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terça-feira, 21 de outubro de 2014

INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA


Integração lavoura-pecuária garante bons resultados no Oeste de MT



Integração lavoura e pecuária (Foto: Anderson Viegas/G1 MS) 
Integração lavoura e pecuária tem apresentado
ótimos resultados em Tangará da Serra e Campo
Novo do Parecis (MT). (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)
 
 
Produtores de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, região Oeste de Mato Grosso, têm observado os benefícios que a integração lavoura-pecuária tem trazido não somente com o aumento da produção, mas também com as melhorias gradativas na qualidade do solo.
Um dos benefícios também observado por José Delcaro, em sua propriedade foi a pastagem verde durante a entressafra. Há três anos, ele integra o cultivo agrícola com a criação de gado no Sistema “Santa Fé”, consorciando milho e Brachiaria ruziziensis, o que fornece capim no período seco para 1,4 mil cabeças de gado e que agora estão em confinamento.
O produtor explica que são feitas duas colheitas de milho: no início do plantio das primeiras chuvas, em outubro, e no final de janeiro ao início de fevereiro, que é colhido para fazer a silagem. “A segunda eu planto de imediato, só que eu já planto com capim, porque eu colho o milho e já fica o capim. Assim que você retira o milho com trinta dias, está um pasto verde, mesmo no período da seca”, conta Delcaro.
Além da forrageira fornecer alimento adequado na entressafra ao rebanho, depois da colheita do milho a palhada ajuda a proteger o solo contra a erosão.
 Em Campo Novo do Parecis, o sistema tornou-se também uma aposta na propriedade do produtor e engenheiro agrônomo Rogério Arioli. Segundo ele, nos talhões plantados com milho e braquiária, a produtividade aumentou 10%. A produtividade de soja esperada para esta safra é de 60 sacas por hectare, sendo que a fertilidade do solo também é beneficiada pelo cultivo múltiplo.
Ele diz que a braquiária tem a possibilidade, por meio desse sistema radicular, de trazer novamente para a solução do solo o fósforo que não é assimilável pelas plantas de soja e milho. No plantio direto, a adição de palha por hectare é de pelo menos 15 toneladas ao ano. A integração consegue incorporar quase o dobro disso. “Em três anos, tivemos a melhor produtividade na fazenda em cima das áreas de braquiária e em função, logicamente, de todos esses benefícios que a braquiária traz para o sistema”, comenta.
A área com integração traz um ganho extra por hectare. O faturamento chega a R$ 600 a mais por hectare com a produção de carne, pois o gado chega a ganhar 500 gramas por dia. O ataque de pragas e das aplicações de agrotóxicos diminuem e o gasto com herbicidas é menor. A intenção agora é aumentar a área cultivada com milho e braquiária de duzentos para seiscentos hectares.
A fazenda ainda faz a rotatividade das pastagens a cada três anos. Em uma área, o pasto dará lugar à soja no próximo ano. “Dividimos a fazenda no sistema modular, onde a pastagem fica três anos e dá lugar para a implantação de culturas anuais, com o objetivo das culturas anuais melhorarem quimicamente essas áreas. Com isso, não temos tido a necessidade de aplicar nitrogênio nas pastagens por enquanto”, afirma Arioli.
A expectativa do produtor é de que os ganhos materiais e ambientais permaneçam a longo prazo. “Não temos nem como mensurar economicamente a melhoria dos nossos solos à medida que o tempo passa, incorporando matéria orgânica e dando condições para a microfauna do solo se desenvolvendo melhor e com isso disponibilizando nutrientes, aumentando o teor de matéria orgânica e levando solo novamente a um equilíbrio”, relata.

FONTE: http://www.cbnfoz.com.br/editorial/brasil/mato-grosso/18102014-221153-integracao-lavoura-pecuaria-garante-bons-resultados-no-oeste-de-mt - acessado em 21/10/2014



 
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Fazenda aplica integração lavoura-pecuária e vira atração


Palha que sobrou no meio da soja formou barreira física que abafou fungo.
Agricultor passa a ter três fontes de renda, com grãos, gado e eucalipto.

Do Globo Rural

A fazenda Santa Brígida fica no município de Ipameri, cidadezinha goiana a 200 quilômetros da capital do estado. A dona da fazenda é a dentista Marize Costa, que assumiu o papel de fazendeira depois que ficou viúva. A proprietária diz que pensou em vender a fazenda, porque não tinha recursos para recuperar as pastagens degradadas.
A solução encontrada por Marize foi recuperar os pastos usando a técnica da integração lavoura-pecuária. O trabalho está completando cinco anos e mudou completamente o cenário da fazenda.
Em 600 hectares, a produção é de 35 mil sacas de milho, 20 mil de soja e formando pasto para engordar 550 bois. No primeiro ano, a lavoura pagou o investimento da recuperação da pastagem.
O engenheiro agrônomo João Cuthcouski, da Embrapa, explica porque a resposta foi tão rápida. “Porque, se ela faz pelos métodos tradicionais, a formação do pasto é muito cara, que exige insumos, sementes. Para pagar esses investimentos com a arroba de boi, via de regra, não é fácil, e, muitas vezes, é impossível. O grão é uma resposta rápida. Em quatro meses, há liquidez”.
A ideia parece simples, mas, no começo, o pessoal da região estranhou. Até hoje, Marize lembra o comentário de um vendedor de sementes de capim, que desconfiou do método completamente diferente do utilizado pelos outros agricultores da região.
Hoje, a Santa Brígida virou uma vitrine visitada por pecuaristas e agricultores do país inteiro. Na época do ano em que já não existem mais pastos na região, o gado da fazenda conta com o capim verdinho, recém-formado nas entrelinhas da lavoura.
O gerente da Santa Brígida, Anábio Ribeiro, diz que, com a renovação constante dos pastos, a maior parte do rebanho vai engordar só no capim, o que traz uma economia de R$ 5 a R$ 6, por cabeça por dia, o custo de uma diária de um animal engordado em confinamento.

Outro benefício da integração lavoura-pecuária é o enriquecimento do solo com matéria orgânica. Para constatar isso, a reportagem foi a uma lavoura de soja de outra fazenda que fica vizinha de cerca da Santa Brígida.
Este ano, a soja da propriedade de Eduardo Machado foi atacada por um fungo, o mofo branco, que hoje se alastra por todas as regiões produtoras do país. É o segundo maior problema da soja, atrás da ferrugem, mais conhecida e com controle mais eficaz. O mofo branco é um desafio para os produtores e pesquisadores do grão.
O agrônomo Tarcísio Cobucci, da Embrapa, diz que a palha do milho e da braquiária que sobraram no meio da soja formaram uma barreira física que abafou o fungo e evitou sua propagação na fazenda Santa Brígida.

Com a orientação da Embrapa, a fazenda está testando também um consórcio tríplice: eucalipto, lavoura e capim. A reportagem do Globo Rural visitou a área em dois momentos: na colheita da silagem de milho e dois meses depois, quando o capim invadiu a área.
A produtividade do milho, segundo Cuthcouski, foi muito boa, chegando a 52 toneladas de silagem de milho por hectare. “Com esse modelo, o agricultor vai passar a ter três fontes de renda: uma renda com os grãos produzidos; a segunda, com o gado, seja com leite ou produção de carne; e, finalmente, uma renda muito forte, que seria a do eucalipto, no momento em que for cortado para produzir energia. O eucalipto está produzindo algo próximo a R$ 1.000/hectare/ano de lucro. Isso, para pequeno produtor, é fantástico. E como aqui estamos trabalhando em sistema em que a gente visa um ano seguinte melhor para produzir, isso se chama sustentabilidade na concepção da palavra”, diz.
Para mostrar porque o solo recuperado fica cada vez melhor, o engenheiro agrônomo João Cuthcouski mandou cavar uma trincheira dentro do pasto. “Note a malha radicular que a braquiária forma. Todo esse volume de raiz é capaz de modificar todas as propriedades do solo. Melhora a matéria dentro do perfil, melhora as propriedades físicas do solo, a água penetra melhor, armazena mais água e melhora as propriedades químicas, reciclando os nutrientes e os devolvendo à superfície”, afirma.
Para o pessoal da fazenda Santa Brígida, que usa a integração lavoura-pecuária há cinco anos, os benefícios do sistema são ainda mais evidentes, como diz o engenheiro agrônomo Roberto Freitas, encarregado da parte agrícola. “Esse sistema, além de aumentar a sustentabilidade, reduz custos com defensivos, porque a gente vai ter menos doenças dentro dessas áreas, o custo com fertilizantes, porque a braquiária faz uma recilagem de fertilizantes, aumenta os teores de matéria orgânica, o que aumenta sua eficiência, e no controle de plantas daninhas, porque a braquiária elimina a presença das plantas daninhas tradicionais. A gente passa a ter uma manejo muito mais econômico, facilitando o cultivo de variedades tradicionais de soja, que hoje tem diferencial de preço no mercado”.
O engenheiro agrônomo João Cuthcouski também lembra que, nos últimos anos, essa tecnologia ganhou mais um reforço: ajuda manter o equilíbrio do planeta.
O criador que quiser adotar o sistema de integração lavoura-pecuária pode receber financiamento do Banco do Brasil no programa Agricultura de Baixo Carbono. Os interessados precisam fazer um projeto e procurar o banco.
Quem quiser receber gratuitamente uma cartilha sobre o sistema deve escrever para
Embrapa, Caixa Postal 40315, Brasília, Distrito Federal, CEP 70770-901
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Fonte: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/08/fazenda-aplica-integracao-lavoura-pecuaria-com-sucesso-e-vira-atracao.html