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sábado, 23 de março de 2019

MOBILIDADE URBANA



Estudantes montam bicicletas para uso coletivo entre as unidades da UNILA


Bicicletas podem ser utilizadas por toda a comunidade universitária.

Os estudantes que se deslocam diariamente entre as unidades da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) podem contar com o transporte interunidades da Universidade, mais conhecido como “Intercampi”. Porém, pensando nos alunos que preferem fazer o trajeto de bicicleta, o coletivo estudantil “¡Vamos en Bici!” resolveu se mobilizar para oportunizar que outras pessoas possam ir de uma unidade à outra da UNILA pedalando.

A ideia surgiu de um grupo de estudantes que já usam a bicicleta como meio de transporte diário, e resolveu incentivar a prática, por considerar “o caráter autônomo, sustentável e integrativo” do ciclismo urbano. De acordo com os estudantes, a iniciativa associa-se diretamente à permanência estudantil, “sendo chave para a emancipação no transporte universitário”.

O grupo, formado por oito estudantes, submeteu o projeto como uma das atividades que compõem as ações de recepção dos calouros da UNILA. Com a aprovação, eles começaram a trabalhar. Arrecadaram peças doadas, compraram outras, montaram, reformaram e personalizaram três bicicletas, que podem ser usufruídas por toda a comunidade universitária. As bikes foram apelidadas carinhosamente de “interbicis” (em alusão ao “intercampi) e têm até nomes: Abya Yala, Pindorama e Peabiru. 

Além disso, foi organizada uma oficina coletiva, e o ponto onde as bikes devem ficar estacionadas também foi especialmente preparado e identificado como “Biciponto”, anexo ao espaço de convivência estudantil. Lá, o estudante pode retirar a bicicleta e até mesmo fazer pequenos reparos, caso necessário.

Os estudantes que integram o coletivo e são os responsáveis pelo projeto são: Karolina Mendes Pata; Alex Mateus Tito Ferreira; Cristian Filipe Lopes; Iara Mills Siqueira; Jorge Luis Gomes Martin Herrero; Lucas Godoi Augusto; Rodrigo Augusto Moura; e Rodrigo Alves de Queiroga, que também foi o responsável pela pintura do mural. 

Integração

As bikes foram apelidadas de “interbicis”, em alusão ao transporte intercampi da UNILA.

Além de disponibilizar as bikes, o coletivo promove encontros e eventos para incentivar a integração e o debate acerca da mobilidade urbana sustentável. “Partimos da ideia da conscientização sobre a redução da dependência diária relacionada ao uso de combustíveis fósseis para trajetos curtos. Encontramos na bicicleta uma ferramenta de incentivo à autonomia. Além disso, pedalamos, principalmente, pelo prazer e o direito de ir ‘en bici’”, complementa o coletivo.

O próximo encontro do “¡Vamos en Bici!” será no sábado, dia 30 de março, às 14h, no Espaço Autônomo Estudantil (JU). Será apresentado o documentário “Ciclos”, seguido de um debate sobre direito à cidade, cicloativismo e leis de trânsito. Para outras informações acesse https://www.facebook.com/bicilatina/.





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

BICICLETAS




Curitiba sedia III Fórum Mundial da Bicicleta a partir desta quinta-feira

Ideia é deixar a cidade mais humana ao mudar consciência, diz organizador. Evento segue até domingo (16); 1.200 pessoas estão inscritas para o fórum.

Thais Kaniak Do G1 PR

Reunião realizada na segunda-feira (10) com organizadores do Fórum Mundial da Bicicleta (Foto: Douglas Oliveira / Divulgação) 
 Reunião realizada na segunda-feira (10) para discutir
assuntos relacionados ao evento (Foto:Douglas Oliveira /
Divulgação)
Começa nesta quinta-feira (13), em Curitiba, o III Fórum Mundial da Bicicleta (FMB). Debates com especialistas nacionais e internacionais de áreas como urbanismo, saúde, educação, arte e turismo serão realizados durante o evento, que segue até domingo (16). Outras atividades também fazem parte da programação: oficinas, painéis, mesas-redondas, sessões de cinema, passeios ciclísticos, festas de rua, feira, reuniões, escolas de bicicletas, entre outras.
O conceito do fórum será “A Cidade em Equilíbrio”. Para Vinicius Brand, da organização do evento, o investimento das cidades para carros é muito maior em comparação a outros modais. Esta edição do evento tem como objetivo resgatar um planejamento urbano voltado para as pessoas e espaços de convivência, apontando soluções para harmonizar pedestres, ciclistas, motoristas e demais atores do trânsito.
“A ideia é conscientizar a população em geral dos benefícios da bicicleta. Fazer uma mudança de consciência para que a cidade se torne mais humana, que o planejamento urbano da cidade tenha mais espaços de convivência”, diz o organizador.
Brand explica que, quando se começa a andar de bicicleta, repara-se mais na cidade. “A pessoa vê as coisas acontecendo. Ela para e toma um café, conversa com alguém. É uma interação completamente diferente da que se tem quando está no carro, que se fecha no seu casulo, vai de casa para o trabalho, e o que importa é chegar ao seu destino. De bicicleta, presta-se atenção no percurso e se torna um momento de apreciação. Andar de bicicleta muda os hábitos e a maneira de pensar”, acredita.
Bicicleta gigante foi colocada em frente ao prédio da Prefeitura de Curitiba para divulgar o evento (Foto: Douglas Oliveira / Divulgação)Bicicleta gigante foi colocada em frente ao prédio da Prefeitura de Curitiba para divulgar o evento (Foto: Douglas Oliveira / Divulgação)
De acordo com o organizador do fórum, ainda existe um certo preconceito em relação à bicicleta e ao ciclista no Brasil devido à “cultura do carro” que impera no país. “Se você vai de bicicleta, você é um fracasso ou muito excêntrico”, diz. Ele conta que cidades como Amsterdam, na Holanda, Nova York, nos EUA, e Paris, na França, são amigas da bicicleta. “Elas têm infraestrutura para a bicicleta, e as pessoas aproveitam mais a cidade, dão mais valor à interação social. Aqui, no Brasil, não se dá muito valor ainda. As ciclovias são feitas com desleixo. Companhias de luz, por exemplo, colocam postes no meio da ciclovia.”
“O fórum quer trazer essa mudança de cultura. Convidamos a cidade inteira para participar das discussões e do descobrimento de alternativas para mais equilíbrio”, afirma Brand. Mil e duzentas pessoas já se inscreveram para participar do evento, segundo a organização. Os inscritos são de diversas cidades do Brasil e de outros nove países. Mesmo quem não se inscreveu pode participar das atividades do FMB.
Brand diz que, em Curitiba, os motoristas já estão respeitando mais os ciclistas, e que as pessoas passaram a usar mais a bicicleta na cidade. Para ele, isso é fruto da conscientização da importância da bicicleta. Porém, conforme Brand, ainda tem muito que melhorar. “O ideal seria que acontecesse como na Holanda, que um senhor de 70 anos consegue sair de bicicleta para ir ao supermercado, para comprar um pão”.
Na terça-feira (11), organizadores do Fórum Mundial da Bicicleta se reuniram para acertar detalhes para o evento (Foto: Douglas Oliveira / Divulgação)Na terça-feira (11), organizadores do Fórum Mundial da Bicicleta se reuniram para acertar detalhes do evento (Foto: Douglas Oliveira / Divulgação)
Fórum Mundial da Bicicleta

Em 2012, a primeira edição do fórum ocorreu em Porto Alegre (RS) no dia 25 de fevereiro. Nesta mesma data, no ano anterior, houve o atropelamento coletivo de ciclistas na capital gaúcha. Na segunda edição, em 2013, que também foi realizada em Porto Alegre, cerca de sete mil pessoas de vários lugares do mundo participaram do fórum. Novas formas de garantir mais estrutura para os ciclistas e mais segurança no trânsito para a população em geral foram discutidas nos eventos.
O FMB é financiado colaborativamente. Apenas a arrecadação via Catarse, uma comunidade de financiamento online coletivo do Brasil, obteve R$ 38.560,00 doados por 513 apoiadores de todo o país. A participação no fórum será gratuita, e todo o evento está sendo organizado de forma horizontal e voluntária.
O evento na capital paranaense vai ocorrer simultaneamente em locais como o Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Sesc Paço Municipal e o Museu Oscar Niemeyer (Mon), além de atividades e oficinas na Bicicletaria Cultural, na Cinemateca e em espaços ao ar livre. A programação completa está disponível no site do Fórum Mundial da Bicicleta. Quase cem atividades estão previstas na programação oficial.
A Reitoria da Universidade Federal do Paraná fica na Rua XV de Novembro, nº 1299, no Centro. O endereço do Museu Oscar Niemeyer é Rua Marechal Hermes, nº 999, Centro Cívico. Já o Paço da Liberdade fica Praça Generoso Marques, nº180, também no Centro; e
a Bicicletaria Cultural na Rua Presidente Faria, nº 226, Centro. A Cinemateca localiza-se na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, nº 1174, no São Francisco.

Intervenções urbanas, feitas por artistas curitibanos e que divulgam a realização do fórum, podem ser vistas pela cidade (Foto: Cesar Brustolin/SMCS)Intervenções urbanas, feitas por artistas curitibanos e que divulgam a realização do fórum, podem ser vistas pela cidade (Foto: Cesar Brustolin/SMCS)
Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/02/curitiba-sedia-iii-forum-mundial-da-bicicleta-partir-desta-quinta-feira.html

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

FÓRUM MUNDIAL DA BICICLETA


Transporte alternativo é o foco

Marco Andre Lima
Paralisia causada pela polio não impede Marlon de pedalar. Atitude dos motoristas é o que mais atrapalha.  

Para esquentar o debate sobre o espaço da bicicleta no trânsito, Curitiba receberá durante o mês de fevereiro o 3.º Fórum Mundial da Bicicleta. O evento foi criado há dois anos em resposta ao atropelamento de um grupo de ciclistas em Porto Alegre (RS). Neste primeiro ano na capital paranaense o evento trará oito palestrantes internacionais para debater soluções alternativas para o problema de transporte nos grandes centros urbanos.

De acordo com os organizadores do Fórum, o evento é uma oportunidade para a cidade buscar um maior equilíbrio no trânsito. “As pessoas dirigem como se fossem donos da rua. O motorista, além de não dar preferência à bicicleta ou pedestres, força a passagem”, diz o coordenador geral da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu), Jorge Brand, conhecido como Goura.

Para o coordenador da associação, criada em 2011 para intermediar o diálogo sobre ciclomobilidade com o poder público, desde o início do plano diretor de Curitiba a bicicleta nunca foi pensada como uma alternativa de transporte. “Hoje em dia os ciclistas utilizam muito mais as canaletas dos biarticulados do que as ciclovias”, constata Goura.

Para o coordenador da Ciclo Iguaçu o motivo é simples: “Os bairros e o centro foram ligados pelas canaletas e as rápidas em torno. As ciclovias estão apenas próximas aos parques, ou espalhadas uma das outras”. Outro motivo apontado por Goura para esse uso das vias de ônibus seria a falta de conscientização dos motoristas. “O motorista pensa que lugar da bicicleta é na calçada e não na rua, e não respeita uma distância segura. A consequência é que tem ciclista que se arrisca dividindo espaço com os biarticulados”, diz.

Um dos projetos encaminhados à prefeitura pelo Ciclo Iguaçu pretende acabar com esse risco. “Esse é um problema antigo e como estamos em um diálogo positivo com a prefeitura, sugerimos a criação de uma faixa compartilhada nas vias de fluxo lento em torno das canaletas”, afirma.

Para Goura, essas soluções apenas são possíveis a partir do diálogo e do debate. “O poder público tem o costume de impor, e isso está mudando. O Fórum é uma oportunidade para que as pessoas contribuam com suas experiências e passem a ser mais ativas”, diz. O 3.º Fórum Mundial da Bicicleta ocorrerá entre os dias 13 e 16 de fevereiro. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas através do site da Associação Ciclo Iguaçu a partir de hoje.

Investimentos

O Plano Cicloviário de Curitiba prevê para 2014 a destinação de mais de R$ 90 milhões na área de ciclomobilidade. O investimento deve recuperar a malha viária já existente e ampliar em 300 km as ciclovias. De acordo com o coordenador do Ciclo Iguaçu, o valor é superior a todos os anos anteriores. “Curitiba é de longe melhor que outras metrópoles do Brasil, mas ainda precisa melhorar se quiser continuar sendo referência em soluções de mobilidade”, afirma Goura.

Falta de respeito é maior obstáculo

Ciciro Back
Goura, do Ciclo Iguaçu: “Motoristas dirigem como donos da rua”.

Para muitas pessoas a bicicleta vai além do simples lazer e é utilizada como um transporte diariamente. Para outras, vai além do transporte e se transforma em uma questão de superação. Esse é o caso de Marlon Pimentel, de 43 anos, que teve os movimentos afetados pela paralisia infantil e mesmo assim se equilibra todos os dias em cima de uma bike.

Com sua bicicleta sinalizada com um aviso de sua condição, ele atravessa o centro da cidade, passa pela Rua XV, anda pelas ruas e conta que demora até que as pessoas notem que não se trata de um ciclista comum. Marlon conta que o primeiro contato com a bicicleta foi aos nove anos. “Sempre tive problema de locomoção. Por esse motivo quando era pequeno meu primo me levava no cano da bicicleta para todo lugar”, lembra.

Dificuldade


Em pouco tempo Marlon aprimorou seu equilíbrio e desenvolveu uma facilidade em permanecer sobre as duas rodas. “Pedalava apenas com uma perna, mas o mais difícil sempre foi conseguir se equilibrar”, conta. Mas para Marlon, a maior dificuldade em andar pelas ruas da cidade não está relacionada à poliomielite e sim à falta de conscientização dos motoristas. “O risco que eu corro qualquer ciclista corre. Falta uma cultura de tolerância no trânsito”, diz.


FONTE: http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news/718440/?noticia=TRANSPORTE+ALTERNATIVO+E+O+FOCO+NO+FORUM+MUNDIAL+DE+BICICLETA ACESSADO EM 17012014