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sábado, 18 de fevereiro de 2017

ÍNDIOS DO BRASIL




Indígenas Ava-Guarani retomam parte de antiga terra tradicional, no Paraná


Terra ocupada está entre as aldeias que desapareceram após a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu

Brasil de Fato, Curitiba (PR) , 
Com a criação do Parque Nacional do Iguaçu e o alagamento para formação do lago, entre 1940 e 1982, cerca de 32 aldeias desapareceram / Júlio Carignano
Há duas semanas, indígenas Ava-Guarani ocupam parte de um antigo tekoha – terra indígena tradicional –, localizado às margens do lago de Itaipu, no município de Santa Helena, no Oeste do Paraná. O território é chamado por eles de Tekoha Dois Irmãos e foi uma aldeia até os anos 1980, quando foi alagado pelo represamento do Rio Paraná com construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional.
São 10 famílias que ocupam perto de 400 hectares de um refúgio biológico da Itaipu, que totaliza cerca 1,4 mil hectares. A retomada deste território é um ato simbólico diante da dívida histórica que a Itaipu Binacional tem com os povos Ava-Guarani. Também simboliza a resistência à atual conjuntura nacional de precarização de políticas indigenistas.
Estima-se que na região de usina existiam ao menos 32 aldeias, conforme estudos da antropóloga Malu Brant. Elas desapareceram entre 1940 e 1982, período entre a criação do Parque Nacional do Iguaçu e o alagamento para formação do lago de Itaipu. Pelo menos nove dessas aldeias foram alagadas com a construção, de acordo com levantamento feito pela estudiosa a pedido da Justiça Federal de Foz do Iguaçu.
Durante a construção de Itaipu, na época da ditadura militar, não havia qualquer diálogo entre a usina e o antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) – hoje Funai – Fundação Nacional do Índio - com as comunidades tradicionais. Essa população foi desconsiderada na época e posteriormente passaram a retomar seus territórios. “O rio Paraná (que divide Brasil e Paraguai) nunca foi fronteira para os Guarani, ao contrário, era nosso caminho”, relata a liderança Julio Martinez.
Pende rekó
Segundo o cacique Claudio Vogado, a ocupação é uma recuperação de um espaço onde viveram seus antepassados. “Nossos parentes moraram nessas terras e devido ao alagamento tiveram que sair. Nossos antepassados já moraram aqui e hoje esse é um dos poucos locais de fauna que sobrou para vivermos no nosso sistema”, comenta.
Para a kuña (senhora) Elza Romero, que nasceu ali, o retorno para sua antiga terra é a concretização de um sonho, de ter uma terra para poder vier o pende rekó, a cultura Guarani, própria e autêntica de seus pais e avós. “Estávamos vivendo num local que era pouca terra pra muita gente, onde nem arvore existia”, afirma Elza, destacando que a terra retomada é o espaço ideal para se transmitir aos seus filhos e netos a cultura que recebeu de seus pais.
A terra ocupada é coberta de mata nativa e própria para a agricultura. Segundo o cacique, em breve será iniciada a limpeza para plantação de sementes tradicionais como o Awati etei (milho verdadeiro).
Desde a entrada na área, os Guarani estão recebendo acompanhamento de entidades como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) – Regional Sul – e também o apoio de movimentos sociais como o Movimento de Mulheres Camponesas que fez a doação de mantimentos e prestou solidariedade à luta indígena.
As famílias já iniciaram contatos com a Prefeitura de Santa Helena no intuito do auxilio para assistência social e encaminharam uma carta à promotora Daniela Caselani Sitta, do Ministério Público Federal em Foz do Iguaçu.
Resistência
O historiador Paulo Porto, vereador do PCdoB em Cascavel e que acompanha a luta deste povo desde 2000, afirma que as retomadas de antigas terras tradicionais são formas das comunidades resistirem diante da morosidade do governo em dar andamento nas demarcações.
“Estamos tratando da retomada de uma terra que hoje existe somente na memória dos velhos Guarani. É uma retomada de um povo que foi desterrado por uma ação deliberada do Estado, via antigo SPI que fez o papel de ‘limpa-trilho’ para a expansão capitalista no caso do Oeste do Paraná e que posteriormente sofreu grande impacto da construção da usina”, comenta.
Retrocessos
Segundo o professor Clovis Brighenti, membro do Cimi Regional Sul, a atual conjuntura da política indigenista é de retrocessos e ofensiva contra os territórios indígenas, cada vez mais subjugados aos interesses do agronegócio. Esse retrocesso pode ser simbolizado na publicação da Portaria 80/2017 do Governo Federal.
Publicada pelo Ministério da Justiça em janeiro, a portaria criou um GTE – Grupo Técnico Especializado - para analisar os relatórios de identificação e delimitação de terras indígenas produzidos pela Funai. Na prática, segundo Cimi, criou-se uma instância política que servirá para rever relatório já apresentados e retardar ou inviabilizar os procedimentos demarcatórios.
Várias etnias indígenas já se manifestaram diante da publicação e passaram a cobrar do presidente Michel Temer uma resposta, especialmente, sobre as áreas que estão em processo de identificação por Grupos de Trabalho (GTs) e sobre terras com relatórios já publicados que estão com seu processo administrativo emperrado pela negligência da Funai.
Edição: Ednubia Ghisi

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2017/02/17/indigenas-ava-guarani-retomam-parte-de-antiga-terra-tradicional-no-parana/?utm_source=bdf&utm_medium=referral&utm_campaign=facebook_share

domingo, 22 de março de 2015

OS ECOS DE ITAIPU*




Os Ecos de Itaipu

No oeste do Paraná, índios Guarani querem retomar as terras de onde foram expulsos em nome da construção da hidrelétrica de Itaipu pelo regime militar

por Isabel Harari e Stefano Wrobleski
 “Quando Itaipu ia fechar a água a gente correu foi pra vários lugares. Alguns foram pra Santa Helena num barquinho que a gente fez. Naquela época, a gente recebia muita ameaça e a gente morria de medo. Ameaçavam a gente, diziam que iam levar pra fazer sabão. E ai a cada um ia pro seu canto. E, com medo, a gente foi pra longe”.


Pedro Alves pega uma vareta para mostrar as antigas aldeias guarani no oeste paranaense. O xeramõi – uma espécie de autoridade espiritual, ancião sábio – serpenteia o pedaço de pau pelo chão de terra batida da Tekoha Y’Hovy, aldeia onde vive, no município de Guaíra, e relembra onde cada parente morava e por onde corria o rio antes do alagamento para a construção da hidrelétrica de Itaipu. Em frente à sua roça, Pedro equilibra-se em um banquinho de madeira colocado no único rastro de sombra que resistiu ao sol do meio dia. “Naquela época a mata era quase virgem. Tinha mata, caça, palmito”, recorda. Seu Pedro apaga o desenho com as mãos e risca novamente o chão, dessa vez com várias linhas saindo de um ponto em direção à diversas regiões. Cada linha representa a direção tomada por seus parentes Guarani para fugir do alargamento do Rio Paraná, em 1982.
Em outra aldeia, a Tekoha Korumbe’y, situada dentro dos limites do município de Guaíra, o cacique Ismael Rodrigues explica: “Antigamente, quando eu tinha doze ou treze anos, já pescava aqui nesse Rio Paraná. Ele tinha um remanso muito bonito, e você tinha que ir em silêncio pescar lá, sem fazer movimentos bruscos”.
“Naquele tempo nós vivíamos na beira do rio. Não tinha fazendeiro nem nada. Só os índios que mandava. Fazia casa onde quiser! A terra era nossa”, complementa Vitória Barros, sentada em uma cadeira de plástico em frente à sua casa, na Tekoha Nhemboeté, em outro município, Terra Roxa.
Pedro Alves mostra a sua roça na Tekoha Y 'Hovy. Foto: Agência Pública/Greenpeace/Isabel Harari
Pedro Alves mostra a sua roça na Tekoha Y ‘Hovy. Fotos: Agência Pública/Greenpeace/Isabel Harari
Gregório Sousa, também morador da Tekoha Marangatu, relata em guarani que alguns indígenas foram avisados, mas outros tiveram que sair às pressas quando viram o rio subindo: “a gente não estava sabendo de nada. De repente, começaram a fechar o Rio Paraná”.
“Eles fizeram medo, nos intimidaram pra que saíssemos daqui. Uns passaram pro Mato Grosso do Sul, outros foram pro Paraguai e pra outros lugares”, conta Simião Benites também na língua materna, sentado na opy, a casa de reza da Tekoha Poha Renda, em Terra Roxa.
Rosalina Souza, xaryi – guarani para anciã – da Tekoha Miri, aldeia que margeia uma estrada próxima à cidade de Guaíra, lembra-se ainda que “tinha várias pessoas que não queriam sair e a gente não sabe o que aconteceu com elas”. Faustino Duarte, xeramõi que também vive na Tekoha Miri, conta: “Eu não sei o que aconteceu com a minha mãe nem com o meu pai porque, quando ia fechar o Rio Paraná, eu corri [com outros parentes]”.
De volta à Tekoha Y’Hovy, Pedro espana novamente as mãos sobre o chão e rabisca mais uma vez o terreno. Com a vareta, desenha as figuras das aldeias que foram construídas – ou “retomadas” – recentemente pelos Guarani. A maioria delas foi realizada nos últimos quatro anos.
“Eu nasci e cresci em Guaíra e não posso deixar o lugar onde nasci. A gente não pode deixar o lugar que a gente nasceu e cresceu, por isso estamos aqui ainda. Os brancos, quando crescem, deixam o lugar onde nasceram, mas a gente é diferente”, conta Gregório, da Tekoha Marangatu.
“Pode levar pra onde quiser, pode ser pra longe, que depois volta tudo outra vez. Até a pé nós vem. Não adianta levar longe”, explica Vitória Barros, na Tekoha Nhemboeté.

Assista ao vídeo:


O alagamento de vastas áreas no entorno do Rio Paraná, em 1982, para a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu-Binacional foi o último grande movimento de um longo processo que, durante o século passado, foi pressionando os índios cada vez mais a oeste e para fora do estado. Fruto de um acordo binacional entre o Brasil e o Paraguai, a construção do megaempreendimento já estava nos planos desde a década de 1940, por conta da importância estratégica da região fronteiriça e pela necessidade da produção de energia, fazendo coro ao binômio “Segurança e Desenvolvimento” pregado pela Ditadura Militar.
Em pleno regime ditatorial, controlado por uma elite civil e militar, a construção de Itaipu “levou a uma nova onda de esbulho territorial”, segundo concluiu o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), publicado em dezembro do ano passado. O levantamento sobre as violações cometidas em nome da usina, que hoje fornece cerca de 17% da energia consumida no Brasil, faz parte do capítulo sobre violações dos direitos humanos dos povos indígenas.
O relatório [da Comissão Nacional da Verdade] prova que foram graves violações de direitos humanos dos indígenas com participação direta ou com conivência do Estado

Maria Rita Kehl
Em entrevista à Pública, a psicanalista Maria Rita Kehl, responsável pelo texto, lembra que o componente indígena aparecia, inicialmente, como “uma coisa pequena, uma nota de rodapé” a ser incluída na pesquisa. “Não sabia muito o que tinham os indígenas a ver com isso e muita gente me questionou: ‘Indígenas? Como assim? Eles não foram contra a ditadura’”. Durante a pesquisa, assombrou-se. “O relatório prova que foram graves violações de direitos humanos dos indígenas com participação direta ou com conivência do Estado”. O capítulo apresenta a estimativa de que pelo menos 8.350 indíos tenham sido mortos no contexto da implementação da política vigente ou pela participação direta de agentes estatais no período investigado pela CNV (entre 1946 e 1988). O texto aponta o caráter amplo das violações, que foram do esbulho de suas terras, remoções forçadas de seus territórios, contágio por doenças infecto-contagiosas, prisões, até torturas, maus tratos e extermínio de povos inteiros.
Durante os trabalhos, a psicanalista diz ter percebido que os índios “eram considerados um empecilho e havia um enfrentamento violento contra eles, como se fosse uma guerra contra outro país”.
O caso dos Avá-Guarani do oeste do Paraná merece destaque no capítulo. “As remoções também foram prática corrente quando se tratava de realizar empreendimentos em áreas com presença indígena”, diz o texto em referência à Hidrelétrica Itaipu. A equipe da CNV, através de seu coordenador, José Carlos Dias, fez um pedido de documentos  “em qualquer grau de sigilo” para Itaipu sobre as relações entre a empresa e os indígenas. Na solicitação, a CNV afirma ter sido informada sobre a existência, “no acervo desta instituição [Itaipu], farta quantidade de documentos relevantes sobre estes casos”. Mas não recebeu qualquer resposta.

Com a construção da usina, o curso do Paraná foi barrado e o rio transformou-se em um imenso lago artificial, inundando, segundo o projeto original, uma área de 1350 quilômetros quadrados – destes, 770 do lado brasileiro. Apesar de a barragem estar em Foz do Iguaçu, outros 15 municípios foram atingidos pelas águas do Paraná. Dentre eles, trechos de Guaíra e Terra Roxa. Ficou também debaixo d’água a Cachoeira das Sete Quedas, de beleza natural inigualável. Na ocasião do fechamento das comportas para a criação do lago da usina de Itaipu no dia 9 de setembro de 1982, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu no Jornal do Brasil: “Sete quedas por mim passaram, e todas sete se esvaíram / Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele a memória dos índios, pulverizada, já não desperta o mínimo arrepio (…)”.
Antes mesmo da consolidação de Itaipu, o avanço das obras gerou uma onda de regularização fundiária feita às pressas pelo Instituto de Colonização Agrária (Incra) para por em ordem e indenizar as propriedades que foram adquiridas de forma ilegal com o avanço descontrolado da colonização das décadas anteriores. Os posseiros, ainda que de forma irregular, foram beneficiados em detrimento dos Guarani que ali viviam.
A ditadura aboliu a demarcação de terras indígenas nas regiões fronteiriças por conta da “segurança nacional”. A Funai foi sendo paulatinamente ocupada por “militares egressos dos Serviço Nacional de Informação (SNI) e do Conselho de Segurança Nacional (CSN)”. A militarização do órgão consolida a visão de que a demarcação de terras indígenas em zonas de fronteira nacional representaria um risco à soberania do Brasil.
Com a inundação do lago, as famílias Guarani tiveram que sair. “Ou corria, ou morria”, é uma frase ouvida frequentemente no relato dos mais velhos. Foram removidas 42 mil pessoas da área. “Foram indenizados os que tinham título. O não reconhecimento foi a estratégia usada para praticar o esbulho”, explica Diogo Oliveira, servidor da Funai que atuou na região entre 2012 e 2014.

Rio Paraná: antes e depois de Itaipu

Rosalina Souza, hoje moradora da Tekoha Miri, afirma que na região viviam muitos índios, ao contrário do que era disseminado por Itaipu e pela cúpula governamental: “Eu nasci na aldeia Oco’y, e perto de lá tinha uma aldeia chamava Ipiranga, Jakutinga, Porto Mendes, ‘Pepu’, Jurikaba, tinha vários lugares aqui, morava muitos Guarani”, conta. “Quando Itaipu ia fechar a água a gente correu foi pra vários lugares. Alguns foram pra Santa Helena num barquinho que a gente fez. Naquela época, a gente recebia muita ameaça e a gente morria de medo. Ameaçavam a gente, diziam que iam levar pra fazer sabão. E ai a cada um ia pro seu canto. E, com medo, a gente foi pra longe”.
Diferentemente de muitas histórias relatadas pelos indígenas, o xeramõi Gregório Matos nunca deixou a região. Hoje, vive na Tekoha Marangatu, nas proximidades de Guaíra, ocupada em 2004. Ele conta que na época da inundação a usina prometeu uma indenização que nunca chegou: “O pessoal da Itaipu falou que ia pagar para aqueles que iam sair. Pra mim eles não pagaram e eu fiquei onde nasci, mas não sei pros outros. Os cemitérios que a gente tinha antigamente ficaram debaixo das águas, e várias aldeias ficaram debaixo d’água também. Algumas vezes eu penso e dá um aperto. Os corpos de muitos dos nossos pais ficaram debaixo d’água”.
“A situação se encaminhou em 1982 para a remoção e confinamento dos Guarani numa exígua faixa de terra à beira do lago de Itaipu, sem qualquer paridade em tamanho e condições ambientais com o território ocupado anteriormente, o que também violava a legislação indigenista vigente”, diz o texto da CNV. Ali eles enfrentaram surtos de malária e doenças “decorrentes do uso de agrotóxico pelos colonos vizinhos, surtos esses que dizimaram parte da população”, prossegue o texto, baseando-se em um laudo antropológico assinado pela antropóloga e servidora da Funai Maria Lúcia Brant de Carvalho, que estudou e conviveu com os Guarani entre 2001 e 2007. Ainda segundo a CNV, “prevaleceu, contudo, a versão oficial dos ‘índios inexistentes’ e da ‘generosidade de Itaipu’”.

*Fonte: http://apublica.org/os-ecos-de-itaipu/ acesso em 21/03/2015

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

COOPERBIOGAS





Copagril firma parceria com Itaipu para utilização de biogás do Condomínio Ajuricaba

Parceria vai resultar em benefícios para Marechal Cândido Rondon, para a Copagril, produtores rurais e o meio ambiente. 

Em um encontro, realizado na manhã desta segunda-feira (3), o diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Jorge Samek, assinou três convênios, um deles com a Copagril, para a utilização do biogás produzido pelo Condomínio de Agroenergia para Agricultura Familiar da Microbacia do Rio Ajuricaba, instalado em Marechal Cândido Rondon. Além deste, foram fechadas duas outras parcerias, com a C. Vale, para renovar o programa de reflorestamento, e com a prefeitura de Toledo, que tem um grande plantel de suínos e também utilizará o biogás para a produção de energia.



O Projeto

A Cooperbiogas é uma cooperativa rondonense, formada por 33 propriedades rurais da linha Ajuricaba, que utiliza dejetos suínos e bovinos para a produção do gás metano. Este gás é transportado por um gasoduto de 22 quilômetros para a utilização nas propriedades envolvidas e, de acordo com o previsto no projeto, será utilizado também para alimentar as caldeiras da Unidade Industrial de Aves da Copagril. A conexão entre o abatedouro e a microcentral termelétrica será feita por um gasoduto de 1.800 metros. Além disso, a Copagril deve construir mais um biodigestor no próprio frigorífico, duplicando a produção do gás.
De acordo com a explicação do superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley Jr, que também é diretor-geral do Centro Internacional de Energias Renováveis/Biogás (CIBiogás-ER) e presidente da Associação Brasileira do Biogás e Biometano (Abiogás), a parceria é benéfica para todos os envolvidos, inclusive financeiramente. Ele revelou que será reduzida em 10% a quantidade de lenha usada pela cooperativa, gerando uma economia de cerca de R$ 160 mil mensais. Há, ainda, outros benefícios, como a diminuição da liberação de gases na atmosfera, a preservação dos rios Ajuricaba e Arroio Fundo e a possibilidade de ampliar o projeto, com a integração de outros produtores rurais e, até mesmo, a replicação em outras áreas. “A Itaipu, além de gerar energia, desenvolve estudos e pesquisas de alternativas mais viáveis que as que usamos hoje. Existe uma necessidade muito grande de buscarmos eficiência energética, porque cada vez mais precisamos alimentar o planeta, e cada vez menos podemos utilizar o meio ambiente para isso”, declarou.
O presidente da Copagril, Ricardo Sílvio Chapla, comentou sobre a satisfação em fazer parte destas iniciativas. “Este é apenas o primeiro convênio que estamos fechando com a Itaipu, de muitos que virão. Nossa cooperativa preza por alternativas que não degradem o meio ambiente e é uma necessidade de todos nós, isto sem deixar de lado o desenvolvimento tecnológico e produtivo”, declarou.
Participaram do cerimonial, além de Ricardo, o vice-presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa, o diretor-secretário, Marcio Buss, o gerente da UIA, Adolir Weber, o gerente comercial da UIA, José de Lima, e o encarregado do setor de manutenção, Flávio Lima. O anfitrião, presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, também acompanhou a assinatura dos convênios, assim como o Diretor de Coordenação de Itaipu, Nelton Friedrich, e representantes da Cooperbiogás.

Texto e fotos: Camila Syperreck

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Salto de Sete Quedas - Guaira - Paraná - BR



Sete Quedas



Foi a maior cachoeira do mundo em volume de água, isso mesmo, foi! Isso porque em 13 de outubro de 1982 as comportas da recém criada Usina Hidrelétrica de Itaipu foram fechadas para a criação da represa de Itaipu inundando as quedas d’água. Para se ter uma ideia de sua grandeza basta compararmos a taxa média de fluxo anual dela com as Cataratas do Niágara (a maior em volume de água atualmente), a Sete Quedas tinha um fluxo de 13.300 m³/s enquanto as Cataratas do Niágara tem hoje 2.407 m³/s. Ela se localizava na fronteira entre o Brasil e o Paraguai fazia parte do Rio Paraná, hoje ela esta localizada no fundo do lago artificial de Itaipu.

Cartão Postal de Guaíra


Quem teve a oportunidade de assistir a esse fantástico espetáculo da natureza, traz a cena gravada para sempre na retina. Mas por mais imaginativo que seja, por melhor memória que possua, jamais conseguirá reproduzir a imagem majestosa, de bilhões de metros cúbicos de água despencando por segundo do alto de ribanceiras rochosas para o abismo, com um ruído ensurdecedor.

cartão postal de Guaíra

As quedas localizavam-se em um ponto onde o rio Paraná era forçado através de um estreito desfiladeiro. Na cabeça das quedas, o rio estreitava drasticamente a partir de uma largura de cerca de 380 m a 61 m. A altura total das quedas foi de aproximadamente 114 m, enquanto a maior das 19 grandes cachoeiras tinha uma queda de 40 m de altura. O rugido da água mergulhando podia ser ouvido a 20 quilômetros de distância.

Vista geral do Salto Guaíra
(01) Salto 17; (02) Saltinho; (03) Salto 15; (04) Salto Arco-íris; (05) Salto 19; (06) Canalão; (07) Salto 17 e (08) Salto 14.


As Sete Quedas podiam ser consideradas uma das maiores maravilhas naturais, era uma verdadeira pintura de Deus. Era Constituída por 19 cachoeiras principais divididas em 7 grupos de quedas. A cidade de Guaíra foi construída em 1940 para aproveitar a potência turística da região, foi nessa época que o Brasil e o Mundo começaram a conhecer o Salto Guaíra (outro nome dado ao Salto de Sete Quedas).

Salto 17


O auge da visitação turística do local se deu nos anos 60, o Salto do Guaíra havia tomado uma grande atenção turística das Cataratas do Iguaçu, as duas quedas dividiam as atenções na época. Tudo corria muito bem, a novíssima cidade de Guaíba crescia rapidamente com o dinheiro vindo do turismo, a cidade alcançou uma população de 60 mil habitantes (hoje conta com apenas 30 mil).



As quedas eram um sucesso até que em 1979 foi decretado o fim do Salto das Sete Quedas. O governo havia decretado que a construção da Usina de Itaipu iria alagar o Salto Guaíra. Após o ocorrido, milhares de turistas se dirigiram às Sete Quedas, todos queriam vê-la antes que ela se fosse, todos queriam ver seus últimos dias.

Eram centenas de turistas todos os dias no Parque das Sete Quedas.
Eram enormes filas para dar o último adeus a grande obra da natureza.


Sua morte foi causada pela ambição política da época. As negociações para a construção da Usina de Itaipu se deram em 1960, entre o Brasil e o Paraguai. Após seis anos de negociações foi fechado um tratado para a construção da Hidrelétrica. A potência hídrica do rio foi o principal atrativo para a construção.
Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começou a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná. A inundação durou apenas 13 dias, durante este período vários ribeirinhos voltaram até a beira do rio para se despedirem das Sete Quedas. A cena foi muito triste como contam relatos de pessoas que viveram esta tragédia de perto.

As águas da nova represa foi levando tudo o que via pela frente.

Antes e durante o a inundação das quedas foram feitas varias manifestações, mas não surtiram efeito. O governo se mostrava sem opção, procurando demonstrar a riqueza que a Hidrelétrica traria ao país. Sem contar que eles também não procuraram dar muita satisfação à população. Quando uma vez questionado por que não podia fazer nada pelas quedas o Presidente brasileiro da época respondeu: “Se eu salvar Sete Quedas, o que vou fazer com aquela tremenda construção de Itaipu?”

Até o presidente João Figueiredo foi dar o último adeus ao Salto Guaíra.


O que mais nos intriga hoje em dia é a falta de respeito por parte do governo com a natureza, como esses governantes não se sensibilizaram com a beleza das Quedas? Como eles foram tão frios a ponto de matar uma das mais belas obras divinas já presenciadas pelos homens? Como puderam se deixar levar pela ganância?

parte inferior do "Canalão"
O "Canalão" era um espetáculo de som e imagem













corredeiras abaixo das quedas
Salto Arco-Íris


























Hoje já não se houve falar nela, a própria Usina de Itaipu não se deu nem o trabalho de lhe fazer uma homenagem. O governo procurou silenciar a covardia para a sua prosperidade, ao contrario, a maior Hidrelétrica do mundo não seria tão glorificada como é hoje. Mal sabemos nós os sacrifícios que a natureza teve que sofrer para nos dar mais um pouco de suas forças.

Na foto podemos ver acima como eram as Sete Quedas e o que
restou dela após a inundação, pra falar a verdade não sobrou nada.


Em 1982, o poeta Carlos Drummond de Andrade expressa sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural dos brasileiros e da humanidade:

Mirtes Werlang
Professora/Geógrafa
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Esta mensagem foi verificada pelo E-mail Protegido Terra.
Atualizado em 12/07/2011