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domingo, 14 de julho de 2013

POLÍTICA



Boaventura: “Desculpe, Presidente Evo”





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Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, irremediavelmente suspeito

Por Boaventura de Sousa Santos *

Esperei uma semana que o Governo do meu país lhe pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolí­via depois de uma reunião em Moscou, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos pa­íses vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional.
O meu pedido de desculpas não tem qualquer valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que, longe de ser um ato individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus representantes. O crime cometido contra si foi mais uma dessas razões. Alegramo-nos com seu regresso em segurança a casa e vibramos com a calorosa acolhida que lhe deu o seu povo ao aterrar em El Alto. Creia, senhor Presidente, que, a muitos quilômetros de distância, muitos de nós estávamos lá, embebidos no ar mágico dos Andes.
O senhor Presidente sabe melhor do que qualquer de nós que se tratou de mais um ato de arrogância colonial no seguimento de uma longa e dolorosa história de opressão, violência e supremacia racial. Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, é de esperar que transporte droga ou terroristas no seu avião presidencial. Uma suspeita de um branco contra um í­ndio é mil vezes mais credí­vel que a suspeita de um í­ndio contra um branco. Lembra-se bem que os europeus, na pessoa do Papa Paulo III, só reconheceram que a gente do seu povo tinha alma humana em 1537 (bula Sublimis Deus), e conseguiram ser tão ignominiosos nos termos em que recusaram esse reconhecimento durante décadas como nos termos em que finalmente o aceitaram. Foram precisos 469 anos para que, na sua pessoa, fosse eleito presidente um indí­gena num paí­s de maioria indígena.
Mas sei que também está atento às diferenças nas continuidades. A humilhação de que foi ví­tima foi um ato de arrogância colonial ou de subserviência colonial? Lembremos um outro “incidente” recente entre governantes europeus e latino-americanos. Em 10 de novembro de 2007, durante a XVII Cúpula Iberoamericana, realizada no Chile, o Rei de Espanha, desagradado pelo que ouvia do saudoso Presidente Hugo Chávez, dirigiu-se-lhe intempestivamente e mandou-o calar. A frase “Por qué no te callas” ficará na história das relações internacionais como um sí­mbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De facto, não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congênere europeu, quaisquer que fossem as razões.
O senhor Presidente foi ví­tima de uma agressão ainda mais humilhante, mas não lhe escapará o facto de que, no seu caso, a Europa não agiu espontaneamente. Fê-lo a mando dos EUA e, ao fazê-lo, submeteu-se à ilegalidade internacional imposta pelo imperialismo norte-americano, tal como, anos antes, o fizera ao autorizar o sobrevoo do seu espaço aéreo para voos clandestinos da CIA, transportando suspeitos a caminho de Guantánamo, em clara violação do direito internacional. Sinais dos tempos, senhor Presidente: a arrogância colonial europeia já não pode ser exercida sem subserviência colonial. Este continente está a ficar demasiado pequeno para poder ser grande sem ser aos ombros de outrem. Nada disto absolve as elites europeias. Apenas aprofunda a distância entre elas e tantos europeus, como eu, que veem na Bolí­via um país amigo e respeitam a dignidade do seu povo e a legitimidade das suas autoridades democráticas.

*É internacionalmente reconhecido como um intelectual importante da área de ciências sociais, e tem especial popularidade no Brasil, onde participou de três edições do Fórum Social Mundial em Porto Alegre.

 

Fonte: http://outraspalavras.net/mundo/america-latina/desculpe-presidente-evo-morales

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

COMETA ISON



Cometa Ison descoberto por astrônomos da Rússia e Bielorrússia, será visto da Terra


 


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cometa

EPA

A notícia foi dada hoje pelo serviço informativo do jornal britânico The Independent.

No fim do verão do ano que vem, o cometa poderá ser observado através de pequenos telescópios e binóculos. Em outubro, o corpo celeste passará perto de Marte. À medida de sua aproximação do Sol, formar-se-á a chamada “cauda” do cometa, composta por gás e poeira. Na opinião dos astrônomos, o Ison poderá ser observado também no território da Rússia.
 
O cometa Ison, o C/2012 S1, se tornará visível a olho nu ao final de novembro deste ano e promete ter um brilho comparável a uma Lua cheia ou até mais, na avaliação de astrônomos, entre os quais David Whitehouse, que escreveu um artigo sobre o assunto para o jornal britânico The Independent. “Poderá ser o mais brilhante cometa visto em muitas gerações”, disse.

A maior aproximação com a Terra ocorrerá entre os dias 25 e 28 de dezembro, a uma distância de 60 milhões de quilômetros. A partir de agosto, o cometa poderá ser acompanhado por telescópio amador.

O cometa foi descoberto no Observatório Kislovodsk em 21 de setembro de 2012 pelo bielorusso Vitaly Nevsky e russo Artem Novichonok. Mas há registro de que ele já tinha sido detectado no dia 28 de dezembro de 2011 e 28 de janeiro de 2012 por observadores amadores.
O espetáculo da luminosidade do Ison poderá se frustrar se sua cauda composta de gás e poeira se diluir ao passar próximo do Sol, o que ocorrerá em novembro. Antes, em outubro, ele “visitará” Marte.

Ison nasceu na Nuvem de Oort (ou Opik-Oort), que é um berçário hipótese (não pode ser observado diretamente) de cometas e asteroides. Fica nos limites gravitacionais do sistema solar, é esférica e pode conter até cem bilhões de cometas. O percurso do Ison até a proximidade da Terra está se dando em milhões de anos. Após passar por aqui, ele voltará para o espaço profundo.

Um porta-voz da Nasa disse que os astrônomos de todo o mundo estão “acompanhando esta grande bola de neve suja” para entender a sua evolução. Provavelmente será a única aparição por aqui do Ison.
A Agência Espacial Europa informou estar analisando os prováveis perigos que o cometa poderá representar para a Terra.
 
Ele será melhor observado no hemisfério norte, mas no melhor dos casos poderá ser visto também aqui no hemisfério sul.

O vice-presidente da Sociedade de Astronomia Popular, Robin Scagell, está animado com a possibilidade de assistir ao espetáculo. “É uma descoberta excitante. O cometa poderá oferecer uma visão muito espetacular no céu à noite entre o final de novembro e o início de dezembro.”
O cometa foi batizado Ison porque seus descobridores foram os astrônomos Vitali Nevski e Artyom Novichonok, do telescópio óptico da Rede Científica Internacional (Ison, na sigla em inglês)

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Os cometas são bolas de poeira de gelo, que geralmente se originam do cinto Kuipler – uma região de pequenos corpos gelados além de Netuno. Ocasionalmente, um cometa fica desalojado de sua órbita e mergulha para o interior do sistema solar.
Esses corpos celestes diferem de asteroides, que são feitas de metal ou rocha, e são formados de restos de planetas ou luas.
Halley é o cometa mais conhecido, mesmo nome de seu descobridor, Edmond Halley, que previu que sua aparição ocorreria a cada 76 anos. Ele previu que o cometa voltaria em 1758, mas o astrônomo morreu 16 anos antes.
O cometa Halley passou próximo à Terra em 1910. Porém, infelizmente, a aparição seguinte, em 1986, foi a pior em dois mil anos, pois nosso planeta e o astro estavam em lados opostos do sol. ::

Em 2013, em março e abril, outro cometa, o 2014 L4 (PanSTARRS), passará perto da Terra, mas não será tão espetacular como o Ison.

 
 
FONTES: 
 
http://www.paulopes.com.br/2013/01/ison-sera-o-cometa-mais-brilhante-de-varias-geracoes.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FLHEA+%28Paulopes+Weblog%29#.UOa8xneG7Tp
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2013/01/ison-sera-o-cometa-mais-brilhante-de-varias-geracoes.html#ixzz2H0Ok6PY7.  Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem. 27.12.2012, 17:57, hora de Moscou

http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/cometa-dominara-o-ceu-em-2013/

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