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sexta-feira, 15 de maio de 2020

CRISTO E A VIOLÊNCIA




por Cesar Roberto Scheffler

            
Certa ocasião, quando questionado sobre quantas vezes se deve perdoar ao próximo, Jesus ofereceu por resposta uma cifra exata, que nos dá margem para pensarmos que realmente o perdão também cansa de perdoar. Porém, se nos dermos conta do quão improvável seria que alguém nos ofendesse uma quadringentésima nonagésima primeira vez compreenderemos que, por essa fórmula, o mestre aconselhava a perdoar sempre.
            Noutra vez admoestara a que, se alguém nos esbofeteasse em um lado do rosto, lhe voltássemos o outro. Se nos tomassem a capa, que cedêssemos também a túnica. Chegara mesmo ao extremo de afirmar que deveríamos amar aos nossos inimigos. E claro está, em tal caso, que seriam inimigos unilaterais, pois por nossa vontade, seríamos amigos. Julgo, com segurança, que todos seus ensinamentos apontam para uma doutrina de amor e não violência.
            Por que, então, a cristandade ao longo dos séculos sentiu-se, com tanta frequência, e ainda hoje se sente, justificada em certas práticas da violência? Não encontro - e creio que, até num exame mais detalhado da pregação do filho do homem, não poderia ver - alguma resposta ou máxima que realizasse o elogio da violência. Apesar disso, várias situações constantes nos evangelhos mostram-nos um messias indignado, que usa de violência verbal, e há pelo menos um exemplo do uso da violência física.
            Essa aparente incongruência no que toca à prática daquele que pregou um amor incondicional, pode se tornar coerente aos olhos de alguns, por uma certa hierarquia entre os entes amados. O amor a deus seria prioritário, podendo impor-se sobre a obrigação de amar aos outros seres humanos. Para outros, Cristo não foi violento, apenas disse a verdade. No entanto a mesma poderia ter sido dita com suavidade.
            O “Rabi” preferiu, por vezes, com seus oponentes, lançar verdades à cara como tapas. E porque a verdade, pronunciada com dureza, maltrata mais que a mentira, são violentas as palavras proferidas com rude franqueza. Me sinto muito inclinado a ver, nesses eventos, a fraqueza e vacilações de um homem, que como os outros, é imperfeito se observado à parte do todo.
            Aqui, sei que meu posicionamento levantará resistências: irão me dizer que, de um ponto de vista cristão, não se pode admitir que, sendo ele Deus, houvessem sua vontade e razão sucumbido à lassidão da carne. Pois seja, não pretendo levantar essa questão, e sei que em nada há de prejudicar meu raciocínio se fizer tal concessão. Pretendo, na medida do possível para mim, que sou leigo, conduzir meu pensamento sem maiores contradições com a fé declarada nos credos.
            Se, no entanto, nos recusarmos a admitir uma falha, e, considerando que nada em sua pregação nos esclarece a respeito de quando a violência se torna admissível ou recomendável, suponho não nos restar melhor recurso do que o estudo das ocorrências e recorrências de agressão da parte dele, para deste modo estabelecermos um padrão, extrairmos sua essência.
             E para que haja um certo método em nossa abordagem, convém que comecemos pelo início: qual, das duas formas indicadas de violência, física ou verbal, aparece primeiro nos evangelhos? Vemos que, a exceção do evangelista João, todos mostram primeiramente a forma verbal da agressão. Justo a forma mais frequentemente adotada pelo Nazareno. Se a isso acrescentamos que a violência física ocorre apenas num único episódio, o qual é relatado nos quatro evangelhos, notamos que embora tenha sido um evento relevante, por ser ímpar não nos permite determinar um padrão, descobrir por sua análise direta o que teria sido decisivo para desencadear o ocorrido. Certamente teremos de principiar pela forma verbal.
            Essa teria sido recorrente nas disputas com os escribas, intérpretes e professores da lei judaica, tanto fariseus como saduceus. Seria retaliações, segundo consta no novo testamento, às tentativas desses de levá-lo a contradizer-se ou comprometer-se perigosamente por suas palavras. Tentativas essas que são, alegadamente, fruto de inveja e de interesses contrariados. E embora a temática desses embates filosóficos seja variada, o desfecho é bastante previsível: a desconstrução dos sofismas e uma descompostura a que são submetidos seus oponentes, por meio de parábolas, silogismos e por vezes, algum insulto. Mas o que o filho do altíssimo condena com veemência, exprobações e até vitupérios é sempre o mesmo, a hipocrisia. É a falsidade que o faz perder a paciência com esses senhores.
            Poderiam citar-se vários exemplos, enumerados por capítulo e verso, muitos parágrafos de referências. Mas me parece desnecessário. Aos que demonstrarem quaisquer dúvidas, remeto-os à leitura dos evangelhos, e declaro-me francamente aberto a uma amigável discussão. Porém, para o propósito deste texto, darei por demonstrada a afirmação que fiz no tocante a ser a falsidade o único pecado combatido com a violência verbal pelo peregrino pregador. Evoco a frequência com que emprega o termo hipócritas ao referir-se ou dirigir-se aos principais sábios e guardiões da palavra, seus adversários costumeiros, que segundo ele, teriam fechado o acesso do reino de deus aos homens.         
            Certos da motivação exclusiva da primeira forma de violência, verifiquemos o nosso exemplo do segundo tipo. Falo da “purificação do templo”. De que se trata aqui, senão da expulsão, do pátio do templo, de toda uma cadeia de comerciantes ligados às práticas religiosas da época, bem como seus consumidores? São de um lado, comerciantes responsáveis pela venda de animais de várias espécies, conforme referidas na lei mosaica, cambistas que possibilitavam a troca das variadas moedas que ali se usavam, e de outro, os fiéis que vinham ao templo para ofertas de agradecimento, sacrifícios de expiação, entre outros deveres estabelecidos pela lei religiosa judaica. Aparentemente, como nos indica a referência reiterada ao profeta Oséias (misericórdia quero, e não holocaustos), o filho de Maria não julgava necessários os sacrifícios e muitas outras atividades que exigiam os préstimos dos sacerdotes e resultavam em sua opulência e influência secular. Estava certo de que aqueles comerciantes e sacerdotes lucravam com coisas dispensáveis que foram inculcadas nos que ali adoravam. E reprovava severamente a falsidade que,  tendo se apoderado da religião e das leis, explorava a boa fé para a obtenção de riqueza e poder. Daí a sua ira, à qual dá vazão sobre os lombos dos que vendiam e compravam, até dispersá-los com um azorrague de corda.
            A violência do galileu, é um caso extremo, de defesa da religião contra a mentira. Mesmo diante dessa reação brutal, subsiste o fato de que Jesus nunca elogiou nem orientou para a violência. Mesmo quando aconselhou, depois da última ceia, que levassem consigo espada, fê-lo com o único propósito de que se cumprisse a escritura. E quando, empregada a espada, cortou-se a orelha do servo do sumo sacerdote, não apenas ordenou que cessasse a ofensiva, como sarou o ferido.
            Estabelecidos assim alguns pontos sobre a relação do redentor com a violência, tais como a exaltação da mansidão e do amor, a reação violenta apenas diante da falsidade e a reprovação irada da exploração comercial da fé, e, olhando para a atualidade no Brasil, terra em que a hegemonia cristã é indiscutível, surgem algumas questões inevitáveis. Como é possível, aos cristãos brasileiros aceitarem o apelo às armas, supondo lícito e coerente com a fé cristã, matar para defender suas vidas e seus bens? Como é possível aos cristãos do nosso país considerarem aceitável que tanta coisa se venda, pelas igrejas, como itens santificados, ungidos? Como é possível que tantos sacerdotes cristãos ponham-se em aliança com César, abrindo espaço para o mesmo nos cultos, descuidando das obrigações assumidas com Deus? Como é possível que tantos cristãos prestem lealdade a quem sempre realizou a apologia da violência ao invés da mansidão e ainda assim se diz cristão? Como é possível que, sendo cristãos, aceitem a inversão da pregação de Cristo, louvando o violento e reverenciado o falso?
            E se ao final me perguntam porque decidi levantar essas questões sobre os cristãos e o cristianismo moderno, não vos respondo com as palavras do que reconhecem como salvador: “Vim para lançar fogo sobre a terra, e bem quisera que já estivesse a arder”. Até porque já está. Digo apenas que o faço no interesse destes. Pois embora seja admirável o seu ardor, creio que seria recomendável revisitarem a palavra que lhes serve de fundamento, para que não se dê o caso de, um dia, verem lançada aos seus rostos a pecha da hipocrisia.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

ISMOS E ABISMOS*


            COMUNISMO. Começo este texto justamente com essa palavra. Sei que é impossível, para a grande maioria de nós, evitar a associação com determinados regimes históricos e autores determinados, atrocidades e subversão da ordem.  Sei que muitos não podem mesmo evitar sentimentos negativos que vão do desconforto à raiva, passando, talvez, pelo medo. E é por isso que proponho a palavra como ponto de partida. E faço uma pausa para permitir ao leitor que se aperceba dos efeitos que esta causa nele próprio…
                                                                                                         …
                                                                                                                                     …
            Retomando o curso, sei que todos possuímos relações, mais ou menos subjetivas, com o vocábulo. Mas sabemos, de fato, o significado objetivo do termo?
            Comunismo: “Sistema econômico e social baseado na propriedade coletiva”. E só. Esta é a definição que consta no mini dicionário Aurélio que eu utilizava quando, nos idos dos anos oitenta, frequentava a escola primária. Sei, entretanto, que a maioria dos dicionários, impressos ou digitais, traz no lugar ou em adição a esse, uma série de significados mais ou menos pejorativos (o que dificilmente acontece quando se trata de definir capitalismo). Peço-vos que nos atenhamos à anterior, certamente a mais sucinta e objetiva, conforme convém que sejam as fornecidas por um dicionário. Pois é o que convém aos que desejam refletir racionalmente.
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            CRISTIANISMO. Uma pequena distância o separa do anterior. No dicionário, claro. Basta avançar umas poucas páginas, e lá o encontramos. Naquele citado, 16. Na nossa história recente e vida cotidiana, quão intransponível espaço, e repleto de obstáculos, interpõem-se entre ambos. Menciono esta distância por ter assistido um vídeo recente, em que um pastor pede aos fiéis que orem para não nos tornarmos comunistas. Essa postura das igrejas não é novidade, e padres já manifestaram-na, há décadas, por outros veículos. Parecem palavras irreconciliáveis…
            Mas o que nos diz o dicionário, esse concílio das palavras?
            Cristianismo: “Conjunto das religiões cristãs, i. e., baseadas nos ensinamentos, pessoa e vida de Jesus Cristo.” É o que consta no mesmo livreto. Conforme julga a grande maioria dos brasileiros, vivemos numa sociedade cristã. E todo cristão possui alguns deveres, resumidos com admirável concisão pelo seu mestre: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e o primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” O dever do cristão é amar.
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            SOCIEDADE. Aqui damos um salto gigantesco. No pequenino dicionário, mais de trezentas páginas. Na realidade concreta, a distância é ainda maior. E tem de ser, posto que na sociedade, por paradoxal que vos pareça, cabem cristianismo, comunismo e muitos ‘ismos’ mais. A sociedade é o espaço onde praticamos nossas convicções. Onde vivemos aquilo em que de fato cremos...
            Prossigamos com nossa pesquisa. Que nos diz o coletivo das palavras?
            Sociedade: “1. Agrupamento de seres que vivem em estado gregário. 2. Grupo de indivíduos que vivem por vontade própria sob normas comuns. 3. Meio humano em que o indivíduo está integrado. 4. ...”. Aqui o dicionário nos deixa a ver navios. Obviamente uma sociedade humana é muito complexa e cheia de contradições, tão ampla que não caberia numa coleção de dicionários. E afinal, porque teríamos de nos perder por divagações intermináveis. Podem estar certos de que não pretendo abordar em poucas linhas o que não se esgota em um compêndio. Quero deixar-lhes, após breve digressão, uma questão ao encargo de suas consciências. Por isso as palavras anteriores.

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            A digressão limita-se à sociedade brasileira. Uma sociedade dita cristã. E é evidentemente necessário admitirmos que sua organização assume configuração conforme às ideias dominantes na coletividade. Porque essas, por meio de todos os atos que delas derivam, acabam por determinar a norma comum, sob a qual nos congregamos, e o meio em que estamos integrados. A forma como nos relacionamos e efetuamos nossas trocas. Se depreende daí que convivemos como cristãos. Será?
            Esta pergunta não pode ser respondida sem antes postularmos um padrão segundo o qual se desenvolvam os grupos com base na ética cristã. Poderíamos ter por resultado uma infinita querela em torno dos desdobramentos do amor na vida econômica dos indivíduos e suas consequências ao nível da sociedade. Felizmente a questão encontra uma solução bastante simples, caso nos debrucemos sobre a história da igreja primitiva.
            Refiro-me ao livro dos Atos dos Apóstolos. É lá, dentro da própria bíblia, que encontramos breves descrições, pouco detalhadas, mas claras, de como viviam os convertidos. E quem poderia fornecer um retrato mais fiel da comunidade conforme as ideias do Cristo do que aqueles que conviveram com ele, sob sua instrução?
            Assim, em Atos 2:44 temos: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum”. O versículo 45 segue, dizendo que “Vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.” O capítulo quarto, entre os versículos 32 e 35, retoma o assunto, reiterando-se o já dito: “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das cousas que possuía; tudo, porém, lhes era COMUM”. Segue o texto, afirmando que os valores das propriedades e bens vendidos depositavam-se “aos pés dos apóstolos”, donde se pode concluir que estes eram os administradores, os responsáveis pela partilha. Logo, os bens COMUNS, eram administrados por um conjunto de pessoas, uma espécie de conselho, portanto, uma instituição.
            Será necessário que eu lhes faça notar a semelhança desta descrição com a definição de COMUNISMO?

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            Encerro essa exposição com a questão que lhes desejava propor. Realmente não quero aqui sustentar a necessidade de nos tornarmos comunistas. Venho apenas perguntar-lhes o que houve com o cristianismo, passados dois milênios, para que julgassem os cristãos, extremamente necessário, combater o que antes praticaram. 




*Texto escrito por Cesar Scheffler como contraponto a 'A Virgem do Cabaré', publicado no jornal O Presente, de autoria de Arno Kunzler.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

A VIRGEM DO CABARÉ





Controvérsia Sobre “A Virgem do Cabaré”**


            Foi anteontem que, folheando um periódico de Tão Tão Distante datado de 28 de abril de 2020, deparei-me com uma picaresca história emoldurada em azul. O relato fazia fuxicos da alta sociedade do lugar, tendo por enredo as relações de uma louvável senhorita e um senhor, seu corruptor. O autor, embora em tom um tanto jocoso, parecia interessado em defender a honra, virtude e bom nome da moça, assinando embaixo da inacreditável versão desta para os fatos. Talvez por demasiado cinismo meu, quiçá por uma pitada de malícia da parte do referido cronista, o efeito foi expor ao ridículo, como pretensa, a ingenuidade da debutante, sua indignação de rapariga traída pela má-fé de um ladino alcoviteiro. Seja qual for o caso, não me interessa no momento conjecturar a respeito das intenções implícitas ou sub-reptícias do texto.
            O caso para mim é fazer caso. Agrada-me dar aso aos comentários apócrifos, que se murmuram à boca pequena, fofocas, boatos. Ventilar versões, mesmo fantasiosas, pois podem bem ter o seu quê de verdade.
            E as versões certamente são muitas. Há quem diga, por exemplo, que o tal cabaré, em verdade é caserna. Outros juram ser convento; creem mais alguns que, não o sendo, era nisso que a moça pretendia transformá-lo, com as boas graças do proprietário. O que viria a calar a boca dos maledicentes que apressavam-se em perguntar: “Mas se era tão íntegra, tão recatada, que é que estava fazendo lá, como aceitou ser apresentada como atração principal do cabaré, garota propaganda, isca para os incautos?” Devo reconhecer que é um tanto insólito.
            Aliás, segundo o dono do estabelecimento, ela se casou com ele (casou, mas não consumou?). Casamento, aliás, polígamo e, conforme os relacionamentos anteriores deste deixavam entrever, fadado a acabar cedo e mal, caso a cônjuge não abdicasse da vontade própria e independência, o que, a donzela sempre afirmou, repudiaria com veemência. O fato é que a garota (tão resoluta e voluntariosa quanto pundonorosa e dada à leitura de biografias) tolerou por um bom tempo o relacionamento com suas truculências, aceitando ingerências no seu espetáculo e interdições em suas performances, antes de notar que tais ambientes e companhias maculavam sua própria história já um tanto puída.
            Porque dizem as más línguas - e as más línguas sempre têm o que dizer – que a beldade não era tão séria assim. Já teria sido indulgente com alguns de seus afetos. Teria também, há rumores, atentado contra a fé de um compromisso anterior, ocasião na qual teve oportunidade de, com um só golpe, ferir o interesse público e o de outros indivíduos, moças e rapazes da mais nobre estirpe, a saber Marianne, Têmis, Clístenes*…
            Enfim, insistem as viperinas matracas, seria em virtude (com o perdão da palavra) deste escândalo, que conquistara a preferência inconstante do seu consorte, visto que o mesmo, em seu ofício, capitanearia e capitalizaria  tumultos, querelas e “mis em scènes”. O dito tem de estar na boca do povo, causar sensação, “frisson” sempre.
            E dito tudo que pude reunir em minhas pesquisas do burburinho, resta muito ainda por falar. Pois há de dar o que.
            Da saborosa crônica, que não pude deixar de estragar, com duvidosa arte, na medida em que busquei emendá-la, restou-me mesclada a um certo espanto, uma dúvida. Causou-me pasmo, ver chamado abertamente dono de cabaré (pois como se percebe há muita controvérsia a respeito da natureza do estabelecimento) um cavalheiro que até pouco era honrado e enaltecido pelo nosso caro escritor. Seria sarcasmo para com a moça e consequente admissão da má fama do lugar? Ou caso de compará-lo aos pequenos mamíferos que, também conforme as más línguas, costumam ser os primeiros a abandonar o navio que afunda?



* Na ordem em que se apresentam:
-Nome popularmente dado à efígie da república na França, inspirada no quadro “A Liberdade guiando o Povo” de Delacroix. No Brasil a Efígie da República, deriva daquela e consta nas cédulas monetárias, sendo portanto associada também à ordem econômica;
-Titânide oriunda da mitologia grega, entre nós símboliza a justiça;
-Considerado o pai da democracia grega, e por isso mesmo, da democracia como tal.

** Autor: Cesar Roberto Scheffler