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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

ANA MARIA PRIMAVESI



AGRICULTURA03 de Outubro de 2018


Ana Maria Primavesi, expoente maior da agroecologia, completa 98 anos

Biógrafa escreve com exclusividade sobre como a engenheira agrônoma conciliou as leis da natureza com a agricultura, revolucionando as práticas agrícolas

POR VIRGÍNIA MENDONÇA KNABBEN*

Ainda hoje, acreditem, completados 98 anos de idade e cerca de 70 de trabalho como engenheira agrônoma, Ana Primavesi não tem consciência do quanto significou e significa para o desenvolvimento da agricultura, ou melhor, da agroecologia, no mundo.


Por mais de uma vez, ao sentar para almoçar ou depois de participar de algum encontro ou evento no qual era a convidada de honra, ela comentou: “eu não entendo porque as pessoas gostam tanto de mim.” Ou: “As pessoas me adoram tanto e eu não sei por quê.” “Não sabe, doutora?”, pergunto verdadeiramente surpresa. Ela faz que não com a cabeça, e pronto, o assunto já passou.
Ela foi a primeira mulher a afirmar, num meio exclusivamente masculino, que o solo tem vida
Pode até parecer presunção àqueles que nunca conviveram com ela lerem essa história, mas Primavesi não entende mesmo. “Como podemos ser premiados por fazermos o que é o certo?” ela disse noutra vez, com toda razão. É que para ela era natural trabalhar com o solo vivo, tentando reproduzir ao máximo o que a natureza já faz. Era óbvio.

Andando a seu lado na ocasião de um Congresso de Agroecologia em Botucatu, em 2013, o encontro fortuito com o Mito (sim, esse é o verdadeiro Mito) transformava adultos em crianças; os rostos se voltavam num espanto; incrédulos apertavam os olhos para terem certeza de que era ela mesmo.

Em uma marcha lenta com sua bengala mas com andar firme, Primavesi tenta chegar ao palco do evento que a homenageava, deixando para trás centenas de fotos tiradas freneticamente. Recebe a placa das mãos de Maristela Simões do Carmo, sua amiga e professora de longa data e agradece humildemente. Os cinco minutos de aplausos ininterruptos a constrangem, mas não há o que fazer. Na plateia, olhos brilhantes de lágrimas expressam a emoção de estar diante de Ana Maria Primavesi, a primeira mulher a afirmar, num meio exclusivamente masculino, que o solo tem vida. A pessoa que ensinou com linguagem simples o que todos podem e conseguem entender. Aquela que nos aproximou de nós mesmos pela origem de tudo, a terra, e integrou saberes, tornando-nos autônomos em nossas práticas.
Paixão pelo solo
Ana Primavesi trabalhou com o solo, sua paixão, a vida toda. Quando ainda estava na Universidade Boku, em Viena, na Áustria, a Segunda Guerra tinha ceifado a vida de seus dois irmãos mais velhos. Seu pai, Sigmund Conrad, fora recrutado também, como foram todos os homens. Logo tomou um tiro de dum-dum no tornozelo e quase perdeu o pé, que ficou pendurado pelo que restou de pele. Isso lhe custou três anos num hospital de guerra (chamado lazareto), e coube à mais velha das filhas assumir as responsabilidades em casa.
Ana Maria Primavesi tem a capacidade de juntar tudo, de fazer com que o difícil se torne familiar, com que as relações se apresentem de forma simples e que a natureza seja encarada com ternura.
Estudar naquele contexto era até uma teimosia. Ela conta que Hitler fez de tudo para que os estudantes desistissem da Universidade. Não conheciam aquela moça cujo sobrenome quase chamou-se “determinação” e que tinha conseguido salvar o pai de uma execução sem a ajuda de nenhum advogado, de ninguém. Enfim ela se formou, fez o doutorado e acumulou em sua bagagem a experiência pesada da Guerra. No convívio com professores magistrais se constituiu e, sobretudo, desenvolveu a compreensão (única) de como funciona a vida do solo.
Quando a guerra acabou, Ana tinha 25 anos. Casou-se com o também engenheiro agrônomo Artur Primavesi e, diante de uma Europa destruída e traumatizada, o casal decidiu vir para o Brasil. Foi aqui que Ana passou a viver na e da agricultura. No começo, mais nos bastidores, porque os filhos exigiam sua atenção. À medida que cresciam (ela teve três), voltava à ativa, mas nunca deixou de auxiliar Artur tecnicamente.
Aqui, enfrentaria outra guerra. Quanto mais defendia a vida do solo, ou mais didáticos eram suas palestras e livros, mais era acusada de não ser científica. Os ataques constantes não a demoveram. “Tenho certeza do que estou falando”. Não era uma certeza para sobressair sobre um ou outro, numa luta de egos. Eram as leis da natureza que ela defendia, a agricultura deveria trabalhar ao máximo para mantê-las, pois a prática agrícola já é algo agressivo, antinatural.
Os ataques constantes não a demoveram. “Tenho certeza do que estou falando"
​Ana ousava. Falava de colêmbolos, bactérias e nematoides, de “compounds” entre os elementos químicos e deficiências minerais, e emendava nesse contexto as historinhas mais queridas das formigas que “dançam” encontradas em Sorocaba, do boi que comia as correspondências do governo em Fernando de Noronha ou da “dona cobra”, uma cascavel que vinha cumprimentar os visitantes de sua fazenda em Itaí balançando seu chocalho. Esse talvez seja um dos maiores atrativos nela: a capacidade de juntar tudo, de fazer com que o difícil se torne familiar, com que as relações se apresentem de forma simples, e que a natureza seja encarada com ternura. Ainda finalizava suas apresentações com fotos Kirlian, imagens que revelavam a energia das plantas e os efeitos maléficos das pulverizações de agrotóxicos e das deficiências minerais provocadas pela adubação química.
Para os catedráticos aquilo era uma afronta à ciência, tão difícil e limitada a “poucas inteligências.” Mas para os agricultores de fato, aqueles que lidavam com a essência da natureza, era o alimento fundamental para suas práticas. Ana encantava, desbravava. Contava, por exemplo, que o jatobá é uma árvore cuja seiva é tão rica em minerais que dava-a aos filhos como suplementação mineral, não sem antes pedir à árvore permissão para sua retirada. Eles nunca precisaram tomar vitaminas.

Hoje celebramos seu quase centenário. Nosso jatobá sagrado da agricultura, imponente, completa 98 anos, mais de setenta dedicados à ciência do campo. Quanta vida! Quanto aprendizado.

Ana Primavesi, querida árvore mestra. A matriz de todos nós.
* Virgínia Mendonça Knabben é geografa e professora. Em 2016, publicou a biografia Ana Maria Primavesi, histórias de vida e agroecologia, que deu início à reedição da obra de Ana Maria Primavesi, pela editora Expressão Popular.

Fonte: https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2018/10/ana-maria-primavesi-expoente-maior-da-agroecologia-completa-98-anos.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compartilharDesktop

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O SOLO E AS ÁGUAS NAS CIDADES



VOCÊ QUER MESMO SALVAR UM CÓRREGO?



TEXTO E FOTOS: CESAR ROBERTO SCHEFFLER

Quando se trata de estabelecer áreas de proteção ambiental em torno de córregos, no seio de uma cidade, não basta cercar as áreas supondo que, desta forma, permanecerão intocadas e recuperar-se-ão espontaneamente.
APP separada da urbanização por um muro: sem transição, 
chega até este toda a infraestrutura, inclusive as galerias
pluviais. Mas para onde vão essas águas?
Isso porque a urbanização continua exercendo pressão sobre elas, de várias formas. Geralmente tornam-se espaços da clandestinidade, terra de ninguém, onde as pessoas procuram driblar as leis por meio de diversas práticas mais ou menos condenáveis; deposita-se toda espécie de materiais indesejados, restos de poda, caliça da construção civil, móveis e objetos velhos; e surgem frequentadores que raramente demonstram alguma preocupação ambiental, ou mesmo o conhecimento do propósito para o qual tais áreas são destinadas, que é o da preservação.
            Juntam-se a estas ocorrências as torrentes inevitáveis que desembocam nestas nascentes e fundos de vale por ocasião das chuvas, pelo simples fato de que este é o caminho natural das águas, submetidas exclusivamente à ação da gravidade. Provindo diretamente das ruas, a enxurrada causa diversos prejuízos às matas ciliares, derrubando árvores e abrindo largos sulcos cujo solo removido é descarregado nas nascentes e córregos.

Processo erosivo recente, causado pelo
 escoamento superficial das águas de ruas e calçadas
Processo erosivo com cerca de duas décadas, causado pelo escoamento das águas concentradas em galerias pluviais. Note-se que a manilha de 1m de diâmetro está a cerca de 3m acima do fundo da voçoroca

             Escoando pelo sistema de drenagem pluvial, a água chega quase instantaneamente, cada vez mais caudalosa em virtude da crescente impermeabilização das áreas adjacentes. O resultado são picos poderosíssimos de vazão que provocam erosão em escala difícil de estimar para aqueles que nunca presenciaram a “cabeça d’água”.
             Ainda as galerias pluviais, não sendo impermeáveis, atuam como drenos nas regiões por onde passam, acelerando o escoamento das águas do lençol freático. Desta forma influenciam o regime hídrico dos cursos d’água concentrando as vazões em curtos períodos imediatos às chuvas. 

Direto na fonte

A degradação do solo, das matas ciliares e da água em função das precipitações, é um problema comum nos fundos de vale urbanos e reflete diretamente nos segmentos, econômico, social e político, se não de forma imediata, em longo prazo. As soluções são tecnicamente possíveis, mas exigem a participação popular, o que requer trabalhos de conscientização e educação ambiental, juntamente com políticas apropriadas de incentivo ou restrição. Isso porque são transtornos que originam-se no âmbito privado, com a impermeabilização excessiva dos lotes urbanos.
 Sistema de coleta, filtragem, armazenamento e aproveitamento d'água pluvial
Não seria exagero afirmar que, tendo o direito de uso sobre uma determinada parcela de solo, o proprietário deve ser responsável direto pela gestão das águas pluviais que incidem sobre seu lote. Não se trata de onerar o contribuinte, pois a boa gestão da água das precipitações pode ser encarada como fonte de recursos.
Através do emprego de cisternas é possível reduzir em muito a quantidade de água que sai de uma determinada parcela de solo urbano, evitando o desperdício de água que pode ser empregada em diversas atividades domésticas. Restaria então, ao poder público, lidar apenas com os fluxos decorrentes da impermeabilização dos espaços que estão diretamente ao seu encargo, tais como as ruas e praças.


Possibilidades técnicas para os espaços públicos

As normas técnicas para a execução de obras de drenagem em rodovias representam um manancial de ideias, quando a intenção é minimizar o potencial erosivo das enxurradas. Apresentam soluções de eficácia comprovada por séculos de utilização e passíveis de cálculo preciso.
Exemplo de escada dissipadora

Uma destas é a escada hidráulica, um dissipador de energia que tem sido usado há, no mínimo, 3.300 anos.
Nela, a dissipação de energia é um fenômeno caracterizado pela transformação da energia cinética contida no escoamento das águas, em energia de turbulência e, em seguida, em energia térmica devido ao efeito da agitação interna do fluido. Esta transformação é obtida com maior intensidade quando se desenvolve no escoamento o ressalto hidráulico (ondulação turbulenta resultante da passagem brusca do escoamento em regime rápido, a montante, para um regime lento a jusante). Sua eficiência, quando corretamente dimensionada e construída, varia de 77% a 95%.

Representação dos fluxos d’água em ressaltos
 hidráulicos com variados graus de eficiência


Uma destas é a escada hidráulica, um dissipador de energia que tem sido usado há, no mínimo, 3.300 anos.
Representação de bacia dissipadora sem alargamento do canal
          Isoladamente, ou em associação com a referida escada, podem ser empregadas bacias dissipadoras, que empregam o mesmo princípio do ressalto hidráulico e, em alguns casos, também reduzem a velocidade do fluxo pelo alargamento do canal de escoamento.
         Outra possibilidade, embora polêmica, é o emprego dos reservatórios de retenção e extravazão, aplicados no sentido de distribuir as vazões de pico em intervalos de tempo maiores, por meio de represamento temporário. Nos primeiros (on line), todo o fluxo de água passa por dentro do reservatório ao passo que os segundos (off-line) só captam o excesso de água e operam em paralelo ao rio ou canal pluvial. 

 
Representação de reservatório duplo off line



            Na construção de um reservatório deve se levar em conta:

-O volume necessário calculado com base na taxa de permeabilidade, cobertura vegetal, área de captação e inclinação das vertentes.
-O dispositivo de descarga, responsável pela restrição da vazão de saída. Determina o acúmulo temporário d’água durante os períodos em que a vazão de entrada apresenta maior magnitude.
-Um vertedouro, que permite a extravazão do reservatório em caso de precipitação superior à que serve de base ao projeto.


Os reservatórios de retenção poderiam ser facilmente obtidos pela execução de diques estratégicamente colocados na desembocadura de grotas e voçorocas bem como na saída de bacias naturais no próprio leito dos córregos. Tais intervenções, resultam pouco agressivas fazendo bom uso do relevo acidentado que é marcante em grande parte dos fundos de vale incrustados na malha urbana dos municípios do Oeste do Paraná.  E talvez fossem bem aceitas pelos órgãos de fiscalização e controle ambiental caso estas áreas se destinassem à educação ambiental, fechando o ciclo com benefícios para a população.

Parques

A idéia de empregar parques urbanos de lazer ou criar parques exclusivamente para a finalidade de Educação ambiental não é uma novidade. Existem várias experiências no Brasil, espalhadas em cidades como São Paulo-SP, Vitória-ES, Maceió-AL e, como naturalmente não podemos deixar de citar, Curitiba-PR. Nesta última existem experiências de recuperação de nascentes e cursos d’água com prioridade para a educação ambiental, como é o caso do Bosque Reinhard Maack, que abre ao público em geral apenas em feriados e finais de semana. No restante dos dias fica disponível apenas para a visitação por turmas escolares, visitas sujeitas a agendamento. Conta com uma única trilha, bem delineada e sinalizada, permanecendo o restante da área praticamente intocado.

Vista de um fragmento da trilha no Bosque Reinhard Maack, Curitipa-PR

           Parte-se da suposição de que seja mais positivo para a conservação da área integrá-la na cidade e na vida dos cidadãos. Disponibilizando uma forma de lazer salutar, que envolve os moradores próximos, tende a modificar-se sua relação com o lugar, que passa a ser protegido ao invés de desprezado e até agredido. Mudança que pode se refletir sobre os demais aspectos do ambiente natural e urbano, pela consciência de que nossas ações influenciam o entorno imediato, a cidade, a região, e reiteradas por grande parte da população humana, o mundo.
       O fato é que a beleza e a tranqüilidade proporcionadas por estes ambientes ao citadino tendem a sensibilizar muito mais do que qualquer campanha de educação e permitem experiências diretas muito esclarecedoras.
Vista de uma área de preservação sob ameaça, no centro de Marechal Cândido Rondon-PR. Montagem fotográfica


Os parques com visitação restrita e gestão cuidadosa são, provavelmente, a melhor alternativa para a conservação de Áreas de Preservação Permanente já englobadas pelo ambiente urbano. Podem servir à pesquisa e ao ensino, trazer mais segurança a população e propiciar uma opção sustentável de lazer à população. Prestam-se muito bem às áreas já urbanizadas. Mas e quanto ao futuro? A cidade vai continuar se expandindo.
 
Outras imagens da mesma APP. Belezas ignoradas pela maioria da população
  
Interpolando

Uma das propostas referentes ao assunto sugere a interpenetração entre cidade e campo. Desenvolvida por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Berkeley, Califórnia, encabeçados pelo Austríaco Christopher Alexander, esse padrão de ocupação sugere que a cidade não se desenvolva como urbanização compacta, mas em ramais lineares com largura não superior aos 2 Km. Assim, a cidade poderia desenvolver-se atingindo grandes proporções e possuindo um centro bem definido assegurando, no entanto a proximidade de zonas rurais de configuração espacial semelhante à dos espaços urbanos. Os espaços urbanos ocupariam as partes mais altas do relevo e as áreas rurais desenvolvendo-se nos fundos de vale.

Esse padrão de ocupação proporciona inúmeras vantagens. Aproxima o cidadão urbano do ambiente natural. Garante o fornecimento de produtos rurais sem a necessidade de atravessadores e grandes deslocamentos, melhorando os preços para consumidor e produtor, ao passo em que estimula o estreitamento das relações entre estes, humanizando-as. Contribui para a proteção dos mananciais, e salienta a condição dos agricultores como prestadores de serviços ambientais sujeitos a gratificação.  Evita a incidência de problemas típicos das urbanizações convencionais, tais como enchentes e todos os prejuízos sociais, ambientais e econômicos delas decorrentes. Minimiza os impactos da impermeabilização e reduz os gastos com a infraestrutura de escoamento pluvial e drenagem urbana.

Em poucas palavras e por inúmeras razões, colabora no desenvolvimento de ocupações e modos de vida mais sustentáveis.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Agricultura / pesquisa

Embrapa Cerrados pretende determinar diferentes índices de qualidade do solo

Pesquisadores trabalham na elaboração de novos indicadores que levam em consideração aspectos microbiológicos para revelar a saúde da terra

 É natural acreditar que bons índices de produtividade estejam associados à terra de boa qualidade. No entanto, um estudo da Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), quer comprovar que a constatação não é de todo verdadeira. Para a pesquisadora Ieda Mendes, a degradação do solo é um processo lento e ela pode ser mascarada pelo uso intensivo de adubos e pesticidas nas plantações. Não existe ainda no Brasil o consenso sobre um conjunto de características que defina a qualidade do solo. Sabe-se que ele deve ser capaz de produzir e exercer serviços ambientais
importantes, como a fixação de nutrientes, controle biológico de pragas e doenças, seqüestro de carbono (CO2), etc.
 

Por esta razão, a Embrapa Cerrados pretende definir parâmetros mínimos que indiquem a saúde da terra. A vantagem de ter estes indicadores pode auxiliar os agricultores na utilização de técnicas de manejo que não causem a degradação do solo e incentivar a adoção de sistemas agrícolas mais conservacionistas, como a integração de lavoura, pecuária e floresta. Atualmente, os produtores contam apenas com indicadores químicos e físicos para a avaliação do solo, geralmente, feita por meio de análise em laboratório. A pesquisadora espera que no futuro sejam avaliados os aspectos biológicos que interferem na formação da matéria orgânica dele.

O estudo da Embrapa Cerrados, iniciado em 2004, está agora em sua segunda fase. Nesta etapa os pesquisadores pretendem traçar parâmetros microbiológicos para avaliar estratégias de manejo e redução do uso de fertilizantes e pesticidas. Segundo a pesquisadora Ieda Mendes, o solo de boa qualidade resulta naturalmente em bom aspecto físico. Ele não será compactado, terá mais condições de armazenar água e resistir à erosão. Ajuda, ainda, a manter a vazão dos cursos d´água, especialmente nos períodos secos, e produz o escoamento superficial na época das chuvas evitando inundações. 

por Janice Kiss
Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI259105-18078,00-EMBRAPA+CERRADOS+PRETENDE+DETERMINAR+DIFERENTES+INDICES+DE+QUALIDADE+DO+SOL.html