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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

GOVERNO GENEROSO




Brasil perdoa 1 trilhão de reais em dívidas de grandes donos de terras*

No Brasil, 1% das propriedades rurais ocupa quase metade das áreas agrícolas e de pecuária, e esses grandes proprietários devem para a União quase 1 trilhão de reais em impostos.

De todas as propriedades rurais no Brasil, 1% delas ocupa quase metade das áreas agrícolas e de pecuária. Na outra ponta, metade das propriedades ocupa apenas 2,3%  das terras. É o que constata o relatório Terra Poder e Desigualdade na América Latina, elaborado pela OXFAM Brasil, entidade ligada à universidade de Oxford, na Inglaterra. A diretora da OXFAM Brasil, Katia Maia, diz que essa concentração de terra é muito ruim. “[ ... ]  você tem um processo histórico que vem concentrando a terra, e a terra  muito vinculada ao poder e a politica, sempre historicamente. E, quando se analisa o processo de reforma agrária no Brasil, vemos que o país nunca passou por um processo de reforma agrária profundo, que, tanto realizasse a distribuição da terra, como promovesse a capacitação e  destinasse incentivos, os investimentos e o apoio necessário  para o crescimento, ou, no mínimo, a estabilização daqueles que recebem as terras”, analisa ela.

Além da concentração de terras, os grandes proprietários também são privilegiados pelo governo e pelos poder legislativo, graças aos fortes lobbys e a bancada ruralista. O documento constata que a carga tributária recolhida pelo imposto sobre a propriedade rural, o ITR, foi de apenas 0,9 dos impostos em 2014. Além disso, a pesquisa mostra que 4 mil pessoas físicas e empresas donas de terras, devem 906 bilhões de reais para União. Mas tem mais, uma medida provisória do governo Temer, de número 733 (sancionada e transformada na lei  nº 13.340/2016)** dá descontos de 60 à 95% das dívidas.  Sancionada em setembro passado, a lei exclui as dívidas de menos de R$ 15 mil.

Kelly Maforte, da coordenação do MST diz que ”estamos falando de uma dívida absurda, vergonhosa, que se fosse revertida aos cofres públicos, poderia assentar pelo menos 200 mil famílias ou até mais que isso”.  O estudo também constatou que a desigualdade de gênero também está presente no campo, as mulheres estão a frente de apenas  12% das propriedades, e controlam somente 5,5%  das áreas rurais, afirma a OXFAM.

Katia Maia considera importante a desconcentração da posse de terra através de programas de reforma agrária. “A retomada da reforma agrária, como uma política prioritária para o desenvolvimento da agricultura e também para o tema da justiça social, é um aspecto importante para o Brasil. Outro aspecto que nos preocupa muito, são as medidas do novo governo em relação à agricultura familiar e a importância da manutenção de programas criados a partir da luta dos movimentos sociais, como o Programa Nacional da Agricultura Familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa de Merenda Escolar, todos eles programas que vinculam a alimentação local das comunidades à produção agrícola daquela localidade”, relata ela.



* Editado
**Mais detalhes em http://www.afbnb.com.br/noticias_detalhes.php?cod_noticia=14787 e http://direitorural.com.br/blog/sancionada-a-mp-733-agora-lei-n-13-3402016/


Fonte: http://falandoverdades.com.br/2017/01/14/o-pais-quebrado-pelo-pt-perdoara-1-trilhao-em-dividas-de-grandes-donos-de-terras/

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

DESIGUALDADE SOCIAL



1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo

  • 18 janeiro 2016
ReutersImage copyrightReuters
Image captionOxfam fez apelo a líderes reunidos em Fórum Econômico Mundial de Davos para que discutam e adotem medidas contra desigualdade
A riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes.
Essa é a conclusão de um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.
O relatório também diz que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo - em riqueza - que toda a metade mais pobre da população global.
O documento pede que líderes do mundo dos negócios e da política reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa nesta semana, na Suíça, tomem medidas para enfrentar a desigualdade no mundo.
A Oxfam critica a ação de lobistas - que influenciam decisões políticas que interessam empresas - e a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais.

Ressalvas

Segundo o estudo da Oxfam, quem acumula bens e dinheiro no valor de US$ 68 mil (cerca de R$ 275 mil) está entre os 10% mais ricos da população. Para estar entre o 1% mais rico, é preciso ter US$ 760 mil (R$ 3 milhões).
Isto significa que uma pessoa que possui um imóvel médio em Londres, já quitado, provavelmente está na faixa do 1% mais rico da população global.
No entanto, há várias ressalvas a estes números. O próprio Credit Suisse reconhece que é muito difícil conseguir informações precisas sobre os bens e dinheiro acumulados pelos super-ricos.
O banco diz que suas estimativas sobre a proporção de riqueza dos 10% e do 1% mais ricos "podem estar subestimadas".
Além disso, os números incluem estimativas colhidas em países nos quais não há estatísticas precisas.
A Oxfam afirmou que o fato de as 62 pessoas mais ricas do mundo acumularem o equivalente à riqueza dos 50% mais pobres da população mundial revela uma concentração de riqueza "impressionante", ainda mais levando em conta que, em 2010, o equivalente à riqueza da metade mais pobre da população global estava na mão de 388 indivíduos.
"Ao invés de uma economia que trabalha para a prosperidade de todos, para as geração futuras e pelo planeta, o que temos é uma economia (que trabalha) para o 1% (dos mais ricos)", afirmou o relatório da Oxfam.

Tendência

A Oxfam verificou que a proporção de riqueza do 1% dos mais ricos vem aumentando a cada ano desde 2009 - depois de cair de forma gradual entre 2000 e 2009.
A ONG britânica pede que os governos tomem providências para reverter esta tendência. A Oxfam sugerem a meta, por exemplo, de reduzir a diferença entre o que é pago a trabalhadores que recebem salário mínimo e o que é pago a executivos.
A organização também quer o fim da diferença de salários pagos a homens e mulheres, compensação pela prestação não remunerada de cuidados a dependentes e a promoção de direitos iguais a heranças e posse de terra para as mulheres.
A ONG britânica quer também que os governos imponham restrições ao lobby, reduzam o preço de medicamentos e cobrem impostos pela riqueza em vez de impostos pelo consumo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn?SThisFB