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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

VIOLÊNCIA DE GÊNERO



Mulheres são vítimas em 70% das violências de gênero na internet 

Exposição e compartilhamento de fotos íntimas tem consequências graves entre as vítimas, que vão desde submissão à ameaças até suicídios


"Comecei a morrer. Me sentia queimada viva. Virei motivo de chacota na cidade toda. As pessoas achavam que eu estava me vendendo." O depoimento é de Rose Leonel, 48 anos, vítima de divulgação de conteúdo íntimo na internet. Há 12 anos, ao terminar um relacionamento, ela passou a ser ameaçada pelo então companheiro.
Entre outros delitos contra a mulher, o crime de exposição de conteúdo sexual na internet ainda é completamente subnotificado. Apesar disso, a ONG SaferNet, que funciona como uma rede de apoio às vítimas, recebeu 298 denúncias de exposição de conteúdo íntimo on-line. Do total, 204 são casos envolvendo mulheres. Isso significa dizer que 70% dos casos têm mulheres como vítimas.
Nos outros 85 casos envolvendo o gênero masculino, o psicólogo e diretor de educação da Safernet, Rodrigo Nejm, esclarece que são casos envolvendo divulgação de conteúdo sexual de homossexuais. Os dados foram compilado no recém-lançado Dossiê Violência Contra a Mulher em Dados, do Instituto Patrícia Galvão.
De acordo com o dossiê, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada em fevereiro de 2018 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 o Brasil tinha 116 milhões de pessoas conectadas à internet, o que equivale a 64,7% da população com idade acima de 10 anos.
Nesse cenário de inclusão digital, a violência de gênero se estendeu e se potencializou nas plataformas online de forma sem precedentes. Não apenas o sexting, mas outras violações contra as mulheres também passaram a ganhar força. Para se ter ideia, em 2017, o assédio foi o 26º assunto mais comentado da internet. Segundo dados do dossiê, nos últimos três anos, as menções ao termo cresceram 324%, com destaque para o assédio virtual, que registrou crescimento de 26 mil %.
Sextorção
O ciclo de violência que se instaura sobre a vítima é conhecido como sextorsão ou a ameaça de se divulgar imagens íntimas para forçar alguém a fazer algo por vingança, humilhação ou extorsão financeira. “É uma forma de violência grave, que pode levar a consequências extremas como o suicídio”, afirma Nejm.
Os casos podem ocorrer quando alguém finge ter posse de conteúdos íntimos como forma de iniciar ameaças ou ainda pode ser um blefe com o objetivo de obter vantagem. “Não se tem o entendimento de que meninas e mulheres têm plena liberdade sexual e ninguém tem o direito de expor isso.”
"Ele ameaçou destruir a minha vida e foi isso que ele fez. Me aniquilou", diz Rose que teve fotos íntimas vazadas pela internet. Segundo ela, o ex-marido fez montagens com conteúdo pornográfico e distribuiu por toda a cidade de Maringá, no Paraná. "Ele mandou 15 mil emails com fotos minhas, distribuiu CDs em condomínios e folhetos em comércios da cidade."
Desligada do emprego, ela lembra que chegou a receber um e-mail do chefe dizendo que a empresa não queria uma funcionária como ela naquele ambiente profissional. "Perdi meu trabalho, meu amigos e a minha vida", afirma. Rose conta que o filho foi embora do País e a filha sofria bullying por parte de alunos e professores. "A sua identidade é completamente roubada, ocorre a perda total do seu eu."
Um dos fatores que agrava a subnotificação é o desconhecimento

Um dos fatores que agrava a subnotificação é o desconhecimento

Reprodução/Jornal de Brasília
Como denunciar
O compartilhamento de imagens íntimas na internet é crime. No entanto, segundo o psicólogo, como no Brasil há uma violência explícita contra a liberdade sexual de meninas e mulheres há uma visão misógina por trás da disseminação desse tipo de conteúdo. “Além disso, existe uma ideia de que o corpo da mulher é propriedade pública junto a ausência de educação sexual”, diz ele.
 Um dos fatores que agrava a subnotificação é o desconhecimento sobre como denunciar esse tipo de crime. Uma pessoa que compartilha um conteúdo íntimo na internet, um nude vazado, por exemplo, pode responder por três atos infracionais diferentes: produção, posse e distribuição de pornografia.
Além de procurar a delegacia para fazer o boletim de ocorrência, a vítima pode também pedir a remoção do conteúdo divulgado sem consentimento. De acordo com o artigo 21 do Marco Civil da Internet, nesse tipo de crime, a vítima pode pedir às empresas de redes sociais para retirar o conteúdo das páginas. No caso do Whatsapp, o procedimento é um pouco diferente. Como não se trata de um site, a vítima precisa “exportar” a conversa com o conteúdo sexual para um e-mail e encaminhar na delegacia de polícia. “Isso é a materialidade da prova”, diz Nejm.
Para o especialista, para modificar esse cenário, é preciso trabalhar também a conscientização, sobretudo, entre jovens. “Essa forma de violência sexual vem sendo banalizada na adolescência”, afirma ele. “É preciso sensibilizar esse jovem e reafirmar que a culpa é de quem vaza, de quem expõe. Nada dá o direito de uma pessoa espalhar algo que não é seu. Repassar esse tipo de conteúdo é um ato de violência. Como não se vê o sofrimento do outro, as pessoas não consideram uma forma de violência.”
Reconstrução
Desde 2013, porém conseguiu reconstruir sua vida gradualmente. Com a condenação do marido, Rose se sentiu estimulada a ajudar outras mulheres vítimas de divulgação de conteúdo íntimo pela internet. "A cada clique me sentia violada novamente."
"Com a divulgação dessas fotos, sofremos uma morte civil. Dessa etapa até a pessoa sentir vontade de tirar a própria vida é apenas um passo." Ela conta que teve de sair de Maringá para encontrar apoio psicológico e jurídico. Hoje, por meio da ONG Marias da Internet ela oferece esse tipo de apoio a outras mulheres.
Quando foi lançada, a ONG recebia entre duas e cinco denúncias por mês. Hoje, recebe de dez a 15 denúncias. "A mulher é sempre culpabilizada, queria e precisava tentar interromper esse ciclo", afirma.

Fonte: https://noticias.r7.com/sao-paulo/mulheres-sao-vitimas-em-70-das-violencias-de-genero-na-internet-06092018

sábado, 31 de agosto de 2013

COMUNICAÇÃO



Potencial para democratizar a mídia*

A Fundação Perseu Abramo lançou luz sobre um tema que o Jornalismo B sempre teve como prioridade e que vem avançando ininterruptamente como um dos pontos centrais das disputas sociais: a democratização da mídia. Através de pesquisa, com 2400 entrevistados, a Perseu Abramo identificou o que a população brasileira pensa sobre a mídia nacional. Os resultados demonstram, ao mesmo tempo, um grande desconhecimento sobre a estrutura midiática, e uma boa dose de inconformidade ao conhecer essa realidade. Mostram, portanto, que ainda estamos muito longe dessa conscientização fundamental, mas que o potencial para avançar é enorme.
A pesquisa mostra, por exemplo, que a televisão continua como meio de comunicação com maior penetração, mas a internet já alcança os jornais impressos. Por outro lado, o acesso à internet ainda se dá em direção aos grandes portais, ligados aos conglomerados de comunicação que já dominam os outros espaços midiáticos.
Há que se destacar ainda que os entrevistados entendem que os meios de comunicação defendem os interesses dos próprios donos, dos políticos e das elites, mas isso parece naturalizado na medida em que acreditam que as emissoras de televisão são propriedades privadas, e não concessões públicas. Também há desinformação sobre a quantidade de donos desses veículos. Informados de que cerca de dez famílias detêm a maioria deles, a reação é pedir mais diversidade. 71% querem mais regras sobre a programação da televisão.
O contexto retratado deve animar os movimentos sociais e a mídia alternativa a, juntos, avançarem no trabalho de conscientização das classes trabalhadoras sobre a necessidade de democratizar a mídia, sobre o direito à comunicação, sobre a centralidade dessa temática na luta por uma nova sociedade. Podemos avançar, podemos vencer.

*Publicado em por em http://jornalismob.com/2013/08/27/potencial-para-democratizar-a-midia/

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Brasileiros caem em “scam” de sites de relacionamentos


A brasileira Verônica (nome fictício) conheceu homens que pediram dinheiro online.
Namoros pela internet antes pareciam coisa do outro mundo, mas hoje em dia estão se tornando cada vez mais comuns. Independentemente da idade, nacionalidade ou sexo, existem inúmeros sites conectando pessoas com os mesmos interesses, sejam estes religião ou pessoas ricas. Infelizmente, algumas pessoas se aproveitam da vulnerabilidade de outras para tirarem proveito da situação.
Em um caso recente, uma viúva usou todas as suas economias com um homem que se passava por um veterano de guerra do Iraque. Entre os imigrantes brasileiros, um caso de promessa de Green Card levou uma brasileira à desilusão, e outras promessas simples, como casamento, fez com que outra brasileira enviasse dinheiro a um desconhecido, que depois desapareceu.

Verônica

Verônica entrou em um site de relacionamento para preencher seu tempo. Sozinha, vivendo nos Estados Unidos há anos, a brasileira pensou em encontrar um companheiro para se divertir e, quem sabe, se casar um dia, como tantos casos que ela ouviu. Depois de conversar por meses com um homem, de trocar confidências e informações sobre sua personalidade, ele pediu dinheiro a Verônica.
“Eu não cai, pois não dou dinheiro nem a quem mora comigo, quanto mais a alguém que eu nunca vi ao vivo”, conta Verônica, de 60 anos, que preferiu usar na matéria o mesmo nome fictício que usou no site.
No entanto, ela conta que outras amigas suas foram mais longe, e uma delas chegou a pegar $1500 dólares emprestados para enviar a uma pessoa que conheceu online.
A psicóloga brasileira Karina Lapa conta que os relacionamentos online fazem parte do dia-a-dia no consultório. Ao mesmo tempo em que ouve muitas histórias boas, Lapa conta que as desilusões são constantes.
“Quando a pessoa entra em um relacionamento online ela fica exposta e, de certa forma, vulnerável”, diz a psicóloga. “Tem gente que se separa, não tem uma vida social, e acha que a única forma de encontrar alguém é online. Mas isso não é verdade. Hoje em dia estamos mais conectados do que nunca, mas ao mesmo tempo, nunca estivemos mais isolados”.
Verônica conta que a primeira vez que alguém tentou pedir-lhe dinheiro foi em um site chamado “Amor em Cristo”. Ela conheceu um homem online e ele dizia viver na Inglaterra, mas ser de Miami. Eles conversaram por quatro meses, até que ele dissesse precisar de dinheiro.
Depois, foi no MatchMaker.com que ela conheceu outros dois homens que tentaram aplicar golpes similares. Um deles dizia ser de Tampa, mas viver na Nigéria.
“Eles sempre têm um perfil parecido, dizem que são viúvos, sozinhos, precisando de alguém. Eu, por também ser sozinha, fui caindo na conversa”, conta. “Aos poucos, eles procuram saber de sua vida, eu falei do meu trabalho, etc. Eles tinham várias fotos, que não sei se são deles ou de revista”.
“Depois de algum tempo, me pediram ajuda. Um deles, falou que se envolveu em um acidente e não tinha dinheiro nem para pegar um táxi para casa. Ele me passou um número de conta da Western Union e pediu que eu fizesse um depósito no nome dele”, relata.
Verônica contou que em todos os casos foi similar: eles disseram precisar desesperadamente de dinheiro, e quando ela disse que não tinha e não daria, eles ficaram bravos e depois desapareceram. Um deles chegou a dizer: “Como assim? Sou seu esposo, vou casar com você e você não pode me ajudar?”
Verônica diz saber sobre outro site que um brasileiro que vive em Broward usa para se comunicar com outra brasileira vivendo no Brasil. “Ele manda tudo que ela pede, e eles nunca se conheceram pessoalmente”.

Outros casos

Lapa conta de duas pacientes suas que sofreram desilusão, mas não necessariamente caíram em fraudes, ou “scams”.
“Uma cliente minha saiu duas vezes com um americano que conheceu no Match.com, que disse que resolveria a vida dela. Ela estava no país sem documentos, e foi acreditando nele, e se envolvendo. Depois de oito meses, ela percebeu que ele queria mesmo era viver às custas dela”, conta Lapa. “Ele pedia para que ela pagasse contas de cartão de crédito, dizendo que com um crédito melhor ele poderia lhe dar uma vida melhor, e assim foi levando a história”. Lapa conta que sua cliente trabalhava com limpeza, e pagava tudo para ele, mas foi ficando desiludida, até que resolveu terminar o relacionamento. “Depois disso ele começou a ameaçá-la”.
Outra cliente de Lapa se envolveu com um homem que era casado, na Califórnia. Depois de um tempo, ela ficou desconfiada com o número de viagens que ele fazia, e resolveu pesquisar, e descobriu sua “outra vida”.
Uma outra brasileira que não quis se identificar, mas residente em Broward, contou que já teve diversas experiências em sites de relacionamento. Ela primeiro entrou no Match.com sem pagar, e ficou só observando as pessoas. Depois de três meses só observando, ela resolveu pagar, para assim poder interagir.
“Conheci gente boa e gente terrível”, conta a brasileira. “Meu último relacionamento foi com um homem que conheci nesse site, e durou três meses”.
A brasileira conta que percebeu na hora o perfil das pessoas. “Quando a pessoa é muito objetiva, perguntando se pode ir em casa, já sei quais são as intenções e nem respondo”, explica. “Aqueles que dão o telefone logo de cara, sem querer conversar para te conhecer, para mim também já são um sinal de que não é uma pessoa para mim. Quem está interessado mesmo, quer te conhecer, saber o que você faz, mas não quanto você ganha. Querem saber se você tem bom relacionamento com sua família, é pé no chão, o que quer do futuro, etc”.

Dicas para um relacionamento online seguro

Existem dois lados do relacionamento online, segundo Lapa. O lado bom é que, com os devidos cuidados, pode ser muito bom, e existem muitos casos de sucesso. O lado ruim é que ninguém irá construir um perfil ruim no site de relacionamento, por isso não se pode cair na ilusão de que se conhece a pessoa, segundo Lapa. “Ninguém vai falar: ‘sou velho, barrigudo’”, brinca.
Existe uma unanimidade: quando a pessoa parece “boa demais para ser verdade”, é bom sair fora. “Quando a pessoa diz que viaja muito, que vai para a África, que é, por exemplo, engenheiro, e vem com ‘muita história’ isso pode indicar que essa pessoa é um ‘scam’”, diz uma das brasileiras.
Por isso, siga algumas dicas:
Por segurança, sempre marque encontros em lugares públicos.
Não coloque a pessoa em seu carro logo no primeiro encontro, muito menos em sua casa.
Quando marcar um encontro, não diga como estará vestido. “Vá, veja a pessoa, e se gostar, se identifique, se não, deixe quieto”, diz Lapa.
Se a pessoa der o nome completo, faça uma pesquisa na internet. Nos Estados Unidos, um “sex ofender” aparece na primeira página do Google. Sites como spokeo.com, intelius.com, peoplefinders.com e mesmo o Facebook podem trazer informações sobre a pessoa.
Dicas do site datingsitesreviews.com:
É importante ter em mente que a maioria das pessoas que utilizam sites de relacionamento estão em busca de um amor. Por isso, em vez de ficar com medo de todos os sites de relacionamento, saiba como se proteger:
Muita afeição muito rápido. Muitos fraudadores brincam com a vulnerabilidade da pessoa. Se ele souber que você está procurando por amor, é isso que ele dirá que vai te dar. Se ele estiver declarando sua afeição a você muito cedo, antes mesmo de vocês se conhecerem, tenha cuidado.
A pessoa tem uma tragédia para te contar. Muitos fraudadores dividem uma tragédia com suas vítimas, para se conectar emocionalmente, seja a perda de uma casa, de um familiar, trabalho, cônjuge. Eles pedem por algum tipo de ajuda, ou pena, o que pode acabar em um pedido de dinheiro.
A pessoa pede dinheiro. Se qualquer pessoa te pedir dinheiro em um site de relacionamento, saia fora.
Muito bom para ser verdade. Se a pessoa parecer boa demais para ser verdade, talvez isto seja possível. Lembre-se: você não conhece a pessoa de verdade.
 

Fonte: http://gazetanews.com/noticias/brasileiros-caem-em-%E2%80%9Cscam%E2%80%9D-de-sites-de-relacionamentos/