.
Urgência não apenas no que diz respeito a alimentos e fármacos, mas também à energia. Um dos destaques do diagnóstico são as usinas hidroelétricas, fontes de dois terços da energia elétrica consumida no país. Elas precisam de água e esta depende da integridade de ecossistemas, especialmente os florestais, afirma o documento.
A urgência se explica não apenas pelo avanço do desmatamento, mas pela constatação de que 40% da cobertura vegetal do Brasil estar concentrada em 400 municípios (o equivalente a 7% do total do país) onde estão 13% da população que vive na pobreza.
— A pobreza é um dos vetores do desmatamento. Mas a biodiversidade pode oferecer formas de gerar renda mais lucrativas e sustentáveis do que a derrubada da floresta. O sucesso do açaí na Amazônia ilustra isso. É mais questão de vontade e estratégia política — afirma Scarano.

Os números da biodiversidade

O "Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos", documento lançado nesta quinta-feira e elaborado por mais de 120 autores — entre pesquisadores, gestores ambientais e tomadores de decisão —, compila uma série de dados sobre a biodiversidade brasileira. Seguem abaixo alguns dados de destaque:

- O território nacional abriga cerca de 42 mil espécies de vegetais, 9 mil espécies de animais vertebrados e 129 mil invertebrados conhecidos.
- O Brasil exporta mais de 350 tipos de produtos agrícolas, e a agricultura familiar produz 70% do que os brasileiros comem e bebem.
- Das 141 culturas agrícolas analisadas no Brasil, 85 dependem de polinização por animais.
- O país é o terceiro maior país exportador de produtos da silvicultura, responsável por 3,64% do volume total do mercado global.
- Cerca de 80 famílias e 469 espécies de plantas são cultivadas em sistemas em sistemas agroflorestais no Brasil.
Colaboração: Rafhael Fumagali
Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/biodiversidade-galinha-de-ovos-de-ouro-desperdicada-no-brasil-mostra-relatorio-23220249?fbclid=IwAR1UdTuPPRO_aA086eYeCNH2GGZ65czWdf7l4-BO7E_7hC_T0Xo6kNFwlyg

terça-feira, 27 de junho de 2017

TRAVESSIA DA FAUNA



Pará terá primeiro viaduto do país para travessia da fauna



Projeto inédito em território nacional é uma nova aposta da equipe de licenciamento ambiental do Ibama para reduzir número de acidentes fatais com animais vítimas de atropelamento nas estradas e ferrovias







Ibama informou que animais como capivaras, tatus e tamanduás-bandeira já passaram pelo local.


O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concedeu uma determinação a favor da Licença de Instalação (LI) nº 934/2013, emitida para a construção do Ramal Ferroviário Sudeste do Pará, que resultou na criação do primeiro viaduto para travessia de fauna (overpass) do Brasil.
De acordo com a publicação oficial no site do instituto, a ferrovia, que receberá a nova construção, cruza a Floresta Nacional de Carajás em dois pontos onde a vegetação está em estágio médio ou avançado de regeneração. Para definição dos locais mais adequados para criação da travessia, cada trecho foi projetado conforme a análise de características do local, como: o tráfego da região, condições das estradas, paisagem espacial e até o porte dos animais silvestres presentes nas redondezas.
Para se ter uma ideia, segundo os estudos de ecologia de estradas redigidos pelo Ibama, anualmente, cerca de 450 milhões de animais selvagens morrem atropelados nas estradas e ferrovias brasileiras, que se estendem por 1,7 milhão de quilômetros.
Desta forma, o objetivo do viaduto inédito, além de possibilitar uma travessia segura para os animais, é permitir a dispersão de espécies que necessitam de áreas mais extensas para sobreviver, evitando a perda da biodiversidade e possíveis acidentes.

Travessia já é usada em outros países

Por meio de sua assessoria, o Ibama informou que os viadutos do ramal foram cercados com arame galvanizado de 2,2 metros de altura ao longo de 100 metros de extensão para cada um dos lados de acesso. Em conjunto com a ação, pequenos arbustos foram instalados nas laterais do percurso para simular a continuidade do terreno da floresta.
Vale lembrar que, até então, a solução mais procurada para atender à essa classe de animais era a instalação de túneis subterrâneos, mas o resultado positivo do uso de overpass para fauna em países da Europa e América do Norte chamaram atenção da equipe de licenciamento ambiental brasileira, que decidiu apostar na eficiência da medida em território nacional.
O Ibama confirmou que já existem registros de trânsito de capivaras, tatus, jaguatiricas, tamanduás-bandeira, cachorros do mato, cutias, iguanas e gatos-mouriscos no local. Outras 30 passagens foram instaladas ao longo dos 100 quilômetros do ramal.
A atualização de informações será apresentada semestralmente pelo Programa de Monitoramento e Mitigação de Atropelamento de Fauna.
Fonte: http://www.pensamentoverde.com.br/arquitetura-verde/para-tera-primeiro-viaduto-pais-para-travessia-da-fauna/?utm_source=facebook.com&utm_medium=timeline&utm_campaign=parceriapv&utm_content=arquiteturaverde



domingo, 9 de abril de 2017

RPPNs


RPPN: A terra é particular, os benefícios são compartilhados


Por Angela Pellin

A primeira vez que ouvi falar em RPPNs — Reservas Particulares do Patrimônio Natural — foi no ano 2000. Eu ainda estava cursando Biologia na UFPR. Numa das aulas de campo da disciplina de Flora Local, fomos conhecer a RPPN Salto Morato, propriedade da Fundação Boticário. Lembro que a Reserva estava cheia de alunos fazendo cursos, estagiários, voluntários, pesquisadores em campo e visitantes, além de vários funcionários. O clima do lugar e sua beleza eram inspiradores!

RPPN Salto Morato (Fundação Grupo O Boticário). Foto: Adrian Moss


A primeira atividade, antes de entrarmos na mata para os levantamentos de campo, foi assistir uma palestra com o gestor da área — o simpático José Aurélio Caiut, que depois veio a se tornar um grande amigo. Com grande entusiasmo, ele nos falou sobre a motivação da Fundação em proteger aquele lugar. E falou de todo o trabalho que vinha sendo executado ao longo dos últimos anos. Me encantei! Passei a frequentar a Reserva primeiro como voluntária, depois como estagiária, e resolvi fazer minha monografia sobre a área. Foram mais de dois anos de muitos aprendizados e amizades que perduram até hoje. Depois disso, nunca mais consegui deixar de me envolver com o tema. Tanto que, quando precisei definir um projeto para o meu doutorado, não tive dúvidas: queria trabalhar com RPPNs!
Para mim, a importância dessa categoria de área protegida sempre foi clara.  A maior parte do território de nosso país é formado por propriedades particulares. E sabemos que apenas o estabelecimento de áreas públicas protegidas não é suficiente para garantir a conservação. Além disso, sempre vi nessa categoria uma beleza muito grande, que é o fato de ser um ato voluntário. É a sociedade civil somando esforços ao poder público nesse grande desafio que é a conservação da nossa biodiversidade.
RPPN no Brasil
A figura da RPPN surgiu no Brasil em 1990. Desde então, estima-se que foram criadas 1.391 reservas, que protegem aproximadamente 7.671 km² — dados recentes da Confederação Nacional de RPPNs. Sempre que olho para esses números, fico espantada! Essa é a categoria de unidade de conservação que tem o maior número disparado de áreas estabelecidas no Brasil. Por si só, esse dado já é bastante impressionante. Mas ele chama ainda mais atenção se considerarmos os enormes desafios que os proprietários dessas áreas precisam enfrentar para seu reconhecimento e gestão. A começar pela falta de benefícios e valorização por parte do governo e da sociedade em relação a essas iniciativas.
RPPN Fazenda Cabeceira do Prata (Eduardo Coelho). Foto: Daniel De Granville – Photo In Natura

Quando desenvolvi meu projeto de doutorado, ainda morava no Mato Grosso do Sul. Resolvi trabalhar com as RPPNs do Estado. Minha proposta foi analisar as motivações dos proprietários de terras para criação dessas áreas; compreender como se dava o processo de reconhecimento junto ao órgão federal e estadual, incluindo os principais problemas e entraves enfrentados; e ainda avaliar a eficácia de manejo dessas reservas.
Objetivos de manejo
Na minha pesquisa, identifiquei que os principais objetivos de manejo das RPPNs do Mato Grosso do Sul são a conservação de espécies e ecossistemas e a pesquisa. Grande parte delas também cita o turismo e a educação ambiental. Entretanto, nem todas as RPPNs têm desenvolvido atividades relacionadas a esses objetivos, com 38% delas se dedicando exclusivamente à conservação. Dentre as que possuem outras atividades, destaca-se a pesquisa em 62% delas. Turismo e educação ambiental ocorrem em apenas 24% e 9%, respectivamente. O artigo “Motivações para o estabelecimento de RPPNs e análise dos incentivos para sua criação e gestão no Mato Grosso do Sul” aborda esse tema, e foi publicado na Revista Natureza & Conservação.
No Brasil, os estudos de avaliação da eficácia de manejo têm dado ênfase para as áreas protegidas públicas. São raros os casos de avaliações que incluem RPPNs. No meu projeto, eu desenvolvi um sistema de avaliação para reservas privadas com base na metodologia de Cifuentes, Izurieta e Faria (2000), que foi aplicado junto a 34 RPPNs do estado. Por meio dos resultados, foi possível classificar a gestão dessas áreas com uma gradação que ia de “muito inferior” até “padrão de excelência”. Também foi possível compreender quais os principais pontos fortes e os desafios relacionados à gestão dessas UCs.
RPPN Santa Cecília II (Daniel Martins Filho). Foto: Daniel De Granville – Photo In Natura

Gestão
Os aspectos da gestão que obtiveram melhor classificação foram os relativos aos usos atuais, a compatibilidade com as normas e os aspectos políticos e legais. Por outro lado, os aspectos mais frágeis foram o planejamento e ordenamento destas áreas, e a existência e utilização de conhecimento gerado por projetos de monitoramento e pesquisas na região para o manejo da área. O subsistema de RPPNs avaliado obteve uma classificação de 57,6% do total ótimo. Os resultados individuais variaram de 30,21% até 87,71%. Esse resultado demonstra que o manejo de muitas dessas áreas precisa ser aprimorado. Mas pode ser considerado mais positivo do que o obtido em diversas avaliações realizadas para áreas públicas.
RPPN Engenheiro Eliezer Batista (MMX Corumbá Mineração Ltda). Crédito: Instituto Homem Pantaneiro
Avaliação

O sistema de avaliação para gestão de RPPNs proposta no meu doutorado e aplicada no Mato Grosso do Sul foi o ponto de partida para novos trabalhos sobre o tema. Uma dissertação de mestrado já foi concluída — desenvolvida pela pesquisadora Marília Basniak. Outra dissertação de mestrado e uma tese de doutorado estão em fase de conclusão — desenvolvidas pelos pesquisadores Isaac Simão Neto e Gustavo Luis Schacht. Esses novos trabalhos vão trazer informações atualizadas sobre a situação da gestão das RPPNs no Paraná e Santa Catarina.
Aos poucos, vamos avançando no conhecimento sobre o tema. Está se estabelecendo uma base de dados que nos permitirá compreender melhor a contribuição que essas áreas vêm prestando à sociedade. E que nos ajudará a identificar suas principais fragilidades e potencialidades. A análise integrada desses resultados também deverá auxiliar no aprimoramento de programas governamentais e não governamentais de apoio à criação e gestão, com a priorização dos aspectos que representam os principais gargalos do sistema. Além disso, trabalhos como esses permitem uma análise das RPPNs individualmente, contribuindo para a sua gestão adaptativa e alcance dos seus objetivos de criação.
RPPN Fazenda Rio Negro (André Esteves). Foto: Daniel De Granville – Photo In Natura

Os resultados estão detalhados no artigo “Voluntary Preservation on Private Land in Brazil: Characterisation and Assessment of the Effectiveness of Managing Private Reserves of Natural Heritage”. O trabalho foi publicado no periódico Brazilian Geographical Journal.

Fonte: http://blog.ipe.org.br/rppn-beneficios-sao-compartilhados/

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ANTROPOCENO

Desafios da conservação da biodiversidade*


 

Não existe atualmente a menor dúvida de que a biodiversidade está desaparecendo em virtude da ação do ser humano. Aliás, toda a paisagem natural de nosso planeta está sendo modificada para dar lugar ao que os cientistas recentemente têm se referido como a era do Antropoceno.
Ruas arborizadas conectando fragmentos de áreas verdes urbanas em Belo Horizonte (Brasil)
Belo Horizonte (Brasil). Foto: Thiago Chaves.
Ao avançarmos nesse século, fica claro que o mundo está cada vez mais sendo afetado pelas ações humanas. O resultado é a urbanização crescente da superfície do planeta. E as consequências são graves sobre a diversidade da vida, que garante as condições necessárias à nossa existência. Assistimos a uma grande onda de crescimento populacionale de modificações planejadas e não planejadas das nossas paisagens. Na metade de nosso século, praticamente dois terços da população humana habitará as cidades. Algumas delas vão se tornar verdadeiras megalópoles que tendem a se juntar, como São Paulo e Rio de Janeiro.
No Antropoceno, o crescimento não escolhe onde vai acontecer, sendo impulsionado pelos mais diversos fatores sociais, ecológicos e econômicos. Todo esse processo certamente tem um forte impacto sobre as áreas onde atualmente residem os grandes bolsões de biodiversidade. Tais mudanças vão nos obrigar a tomar medidas sérias de reorganização do planejamento urbano e dos processos dinâmicos que compõem as cidades.
Precisaremos de estratégias para manter e trazer de volta para dentro das cidades a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Ambos são necessários para sustentar nosso futuro. Para tal, temos que incorporar na cidade de hoje muito do conhecimento que adquirimos nas zonas rurais. Temos que juntar isso com a ciência da conservação contemporânea e com os avanços que ocorrerão nos próximos anos. Princípios como biogeografia de ilhas, ecologia da paisagem, biologia da conservação e outros ramos da ciência que tratam do tema devem fazer parte do planejamento urbano.
Áreas protegidas urbanas têm importância crescente no Antropoceno. Na imagem, um exemplo de área verde poligonal: o Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, localizado na zona leste de São Paulo. Fonte: Arquivo SVMA.
Áreas protegidas urbanas têm importância crescente no Antropoceno. Na imagem, um exemplo de área verde poligonal: Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, zona leste de São Paulo. Fonte: Arquivo SVMA.
Serão necessárias cada vez mais áreas protegidas urbanas no formato de polígonos e lineares, principalmente nas bordas dos rios. Quanto maiores essas áreas, melhor. Elas devem estar interligadas por ruas arborizadas e áreas verdes lineares, compondo corredores de fauna. Eles devem chegar até as áreas naturais da zona rural dos arredores da cidade. Tudo isso combinado com a proteção dos mananciais e bacias, com o devido respeito aos cursos d’água que as cortam. Enfim, precisamos de cidades que combinem o bem-estar humano com a conservação da biodiversidade. Ela depende da minimização dos fatores que levam a mudanças climáticas. Isso aumentará sua resiliência aos possíveis problemas resultantes da falta de planejamento urbano e do uso inapropriado do solo.
Unidades de Conservação nas zonas urbanas
O livro “Biodivercidade: desafios e oportunidades na gestão de áreas protegidas urbanas” — de autoria das biólogas Angela Pellin e Erika Guimarães (publicado pela Editora Matrix em parceria com o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas) —apresenta uma abordagem bastante ampla sobre o tema áreas protegidas urbanas, com ênfase nas unidades de conservação das categorias parque e reserva biológica. Combina o conhecimento teórico das autoras com sua experiência resultante da realização de inúmeros planos de manejo de áreas protegidas em áreas rurais e urbanas. Traduz, também, um ponto importante na visão estratégica do IPÊ para os próximos anos.
BiodiverCidade: Desafios e oportunidades na gestão de áreas protegidas urbanas. Erika Guimarães e Angela Pellin, 2016 (Ed. Matrix).
O intuito dessa publicação é que possa ser utilizada não só pelo mundo acadêmico, mas também por profissionais de diversos campos que hoje não contam com publicações específicas que sirvam de referência para suas ações cotidianas. Discussões como essas são importantes para nos auxiliar na busca por cidades mais apropriadas à saúde e ao bem-estar de seus moradores, e que sejam ao mesmo tempo mais amistosas à diversidade da vida em nosso tempo e no futuro da humanidade, nessa era do Antropoceno que vivemos em nosso planeta Terra.


* Título editado
FONTE: http://blog.ipe.org.br/conservacao-no-antropoceno/
Sobre o autor: Reitor da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, co-fundador e Vice-Presidente do IPÊ. Mestre em Estudos Latino-americanos e Doutor em Ecologia pela Universidade da Flórida (EUA). Professor aposentado da Universidade de Brasília. Pesquisador associado sênior do Centro de Estudos Ambientais e de Conservação da Columbia University e diretor internacional de conservação do Wildlife Trust Alliance, ambos em Nova York (EUA). Atualmente ocupa o cargo de conselheiro do Fundo Brasileiro para Biodiversidade – FunBIO e do WWF Brasil. Recebeu mais de 10 prêmios nacionais e internacionais, como “Empreendedor Social da América Latina” (2010) e “Empreendedor Social do Brasil” (2009).
Colaboração:  Angela Pellin

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DAS ABELHAS


AS ABELHAS E NOSSA COMIDA


Em alguns lugares do planeta, as abelhas têm sumido e gerado um colapso na produção de alguns alimentos. De forma direta ou indireta, mais de 70% da alimentação humana dependem diretamente da polinização e, logo, das abelhinhas. Por isso, respeitá-las e preservá-las é dever de todos. Caso contrário, a população mundial morrerá de fome ou perderá a grande diversidade de alimentos.
Traga as abelhas para perto do seu jardim, horta ou pomar:

LISTA DE FLORES ÚTEIS PARA ABELHAS

A maioria ocorre na natureza, outras podem ser plantadas e florescem rapidamente, como o beijo, a maria-sem-vergonha e a coroa-de-cristo. Esta última não pode faltar, pois as abelhas jataís encontram nela néctar, pólen e própolis. Os meses de florescimento são aproximados, pois variam com o comportamento do clima. 

Alfafa-do-campo (Stylosanthes scabra) (abril) 
Alfinete (Sirene armenia) (janeiro a março) 
Arnica-brasileira (Solidago chilensis) (junho a setembro) 
Aroeira-branca (Lithraea molleoides) (setembro) 
Aroeira- vermelha (Schinus therebentifolius) (dezembro) 
Arruda (Ruta graveolens) (agosto a setembro) 
Assapeixe (Vernonia polyanthes) (julho a agosto) 
Astrapéia (Dombeya burgessiae) (abril a julho) 
Astrapéia-rosa (Dombeya wallichii) (julho a agosto) 
Azaléia-lilás (Rhododendron indicum) (abril a julho) 
Azaléia-rosa (Rhododendron indicum) (agosto a setembro) 
Babosa-de-flor-rosa (Aloe arborescens) (janeiro) 
Beijo (Impatiens balsamina) (abril a junho e outubro a dezembro) 
Bico-de- papagaio (Euphorbia pulcherrima) (abril a julho) 
Calabura (Muntingia calabura) (outubro a dezembro) 
Cambará-roxo (Eupatorium squalidum) (fevereiro a março) 
Catinga-de-mulata (Iboza riparia) (junho a julho) 
Charão (Toxicodendron verniciferum) novembro) 
Chocalho (Crotalaria pallida) (março a maio) 
Cóleos – vários (Coleus spp) janeiro a março) 
Confete (Lagerstroemia indica) (dezembro) 
Coreópse (Coreopsis grandiflora) (agosto a janeiro) 
Coroa-de-cristo (Euphorbia milii var. splendens) (janeiro a dezembro) 
Coroa-de-cristo-grande (Euphorbia milii var. milli (janeiro) 
Cravo-do-campo (Senecio brasiliensis) (agosto a outubro) 
Cróton - vários (Croton spp) (setembro a fevereiro) 
Dália – várias (Dahlia spp) (abril a maio) 
Dietes (Dietes vegeta) (julho a novembro) 
Espiguinha (Mimosa daleoides) ((janeiro a fevereiro) 
Esponjinha vermelha (Calliandra twedii) (janeiro a dezembro) 
Esporinha (Delphinium sp) (julho a novembro) 
Eupatório-roxo (Eupathorium macrocephalum) (janeiro a maio) 
Feijão-de-praia (Sophora tomentosa) (agosto a março) 
Fumo (Nicotiana tabacum) (dezembro a abril) 
Funcho (Foeniculum vulgare) (dezembro a março) 
Grevílea (Grevilea banksii) (janeiro a dezembro) 
Guaco-liso (Mikania cordifolia) (julho a agosto) 
Guanxuma (Sida rhombifolia) (dezembro a março) 
Guiso-de-cascavel (Crotalaria lanceolata) (janeiro a março) 
Jasmim-estrela (Jasminum azoricum) (novembro a janeiro) 
Lanceta (Eclipta alba) (janeiro a fevereiro) 
Laranjeiras, limoeiros, tangerinas (Citrus spp) (setembro a outubro) 
Madressilva (Lonicera japonica) ((setembro a outubro) 
Malmequer (Aster laevis) ((outubro a novembro) 
Mangueira (Mangifera indica) (julho a setembro) 
Margaridão amarelo (Tithonia speciosa) (abril a maio) 
Manjericão (Ocimum sellowii) (novembro a junho) 
Maria-sem-vergonha (Impatiens sultanii) (janeiro a dezembro) 
Murici (Byrsonima intermedia) (novembro a junho) 
Muçambê (Cleome spinosa) (novembro a dezembro) 
Onze-horas (Mesembryantemum spectabilis) (outubro a dezembro) 
Orégano (Origanum vulgare) (dezembro a janeiro) 
Orelha-de-onça (Tibouchina holoserice) (novembro a janeiro) 
Palmeira-elegante (Archontophoenix cunninghamia) (fevereiro a junho) 
Pessegueiro (Prunus persica) (julho a agosto) 
Picão branco (Galinsoga parviflora) (julho a novembro) 
Pitanga (Eugenia pitanga) (julho a agosto) 
Primavera (Bougainvillea spectabilis) (setembro a novembro) 
Quaresmeira (Tibouchina granulosa) (janeiro a abril) 
Sabugueiro (Sambucus australis) (novembro a dezembro) 
Sálvia vermelha (Salvia splendens) (outubro a novembro; março a abril) 
Sensitiva (Mimosa pudica) (fevereiro) 
Serralha (Emilia sonchifolia) ((janeiro a dezembro) 
Sibipiruna (Caesalpinea peltophoroides) (setembro a outubro) 
Suínã (Erythrina speciosa) (junho a setembro) 
Tapete-inglês (Polygonum capitatum) (maio a junho) 
Tipuana (Tipuana tipu) (outubro a novembro) 
Tumbérgia (Thumbergia grandiflora) (dezembro a janeiro; abril) 
Vassourinha (Baccharis trinervis) (dezembro a janeiro) 
Vedélia (Wedelia paludosa) (outubro a abril) 
Violeteira (Durante repens) (outubro a maio)


Fonte: https://www.facebook.com/apisflora/posts/1439629882730676?ft[tn]=K&ft[qid]=6334712983306181443&ft[mf_story_key]=5030771610893679581&ft[ei]=AI%401bab7cfbb52b7e46fe3d219c11072ab4&ft[fbfeed_location]=1&ft[insertion_position]=5&__md__=1