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segunda-feira, 8 de março de 2021

MANIFESTO DE MULHERES

Um grupo de mulheres da cidade de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, reuniu-se com o objetivo de insuflar, incentivar a participação feminina na política local e regional. Escolheram a data de 08 de março para lançar as atividades do grupo, aproveitando a simbologia da data. 
Confira o manifesto:


 A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO FEMININO NA POLÍTICA – GRUPO MULHERES NA POLÍTICA – MCR - PR 


 Não é de hoje que as mulheres lutam cada vez mais em busca da igualdade de direitos na sociedade. Dentre as pautas estão a equidade salarial e a busca por cargos de decisão nos diversos setores da sociedade. Um dos setores com maior falta de representatividade feminina é o da política, seja nos cargos parlamentares ou secretarias e ministérios. Em nosso município a situação não é diferente. No último pleito municipal, nenhuma mulher foi eleita para a vereança, mesmo com excelentes candidatas, muito qualificadas e com excelentes propostas. Movidas por esse fato, um grupo de 40 mulheres têm se organizado para debater o assunto “mulheres na política” e quem sabe reverter o quadro da falta de representatividade na política local. A princípio, estão organizadas em plataformas de mídias sociais, como no facebook e whatsapp e, em respeito à vida e ao grave momento pandêmico, apenas encontros virtuais têm sido feitos. O objetivo do grupo é atrair mulheres que queiram debater sobre os diversos setores da política nacional, estadual e local; buscando a construção da consciência política da mulher rondonense. O grupo entende que política não é apenas a disputa eleitoral ou a filiação em um partido, a política vai muito além disso e está em nosso cotidiano. O mês de março foi escolhido para tornar público esse grupo e referendar o Dia Internacional da Mulher, reconhecido pela ONU, em 1975, como a data a se lembrar a luta das mulheres por igualdade de direitos na sociedade. O 8 de março está pautado em diversas greves de mulheres operárias da Europa e dos Estados Unidos, que reivindicavam a diminuição da carga horária de trabalho e salários iguais aos dos homens. Tais manifestações culminaram, inclusive, num incêndio que matou 130 mulheres presas em uma indústria em 1857, nos Estados Unidos. O Dia Internacional da Mulher, perdeu significado da origem de suas lutas por um tempo e foi recuperado pelo Movimento Feminista na década de 60. Atualmente, tivemos muitos avanços nas lutas e conquistas, mas por outro lado, a data histórica por vezes, não contextualiza sua origem, ficando apenas em festividades, dar flores, presentes, sem uma reflexão sobre a greve das operárias no início do século passado. Para nós, mulheres, este fator é uma contradição. Com esse regaste histórico propomos a nós mesmas nos reorganizarmos neste município, com pautas próprias em diversos segmentos: social, cultural, de gênero, na divisão sexual de trabalho, unificando assim o debate. Também, para que nós mulheres, possamos ser reconhecidas como sujeitos históricos, políticos de participação, de construção neste espaço, rompendo com qualquer forma de opressão, machismo, preconceitos e violência, entre outras bandeiras de lutas. Para avançar na pauta “mulheres na política”, o grupo pretende promover encontros de formação política e demais assuntos de interesse, com a intenção de atuar com mais precisão na política e eventualmente lançar candidatas e conseguir êxito em elegê-las. O grupo é suprapartidário, ou seja, não está vinculado a um partido específico e/ou posicionamento ou ideologia. Todas as mulheres do município estão convidadas a participar dos grupos, debater, dar suas opiniões, levantar questões e contribuir na atuação política feminina em nosso município. 

Para participar, basta solicitar a participação no Facebook – “mulheres na política – MCR”

 No grupo do face também encontrarão o link de acesso ao grupo do whatsapp!!! Venha mulher, participe!!

Fonte: ASSESSORIA

domingo, 7 de fevereiro de 2021

SOCIEDADE

 


4 fev 2021 - 9h00

Vice-presidenta, sim!


Em sua estreia no Plural, a jornalista Ana Mira toca na polêmica e mostra que a palavra já existe no léxico da nossa língua há muito tempo

Kamala Harris é a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidenta dos Estados Unidos. Crédito da foto: governo dos EUA.


A vitória da chapa de Joe Biden e Kamala Harris para a presidência dos Estados Unidos trouxe à tona, mais uma vez, a discussão sobre o uso da palavra presidenta. O mesmo ocorreu em 2010, quando Dilma Rousseff foi eleita a primeira mulher para o cargo executivo mais importante do Brasil. Ao assumir, Dilma estabeleceu a palavra presidenta em toda a comunicação oficial, gesto que suscitou muitos comentários, várias correntes de WhatsApp mostrando o “erro” da palavra e reações enfurecidas quanto ao uso do termo.

Volto aqui a afirmar o óbvio: presidenta é uma palavra que já existe no léxico da nossa língua há muito tempo. Na edição de 1972, da Gramática da Língua Portuguesa, de Celso Cunha, o autor já explicava que, apesar de a maioria dos substantivos e adjetivos terminados em -ente ser comum de dois gêneros – ou seja, tem como indicação de feminino e masculino o uso de palavras que os precedem (O gerente/A gerente, por exemplo) – há, sim, substantivos que apresentam sua versão no feminino. É o caso de hóspede/hóspeda, gigante/giganta e a “polêmica” presidente/presidenta.

Por que coloco a palavra polêmica entre aspas? A língua portuguesa, assim como todas as outras no mundo, tem um histórico de formação e de disseminação. Aqui no Brasil, é de conhecimento geral que o português não era nosso idioma. Ao encontrarem nosso país, os portugueses impuseram sua língua e sua religião, duas das mais poderosas formas de dominação. Entre as várias línguas faladas antes de 1500, a que mais se destacou perante os colonizadores foi o tupi-guarani, falada no litoral brasileiro. Conviveu-se com o tupi (também chamada língua geral) e o português por mais de 200 anos, até que, em 1757, o Marquês de Pombal instituiu a obrigatoriedade da língua portuguesa. Em 1759, foram expulsos os jesuítas, grandes defensores da manutenção do tupi. A imposição surgiu porque era comum ter que chamar vigários de Portugal para traduzir documentos relacionados à escravização indígena do português para o tupi, a fim de que os escravizados pudessem entender sua condição – e aceitá-la. Para além disso, também há nesse contexto a inter-relação entre colonização e civilização. Os portugueses entendiam como um “marco civilizatório” a determinação da língua portuguesa como a única possível no Brasil.


A presidenta Dilma Rousseff chega ao Congresso Nacional para a posse do seu segundo mandato, em 2015. Crédito da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.


É de se imaginar que os indígenas não aceitaram de bom grado essa exigência. Se hoje temos várias palavras de origem tupi e de origem africana, devido às línguas que aqui chegaram com a escravidão, elas só se mantiveram graças a muita resistência. Fica claro com esse brevíssimo resumo que, desde o início, língua foi sinônimo de poder. E é até hoje. Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico, afirma que “tratar da língua é tratar de um termo político”. Além disso, a língua de um povo é forjada a partir de circunstâncias muito mais numerosas e complexas, como o é a própria formação cultural de um povo.     

Dito isso, voltemos a Kamala Harris. Primeira mulher na vice-presidência da maior potência econômica do mundo, ela tem sido citada na mídia brasileira como “a vice-presidente”, termo correto e amplamente aceito pela gramática, já que presidente é um substantivo comum de dois gêneros – basta colocar um artigo ou pronome masculino ou feminino na frente da palavra para indicar o gênero. No entanto, a palavra presidente também tem sua forma feminina – dicionarizada desde 1899. O único veículo que vi se referir a Kamala como vice-presidenta foi o El País.

“Ah, mas presidenta é tão estranho”. Vamos, então, falar de estranhamento sob uma perspectiva cultural. Se disséssemos aos senhores de engenho da época da escravidão que, nos próximos séculos, eles seriam presos por possuírem escravos, eles achariam estranho. Se falássemos para uma mulher da década de 20, no Brasil, que ela poderia votar na década seguinte mesmo sendo mulher, ela acharia estranho. Se disséssemos aos assassinos de mulheres, inocentados pelo argumento da “defesa da honra”, que hoje eles seriam condenados por feminicídio, eles achariam estranho. Ou seja, o estranhamento é cultural, estrutural e temporal. Presidenta, para alguns, soa estranho porque nunca foi comum termos mulheres na Presidência – desde associações e condomínios até grandes empresas e países. Portanto, assumir o termo presidenta é dar às mulheres a representatividade tão negada na prática recente da nossa sociedade, apesar de ela já estar nos dicionários há mais de um século. Parabéns à vice-presidenta Kamala Harris. E a todas as presidentas que virão.


*Ana Mira - sócia-fundadora da Toda Letra junto com Fernando Munhoz. Já trabalhou em diversas escolas e universidades e está à frente da Toda Letra Consultoria em Língua Portuguesa desde 2009. É neurótica com a correção da língua portuguesa e ama ler.


Fonte: https://www.plural.jor.br/colunas/toda-letra/vice-presidenta-sim/


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

MULHERES QUE REFLORESTAM

 


Comunidades indígenas estão reflorestando os Andes

Iniciativa visa recuperar as florestas mais altas do mundo.


Conservar o que ainda existe e restaurar o que foi derrubado. É este o trabalho que vem sendo realizado por povos tradicionais no Peru que estão plantando queuñas (Polylepis spp.) – uma espécie nativa que cresce nas áreas mais altas da Cordilheira dos Andes.

Alcançando até 5.000 metros acima do nível do mar, as queuñas já foram devastadas por queimadas e pastagens, mas com o projeto “Ação Andina” ganhou novo vigor. 

Por meio da Asociación Ecosistemas Andinos (ECOAN), a iniciativa realiza ações diversas. Anualmente ocorre, por exemplo, o festival Queuna Raymi em que jovens, crianças e idosos sobem as montanhas para realizar o plantio coletivo. Mais de 100 mil árvores queuñas já foram plantadas em um único dia. 

A grande meta desta iniciativa é chegar a 1 milhão de hectares preservados, sendo que meio milhão só será possível com o reflorestamento e o outro meio milhão se dará pela proteção da floresta remanescente em seis países: Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina. Juntos eles formam a chamada América Andina. 

A Ação Andina tem como modelo outro projeto de reflorestamento comunitário, realizado nos Andes, que resultou no plantio de 1,3 milhão de árvores.

Benefícios

Além de remover gás carbônico, as queuñas absorvem grandes quantidades de água, contribuindo para a segurança hídrica das vilas nas montanhas e protegendo o solo de deslizamentos. A floresta também captura e armazena a água do gelo derretido dos Andes, liberando-a lentamente para as comunidades. Isso ajuda inclusive durante a estação seca.

Toda a água armazenada pela floresta ainda alimenta a Bacia Amazônica, que nasce justamente nos Andes Peruanos.


A floresta ainda é refúgio de diversas espécies selvagens e em risco de extinção. 

“Recuperar as florestas significa garantir o futuro das culturas indígenas”, afirma Constantino Aucca Chutas, líder indígena e presidente da ECOAN. A Global Forest Generation, parceira do projeto, acredita que regenerar esses ecossistemas florestais será essencial para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.


Fonte: https://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/indigenas-reflorestando-andes/?fbclid=IwAR25paEcc_5RVlLWfUNvqVskx2tvucaollfLodWp2SFrbQzMXbACeWVaBCA

terça-feira, 9 de junho de 2020

MULHERES NA PANDEMIA



Negar políticas públicas para mulheres em plena pandemia: um projeto de desgoverno de Bolsonaro

Durante crise mundial, o governo cerceia o acesso das mulheres a direitos adquiridos.
GIANA DE MARCO8 JUN 2020, 15:21
Durante a última semana, o Ministério da Saúde, por meio de sua Secretaria de Atenção Primária à Saúde, lançou nota técnica com diretrizes para o atendimento das mulheres durante a pandemia da COVID-19 no contexto da saúde sexual e reprodutiva.
A referida nota afirmou que, entre outras coisas, deveriam ser “considerados como serviços essenciais e ininterruptos a essa população: os serviços de atenção à violência sexual; o acesso à contracepção de emergência; o direito de adolescentes e mulheres à saúde sexual e saúde reprodutiva e abortamento seguro para os casos previstos em Lei; prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo diagnóstico e tratamento para HIV/AIDS; e, sobretudo, incluindo a contracepção como uma necessidade essencial”.
No entanto, a publicação dessa nota desagradou a Bolsonaro e a alguns deputados federais. Projetos de Decretos Legislativo foram protocolados, e Bolsonaro pressionou o ministro da saúde interino para que o documento, chamado então de “minuta de portaria apócrifa”, fosse tirado do ar. Além de seguir a orientação de seu chefe, o General Eduardo Pazello exonerou dois integrantes da equipe da secretaria: a Coordenadora de Saúde das Mulheres e o Coordenador-Geral de Ciclos de Vida.
As frentes parlamentares Católica e Contra o Aborto em Defesa da Vida se manifestaram dizendo que termos como “direitos sexuais e reprodutivos” são eufemismos para abortos, e que a legislação brasileira veda a prática do aborto, ignorando completamente o fato de que o ordenamento jurídico autoriza, sim, aborto em caso de estupro, quando a vida da gestante corre risco e em caso de fetos anencefálicos.
Em coro aos deputados, Bolsonaro declarou na internet que o ministério “não apoia qualquer tentativa de legalização do aborto”. Ainda, disse que o documento e sua divulgação foram realizados de má-fé, para “sacanear”.
Se há alguma sacanagem nisso tudo é a completa distorção do conteúdo do documento, que apenas reforçava práticas já adotadas no Brasil, com total apoio legal. Bolsonaro ignora os números crescentes de violência doméstica e sexual contra mulheres durante o isolamento social. Sua atitude é revestida de autoritarismo, como se suas opiniões e vontades estivessem acima da Lei.
Coincidentemente – ou não – essa questão toda, incluindo as demissões da secretaria, ocorrem não muito tempo depois da reunião entre os ministros e o presidente que ocorreu no dia 22 de abril, oportunidade na qual a Ministra Damares afirmou que o Ministério da Saúde está “lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação do aborto”.
Bolsonaro segue na contramão do resto do mundo em absolutamente todas as suas ações, em especial as tomadas durante a crise do coronavírus. Sua política é nefasta, e ele não faz qualquer questão de esconder com seus “e daí?”, “vai morrer gente” e “[a morte] é o destino de todo mundo”.
Durante crise mundial, o governo cerceia o acesso das mulheres a direitos adquiridos, constantes inclusive na Declaração Universal de Direitos Humanos; embaça os dados relativos às despesas da equipe presidencial; retira da população qualquer acesso a informações essenciais sobre a crise e dificulta o acesso aos poucos dados que ainda autoriza liberação. Bolsonaro causou a exclusão temporária do Brasil do principal ranking mundial sobre o coronavírus após o site que divulga os dados nacionais ter sido tirado do ar.
Ele não pode continuar! Mesmo com a desaprovação pública expressada por seu maior ídolo, Donald Trump, sobre a forma com que Bolsonaro está lidando com a crise, o mesmo chama o presidente americano de “irmão”. Chegou-se ao ponto de até mesmo Olavo de Carvalho romper com o governo brasileiro.
O fascismo desse desgoverno está obrigando pessoas do país todo a saírem às ruas em meio à quarentena para exigir direito à vida. As mulheres e a negritude estão protagonizando, no Brasil, manifestações antifascistas e antirracistas, reivindicando o direito à igualdade, o fim da violência e a manutenção da saúde de todos.
Em meio a tudo isso, falas do presidente e de seus ministros que minimizam o drama sofrido por mulheres de todo o Brasil, em especial as de baixa renda, frente à necessidade do isolamento social, é atitude de genocida, e escancara a necropolítica que nos rege.
Não podemos aceitar nem uma vida a menos, e continuaremos indo às ruas exigindo o impeachment de Bolsonaro!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

BRASIL*



Mulheres sobrecarregadas e homens desempregados: famílias brasileiras chegam a 2019 ainda em crise