segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

HISTÓRIA



Laurentino Gomes: "Um país que não estuda história é incapaz de entender a si mesmo"


Em entrevista à GALILEU, autor de "Escravidão" afirma que estudar o passado é essencial para combater o racismo

Foto: Maringa.post


Durante mais de três séculos, o Brasil foi protagonista de uma das maiores atrocidades da história: dos 12,5 milhões de pessoas que foram transportadas à força da África para as Américas, 4,9 milhões desembarcaram em território nacional para serem escravizadas em grandes plantações de cana-de-açúcar e café, nas minas que extraíam metais preciosos ou para servirem às casas de seus “senhores” brancos.
Ao menos 2 milhões de habitantes de diversos territórios do continente africano nem sequer completaram a travessia pelo Oceano Atlântico e morreram em navios que amontoavam humanos como simples mercadorias. Mais de 130 anos depois da abolição da escravidão no Brasil, os reflexos desse período histórico não são difíceis de perceber: dados recentes do IBGE indicam que entre os 10% mais pobres da população brasileira, 78,5% são negros. De acordo com informações do Atlas da Violência divulgado em 2019, 75,5% das vítimas de homicídio no país são negras.
Autor das premiadas obras "1808", "1822" e "1889", que resgatam detalhes da história brasileira, o escritor paranaense Laurentino Gomes se deu conta de que o assunto mais importante do passado nacional não eram os ciclos econômicos, as revoluções, o império ou a monarquia. Era a escravidão. “Tudo o que nós já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com nossas raízes africanas e o modo como nos relacionamos com elas”, afirma.

E foi pensando nisso que ele escreveu "Escravidão: Do Primeiro Leilão de Cativos em Portugal até a Morte de Zumbi dos Palmares", livro lançado em setembro pela Globo Livros e que é o primeiro volume da trilogia que resgata o processo econômico, político e social que envolveu os séculos de escravidão no Brasil.
Para realizar a obra, Gomes consultou centenas de documentos históricos e viajou por 12 países em três continentes, passando por locais como a Serra da Barriga, onde se localizava o Quilombo dos Palmares, até fortificações nas quais os escravos aguardavam os navios responsáveis pelo tráfico.
Defensor das cotas preferenciais para afrodescendentes, ele acredita que o preconceito ainda presente em nosso país deve ser combatido por meio do estudo da nossa história. “Esse é um assunto ainda vivo entre nós, como se pode ver nos discursos de campanhas eleitorais, nas discussões diárias que aparecem nas redes. É uma ferida que continua aberta.”
A seguir, leia a entrevista completa com o escritor.
Como surgiu o interesse de escrever sobre a escravidão no Brasil?
Eu tinha planos de escrever sobre a escravidão desde que comecei a pesquisar meu primeiro livro, 12 anos atrás. Ao tentar descrever o que era o Brasil em 1808, ano da chegada da corte de Dom João VI ao Rio de Janeiro, me dei conta de que o tráfico negreiro e o uso intensivo de cativos africanos tinham sido a principal característica da colônia portuguesa nos três séculos anteriores.
Essa mesma percepção se repetiu ao me debruçar sobre as duas datas seguintes, 1822 e 1889. É quase impossível explicar o processo de independência, o primeiro e o segundo reinados e, depois, a Proclamação da República sem estudar a escravidão. É como se fosse o fio condutor dos nossos principais eventos históricos.
Era um tema totalmente relacionado com suas obras anteriores...
No livro "1822", por exemplo, explico que o Brasil se manteve como monarquia depois da independência devido à soma de dois medos: o de uma guerra civil republicana que dividisse o país, a exemplo do que estava ocorrendo na América Espanhola, e o de uma guerra étnica, em que os escravos pegassem em armas contra seus senhores.
Esses dois medos fizeram com que a elite rural escravista brasileira cerrasse fileiras para que o futuro imperador Pedro I rompesse os vínculos com Portugal, mas mantivesse intacta a estrutura social vigente, sobretudo a escravidão e o tráfico negreiro.
Para entender como chegamos até aqui é preciso ir além da superfície, observar o que fizemos aos nossos índios e negros, entender quem teve acesso a oportunidades e privilégios ao longo desses últimos 500 anos e como a sociedade e a cultura brasileiras foram se moldando desde a chegada de Pedro Álvares Cabral na Bahia até os dias de hoje.
Ao fazer esse mergulho profundo, me dei conta de que o assunto mais importante da nossa história não são os ciclos econômicos, as revoluções, o império ou a monarquia. É a escravidão. Tudo o que nós já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com nossas raízes africanas e o modo como nos relacionamos com elas.
Você trabalhou ao longo de seis anos nesse novo projeto. O que foi mais desafiador durante o processo?
No Brasil, tornou-se uma ideia comum que os documentos da escravidão teriam sido destruídos e estariam malconservados, o que tornaria o estudo do tema difícil, quando não impossível. Isso é verdade apenas em parte.
De fato, parte da documentação histórica, relacionada aos registros de compra e venda de escravos na antiga Alfândega do Rio de Janeiro, foi destruída por ordem de Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, logo depois da proclamação da República. Com essa medida, os republicanos queriam, como se dizia na época, “apagar uma mancha” na história brasileira, o que, obviamente, foi inútil, porque a “mancha” nunca se apagou.
Mas, apesar disso, restaram inúmeras outras fontes preciosas, relativamente intactas e pouco exploradas. Isso inclui inquéritos policiais e processos na Justiça envolvendo os escravos e seus senhores; testamentos e inventários pós-morte; certidões de batismo, casamento e óbito; anúncios de fuga ou de compra e venda de cativos registrados nos jornais da época ou em documentação cartorial.
Hoje já se sabe com relativa precisão quantos eram e de que regiões saíam os escravos, quantos morreram no caminho e quantos chegaram ao Brasil e aos demais territórios da América.
Houve algum momento de comoção ao realizar o trabalho de pesquisa?
Fiquei particularmente tocado ao visitar as fortificações do tráfico de escravos na costa da África. Existem dezenas delas, em especial na atual República de Gana. Eram depósitos de seres humanos, onde milhares e milhares de africanos escravizados ficavam à espera da chegada dos navios negreiros como se fossem mercadorias prontas para serem distribuídas aos seus novos donos e compradores.
Um dos maiores e mais antigos é o castelo de São Jorge de Elmina. Dali saíram os antepassados da ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama. Seus porões são visitados hoje por turistas afrodescendentes norte-americanos, que ali depositam coroas de flores em memória aos que partiram ou morreram.
Passei algum tempo sozinho num desses porões, um lugar úmido, frio, muito escuro, onde ficavam as mulheres. Algumas chegavam ali grávidas e davam à luz enquanto aguardavam para ser transferidas para um navio sujo, desconfortável e perigoso. Ali também amamentavam seus filhos recém-nascidos. Muitas morriam de fome, de doenças ou de desespero.
Foi uma experiência que me cortou o coração. Tive seguidas noites de insônia e pesadelos depois de passar por lá. Mas acho também que ninguém pesquisa e escreve um livro sobre a escravidão como se tivesse dando um passeio. Essa é, basicamente, uma história de dor e sofrimento. E para entendê-la precisamos nos aproximar dessa dor e desse sofrimento.
Como tem sido a recepção de sua obra pelo público e pela academia?
Já fiz lançamentos em diversos estados e cidades, incluindo, por exemplo, Blumenau, colonizada por imigrantes alemães, e Salvador, a maior cidade africana fora da África. As pessoas têm demonstrado um interesse muito grande pelo tema.
Acredito que essa obra pode inspirar algum traço de racionalidade numa discussão que, nas redes sociais e nos pronunciamentos políticos, muitas vezes se resume a gritaria, polarização e intolerância. Apesar do fôlego aparente, em três volumes, esta série de livros não pretende nem poderia ser um estudo exaustivo ou definitivo da escravidão. Seria impossível, além de arrogante, qualquer tentativa de esgotar um assunto tão vasto, importante e premente, embora numa obra que, no conjunto, terá cerca de 1,5 mil páginas.
Meu propósito é destacar e explicar alguns aspectos que julgo importantes na análise do tema seguindo a fórmula já utilizada nos livros anteriores, mediante o uso de linguagem jornalística, simples e fácil de entender. Ou seja, mais uma vez quero ser um “abridor de portas”, especialmente para leitores jovens, mais leigos, ou que nunca se interessaram pelo assunto.
Sua obra explica que foi apenas na América que surgiu uma ideologia racista baseada na cor da pele para legitimar a escravidão. Como é possível superar esse preconceito ainda persistente?
A melhor maneira de enfrentar esses desafios é por meio do estudo da história. Precisamos entender e refletir sobre o que aconteceu. Uma sociedade ou um país que não estuda história é incapaz de entender a si mesmo porque desconhece suas raízes. Como não sabe de onde veio, provavelmente também não saberá o que (ou quem) é hoje e muito menos o que será no futuro.
Só pelo estudo de história será possível preparar — ou qualificar — os cidadãos brasileiros para a difícil tarefa de fazer escolhas e organizar a realização do país dos nossos sonhos. Isso inclui o racismo e o passivo social resultante da escravidão. Esse não é um assunto acabado, bem resolvido e congelado no passado. Ainda está vivo entre nós, como se pode ver nos discursos de campanhas eleitorais, nas discussões diárias que aparecem nas redes. É uma ferida que continua aberta entre nós. E que ainda dói muito porque nunca foi devidamente tratada.
Alguns dos grandes abolicionistas do século 19, como o pernambucano Joaquim Nabuco e o baiano André Rebouças, diziam que não bastava acabar com a escravidão. Era preciso também enfrentar o seu legado, dando terra, trabalho, educação e oportunidades aos ex-cativos e seus descendentes. Isso o Brasil jamais fez.
E como todos esses fatores se refletem em nosso presente?
Nossa população afrodescendente foi abandonada à própria sorte. O resultado está hoje nas estatísticas e nos indicadores sociais, em que a nossa população negra aparece como a parcela da sociedade que tem menos oportunidades e a que mais sofre com a desigualdade social crônica brasileira.
Um segundo legado da escravidão é o preconceito. É uma das marcas terríveis das nossas relações sociais, embora sempre procuremos disfarçá-la construindo mitos a respeito de nós mesmos — por exemplo, a ilusão de que seríamos uma grande e exemplar democracia racial. O noticiário do dia a dia se encarrega de desmentir isso. É um tema que incomoda muita gente, porque desmente os nossos mitos mais arraigados.
Qual é sua opinião sobre a política de cotas no Brasil?
Sou a favor dos programas de cotas preferenciais para afrodescendentes por duas razões. A primeira é que essa política vem dando resultados concretos. As estatísticas mostram um aumento no número de negros ou pardos mestres e doutores nas universidades e também em cargos mais qualificados da administração pública e da iniciativa privada. Ainda que lentamente, estamos abrindo espaços para essa parcela da população que, no passado, sempre esteve sub-representada.
A segunda razão é que, mesmo sendo polêmica, a política de cotas demonstra que o Brasil da democracia, pela primeira vez, topa o desafio de enfrentar o legado da escravidão e corrigi-lo. Isso nunca aconteceu antes.
Há ainda muita reação contrária...
Um dos argumentos contrários à política de cotas, presente até em discursos de altas autoridades da República, tenta culpar os escravos pela própria escravidão. Muita gente afirma que, se os africanos participaram da escravidão e lucraram com ela, não haveria razão para manter no Brasil, por exemplo, um sistema de cotas de inclusão dos afrodescendentes em escolas ou postos da administração pública. A chamada “dívida social” brasileira em relação aos descendentes de escravos estaria anulada pelo fato de os africanos serem corresponsáveis pelo regime escravista. Desse modo, não haveria por que indenizá-los ou compensá-los pelos prejuízos sociais e históricos decorrentes disso.
Tudo isso é muito injusto porque, obviamente, não se pode culpar os escravos pela própria escravidão. O fato de chefes africanos terem participado do tráfico nada tem a ver com a enorme dívida social e real que o Brasil tem com seus afrodescendentes. Basta ver as estatísticas. Precisamos corrigir isso urgentemente. E não podemos nos esconder atrás de falsas e incorretas discussões a respeito de fatos históricos.
Como é sua rotina de trabalho e onde você busca inspiração?
Antes eu fazia reportagens para jornais e revistas, agora faço livros-reportagem. Mas a essência do meu trabalho continua a mesma, o jornalismo. Convivia com muitos colegas nas redações. Era um ambiente mais animado e barulhento. Hoje, meu trabalho é mais solitário. Mas prefiro assim.
Gosto de pesquisar e pensar sozinho a respeito do que pretendo fazer. E gosto mais de ler do que escrever. É na poesia e nos romances que encontro a verdadeira inspiração para escrever. A literatura de ficção permite um mergulho mais profundo na alma humana do que os livros de não ficção, que, em geral, são obras de natureza técnica.
Leio e releio muito Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Pablo Neruda. Meus romances preferidos são "Sagarana", de João Guimarães Rosa, e "Cem Anos de Solidão", de Gabriel Garcia Márquez.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER



No Brasil, a cada 4 horas, uma menina é estuprada por seu pai, padrasto, tio, primo ou vizinho


Dados do Anuário de Segurança Pública 2019, revelam esta dramática situação do país que se acentuou após o golpe de 2016, se compararmos os dados de violência sexual de anos anteriores. Em 2015 houve redução de 10% em relação ao ano anterior, já em 2016 houve um aumento de 3,5%, seguido de 10,1% em 2017 e 4% em 2018. Neste último levantamento 63,8% tiveram como vítimas, jovens de até 14 anos de idade ou pessoas incapazes de oferecer resistência por alguma enfermidade.


Analisando os dados referentes ao estado de São Paulo, onde ocorreram o maior número de casos relatados de estupro de 11.788 em 2017 para 12.836 em 2018, gerando um aumento de 7,8% dos casos. Quando se observa apenas as vítimas mulheres esse aumento é maior, 9.627 casos em 2017 contra 10.768 casos em 2018, um aumento de 11%. Seguido pelo Paraná que embora tenha menor número de casos relatados de estupro, o percentual do aumento foi o dobro de São Paulo, 5.781 casos em 2017 e 6.898 casos em 2018 gerando um percentual de 19%. Analisando apenas as vítimas do sexo feminino o percentual também é de aumento, 18%. Dados de outros estados afirmam o perfil das vítimas: jovens do sexo feminino de até 17 anos formam 71,8% das vítimas.
Segundo o Anuário esse tipo de violência atinge mais crianças e adolescentes. Entre as meninas atinge-se um ápice aos 13 anos, mas o principal grupo entre elas são as vítimas de até 9 anos. Quando se observa os dados a respeito das vítimas do sexo masculino, percebe-se que são ainda mais jovens, menores de 7 anos. Algo estarrecedoramente repugnante. Segundo um levantamento técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2014, estimou-se que naquele ano os 54.000 casos notificados de estupro, representavam apenas 10% do real valor das ocorrências. Isso se deve a que, as vítimas - crianças, jovens ou adultos - se veem incapazes de denunciar o ato. Muitas vezes por algum constrangimento devido ao agressor possuir, majoritariamente, algum grau de parentesco com a vítima, ou pelo fato das vítimas se verem culpadas pelo ato criminoso.
O agressor é tipificado, como aponta o levantamento atual, 96.3% são homens e 75,9% deles são conhecidos das vítimas, sendo pais, padrastos, tios, primos ou vizinhos. Uma vez que estão instalados ou próximos do ambiente familiar das vítimas, não sendo agressões repentinas ou por homens estranhos à vítima. Tal dado desmistifica o mito do qual o agressor é alguém de fora, que é o outro, e de que são pessoas homossexuais. Muito corrobora com o que se denomina de “cultura do estupro” o pensamento levantado na pesquisa do Fórum de Segurança Pública, o qual 30% entre homens e mulheres concordaram com a afirmação de que “a mulher que usa roupa provocante não pode reclamar se for estuprada” e 43% entre jovens e adultos homens a partir dos 16 anos acreditam que “mulheres que não se dão ao respeito são estupradas. Pensamentos do tipo apenas relativizam e silenciam as vítimas do comportamento muitas vezes sutil de seus agressores, que na grande maioria dos casos divide o mesmo teto com as vítimas.
Para combater esse mal, não será com o conservadorismo presente no governo, tanto federal (Bolsonaro-PSL) como no estadual (João Dória - PSDB) que em dias atrás mandou recolher material das escolas públicas que abordavam sobre a diversidade sexual sem fundamentação alguma. Mas sim, e principalmente com educação sexual correspondente com a faixa etária da criança e/ou adolescente, pois assim elas poderão também identificar esse sutil e perverso crime que atinge os lares familiares. Ainda relativo ao crescimento das taxas de violência sexual, e de outras formas de violência, o documento afirma que “mais uma vez, [fazendo alusão ao atual governo] o pêndulo da segurança pública pende para soluções reativas e lastreadas apenas na narrativa política desprovida de evidências e bases científicas” como ficou bem claro na ações autoritárias do governo Bolsonaro contra várias instituições científicas brasileiras.

Fonte: http://www.esquerdadiario.com.br/No-Brasil-a-cada-4-horas-uma-menina-e-estuprada-por-seu-pai-padrasto-tio-primo-ou-vizinho?fbclid=IwAR3GPlpSv-Yf8iyT2KGgCWEHZhtyYyXpgaaTz_EXaEIh0--WMSzUvPuhGX8

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

PORTUGAL



EUCALIPTOS VÃO DAR LUGAR A ZIMBROS, AZINHEIRAS E SOBREIROS EM VIMIOSO

Um eucaliptal, de 30 hectares, no concelho de Vimioso, vai ser reconvertido numa floresta autóctone.




Carina Alves










A ideia é trocar estas árvores exóticas por zimbros, azinheiras e sobreiros e diga-se que, por aqui, o abate dos eucaliptos já começou há mais de quinze dias. Este restauro ecológico está a ser feito no âmbito do mais recente projecto da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA): o Hotspot de Biodiversidade. “Pretendemos apoiar a regeneração natural das espécies autóctones”, assegurou a bióloga da associação, Sara Pinto. O projecto da AEPGA, que surgiu de uma candidatura ao Fundo Ambiental, do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, surge da necessidade de salvaguardar uma área natural inserida num Sítio de Importância Comunitária, da Rede Natura 2000, nos concelhos de Vimioso e Mogadouro, no sítio dos rios Sabor e Maçãs, que se caracteriza, essencialmente, por incluir os vales encaixados destes dois rios e do Angueira. Além do abate de eucaliptos há outras duas vertentes que a AEPGA está a trabalhar através do projecto. Como o local integra a rede para conservar os habitats e as espécies selvagens raras, ameaçadas ou vulneráveis na União Europeia, a conservação de habitats prioritários nesta área é outro dos eixos a explorar e o primeiro passo da associação, que já está dado, foi ir para o terrenos a mapeá-los. “Um habitat que é bastante expressivo nesta zona é dos bosques de zimbros e sobreiros”, disse a bióloga. A conservação destes habitats, quatro estão identificados como prioritários, também se deve ao facto deste Sítio de Importância Comunitária enfrentar várias ameaças, entre elas a destruição de vegetação, florestação com espécies desadequadas, realização de queimadas, ordenamentos piscícola insuficiente e cinegético desadequado, abandono e alteração de práticas agro-pastoris e corte ilegal de bosques. A terceira vertente do projecto passa pela educação ambiental, dirigida aos agricultores e à comunidade escolar. Assim, há um técnico, especializado em botânica, com experiência em acompanhar projectos agrícolas, no sentido de os tornar mais amigos do ambiente. O projecto tem como parceira a PALOMBAR – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural



quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

ALEJANDRO COLLI



Garoto de 18 anos faz próteses gratuitas 

para cachorros deficientes





Alejandro Colli, é um jovem de apenas 18 anos, mas ele já ajudou os animais mais do que muitas pessoas. O garoto usa uma impressora 3D para montar montar próteses para cães com deficiência. Sua intenção é apenas ajudar, e ele faz com muito amor e carinho, nunca pedindo nada em troca.
Todos os seus projetos estão sendo compartilhados no Twitter e já viralizaram nas redes sociais. Quando Alejandro estava prestes a terminar o último ano do ensino médio no Instituto Stella Maris em Lamus (Argentina), ele teve a ideia de comprar uma impressora 3D. 
“Vi tutoriais no YouTube e fiz, era só para saber o que era, nunca levei isso como algo sério. Então eu percebi o que era capaz de fazer”, explicou o jovem. Sua jornada começou fazendo moldes de biscoitos para doces, no qual fabricava para uma pequena empresa que os vendia e ganhava um dinheiro extra.

Logo após os moldes, Alejandro começou a fazer próteses para as patas dos cães, conseguindo ajudar eles a andarem novamente. Geralmente, próteses feitas sob medida, demorariam cerca de um dia e meio para serem fabricadas, mas quando você as transfere para a impressora 3D, ela faz em cerca de 3 horas.
Algo muito curioso é saber que apesar de ter um preço elevado em diversos lugares, a prótese para animais tem um custo total de 10 dólares. Surpreso de como as pessoas gostaram de seu projeto, ele diz: “O que as pessoas agradecem é incrível. Ver um cãozinho voltar à caminhada normal é algo inestimável e sem mencionar a felicidade dos donos. Eles me agradecem, mas não precisam.”

Além disso, Alejandro começou a fabricar cadeiras de rodas, ele assumiu o desafio de novas possibilidades de devolver alguma felicidade aos cães e suas famílias com essas invenções incríveis, ele espera que no futuro conseguir uma impressora maior e também aumentar a produção, para assim ajudar mais.
“Já entreguei mais de 50 peças, tanto no país quanto no Panamá, México, Colômbia e Chile. Hoje, estou me concentrando mais em cadeiras de rodas adaptáveis, que são as mais difíceis e caras de fazer, porque exigem uma invasão por toda a coluna.”



domingo, 15 de dezembro de 2019

SOCIEDADE



Portugal ignora Bolsonaro e marca data para entregar Prêmio Camões a Chico Buarque






A entrega do prêmio ao artista brasileiro acontecerá em abril de 2020

Chico Buarque foi o grande vencedor do Prêmio Camões deste ano. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro já anunciou que não assinará o diploma da condecoração ao cantor. Mas isso não o impedirá de receber a homenagem, conforme decidiu o Ministério da Cultura de Portugal.

O governo português anunciou que a entrega do prêmio acontecerá no dia 25 de abril de 2020, em Lisboa. Segundo autoridades do país, a assinatura do diploma pelo presidente é apenas uma formalidade e não impede a entrega e a cerimônia.
Chico Buarque foi anunciado vencedor do Prêmio Camões 2019 no dia 21 de maio, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional, no Rio. O valor do prêmio, de 100 mil euros, é dividido entre Portugal e Brasil. A parcela da condecoração que cabia ao governo brasileiro já foi depositada em junho.

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domingo, 10 de novembro de 2019

BRASIL*





Bolsonaro revoga decreto que proibia plantio de cana de açúcar na Amazônia


Especialistas apontam que decisão ameaça biomas frágeis com a expansão da cana de açúcar e 'joga na lama' a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu

07/11/2019 ÀS 07:28

Foto: Daniel Ribeiro / ISA



O presidente Jair Bolsonaro anunciou na semana passada a derrubada do decreto nº 6.961/2009, que libera a expansão da plantação de cana-de-açúcar nas áreas ecológicas sensíveis da Amazônia e do Pantanal. O decreto 6.961, de 2009, foi um dos principais fatores que tornou o etanol brasileiro em um diferencial para as exportações, justamente por proteger os biomas de desmatamento.  
O deputado Flexa Ribeiro (PSDB-PA) já havia apresentado um projeto de lei para liberar o plantio na Amazônia, mas foi criticado pela União Indústria da Cana-de-açúcar (Unica),  por favorecer a produção do Brasil no comércio internacional.

A reportagem do diário paraense A Crítica, ouviu dois economistas e o presidente da Federação da Agricultura e Agropecuária no Amazonas (Faea) sobre a decisão. Favorável a derrubada do decreto, o presidente da Faea, Muni Lourenço, lembrou que o Código Florestal garante que as propriedades rurais mantenham 80% da floresta de pé.  “Agora com esse novo decreto se reestabelece a possibilidade de crédito para essa cultura, não pressionando a floresta, mas utilizando áreas antropizadas”, ponderou.
 
Divergências

Essa revogação pode reascender a polêmica a respeito da conservação ambiental na região amazônica, principalmente após os acordos de comércio internacional, segundo o economista José Alberto Machado. “O  efeito imediato econômico é que nós temos um mercado grande de biocombustíveis de açúcar internacional e todos os derivados da cana passam a ficar com dificuldades (comerciais), sobretudo após esse acordo com a União Europeia (UE)”, alertou. Ele diz respeito ao acordo comercial da UE com o Mercosul.

Machado apontou ainda que a Amazônia teve uma história no mercado internacional da cana no século XVIII e acredita que a medida pode ser benéfica para os produtores tradicionais.  Já a  economista Denise Kassama ressaltou que o impacto ambiental na Amazônia deve ser considerado, apesar da necessidade de expandir o agronegócio brasileiro. 
“Por sua qualidade, o etanol produzido a partir da cana de açúcar é um diferencial no mercado. Além disso, qualquer atividade econômica pode vir a trazer benefícios ao processo de desenvolvimento regional”, apontou.

Canaviais no AM

A Amazônia conta atualmente com 1,7% do total da cana-de-açúcar produzida no Brasil, segundo o Ministério da Agricultura (Mapa). Uma referência de canaviais na Amazônia é a Agroindústria Jayoro, que possui uma área de 4 mil hectares destinados ao plantio de cana no município de Presidente Figueiredo (a 120 km de Manaus). Parte da cana plantada pela fazenda da Jayoro é transformada em açúcar, que é utilizado para fabricar os concentrados de refrigerante e sucos da Recofarma, empresa do grupo Coca-Cola.
Fiscalização preocupa ambientalistas
A aceleração do desmatamento do bioma Amazônia com a cultura da cana-de-açúcar, acende o alerta dos ambientalistas. O geógrafo e diretor da Associação para Conservação da Vida Silvestre, Carlos Durigan, citou a preocupação com a devastação de áreas extensas para o cultivo que beneficiam pouco a região.
“A atividade [agrícola] na região produz cana em pequenas quantidades que, em geral, são para uso doméstico. Mas o problema que esse processo é para incentivar o cultivo de cana em larga escala, que tem se constituído como maior ameaça à integridade da região”, frisou o ambientalista.

O coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Marcio Astrini, alertou que o decreto foi criado pelo setor agrícola para evitar que o etanol brasileiro fosse relacionado com a degradação do bioma amazônico. “Naquela época eles fizeram um estudo e mapearam mais de 70 milhões de hectares disponíveis no Brasil para que a cana pudesse se expandir. Para se ter um ideia, isso é dez vezes a área que a cana ocupa hoje”, explica. 
O coordenador lembra também que o governo vem diminuindo a capacidade de fiscalização ambiental e essa derrubada pode acarretar em maiores problemas para a floresta amazônica.
*Editado
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