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quinta-feira, 8 de junho de 2017

CONTAMINAÇÃO POR AGROTÓXICOS




Mapa da contaminação por agrotóxico no Brasil revela regiões onde pessoas estão mais expostas

Foto: Divulgação/Embrapa

Intoxicação alimentar, câncer, problemas neurológicos e até genéticos! O assunto não é brincadeira: segundo a ONU, os agrotóxicoscontaminam três milhões de pessoas todos os anos e o Brasil já é o maior consumidor do mundo (!) desse tipo de veneno.
Mas em que lugares do país as pessoas estão mais expostas ao problema? Para responder a esta pergunta, um tanto quanto assustadora, a pesquisadora Larissa Bombardi, da Universidade de São Paulo, traçou o Mapa da Contaminação por Agrotóxico no Brasil.
Os dados apresentados no trabalho são chocantes: cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxico por ano, direta ou indiretamente. É como se bebêssemos 2,5 garrafas de refrigerante ou 14 latas de cerveja de veneno a cada 365 dias.
Assustador, não? Ainda segundo o estudo, aqueles que vivem no Paraná, em São Paulo e em Santa Catarina são, respectivamente, os mais expostos ao problema, que ainda está subestimado. De acordo com a pesquisadora, apenas sintomas ligados direta e imediatamente aos agrotóxicos entraram na conta. Caso expandíssemos a pesquisa para doenças crônicas, como o câncer, o cenário seria 50 vezes (!) pior.
Por sua utilidade pública, o trabalho realizado pela pesquisadora será compilado em livro. A obra Geografia sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil deve ser lançada em breve. Enquanto ela não sai do forno, confira abaixo três dos mapas que compõem o estudo. De fato, é para se preocupar: o veneno está bem em cima da nossa mesa!







quinta-feira, 26 de maio de 2016

AGROTÓXICOS



Brasil permite consumo de 14 agrotóxicos proibidos mundialmente

O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do planeta e permite o consumo de pelo menos 14 tipos de substâncias que já são proibidas no mundo, por oferecerem comprovados riscos à saúde humana. Só em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de veneno pela população, o que representa um mercado ascendente de R$ 8 bilhões.
Na lista de “proibidos no exterior e ainda em uso no Brasil” estão Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram. Sem contar as substâncias que já foram proibidas por Lei – por estarem ligadas ao desenvolvimento de câncer e outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratório, renal ou genético -, mas que continuam em uso nas fazendas brasileiras por falta de fiscalização. 
“São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, disse a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental doInstituto Nacional do Câncer, em entrevista ao portal de notícias IG.
Ela explica que o perigo de contaminação está na ingestão desses alimentos, mas também no ar, na água e na terra, o que torna o problema ainda mais grave. Produtos primários e secundários que fazem parte de nossa cadeia alimentar representam grande risco de contaminação.
Pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso analisaram 62 amostras de leite materno e encontraram, em 44% delas, vestígios de um agrotóxico já banido, chamado Endosulfan, conhecido por prejudicar os sistemas reprodutivo e endócrino. Além disso, também foram identificados outros venenos, ainda não banidos — é o caso do DDE, versão modificada do potente DDT, presente em 100% dos casos.
Nesta mesma pesquisa, conduzida pelo professor Wanderlei Pignati, concluiu-se que em um espaço de dez anos os casos de câncer por 10 mil habitantes saltaram de 3 para 40. Além disso, os problemas de malformação por mil recém nascidos saltaram de 5 para 20. Assustador, para dizer o mínimo! 
Foto: Flávio Costa/Creative Commons

Fonte: http://www.thegreenestpost.com/brasil-permite-consumo-de-14-agrotoxicos-proibidos-mundialmente/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agrotóxico que afeta sistema nervoso é o mais usado no país, diz Anvisa


Anvisa divulgou dados sobre 18 tipos de alimentos contaminados em 2010. De 2.488, 28% estavam com níveis irregulares de substâncias tóxicas.

Do G1, em São Paulo



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta quarta-feira (7) detalhes de uma lista com os alimentos mais contaminados pelo uso de agrotóxicos no país em 2010. Segundo o levantamento, um grupo de compostos químicos conhecido como "organofosforados" está presente em mais da metade das amostras irregulares detectadas.
Essas substâncias podem destruir células musculares e comprometer o sistema nervoso, provocando problemas cardiorrespiratórios.
O levantamento foi feito pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para). Ao todo, foram estudados 18 vegetais e frutas em circulação pelo país. Nos 26 estados e no Distrito Federal, foram colhidas 2.488 amostras. Dessas, 28% (694) foram consideradas insatisfatórias para consumo.
Produto Total de amostras Número de amostras insatisfatórias e porcentagem
Abacaxi 122 40 (32,8%)
Alface 131 71 (54,2%)
Arroz 148 11 (7,4%)
Batata 145 0 (0)
Beterraba 144 47 (32,6%)
Cebola 131 4 (3,1%)
Cenoura 141 70 (49,6%)
Couve 144 46 (31,9%)
Feijão 153 10 (6,5%)
Laranja 148 18 (12,2%)
Maçã 146 13 (8,9%)
Mamão 148 45 (30,4%)
Manga 125 5 (4,0%)
Morango 112 71 (63,4%)
Pepino 136 78 (57,4%)
Pimentão 146 134 (91,8%)
Repolho 127 8 (6,3%)
Tomate 141 23 (16,3%)
Total 2.488 694 (27,9%)
O cultivo do pimentão é o caso mais preocupante, com quase 92% das amostras com níveis de agrotóxicos acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O carbendazim, outra substância usada no combate a pragas, foi detectada de forma irregular em 176 amostras, 90 delas de pimentão.
A contaminação do alimento pode ocorrer tanto pela existência de agrotóxicos não autorizados para uso naquela cultura como pelo excesso das substâncias permitidas. No estudo, 47 amostras (1,9%) apresentaram ambos os problemas - inclusas 10 amostras de morango e 10 de pimentão.
O melhor desempenho foi o da batata, que apresentou bons resultados em todas as amostras coletadas. Em 2002, cerca de 22% das amostras do vegetal estavam irregulares.
Orientação agrícola
Mais da metade dos estabelecimentos que utilizaram agrotóxicos no Brasil não receberam orientação sobre os perigos do excesso de agrotóxicos. Apenas 172 mil propriedades foram instruídas sobre o tema, o que não impediu que 76,7% utilizaram agrotóxicos.
A educação pode ser uma barreira à instrução sobre o perigo já que mais de 80% dos proprietários rurais no país são analfabetos ou sabem apenas ler e escrever - frequentaram a escola, no máximo, até o ensino fundamental.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/12/mais-de-90-dos-pimentoes-no-brasil-tem-agrotoxico-acima-do-indicado.html