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quinta-feira, 30 de março de 2023

POLÍTICA - PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE

 

PSOL de Marechal Cândido Rondon elege nova executiva neste domingo


      Neste domingo (02/04), o Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade, em Marechal Cândido Rondon, realizará plenária para eleição da nova Executiva Municipal. Além das deliberações sobre a composição da nova Executiva, o momento será de debate político sobre a conjuntura local, estadual e nacional, e aberto para todos que queiram conhecer melhor o PSOL em nosso município.

A plenária vai acontecer na sede do Sintrascoopa, localizada na rua Rio de Janeiro, 1020, no centro da cidade de Marechal Cândido Rondon, a partir das 17 horas. 




 Fonte: Secretaria de Comunicação PSOL/MCR/PR

 


segunda-feira, 8 de março de 2021

MANIFESTO DE MULHERES

Um grupo de mulheres da cidade de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, reuniu-se com o objetivo de insuflar, incentivar a participação feminina na política local e regional. Escolheram a data de 08 de março para lançar as atividades do grupo, aproveitando a simbologia da data. 
Confira o manifesto:


 A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO FEMININO NA POLÍTICA – GRUPO MULHERES NA POLÍTICA – MCR - PR 


 Não é de hoje que as mulheres lutam cada vez mais em busca da igualdade de direitos na sociedade. Dentre as pautas estão a equidade salarial e a busca por cargos de decisão nos diversos setores da sociedade. Um dos setores com maior falta de representatividade feminina é o da política, seja nos cargos parlamentares ou secretarias e ministérios. Em nosso município a situação não é diferente. No último pleito municipal, nenhuma mulher foi eleita para a vereança, mesmo com excelentes candidatas, muito qualificadas e com excelentes propostas. Movidas por esse fato, um grupo de 40 mulheres têm se organizado para debater o assunto “mulheres na política” e quem sabe reverter o quadro da falta de representatividade na política local. A princípio, estão organizadas em plataformas de mídias sociais, como no facebook e whatsapp e, em respeito à vida e ao grave momento pandêmico, apenas encontros virtuais têm sido feitos. O objetivo do grupo é atrair mulheres que queiram debater sobre os diversos setores da política nacional, estadual e local; buscando a construção da consciência política da mulher rondonense. O grupo entende que política não é apenas a disputa eleitoral ou a filiação em um partido, a política vai muito além disso e está em nosso cotidiano. O mês de março foi escolhido para tornar público esse grupo e referendar o Dia Internacional da Mulher, reconhecido pela ONU, em 1975, como a data a se lembrar a luta das mulheres por igualdade de direitos na sociedade. O 8 de março está pautado em diversas greves de mulheres operárias da Europa e dos Estados Unidos, que reivindicavam a diminuição da carga horária de trabalho e salários iguais aos dos homens. Tais manifestações culminaram, inclusive, num incêndio que matou 130 mulheres presas em uma indústria em 1857, nos Estados Unidos. O Dia Internacional da Mulher, perdeu significado da origem de suas lutas por um tempo e foi recuperado pelo Movimento Feminista na década de 60. Atualmente, tivemos muitos avanços nas lutas e conquistas, mas por outro lado, a data histórica por vezes, não contextualiza sua origem, ficando apenas em festividades, dar flores, presentes, sem uma reflexão sobre a greve das operárias no início do século passado. Para nós, mulheres, este fator é uma contradição. Com esse regaste histórico propomos a nós mesmas nos reorganizarmos neste município, com pautas próprias em diversos segmentos: social, cultural, de gênero, na divisão sexual de trabalho, unificando assim o debate. Também, para que nós mulheres, possamos ser reconhecidas como sujeitos históricos, políticos de participação, de construção neste espaço, rompendo com qualquer forma de opressão, machismo, preconceitos e violência, entre outras bandeiras de lutas. Para avançar na pauta “mulheres na política”, o grupo pretende promover encontros de formação política e demais assuntos de interesse, com a intenção de atuar com mais precisão na política e eventualmente lançar candidatas e conseguir êxito em elegê-las. O grupo é suprapartidário, ou seja, não está vinculado a um partido específico e/ou posicionamento ou ideologia. Todas as mulheres do município estão convidadas a participar dos grupos, debater, dar suas opiniões, levantar questões e contribuir na atuação política feminina em nosso município. 

Para participar, basta solicitar a participação no Facebook – “mulheres na política – MCR”

 No grupo do face também encontrarão o link de acesso ao grupo do whatsapp!!! Venha mulher, participe!!

Fonte: ASSESSORIA

sábado, 14 de novembro de 2020

ELEIÇÕES MUNICIPAIS NO BRASIL

 



País tem o triplo de candidatos e candidatas trans que há quatro anos, de partidos da esquerda à direita. Curitiba é a única capital com uma mulher trans na disputa pela prefeitura, do PSOL. Já no Espírito Santo, candidata bolsonarista do PMB tenta se eleger na região metropolitana de Vitória



ISADORA RUPP



Majoritariamente branca e masculina. Esse é o retrato da política brasileira, historicamente. Mas, nas eleições municipais 2020, uma série de candidaturas espera mudar esse cenário. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 49,9% dos candidatos no Brasil se declararam pretos ou pardos neste pleito. Há neste ano ainda um número recorde de pessoas transgêneros que concorrem a uma vaga seja para prefeituras ou para as câmaras de vereadores. São mais de 270 candidaturas de pessoas trans confirmadas ―em chapas de partidos da esquerda à direita―, mais que o triplo de 2016, quando 89 pessoas trans concorreram.

Em Curitiba (PR) ―oitava cidade mais populosa do Brasil, com quase dois milhões de habitantes―, é a primeira vez em que uma mulher trans concorre a uma cadeira no Executivo. Aos 68 anos, a psicanalista e socióloga Letícia Lanz, do PSOL, tenta se eleger prefeita da capital paranaense, encabeçando uma chapa 100% feminina, com a advogada Giana de Marco como sua vice. É a única candidata trans a disputar uma prefeitura nas capitais brasileiras.

É mineira, mas há 25 anos escolheu o município sulista para viver ao lado da esposa, a psicóloga Ângela Autran, com quem é casada há 43 anos e com quem tem três filhos e cinco netos. Tem entre as principais propostas promover o que chama de “economia do cuidado”, que inclui destinar imóveis abandonados para abrigar pessoas em situação de rua e produzir um modelo urbano que privilegie a periferia, e não só o centro da cidade e os bairros nobres de Curitiba. “Minha proposta é que se tenha uma vida mais gregária e coletiva. Nós vivemos uma crise de coletividade, as pessoas estão desamparadas e desacolhidas”, diz. Na capital do Paraná, das 16 chapas que concorrem ao Palácio 29 de Março, seis são encabeçadas por mulheres.

Ao contrário de uma carta divulgada por militantes do partido em julho, que falava em um “programa local de enfrentamento à burguesia”, Lanz defende o diálogo. “A visão da mulher é lúdica. Do homem, é bélica. Enfrentamento é uma palavra machista. O núcleo político e econômico é o osso que os homens não querem largar e por isso é muito difícil para as mulheres penetrarem, especialmente uma mulher trans, que é a quinta pessoa depois de ninguém”, reflete a candidata, que também é a especialista em gênero e sexualidade e mestre em sociologia.

Administrar conflitos é parte importante da vida da candidata que, embora se identificasse com o feminino desde criança, iniciou a transição de gênero após os 50 anos. “Vivi um conflito grande e se não fosse o feminismo eu estaria presa no armário até hoje", conta. Ter sobrevivido a um infarto, em 2008, fez com que Lanz consolidasse a vontade de viver como mulher, o que ela já cultivava desde a infância. “A transição foi muito dura, a vida toda eu tinha sido uma pessoa muito aberta, e minha esposa também. Sempre cultivamos uma visão boa da vida mas não é fácil sobreviver em uma sociedade encaixotada.” Ela recorda, por exemplo, que é recente a decisão que deixou de considerar uma doença a transgeneridade. Somente em 2018 a OMS retirou a transexualidade da lista de doenças mentais da Classificação Internacional de Doenças (CID). A pandemia de covid-19 não a impediu de buscar votos nas ruas, ainda que paramentada com máscara e protetor facial.

Essa também é a primeira eleição municipal da história do Brasil em que candidatas e candidatos trans podem optar pelo nome social nas urnas. Não fosse uma regulamentação aprovada há dois anos os eleitores de candidatos e candidatas trans talvez não reconheceriam o nome dos postulantes ao lado da foto na hora de votar. A mudança, entretanto, era uma reivindicação antiga de movimentos sociais, como observa Ana Cláudia Santano, professora de Direito e pesquisadora do Observatório de Direito Eleitoral da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Pela falta de regulamentação, não se usava o nome social e acontecia o constrangimento público do nome civil com uma foto não condizente na urna", explica a pesquisadora. Ao menos 165 postulantes optaram pelos nomes sociais ao invés dos nomes civis em 2020, todos eles para o Legislativo.

Candidaturas trans de esquerda, centro e direita

Do MDB, representante mor do chamado Centrão, a estreante Aghata Ferreira, 37 anos, (foto abaixo)concorre a uma vaga a vereadora na cidade de Criciúma, em Santa Catarina. Cabeleireira e estudante de pedagogia, ela se dedica a trabalhos sociais há 20 anos, o que será a sua pauta central se eleita. Quando o partido lhe fez o convite, ela decidiu que era a oportunidade de poder contribuir para desenvolver políticas públicas para a área. “Uma andorinha sozinha não faz verão. Quando o MDB veio fazer o convite, conversamos e eles me deixaram bem à vontade. Queremos fazer um time com ideias novas. Eu não tenho nem direita nem esquerda, eu luto pelo social, que é a base de tudo. Como que uma criança que mora em uma casa que o pai e a mãe estão desempregados vai conseguir ir para a escola?”, indaga Aghata, que é também secretária de diversidade do partido em Criciúma.


No Espírito Santo, uma chapa de mulheres transgênero concorre pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), ideologicamente alinhado à direita, à prefeitura de Cariacica, cidade com quase 390.000 habitantes na região metropolitana de Vitória. Bianca Biancardi, 52 anos, e a vice, Josi Milagre, se identificam com o ultraconservador presidente Jair Bolsonaro, a quem a candidata apoiou no segundo turno das eleições em 2018 sobretudo pela bandeira de luta contra a corrupção. Na avaliação dela, as declarações transfóbicas do mandatário brasileiro estão no passado. “Sou eleitora do Bolsonaro e me sinto representada por ele. A gente vivia em uma política muito corrupta. Isso me desanimava. As declarações homofóbicas que ele fez, todos sabem, estão no passado”, afirma Bia (como prefere ser chamada), empresária e proprietária de um salão de beleza na cidade há 35 anos.

A oportunidade que a candidata teve de trabalhar em um salão de beleza aos 17 anos, poucos anos depois de começar a se identificar com o gênero feminino, é algo que lhe é muito caro. Poder trabalhar formalmente, salienta, é fundamental para evitar que pessoas trans tenham que recorrer à prostituição para sobreviver. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) estima que 90% das pessoas trans recorrem, ao menos uma vez na vida, à atividade no Brasil. “São meninas abandonadas pela família, que largam a escola e que não estariam na rua se tivessem oportunidade”, opina a candidata.

Bia elogia o trabalho da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, para melhorar a empregabilidade da população trans. “Ela tem esse projeto de capacitar as meninas trans na área de tecnologia, que é algo que eu quero copiar para Cariacica. O que é bom precisa ser copiado.” Recentemente, a candidata fez uma denúncia à ministra por ter sido excluída pela bancada evangélica do município de um evento eleitoral. “E isso aconteceu por eu ser uma mulher transgênero. Sou cristã católica e mesmo assim fui excluída”, lamenta.


Em meados de outubro, participantes de um seminário online sobre as eleições promovido pela Aliança Nacional LBGBT+ foram vítimas de zoombombing. Ou seja, o evento foi invadido e, na tela, foram inseridas mensagens e imagens de cunho nazista e discriminatórias. “Isso denota que mesmo que essas candidaturas cheguem elas também são mais atacadas. O status quo fica sensível a qualquer tipo de movimentação que venha com a intenção de alterá-lo”, frisa a professora Ana Cláudia Santana.

Presidenta da Antra, Keila Simpson reforça que o aumento da participação da população trans na política está relacionado à urgência em combater a violência contra mulheres e homens transgêneros no Brasl. O país lidera um triste ranking da ONG Transgender Europe de países que mais matam pessoas trans. Apenas em maio deste ano ocorreram 38 assassinatos. “Isso fez com que as pessoas começassem a lutar nos partidos políticos para conseguir achar um caminho para minorar isso. Há um despertar político das pessoas trans. Os corpos trans já são políticos por natureza, mas disputar uma eleição é uma vitória contra tudo e todos, de uma população relegada à margem."

Na análise de Keila, o espaço para pessoas trans é distinto em cada município, o que explica a adesão a partidos de ideologias tão distintas. “Obviamente, para nós, optar pela direita e extrema direita é uma surpresa, mas a gente não condena. Provavelmente foi aquele o espaço que se abriu e elas agarraram a oportunidade”. Como plano futuro, a Antra pretende realizar cursos e seminários de formação política. “Instruídas, informadas e sabedoras das ideologias de cada legenda a pessoa poderá compreender o espectro político. Se quer ser de direita, esquerda ou centro é uma decisão pessoal. Queremos formar um coletivo de pessoas ainda mais fortalecidas para disputar futuras eleições."

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-11-12/pais-mais-transfobico-do-mundo-brasil-tem-recorde-de-candidaturas-de-pessoas-trans-em-2020.html?fbclid=IwAR3iFROEqsgOWpE_eeUmyzuEkuPQwcQN7BBcKplnNHdgi8AyAyyYS8i1t_M


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

POLÍTICA



PSOL faz lançamento das candidaturas locais neste domingo, as 16:30, na praça Willy Barth


Candidatos do PSOL começam corrida eleitoral. Na foto, o candidato ao Senado, Rodrigo Tomasini; os candidatos a deputado federal pelo Paraná, Luciano Egídio Palagano, Vinicius Prado e Lorenzo Balen, e, ao centro, a candidata a deputada estadual, Ana Maria de Carvalho. 


O lançamento oficial das candidaturas do Professor Luciano Egidio Palagano à Câmara Federal e da jornalista e servidora pública municipal Ana Maria de Carvalho, à Assembleia Legislativa do Paraná, pelo PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, vai acontecer na tarde deste domingo, dia 19 à partir das 16h30min, na praça Willy Barth.
O ato vai ser prestigiado pela candidata a vice governadora, Fernanda Camargo, e deverá contar ainda com as presenças dos candidatos ao Senado, Rodrigo Tomazini e Jacqueline Parmigiani, além de outros candidatos do partido, filiados e simpatizantes.
O professor Luciano Egidio Palagano, candidato a deputado federal, é servidor público estadual, membro da executiva estadual da CSP-CONLUTAS e Conselheiro Estadual da APP-Sindicato. Defende que educação e saúde não são e nem devem ser mercadoria, atua na Defesa dos Direitos Humanos, ocupando o cargo de Secretário de Comunicação do Centro Regional de Direitos Humanos, atuando, também, na defesa da Educação Básica e Superior e na luta pela valorização dos servidores públicos, além de ser a favor de mais recursos para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação.  Defende também a realização de auditoria da dívida pública, prevista na Constituição Federal, e que hoje consome cerca de 40% do orçamento da União com o pagamento de juros e amortizações, enquanto que importantes setores para o desenvolvimento do País, como Ciência, Tecnologia e Inovação não chegam a contar com 2%.
Já a candidata à Assembleia Legislativa, Ana Maria de Carvalho, atuou exclusivamente nas áreas de jornalismo e publicidade por três décadas e, desde 2015 é servidora pública municipal, atuando na área de arte e cultura no CAF- Centro de Atendimento à Família, serviço ligado a Secretaria Municipal de Assistência Social. Define a candidatura como ecofeminista, e, além das pautas do partido, defende a valorização e protagonismo da mulher na política e a igualdade numérica de gênero na composição dos poderes legislativos, seja no âmbito municipal, estadual ou nacional. Dentre outras propostas, destaca maior atenção à questão ambiental e a urgente criação da Delegacia da Mulher e de uma Casa de Apoio, para atender mulheres em situação de risco e violência doméstica e de gênero.

Fonte: Assessoria

quinta-feira, 12 de julho de 2018

POLÍTICA



Eleições 2018

O peso do DNA no cenário eleitoral paranaense



por René Ruschel — publicado 12/07/2018 00h30, 
No Paraná, poucas famílias se perpetuam no poder. A trajetória de Beto Richa, do PSDB, é exemplo dessa arcaica tradição
No Paraná, o arcabouço social e político preserva contornos que remontam às Capitanias Hereditárias. Poucas famílias se perpetuam no poder, um privilégio reservado aos bem-nascidos. A trajetória de Beto Richa, do PSDB, é o perfeito exemplo dessa arcaica tradição. Seguindo os passos do pai, o também ex-governador José Richa, disputará nas próximas eleições uma vaga no Senado, após dois mandatos no comando do Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense.
Réu na Justiça Federal e envolvido até a medula em denúncias de corrupção, o tucano busca desesperadamente um cargo eletivo para ter direito ao foro privilegiado, além de lançar a candidatura do filho, Marcello Richa, para a Assembleia Legislativa. O plano era mais ousado: queria eleger o irmão, Pepe Richa, ex-secretário de Infraestrutura e Logística durante seu governo, à Câmara dos Deputados.
O projeto naufragou quando Pepe acabou delatado por um de seus homens de confiança, Nelson Leal Junior, ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem. Por impedimentos legais, a ex-primeira-dama e ainda secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, ainda não se aventurou a disputar uma eleição. Não foi por falta de convites. Seu nome é citado com frequência, notadamente em colunas sociais, como possível candidata tucana à prefeitura de Curitiba em 2020. O clã milita unido e o poder político é o maior foco de suas atividades.
A fórmula utilizada para fixar tal oligarquização familiar no aparelho estatal, segundo o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná e autor do livro Na Teia do Nepotismo, é ocupar o poder e manter um exército político nas estruturas do Estado.
“Beto Richa nomeou o irmão, a esposa e parentes, mesmo que distantes, para funções estratégicas. O filho Marcello foi nomeado secretário municipal pelo prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Requião não foi diferente. Nomeou e elegeu parentes quando foi governador. Com isso, o estado se transforma em comitê a serviço da família de plantão.”
Para Costa de Oliveira, a estratificação social no País é reforçada pela “colonização” do Estado pelas classes dominantes. “No Brasil, a unidade da política é formada pela ação de famílias poderosas. Para elas, o Estado é um grande negócio e sua presença nas instituições é um fato social.” No Paraná, assim como no Brasil, diz Costa de Oliveira, “a classe dominante está enraizada em uma grande estrutura de parentesco que ocupa espaço em todos os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário”.
No pleito de outubro, os principais candidatos a governador têm um longo histórico político-familiar. A governadora Cida Borghetti, do PP, candidata à reeleição, foi vice de Beto Richa. Sua carreira começou como militante do Partido Democrático Social, herdeiro da Aliança Renovadora Nacional, a Arena, que deu sustentação à ditadura.
Casada com Ricardo Barros, deputado federal e ex-ministro da Saúde do governo Temer, Cida foi deputada estadual e federal. Com apoio de ambos, a filha, Maria Victória Borghetti Barros, foi eleita deputada estadual em 2014, aos 22 anos, com votação de quase 45 mil votos. Em 2016, foi candidata a prefeita de Curitiba. A julgar pela trajetória familiar, tem motivos para confiar em um futuro promissor na política.
O avô, Silvio Magalhães Barros, foi deputado federal e prefeito de Maringá. O pai, Ricardo Barros, conseguiu eleger-se prefeito do município aos 29 anos, em 1988. Desde então, teve uma carreira meteórica. Deputado federal por cinco legislaturas, elegeu e reelegeu o irmão, Silvio Magalhães Barros II, prefeito de Maringá, até ser derrotado em 2016, na terceira tentativa. Calculista e pragmático, Barros foi quem negociou com o PSDB a coligação para indicar sua mulher como candidata à vice de Richa.
No Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense, comenta-se que Cida é a governadora “de direito”, enquanto o marido é o mandatário “de fato”. Enquanto isso, em Brasília, dormitam nas gavetas do Supremo Tribunal Federal uma série de pendências jurídicas cometidas contra o Erário e a população de Maringá.
Se as eleições fossem hoje, as pesquisas indicam que o segundo turno seria disputado entre o deputado estadual Ratinho Junior, PSD, e o ex-senador Osmar Dias, PDT. Ambos tiveram suas carreiras políticas à sombra da família.
Ratinho Junior é filho do apresentador de televisão e empresário de comunicação Carlos Roberto Massa, o Ratinho, com breve passagem pela vida pública. Foi vereador em Curitiba e deputado federal pelo Partido da Reconstrução Nacional, sigla que elegeu Fernando Collor de Mello presidente da República. Afastado da política, Ratinho apresenta um programa popular no SBT, além de ser dono de fazendas e de uma cadeia de rádio e televisão no Paraná.
Junior foi eleito deputado estadual, em 2002, aos 21 anos, com 189 mil votos, sem nunca ter exercido qualquer função pública ou política. Toda sua carreira esteve colada à imagem do pai, apresentador de televisão. Em 2006 e 2010, foi eleito e reeleito para a Câmara dos Deputados. Em 2014, com os olhos voltados para a eleição a governador, disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e foi eleito com 300 mil votos, mais de 5% dos votos válidos do estado. Elegeu, a reboque, uma bancada de 11 deputados, que se tornou a maior força política na Casa.
Ex-senador, Osmar Dias disputa o governo do Paraná pela terceira vez. Nas duas anteriores foi derrotado. Engenheiro agrônomo, começou a trajetória política como secretário da Agricultura no governo de Álvaro Dias, hoje senador e pré-candidato a presidente da República pelo Podemos.
Na avaliação de Costa de Oliveira, da UFPR, a prática só costuma ser menor em partidos de esquerda, nos quais as candidaturas costumam ser forjadas pela atuação em movimentos sociais. “Lula foi um grande líder sindical. Dilma teve uma forte militância política na época da ditadura. Luiza Erundina elegeu-se prefeita de São Paulo com apoio dos movimentos sociais. Agora, surge Boulos, líder dos sem-teto. Isso faz uma enorme diferença.”
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/1011/o-peso-do-dna-no-cenario-eleitoral-paranaense

domingo, 25 de fevereiro de 2018

POLÍTICA



PT, PCdoB, PSOL, PDT e PSB se unem por ‘defesa da democracia e reconstrução do país’


Lançamento do manifesto “Unidade para reconstruir o Brasil”. (Foto: Alessandro Dantas)

por Hylda Cavalcanti – Rede Brasil Atual

Parlamentares, políticos diversos, intelectuais e representantes da sociedade civil e de movimentos sociais lotaram hoje (20) o Plenário 4 da Câmara dos Deputados para divulgar oficialmente o manifesto Unidade para reconstruir o Brasil, assinado por fundações de cinco legendas: PT, PCdoB, PSB, PDT e PSOL. O objetivo da iniciativa é permitir que, daqui por diante, mesmo com quatro pré-candidatos à presidência da República lançados por tais siglas, seja possível uma atuação conjunta na luta contra ameaças à soberania nacional, à perda de direitos dos cidadãos e na proteção à democracia.
“Não estamos fazendo aqui uma convergência eleitoral, mas construindo, por meio deste ato, respostas comuns contra essa onda conservadora que vem sendo observada desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016″, disse a presidenta do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE).
O ato foi organizado pelas fundações Perseu Abramo (PT), João Mangabeira (PSB), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT), Maurício Grabois (PCdoB) e Lauro Campos (PSOL).
Além de lembrarem da força do voto dos eleitores para mudar o quadro atual de retrocessos, os integrantes do movimento destacaram, por várias vezes, a intervenção federal decretada na última sexta-feira na área de segurança pública do Rio de Janeiro – vista como o início de uma série de medidas autoritárias que estão sendo programadas. Citaram, também, as tentativas de restringir o processo eleitoral de 2018 com ameaças diversas, dentre as quais o impedimento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
‘Estado de exceção’
A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que a proposta apresentada nesta convergência não representa “um fim, mas um início”. “Vivemos novamente um debate com discriminações fortes e cenas de intolerância. É um momento muito difícil para o Brasil, um momento de anormalidade. A democracia brasileira foi rompida quando houve o impeachment e estão, agora, tentando romper, até mesmo, a baixa democracia que vivemos, com eleições seletivas que impedem determinadas candidaturas.”
No mesmo tom, Luciana Santos destacou que o que une o movimento é a retomada do desenvolvimento do país de modo sustentável e lutas por questões como “uma reforma tributária progressista que taxe grandes fortunas, uma política macroeconômica que possa defender os interesses do setor produtivo brasileiro e que permita a criação de novos empregos, entre outras causas”.
“Estamos aqui para defender a democratização do Estado, um Estado que tem uma estrutura retrógrada, conservadora. Estamos vivendo um estado de exceção. O neoliberalismo se impõe pelo arbítrio e a força e é isso o que estão fazendo no Brasil. Mas há uma grande pedra no caminho desse pessoal que são as próximas eleições. Queremos ter a capacidade política de ter unidade de ação e derrubar outra vez a direita neste país”, ressaltou.
‘Retomada da democracia’
O senador João Capiberibe (PSB-AP) destacou a importância do que foi construído no ato lembrando que “ao longo da história, cada vez que se avança no processo democrático, tivemos uma ruptura. E nos últimos anos não foi diferente”. De acordo com Capiberibe, “o decreto de intervenção no Rio de Janeiro é apenas uma amostra do que está por vir. Já se fala em autonomia do Banco Central também, Por isso, é importante ajudar a construir a unidade que precisamos para a democracia brasileira”.
O evento, concluído com o hino nacional cantado por todos os presentes, contou com o lançamento de um manifesto público. O texto (leia abaixo) enfatiza a importância da reconstrução do país “em prol de uma base programática convergente pela união de amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais que constituam uma nova maioria política e social capaz de retirar o país da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo político de democracia, de soberania nacional e de prosperidade econômica e progresso social”.
“A iniciativa é pioneira. Nós nunca conseguimos no Brasil reunir cinco organizações de esquerda”, afirmou o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo.
Confira abaixo a íntegra do manifesto:
UNIDADE PARA RECONSTRUIR O BRASIL
As Fundações signatárias deste Manifesto, vinculadas a importantes e históricos partidos da esquerda brasileira, expressam a convicção de que, apesar das adversidades, o Brasil tem plenas condições de superar a presente crise.
Entendem que, independentemente das estratégias e táticas eleitorais do conjunto das legendas progressistas, uma base programática convergente pode facilitar o diálogo que construa a união de amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais que constituam uma nova maioria política e social capaz de retirar o país da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo político de democracia, de soberania nacional e de prosperidade econômica e progresso social.
1) Por que um novo projeto nacional de desenvolvimento
Em crise há 10 anos, o capitalismo hegemonizado pela grande finança busca pretensas saídas. Por um lado, recrudesce o neoliberalismo, com a chamada política de austeridade, que corta direitos, liquida com o Estado de Bem-Estar Social, mutila a democracia e assegura os ganhos parasitários e astronômicos ao rentismo. Por outro, vai impondo uma nova ordem neocolonial através da qual açabarca a riqueza das nações e impõe amarras e políticas que negam o direito dos países da periferia e semiperiferia do centro capitalista de se desenvolverem autonomamente.
O governo politicamente ilegítimo de Michel Temer tem atuado, em essência, para subordinar o país integralmente a essa lógica imposta pelas grandes potências.
Estão sendo eliminadas ou mitigadas conquistas de natureza patriótica, democrática e popular alcançadas pela luta do povo brasileiro nos governos Getúlio Vargas e João Goulart – e ainda as conquistas que foram auferidas nas jornadas pela redemocratização do país e que resultaram na Constituição Cidadã de 1988 –, bem como o acervo de realizações do ciclo progressista de 2003-2016, dos governos Lula e Dilma, entre as quais o avanço dos indicadores sociais e a afirmação da soberania nacional.
Oito meses separam o país das eleições de 2018.
Há forte desalento na sociedade, mas, ao mesmo tempo, é grande a vontade do povo de retirar o país da crise e vê-lo reencontrar-se com a democracia e novamente prosperar, distribuir renda.
Mais uma vez a Nação se depara com uma encruzilhada: Ou o país se reencontra com o caminho da democracia, da soberania nacional, do desenvolvimento e do progresso social; ou seguirá na rota, que lhe impôs o governo Temer, do entreguismo, do autoritarismo e do corte crescente dos direitos do povo e da classe trabalhadora.
Aqui se ressaltam, portanto, dois grandes fatores que determinam a necessidade de as forças populares e progressistas elaborarem um novo projeto nacional. Primeiro: vigorosamente repelir a tentativa das grandes potências capitalistas de subordinarem o nosso país aos ditames de uma ordem neocolonial. Segundo: livrar o Brasil desse regime ultraliberal, autoritário, contra o povo e contra a Nação, que vem sendo imposto pelo governo Temer e pelos partidos conservadores e as grandes forças econômicas internas e externas que lhe dão apoio.
Um Projeto Nacional de Desenvolvimento que dê resposta aos dilemas e desafios da contemporaneidade. E que tenha em conta as ameaças, mas também as oportunidades, de um cenário internacional, no qual a crise da globalização neoliberal e a emergência de novos polos de poder que superam a realidade de um mundo regido por uma única superpotência são fatores que favorecem a realização de projetos nacionais de desenvolvimento soberano, autônomo e próprio. Um Projeto Nacional de Desenvolvimento situado na dinâmica da história nacional e no curso concreto da trágica realidade atual de nosso país.
2) Elementos para um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento
As Fundações signatárias entendem que a elaboração de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento é uma obra coletiva. Deve conter o saber acumulado sobre a realidade brasileira de amplos setores da Nação e dos trabalhadores, pois é no curso da luta concreta, e em torno de ideias programáticas que descortinem o horizonte e as saídas para o Brasil, que se constituirá a convergência de amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais. Essa convergência é indispensável para retirar o país da crise e proporcionar-lhe a abertura de um novo ciclo político de prosperidade e melhora da vida do povo. Tendo em vista a contribuição com o debate já em andamento, no âmbito das forças populares e progressistas, destacamos tanto tarefas imediatas quanto diretrizes ou temas relevantes de um Novo Projeto Nacional de desenvolvimento.
a) Tarefas imediatas
– Restauração da democracia, do Estado Democrático de Direito, do equilíbrio entre os Poderes da República.
– Garantia da realização das eleições de 2018, com pleno respeito à soberania popular; e não a proposta casuística do parlamentarismo e do semipresidencialismo.
– Defesa da soberania nacional e do patrimônio do Brasil, contra as privatizações e concessões criminosas, em especial da Petrobras e da riqueza do pré-sal. Defesa da Petrobras, da Eletrobrás e das empresas brasileiras estratégicas ao desenvolvimento.
– Retomada imediata do crescimento econômico. Para tal, deve-se focar na elevação dos investimentos, no estímulo à produção e à geração de empregos. Manutenção dos direitos do povo, valorização do trabalho, distribuição de renda, redução das desigualdades sociais e regionais.
– Defesa do patrimônio público, combate à corrupção com os instrumentos do Estado Democrático de Direito e a implementação das reformas estruturais democráticas.
b) Diretrizes para um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento
– Articulação sistêmica da soberania nacional e da questão social, com ênfase na redução das desigualdades sociais e afirmação da causa democrática. Pelos condicionantes da realidade mundial e da presente situação nacional, ganha relevância o desenvolvimento soberano do país como vértice para se realizarem as amplas potencialidades do Brasil e do seu povo. Realização progressiva das reformas estruturais democráticas, convergentes com um novo projeto nacional, que impulsionem o desenvolvimento e resultem em distribuição de renda.
– Estado nacional forte, portador de um projeto para a Nação, refratário à concepção oportunista e omissa do Estado mínimo neoliberal. Estado reestruturado por reformas que o democratizem, como a do Judiciário e da Política. Estado capaz de defender os interesses do país e repelir as imposições do rentismo e do imperialismo. Reforma Administrativa: Novos métodos de profissionalização, valorização, seleção e formação da burocracia estatal. Estado capaz de planejar e impulsionar o desenvolvimento voltado para assegurar os direitos da maioria do povo brasileiro. Estado que promova um novo Federalismo que busque erradicar as desigualdades regionais e os desequilíbrios nas relações institucionais entre a União, o Distrito Federal, estados e municípios.
– Ampliação e fortalecimento da democracia, aumento da participação do povo nas decisões do País, com o aprimoramento das formas de democracia direta e participativa. Enfrentar a crise de representatividade política com uma efetiva reforma política democrática. Democratizar a comunicação, hoje monopolizada, e assegurar à sociedade efetivo direito à informação e à interpretação plural dos fatos.
– Defesa da soberania nacional, do patrimônio e da economia nacional, da soberania energética. Política Externa que promova a inserção soberana do Brasil no cenário mundial, diversifique os parceiros comerciais, fortaleça o desenvolvimento do país, defenda a paz e a autodeterminação dos povos e promova a integração com os vizinhos e o conjunto dos países latino- americanos e caribenhos. Aplicar políticas, assegurar meios e recursos para fortalecer a Defesa Nacional – o que requer garantia de crescente modernização e robustecimento das Forças Armadas para o cumprimento de sua missão constitucional e exclusiva defesa da soberania nacional.
– Retomada do crescimento econômico associado à redução das desigualdades sociais, geração de empregos e distribuição de renda. Questão essencial para o país sair da crise é superar a recessão e retomar o crescimento. Além do papel do Estado, já assinalado como planejador e indutor do desenvolvimento, é imperativo elevar a taxa de investimentos públicos e privados. Incentivar os investimentos produtivos e desestimular a especulação financeira e rentista. O reaquecimento da economia e a sua retomada requerem ações simultâneas de política econômica. O indispensável papel dos bancos públicos, em especial do BNDES, como base do financiamento de longo prazo que deve ser restaurado; os spreads bancários devem ser reduzidos e o consumo popular incentivado. É necessário buscar o acesso a investimentos externos, como o do Brics (acrônimo de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). É decisivo o papel das estatais, especialmente da Petrobras. Impõe-se, igualmente, uma nova política macroeconômica que supere o longo ciclo de juros elevadíssimos e câmbio apreciado com danosas consequências, entre as quais o processo de desindustrialização. Essa nova orientação deve ter a missão de expandir e sustentar investimentos em infraestrutura e inovação tecnológica, reduzir estruturalmente a taxa real de juros, manter sob controle a dívida pública, assegurar o equilíbrio fiscal do Estado e defender a moeda. O crescimento da economia a taxas robustas deve estar voltado e associado à redução das desigualdades sociais. Nesta direção se ressalta a urgência de se efetivar a Reforma Tributária progressiva que tribute mais os detentores de fortunas, as riquezas e rendas elevadas; promova gradual desoneração da produção e do consumo; e desonere a remuneração do trabalho. A redução das desigualdades sociais e regionais fortalece e dinamiza o mercado interno – o que, por sua vez, incrementa o crescimento econômico.
– No contexto da chamada 4ª Revolução Industrial, o Brasil é desafiado a se reindustrializar e modernizar seu parque produtivo. Há fortes imposições externas e internas no sentido de restringir o Brasil à condição de mero exportador de commodities, que devem continuar a ser valorizadas, mas não podem ser absolutizadas como único trunfo econômico do país. A indústria segue como um setor-chave para o desenvolvimento, para a oferta de melhores empregos, para a inovação tecnológica e, consequentemente, para o aumento da produtividade do trabalho. Impõem-se investimentos elevados em ciência, tecnologia e inovação que alavanquem a indústria nacional a um novo patamar tecnológico, credenciando-a a competir na acirrada disputa do mercado mundial. É preciso aperfeiçoar a institucionalidade do Sistema Nacional de CT&I, atuando em estreita ligação com os estados, com a comunidade científica e tecnológica e com as organizações empresariais. Setores como os de bem de capital e da Defesa, a cadeia produtiva do petróleo, gás e biocombustíveis, fármacos e petroquímica, a construção civil e a agropecuária têm rico potencial de alavancar o crescimento econômico, na perspectiva de superação da dependência do setor primário-exportador na balança de pagamentos. A Petrobras deve ser fortalecida, o regime de partilha na área do pré-sal deve ser mantido, bem como a política de conteúdo local. A política industrial requer uma forte infraestrutura que integre e articule as regiões do país, bem como a produção em grande escala de energia a partir de fontes limpas, uma vez que o país as possui em elevado potencial.
– Restabelecimento de políticas públicas necessárias à redução progressiva das desigualdades de renda e de oportunidades com: a retomada da geração de emprego e renda, a partir da estratégia do Estado, impulsionando o setor privado; a valorização do trabalho; a efetiva garantia dos direitos sociais; medidas para elevação da renda do trabalho e da massa salarial; política institucionalizada de valorização do salário-mínimo e garantia de aposentadoria digna; apoio ao cooperativismo, ao associativismo e à economia solidária; recuperação das políticas de combate à fome, fortalecendo o conjunto de políticas de inclusão social; e realização das reformas Urbana e Agrária.
– Proteção do meio ambiente com desenvolvimento sustentável de todos os biomas e regiões, defesa da biodiversidade e do nosso patrimônio genético. A sustentabilidade do desenvolvimento impõe que os avanços socioeconômicos sejam complementados – ao invés de se oporem – pela proteção e pelo uso sustentável do meio ambiente. Atenção especial à segurança hídrica, pois, embora o país possua 12% da reserva mundial de água doce, ela segue enfrentando riscos de desabastecimento.
– Fortalecimento da Educação como um setor estratégico do desenvolvimento nacional. O direito à educação é fundamental para que seja materializado todo o conjunto de direitos humanos e sociais, e construída a justiça social. Fortalecer a educação pública tendo como eixo o Plano Nacional de Educação (PNE) que, entre outras metas, fixou como objetivos: 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor e a educação integral para os ensinos fundamental e médio.
– Resgate, criação e fortalecimento das políticas sociais universais que venham a assegurar o direito ao trabalho digno, à seguridade social, à previdência, à saúde e à assistência social, à educação e à cultura.
– É indispensável o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com mais investimentos, aprimoramento da gestão, valorização e formação dos profissionais de saúde, implementação de programas e projetos de promoção da saúde e prevenção das doenças.
– O tema da Segurança Pública assume grande importância devido ao crescente número de perda de vidas, de vítimas de delitos e violências, afetando sobretudo o povo e as comunidades das periferias das cidades. Impõe-se uma política efetiva de redução desses indicadores. As estratégias de prevenção devem ser articuladas com estratégias de coerção qualificada, com foco em informação, tecnologia e gestão. É preciso construir um Pacto Federativo que estabeleça as competências da União, de estados e municípios. Pacto este que pode ser estruturado em três eixos: política nacional de redução de homicídios; política criminal e prisional de âmbito nacional; e cultura da paz e valorização da vida. É preciso, também, uma reforma penal e penitenciária que elimine a caótica situação dos presídios do país. De igual modo, impõe-se uma revisão completa da política atual de combate ao tráfico de drogas, patrocinando um amplo debate sobre os limites da legislação relativa ao consumo de entorpecentes e os efeitos desastrosos da chamada “guerra às drogas”.
– A emancipação das mulheres é uma condição indispensável para o avanço civilizacional. São necessárias políticas públicas que contribuam para superar preconceitos e discriminações e combatam eficazmente a violência contra elas desferida. E, ainda, políticas que incentivem e assegurem seus direitos na esfera do trabalho, na educação, na saúde e promovam seu empoderamento.
– Na esfera dos direitos humanos e no esforço de construção de uma sociedade que supere preconceitos, destaca-se a luta contra o racismo e por políticas de promoção da igualdade social para os negros; pela proteção, efetivação e garantia dos direitos das etnias indígenas; por políticas de combate às opressões e discriminações que desrespeitem a liberdade religiosa; pela defesa da livre orientação sexual, dos direitos da população LGBT, combate às violências e discriminações de que são vítimas; pela garantia dos direitos de crianças, adolescentes, jovens e idosos; e por políticas de acessibilidade universal para as pessoas com deficiência.
Finalmente, as Fundações que firmam este Manifesto sublinham uma vez mais que um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento demanda o trabalho de um número infindável de mãos, cérebros e corações. O texto que ora apresentam para exame e debate não é um ponto de chegada, mas sim de partida. Convidamos outras Fundações e instituições congêneres do campo democrático, e lideranças e personalidades de diversos setores da sociedade e dos movimentos, a se agregarem ou dialogarem conosco para o êxito da importante tarefa em tela. Tal como a realidade vem demonstrando não será fácil, mas o Brasil – com a união e a luta das forças progressistas da Nação, do povo e da classe trabalhadora – vencerá uma vez mais!
Brasília, 20 de fevereiro de 2018
Francisvaldo Mendes de Souza– Fundação Lauro Campos
Manoel Dias – Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini
Marcio Pochmann – Fundação Perseu Abramo
Renato Casagrande – Fundação João Mangabeira
Renato Rabelo – Fundação Maurício Grabois
Fonte: https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/politica/2018/02/pt-pcdob-psol-pdt-e-psb-se-unem-por-defesa-da-democracia-e-reconstrucao-do-pais/

domingo, 2 de julho de 2017

NARCOTRÁFICO NO BRASIL*



Misha Glenny: “Os grandes traficantes brasileiros não moram nas favelas”

Escritor autor de livro sobre o Nem da Rocinha critica política de guerra às drogas


Publicado  em São Paulo  em 

O escritor Misha Glenny. 

Os caminhos da cocaína desde que a folha da coca é colhida por camponeses latino-americanos até chegar às narinas dos exigentes consumidores da Europa ou dos Estados Unidos deixam um rastro de morte no terceiro mundo. E o Brasil, com seus 50.000 homicídios anuais, não é exceção. Não se trata, no entanto, de óbitos provocados pela overdose da droga. São uma consequência direta das infinitas batalhas por rotas e mercados, embates travados em nome da chamada "guerra às drogas". Crítico da política proibicionista liderada por Washington e Europa e imposta aos países produtores e distribuidores, o jornalista inglês Misha Glenny, que já mergulhou na rede do crime organizado transnacional em McMáfia (Companhia das Letras), agora aborda o impacto do "fracasso da guerra às drogas" na vida de um indivíduo em particular: o traficante de drogas Nem da Rocinha. Sua história é contada no livro O Dono do Morro: Um homem e a batalha pelo Rio (Companhia das Letras). O autor, que estará na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) este ano, conversou com o EL PAÍS no final de junho.

Pergunta. Qual a diferença entre o traficante que atua na favela, como o Nem, e o grande traficante, como o mexicano El Chapo Guzmán?
Resposta. Existem dois tipos básicos de traficantes no Brasil. O primeiro são os traficantes como o Nem, que atuam na ponta do varejo e distribuem a droga nas áreas urbanas ao longo da costa brasileira. A cocaína vem da Bolívia, Peru ou Colômbia, e parte dela é entregue nas cidades, levada pelos matutos. Eles se encarregam de levar a droga na mochila, de ônibus ou carro, e são parte fundamental do abastecimento das cidades. Cerca de 50% da droga vendida no varejo é entregue para as facções criminosas pelos matutos, que são pessoas de diversas nacionalidades, e não são especialmente ricos.
O Nem, no contexto doméstico do tráfico de drogas do Rio de Janeiro, era uma figura muito importante. Mas o papel do Nem não tem nada a ver com o papel do El Chapo Guzmán no México, por exemplo. O Chapo faz parte do segundo tipo de traficante, que atua no atacado, que abastece os mercados mais ricos. Esse segundo perfil também existe no Brasil, só que os Chapos do Brasil não têm a mesma origem social que o mexicano, que nasceu em um bairro pobre. Quem faz esse serviço no Brasil costuma ser pessoas de classe média e classe alta que têm negócios legítimos operando, geralmente nas áreas de transporte e agricultura. Acontece que os lucros desses negócios são multiplicados quando eles utilizam essa rede de logística para transportar toneladas de cocaína através do país. Já descobriram carregamentos de cocaína dentro de carne bovina brasileira que seria exportada pra Espanha, por exemplo.
As drogas atravessam o Brasil e deixam o país principalmente pelos portos de Santos e do Rio de Janeiro, e são vendidas no atacado para uma variedade de destinos como países do oeste da África, Espanha, os Balcãs, Holanda e Irlanda. Essa é a função primária do Brasil no mercado global da cocaína: entregar a droga das áreas de produção em grandes quantidades para outros países.
P. São perfis completamente distintos de traficantes no atacado e no varejo...
R. Esses dois perfis de traficantes tem muito pouco a ver entre si. Os lucros do negócio doméstico do tráfico de cocaína que abastece o Brasil - o país é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo – não chegam nem perto do negócio de exportar a cocaína para a Europa. As margens de lucro crescem exponencialmente com a exportação.
"O perfil social dos envolvidos no tráfico do atacado no Brasil não tem nada a ver com a figura do bandido morador de favela que existe no imaginário da população."
O perfil social dos envolvidos no tráfico do atacado no Brasil não tem nada a ver com a figura do bandido morador de favela que existe no imaginário da população. A única pessoa que circulou pelos dois mercados, atacado e varejo, foi o Fernandinho Beira-Mar, do Comando Vermelho [o traficante foi preso em 2002 na Colômbia, e havia construído uma rede de contatos com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia para comprar e exportar a droga pelo Brasil].
P. Qual a marca da gestão do Nem na Rocinha?
R. A Rocinha é uma favela muito fácil de defender, ela tem praticamente duas entradas, uma na parte alta e outra na baixa. Isso significa que o Nem não precisou investir tantos recursos na defesa da favela, em armas. Ele pode simplesmente investir mais recursos no negócio da cocaína, e ele aliou isso a uma redução da violência e do uso ostensivo de armas na comunidade. Isso fez com que as pessoas se sentissem seguras para comprar a droga lá, ele atraiu muitos consumidores de classe média que se abasteciam lá por saber que a favela era pacífica.
Logo o faturamento bruto do tráfico subiu muito sob sua gestão. E ele investia parte desses recursos em duas outras coisas: primeiro na comunidade. Para que ela se sinta cuidada, feliz, próspera, ele injetava dinheiro na favela e fez com que a economia local florescesse. E, em segundo lugar, usava o dinheiro para corromper a polícia. Investigadores me disseram que ele tinha informantes na Polícia Civil e na Militar, gente de médio escalão, que o alertava sobre batidas e operações na Rocinha. Tudo isso para garantir seu poder político na comunidade.
P. A impressão que se tem ao ler o livro era de que o Nem era um traficante que evitava a violência. Isso não é romantizar um criminoso?
R. Eu não falei somente com o Nem para escrever o livro. Falei muito com os investigadores e delegados da Polícia Civil que monitoravam ele e a Rocinha. E também com o José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública do Rio. Todos foram claros: Nem evitou violência sempre que pôde. O pilar de sustentação dele era a corrupção. Esse era seu mais importante instrumento para consolidar o poder na Rocinha e seus negócios. Isso quem diz é o Beltrame e os policiais, não os moradores.
"O pilar de sustentação dele era a corrupção, esse era seu mais importante instrumento para consolidar o poder na Rocinha e seus negócios."
P. No livro você fala sobre a diferença entre a imagem construída pela imprensa sobre o Nem e a visão que os moradores da Rocinha tinham dele. Por que essa diferença?
R. Foi muito interessante. Eu estava no Rio em 2011 quando o Nem foi preso. Foi um evento público, um acontecimento. E foi impressionante como ele foi considerado herói por metade da cidade e um demônio pela outra. Para mim isso refletiu não apenas a divisão da sociedade carioca, mas também da sociedade brasileira como um todo. Dentro da Rocinha o apoio a ele é enorme. Eu morei lá por três meses, falei com muita gente sobre os tempos do Nem. Eles dizem "sim, ele fez algumas coisas erradas, mas a violência era muito menor, a economia prosperava e todos tinham acesso a ele". Hoje em dia os moradores têm muito mais medo...
P. A Rocinha está pior agora com a Unidade Policial Pacificadora (UPP) do que nos tempos do Nem?
R. A situação lá agora é pior. A UPP está entrando em colapso no Rio. A monumental crise política, econômica e constitucional pela qual o país passa complica muito a situação da segurança pública. O impacto disso no Rio é enorme. Semanas atrás houve tiroteio na Rocinha. O Complexo do Alemão é uma catástrofe. Assim como outras favelas com UPP. No final de junho houve o resgate do Fat Family [apelido do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus] de um hospital do centro do Rio... Tudo pode acontecer a qualquer momento. E no Rio ninguém sabe o que vai acontecer durante os Jogos. Ninguém arrisca fazer uma previsão. Acho que o Governo do Estado vai alocar recursos suficientes para a segurança até o fim dos Jogos Olímpicos, mas depois disso...
P. Por que o Primeiro Comando da Capital  (PCC), facção criminosa baseada em São Paulo mas com presença nacional, não se consolidou no Rio de Janeiro?
R. O PCC olha para o Rio e diz “obrigado, mas não obrigado”. A situação lá é um caos. E é uma consequência da geografia do Rio, as facções são muito ligadas ao território. E a hostilidade entre elas é profunda. Aparentemente o PCC decidiu manter relações comerciais com as três: Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Amigos dos Amigos. Acho que o PCC gostaria de ter uma posição mais forte no Rio, mas devem ter avaliado que não vale a pena, a violência e a hostilidade são muito grandes.
P. Qual o efeito da política proibicionista com relação às drogas nos países produtores de cocaína e maconha?
R. Você tem três zonas do negócio da cocaína. As áreas produtoras, que são Colômbia, Peru e Bolívia; as zonas de distribuição, que são Brasil e México; e você tem os polos de consumo, que geralmente são países desenvolvidos do mundo ocidental. Como os Estados Unidos, que têm 5% da população mundial e responde por 40% do consumo global de cocaína. E Europa. Sempre que você se torna parte da rota da droga e entra para a zona de distribuição, você desenvolve seu mercado interno. E invariavelmente a situação sai do controle, porque há muita droga entrando no país, lucros astronômicos a serem obtidos e as forças policiais não têm a estrutura e os recursos para reagir. Na prática o Estado não tem condições de vencer a chamada guerra contra as drogas.
"No Brasil ocorrem mais de 50.000 homicídios por ano, é o mais violento em números absolutos. E de acordo com pesquisas, mais de 50% dessas mortes são consequência direta da guerra às drogas."
E aí essa guerra se torna uma parte muito importante, mas ilegal da economia. E por ser ilegal, as armas acabam fazendo parte fundamental do negócio. No Brasil ocorrem mais de 50.000 homicídios por ano, é o mais violento em números absolutos. E de acordo com pesquisas, mais de 50% dessas mortes são consequência direta da guerra às drogas. E não é gente que morreu de overdose: é gente que teve a garganta cortada, foi assassinada. E isso é responsabilidade de quem formula essa política ocidental de combate às drogas. Precisamos desesperadamente de reformas nas leis de droga.
P. Você vislumbra uma reforma nessa política de drogas num futuro próximo?
R. Sim. Uma das razões pelas quais estamos vendo apoio a essas reformas vindo do México e da Colômbia, por exemplo, e também em menor escala no Brasil, é porque são mexicanos, colombianos e brasileiros que estão pagando o preço em vidas humanas por uma política falida implementada por Washington. Mas à medida em que os Estados Unidos, Canadá e partes da Europa começam a fazer parte da zona produtora, num processo lento mas constante, com grandes plantações de maconha no Canadá e nos EUA, por exemplo, eles não querem a violência associada à guerra às drogas em suas ruas. Por isso nestes países cresce o apoio às reformas na legislação.
P. As experiências do Uruguai e do Colorado, que legalizaram a maconha para uso recreativo, são positivas?
R. O Colorado, no seu primeiro ano da legalização da maconha, coletou 76 milhões de dólares em impostos, valor duas vezes maior do que o arrecadado com impostos sobre bebidas alcoólicas. Eles perceberam que há muito dinheiro a ser feito aqui.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/24/politica/1466791253_323836.html?id_externo_rsoc=FB_CM
Colaboração: Rafhael Fumagali
* Título editado