Mostrando postagens com marcador Bolsonaro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolsonaro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de junho de 2020

MULHERES NA PANDEMIA



Negar políticas públicas para mulheres em plena pandemia: um projeto de desgoverno de Bolsonaro

Durante crise mundial, o governo cerceia o acesso das mulheres a direitos adquiridos.
GIANA DE MARCO8 JUN 2020, 15:21
Durante a última semana, o Ministério da Saúde, por meio de sua Secretaria de Atenção Primária à Saúde, lançou nota técnica com diretrizes para o atendimento das mulheres durante a pandemia da COVID-19 no contexto da saúde sexual e reprodutiva.
A referida nota afirmou que, entre outras coisas, deveriam ser “considerados como serviços essenciais e ininterruptos a essa população: os serviços de atenção à violência sexual; o acesso à contracepção de emergência; o direito de adolescentes e mulheres à saúde sexual e saúde reprodutiva e abortamento seguro para os casos previstos em Lei; prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo diagnóstico e tratamento para HIV/AIDS; e, sobretudo, incluindo a contracepção como uma necessidade essencial”.
No entanto, a publicação dessa nota desagradou a Bolsonaro e a alguns deputados federais. Projetos de Decretos Legislativo foram protocolados, e Bolsonaro pressionou o ministro da saúde interino para que o documento, chamado então de “minuta de portaria apócrifa”, fosse tirado do ar. Além de seguir a orientação de seu chefe, o General Eduardo Pazello exonerou dois integrantes da equipe da secretaria: a Coordenadora de Saúde das Mulheres e o Coordenador-Geral de Ciclos de Vida.
As frentes parlamentares Católica e Contra o Aborto em Defesa da Vida se manifestaram dizendo que termos como “direitos sexuais e reprodutivos” são eufemismos para abortos, e que a legislação brasileira veda a prática do aborto, ignorando completamente o fato de que o ordenamento jurídico autoriza, sim, aborto em caso de estupro, quando a vida da gestante corre risco e em caso de fetos anencefálicos.
Em coro aos deputados, Bolsonaro declarou na internet que o ministério “não apoia qualquer tentativa de legalização do aborto”. Ainda, disse que o documento e sua divulgação foram realizados de má-fé, para “sacanear”.
Se há alguma sacanagem nisso tudo é a completa distorção do conteúdo do documento, que apenas reforçava práticas já adotadas no Brasil, com total apoio legal. Bolsonaro ignora os números crescentes de violência doméstica e sexual contra mulheres durante o isolamento social. Sua atitude é revestida de autoritarismo, como se suas opiniões e vontades estivessem acima da Lei.
Coincidentemente – ou não – essa questão toda, incluindo as demissões da secretaria, ocorrem não muito tempo depois da reunião entre os ministros e o presidente que ocorreu no dia 22 de abril, oportunidade na qual a Ministra Damares afirmou que o Ministério da Saúde está “lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação do aborto”.
Bolsonaro segue na contramão do resto do mundo em absolutamente todas as suas ações, em especial as tomadas durante a crise do coronavírus. Sua política é nefasta, e ele não faz qualquer questão de esconder com seus “e daí?”, “vai morrer gente” e “[a morte] é o destino de todo mundo”.
Durante crise mundial, o governo cerceia o acesso das mulheres a direitos adquiridos, constantes inclusive na Declaração Universal de Direitos Humanos; embaça os dados relativos às despesas da equipe presidencial; retira da população qualquer acesso a informações essenciais sobre a crise e dificulta o acesso aos poucos dados que ainda autoriza liberação. Bolsonaro causou a exclusão temporária do Brasil do principal ranking mundial sobre o coronavírus após o site que divulga os dados nacionais ter sido tirado do ar.
Ele não pode continuar! Mesmo com a desaprovação pública expressada por seu maior ídolo, Donald Trump, sobre a forma com que Bolsonaro está lidando com a crise, o mesmo chama o presidente americano de “irmão”. Chegou-se ao ponto de até mesmo Olavo de Carvalho romper com o governo brasileiro.
O fascismo desse desgoverno está obrigando pessoas do país todo a saírem às ruas em meio à quarentena para exigir direito à vida. As mulheres e a negritude estão protagonizando, no Brasil, manifestações antifascistas e antirracistas, reivindicando o direito à igualdade, o fim da violência e a manutenção da saúde de todos.
Em meio a tudo isso, falas do presidente e de seus ministros que minimizam o drama sofrido por mulheres de todo o Brasil, em especial as de baixa renda, frente à necessidade do isolamento social, é atitude de genocida, e escancara a necropolítica que nos rege.
Não podemos aceitar nem uma vida a menos, e continuaremos indo às ruas exigindo o impeachment de Bolsonaro!

domingo, 15 de dezembro de 2019

SOCIEDADE



Portugal ignora Bolsonaro e marca data para entregar Prêmio Camões a Chico Buarque






A entrega do prêmio ao artista brasileiro acontecerá em abril de 2020

Chico Buarque foi o grande vencedor do Prêmio Camões deste ano. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro já anunciou que não assinará o diploma da condecoração ao cantor. Mas isso não o impedirá de receber a homenagem, conforme decidiu o Ministério da Cultura de Portugal.

O governo português anunciou que a entrega do prêmio acontecerá no dia 25 de abril de 2020, em Lisboa. Segundo autoridades do país, a assinatura do diploma pelo presidente é apenas uma formalidade e não impede a entrega e a cerimônia.
Chico Buarque foi anunciado vencedor do Prêmio Camões 2019 no dia 21 de maio, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional, no Rio. O valor do prêmio, de 100 mil euros, é dividido entre Portugal e Brasil. A parcela da condecoração que cabia ao governo brasileiro já foi depositada em junho.

nuar fazendo um jornalismo que vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Um jornalismo que fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Sua luta é a nossa luta. Seja Sócio CartaCapital. A democracia agradece.


quinta-feira, 25 de julho de 2019

BRASIL E OS DADOS DOS SATÉLITES


Ainda assim, se move


 Por: * | 23/07/2019 às 18:07


domingo, 5 de maio de 2019

UNIVERSIDADE PÚBLICA NO BRASIL*



COLUNAS

Defender a universidade pública no Brasil é a tarefa da nossa geração


por Carlos Zacarias**


Não passa um único dia sem que o governo Bolsonaro inaugure nova polêmica, que logo ganha repercussão e movimenta a imprensa e as redes sociais do país. Há quem pense que trata-se de uma estratégia diversionista para desviar a atenção dos assuntos que, como alguns supõem, seriam os temas principais do governo. Mas quem diz isso ainda não entendeu que o governo Bolsonaro não é um governo burguês normal, que ele não funciona a partir de um único centro, e que o tema da cultura, comportamento e o seu profundo anti-intelectualismo, uma das suas principais bandeiras de Bolsonaro e do seu guru, Olavo de Carvalho, não é algo periférico. Antes disso, destruir a universidade pública para Bolsonaro e, por extensão, acabar com o que o bolsonarismo chama de “marxismo cultural” é um dos pontos centrais da estratégia do seu governo, algo tão importante como a reforma da previdência e é por isso e por muito mais que o núcleo ideológico do atual governo repete em muitos aspectos o a fascismo histórico e é também similar aos governantes de extrema-direita que chegaram ao poder na Europa e também ao governo Trump.
A polêmica do momento, que todos devemos acompanhar com cuidado e combater com vigor, diz respeito à fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que nesses dias comparou o custo de um aluno da universidade pública ao de um aluno de uma creche. De acordo com o ministro, um aluno da universidade custa 30 mil reais ao governo, dez vezes mais do que o custo de um aluno de uma creche, que segundo disse, estaria em torno de 3 mil reais. Se tivesse pesquisado o assunto, com dados que o próprio ministério da Educação disponibiliza, e que foram usados em matéria do jornal O Globo de 30/04, Weintraub veria a diferença que apontou foi inflada em muitas vezes, já que a informação correta é R$ 14.763,00, para o aluno universitário, para R$ 2.632,00 para o aluno da creche.
Mas a questão não diz respeito ao erro do ministro, não se sabe se proposital ou não. O fato de que Weintraub se utiliza de um dado falso para justificar o absurdo corte de 30% nos já apertados orçamentos das universidades, é agravado em função de que as creches não são da responsabilidade do governo federal, mas dos governos municipais. Aliás, as únicas creches sustentadas com verbas federais são justamente as que existem nas universidades públicas, vinculadas às Faculdades de Educação e aos Colégios de Aplicação. Mas supondo que os recursos públicos, gerados pelos impostos, são também distribuídos a partir da arrecadação da União, e que há uma evidente desproporcionalidade nos gastos com educação básica e educação superior no Brasil, muitos poderiam ainda dizer que a diferença em cinco vezes (e não dez, como disse o ministro) é ainda assim muito grande. Mas você sabe por quê isso acontece?
Universidades não são apenas centro de ensino de excelência, com seu quadro de docentes formado quase que totalmente por mestre e doutores que levam anos para desenvolverem dissertações e teses que muito contribuem para o desenvolvimento do Brasil. Professores que trabalham nas universidades públicas, onde só se ingressa através de concorridos concursos, são, portanto, pessoal altamente qualificado, algo que em muito menor proporção existe na educação básica. Há unidades de várias instituições de ensino superior público pelo Brasil que são formadas por 100% de professores doutores (aqui também há uma proporção muito maior em relação às faculdades privadas). Além disso, os docentes das universidades públicas trabalham em regime de dedicação exclusiva, o que significa que estão integralmente dedicados às suas atividades na universidade, não podendo ter outros empregos, e isso é um critério de qualidade bastante relevante em todo o mundo, algo que naturalmente aumenta os custos da universidade.
Mas se a universidade não é apenas um centro de ensino, como foi dito, o que há na educação superior pública que não existe na educação básica para torná-la tão mais cara, além dos seus profissionais altamente qualificados e que trabalham em regime de dedicação exclusiva? Segundo o artigo 207 da Constituição Federal, as universidades “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. O que a maioria dos brasileiros não sabe, portanto, é que os professores universitários são todos pesquisadores, gente que produz a quase totalidade da ciência do nosso país, ciência esta, que mesmo muito distante das demandas que temos, impacta a vida de todos os brasileiros. A universidade pública no Brasil é responsável por, nada mais, nada menos, que 99% das pesquisas científicas desenvolvidas no país. Fora das universidades, apenas a Petrobras, que é uma empresa ainda estatal, e a indústria farmacêutica são as que produzem o 1% restante.[1]
O vírus da Zika foi descoberto por professores/pesquisadores da UFBA. A Síndrome Congênita do Zika Vírus foi diagnosticada a partir de pesquisas desenvolvidas por docentes de universidades de Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, cujos cientistas são também professores da UFPE, UFPB, USP, FIOCRUZ e UFPR. O acompanhamento de mulheres grávidas que foram infectadas pelo Zika vírus é feita em diversos hospitais universitários de todo o país e quando as crianças nascem, as técnicas aplicadas ao desenvolvimento das crianças com microcefalia são realizadas em departamentos de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e outras especialidades que existem nas universidades públicas, com custos que entram na soma do que o país investe na educação superior.
Fechando o tripé estabelecido na Constituição, que diz que a universidade funciona com ensino, pesquisa e extensão, no aspecto “extensão” é que se estabelece a relação mais estreita da universidade com a sociedade que a circunda. As universidades públicas receberam nos últimos anos milhares de índios, trabalhadores rurais sem-terra, moradores de quilombos e jovens das periferias das grandes cidades que frequentaram dos cursos de Direito, Medicina, Ciências Humanas, entre outros, para adquirirem conhecimentos e habilidades para serem levados para suas comunidades.
Por tudo isso, as universidades públicas, longe de serem custos, são investimentos do país aplicados no bem estar do seu povo e não foi por outro motivo que antes do golpe do impeachment, especialmente entre 2010 e 2014, o Brasil investiu muito na educação superior, quando foram abertos centenas de IFES e universidades por todo o país, muito especialmente nas cidades do interior, o que levou a ampliação das vagas em muitos milhares as vagas. É claro que toda essa expansão não se deu sem problemas ou as contrapartidas necessárias, mas o que se tinha no passado foi largamente abandonado no período do governo de Michel Temer, que aprovou uma política de congelamento de gastos em 20 anos (EC 95), algo que agora se aprofunda com o desejo do governo de Bolsonaro de destruir por completo a universidade pública no Brasil.
Para concluir: a universidade pública é cara, porque ela não é apenas um espaço onde se ensina, mas também é o local onde há hospitais, laboratórios, onde há equipamentos e a necessidade de manutenção; onde se oferecem serviços e retorno para o país e o seu povo, com custo que pode parecer alto, mas que na verdade é investimento e está também muito aquém do que os países desenvolvidos historicamente aplicaram em suas universidades. Por isso e muito mais, defender a universidades pública das agressões que ela vem sofrendo da parte deste governo, é algo essencial para que o Brasil possa se desenvolver como um país forte e soberano, com um povo feliz, bem atentido e orgulhoso da sua educação.

[1] Segundo relatório feito pela empresa norte-americana Clarivate Analytics, encomendado pela CAPES, quase toda a produção científica brasileira é feita no interior das universidades. As informações podem ser conferidas no relatório em inglês, disponibilizado no portal da CAPES, que pode ser acessado no link. Essas informações também constam no site Investe SP também no da Unicamp e em outros portais de notícias.
* Título editado
** Carlos Zacarias é doutor em História e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde leciona desde 2010. Entre 1994 e 2010 foi professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), onde dirigiu a Associação Docente (ADUNEB) entre 2000 e 2002 e entre 2007 e 2009. Colunista do jornal A Tarde de Salvador, para o qual escreve artigos desde 2006, escreve às quintas-feiras, quinzenalmente, sobre temas de história e política para o Esquerda OnLine. É autor de Os impasses da estratégia: os comunistas, o antifascismo e a revolução burguesa no Brasil (1936-1948) (São Paulo, Annablume, 2009) e no ano passado publicou De tédio não morreremos: escritos pela esquerda (Salvador, Quarteto, 2016) e ainda organizou Capítulos de história dos comunistas no Brasil (Salvador, Edufba, 2016). É membro da Secretaria de Redação da Revista Outubro e do Conselho Editorial das revistas Crítica Marxista, História & Luta de Classes, Germinal, entre outras.