Mostrando postagens com marcador ONU. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ONU. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

LÍNGUAS INDÍGENAS



A ONU declara 2019 como ano das Línguas Indígenas. Palavras do Papa em defesa dos nativos

O Ano Internacional das Línguas Indígenas declarado pela ONU é essencial para destacar a necessidade de preservar e revitalizar este patrimônio mundial. O Papa na "Laudato sì": o desaparecimento de uma cultura pode ser mais grave do que o desaparecimento de uma espécie animal. Um missionário que vive na Amazônia declara: “Aqui 390 povos e 240 idiomas falados”
Cidade do Vaticano
A Assembleia Geral da ONU anunciou que 2019 será considerado o Ano Internacional das Línguas Indígenas. O objetivo é chamar a atenção para muitos desses idiomas que têm desaparecido e destacar a necessidade de preservar e revitalizar este patrimônio. As línguas são essenciais nos âmbitos da tutela dos direitos humanos, da construção da paz e do desenvolvimento sustentável, garantido diversidade cultural e diálogo intercultural.

Desaparecem em um ritmo alarmante

O Ano Internacional das Línguas Indígenas contribuirá para a conscientização da necessidade urgente de se preservar, revitalizar e promover as línguas indígenas no mundo.
Atualmente, existem por volta de 6 a 7 mil línguas indígenas no mundo. Cerca de 97% da população mundial fala somente 4% dessas línguas, e somente 3% das pessoas do mundo falam 96% de todas as línguas indígenas existentes. A grande maioria dessas línguas, faladas sobretudo por povos indígenas, continuarão a desaparecer em um ritmo alarmante. Sem a medida adequada para tratar dessa questão, mais línguas irão se perder, e a história, as tradições e a memória associadas a elas provocarão uma considerável redução da rica tapeçaria de diversidade linguística em todo o mundo.

Até 2100 poderão desaparecer 50 a 90 por cento das línguas

A língua que falamos define quem somos, o nosso modo de entender e de nos relacionarmos com o mundo. Estima-se que com o crescimento do número de pessoas que falam apenas as línguas dominantes, como inglês, chinês e espanhol em detrimento da difusão das menos conhecidas, até o final deste século poderiam desaparecer entre 50 a 90 por cento das línguas do mundo.

Papa Francisco: salvar as culturas antes das espécies animais

Na carta encíclica Laudato sì de 2015, sobre a tutela da Criação, no parágrafo 145, o Papa escreve que “O desaparecimento de uma cultura pode ser tanto ou mais grave do que o desaparecimento de uma espécie animal ou vegetal”. E no parágrafo sucessivo acrescenta: “Neste sentido, é indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais”.

O encontro com os povos da Amazônia em 2019 no Peru

Palavras que foram recordadas no Peru, em Puerto Maldonado, em 19 de janeiro de 2018 durante o encontro com os povos da Amazônia, inaugurado com o testemunho de um casal de índios. “Queremos – disseram claramente – que nossos filhos estudem, mas não queremos que a escola cancele as nossas tradições, as nossas línguas, não queremos esquecer-nos da nossa sabedoria ancentral!”. Francisco cita estas palavras no seu discurso com as várias etnias presentes dos Harakbut aos Wampis, e acrescenta: “A única maneira das culturas não se perderem é manter-se dinâmicas, em constante movimento”.

Aos bispos: promover educação intercultural e bilíngue

O Papa se dirige aos irmãos bispos da Amazônia, que em outubro serão protagonistas do primeiro Sínodo dedicado aos indígenas do continente americano. “Peço aos meus irmãos bispos que, como já se está fazendo nos lugares mais remotos da floresta, continuem a promover espaços de educação intercultural e bilíngue nas escolas e nos institutos pedagógicos e universitários”. E se congratula com as iniciativas da Igreja peruana da Amazônia para a promoção dos povos nativos: “Escolas, residências para estudantes, centros de pesquisa e promoção, como o Centro Cultural José Pío Aza, o CAAAP e o CETA, inovadores e importantes espaços universitários interculturais como NOPOKI, voltados expressamente para a formação dos jovens das diferentes etnias da nossa Amazônia”.

Padre Bossi: uma língua é um canal de encontro com Deus

Perguntamos ao padre Dario Bossi, missionário comboniano que vive há 12 anos no Maranhão, seu parecer sobre a iniciativa da ONU: “Uma língua é uma cultura, é uma visão do mundo, é um canal de encontro com Deus, é reserva de conhecimentos tradicionais e é também expressão de uma profunda integração com a natureza, com o ambiente, especialmente entre os povos indígenas, que podem ser considerados como os grupos mais vulneráveis no mundo de hoje”.
Na Amazônia, recorda o missionário comboniano, “existem 3 milhões de pessoas indígenas, 390 povos e, ainda, 240 idiomas falados. Em várias partes da América Latina os povos indígenas são ameaçados, especialmente no Brasil, no Chile e na Argentina”. E sublinha a forte sensibilidade do Papa Francisco para com os povos indígenas citando os encontros de Puerto Maldonado e o de Temulco no Chile com os Mapuche “um dos povos que mais sofrem pela violência e a privação dos direitos humanos”.
Em 2016 no estado mexicano de Chiapas – recorda ainda padre Dario – o Papa pediu perdão e oficializou a Bíblia traduzida em três das línguas indígenas locais. A língua é um desafio à inculturação, conclui o missionário, e “A Igreja precisa inculturar-se e dialogar com as culturas indígenas. Este será o desafio para o Sínodo Especial para a Amazônia, em outubro deste ano”.

Homilias do Papa da Casa Santa Marta: o colonialismo cultural não vence o dialeto

Papa Francisco falou várias vezes sobre a importância da língua mãe. A língua materna, destaca, é um baluarte contra as colonizações ideológicas e culturais, contra o pensamento único que quer destruir a diversidade. “Um dos indicadores de uma colonização cultural – disse na Missa na Casa Santa Marta de 23 de novembro de 2017 – é “anular a história” para tirar a liberdade de pensamento. Seria como dizer: “A história começa comigo, agora, com a narração que faço neste momento, não com a memória que lhe transmitiram”. Conservar a língua materna significa resistir a esta imposição cultural: “Não existe colonização cultural alguma que possa vencer o dialeto”. O dialeto “tem raízes históricas”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2019-01/papa-francisco-onu-linguas-indigenas.html?fbclid=IwAR2RWRqpqfyk9FmcRq0cqa7GzDzb035Sbyt5O3_8HfauxFlT_ig94Va6vuc#.XDJNi7SvBRk.facebook

sábado, 7 de março de 2015

FÍSICA



Cientista brasileira que estuda buracos negros ganha prêmio da ONU


Thaisa Bergmann, professora em Porto Alegre, foi escolhida pela Unesco.
Premiação reconhece mulheres que contribuíram para o avanço científico.


A cientista brasileira Thaisa Storchi Bergmann, professora em Porto Alegre e especialista nas áreas de física e astronomia, está entre as vencedoras do prêmio L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência.
A láurea é um reconhecimento a mulheres que têm destaque no meio científico e que contribuíram para o avanço em pesquisas.

Thaissa possui doutorado em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e fez pós-doutorado na Universidade de Maryland e no Instituto do Telescópio Espacial.
Atualmente ela é professora associada do Instituto de Física da UFRGS e chefia o departamento de Astronomia e Grupo de Pesquisa em Astrofísica.
Sua área de pesquisa é em astrofísica extragaláctica, com foco nos processos de alimentação e feedback de buracos negros supermassivos em galáxias.
Segundo informações da Rádio ONU (Organização das Nações Unidas), além da brasileira, mulheres cientistas que trabalham no Canadá, China, Marrocos e Reino Unido também receberão o prêmio.
Segundo a Unesco, ainda é preciso avanços para alcançar equilíbrio de gênero na ciência. Apenas 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres.

A agência da ONU anunciou que 2015 é o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas em Luzes. Segundo a Unesco, esse ano celebra a ciência e o conhecimento em todo o mundo.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/03/cientista-brasileira-que-estuda-buracos-negros-ganha-premio-da-onu.html

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

MEIO AMBIENTE



Desertificação: 'por que este assunto não está na capa dos jornais?'

Um solo produtivo leva de três mil a 12 mil anos para a sua formação, e o aumento da desertificação no mundo desmascara a 'eficiência' do agronegócio.


Najar Tubino

Mídia Ninja


É uma decisão da ONU, que desde 2013 também definiu o dia 5 de dezembro como o dia mundial do solo. Em maio, entre os dias 4 e 7, ocorrerá a Conferência Internacional do Solo na Albânia com o lema: “O solo sustenta a vida: muito lento para formar, rápido demais para perder”. Um centímetro de solo demora entre 100 e 400 anos para se formar, e os pesquisadores calculam que um solo produtivo dentro da normalidade leve de três mil a 12 mil anos para a sua formação. Mesmo assim, a ONU calcula que até 2050 o mundo perderá um Brasil inteiro em solo, ou seja, 849 milhões de hectares. São 12 milhões de hectares por ano. O que é mais importante: somente 5 a 10% dessa terra chegam ao mar. Onde fica o restante? No leito dos rios, no lago das represas, tanto de abastecimento de água, como das hidrelétricas, nos córregos, nos afluentes. Como dizem os chineses: os rios do planeta estão empanturrados.
 
O secretário executivo da Convenção das Nações Unidas contra a desertificação, o africano Luc Gnacadja, do Benin, pergunta: por que este assunto não está na capa dos jornais? Simples, porque a mídia tradicional não trata de assuntos importantes realmente, a não ser com um viés conservador, sempre a favor do mercado. Tratar do solo, portanto, poderá desmascarar a eficiência do agronegócio, cuja receita de monoculturas é a mesma no mundo. Mas aí temos as previsões para o aumento da população e as necessidades de alimentação, o que reforça a prática destrutiva do modelo industrial de produção de alimentos. Temos que crescer 50% até 2050, dizem eles. Isso significa algo como 175 a 200 milhões de novos hectares.
A degradação avança em todo o mundo
A matemática é simples: se nada for feito para deter a erosão e o desmatamento, os dois principais fatores da degradação dos solos, em 20 anos teremos perdidos mais 240 milhões de hectares, calculando 12 milhões ao ano, como faz a ONU. Em 1991, 15% das terras cultiváveis do planeta estão se degradando, agora são 24%. Eram 110 países que sofriam com o problema da erosão e com o aumento da desertificação, agora são 168.
“-Veja o caso da África, cita o secretário da Convenção contra a Desertificação, que é o continente mais vulnerável à seca e à degradação dos solos. A situação atual aponta para 45% do solo afetado pela degradação e admite-se que dois terços podem ser perdidos até 2025”, diz Luc Gnacadja.
Ele completa: “até agora a resposta humana à degradação dos solos e ao avanço da desertificação tem sido derrubar mais área de floresta para aumentar a fronteira agrícola”.
Mundo urbano não discute o rural
Um texto sobre outra conferência – em Brasília, entre os dias 25 a 27 de março- cita alguns argumentos sobre a importância do solo:
“- Os solos constituem insumo fundamental para o desenvolvimento humano. Nenhum país consegue desenvolver-se plenamente sem acesso a esse recurso natural e as suas riquezas são incalculáveis. Em interface com a atmosfera, a hidrosfera, a biosfera e a litosfera o solo é responsável pelos principais processos biogeoquímicos que garantem a vida na Terra, estoca a água e recicla nutrientes, protege contra enchentes, sequestra carbono e abriga 25% da biodiversidade”.
Ocorre que o mundo atual é urbano, digital, eletrônico e não comporta espaço nem discussão sobre assuntos considerados rurais, do campo, de outra esfera. A não ser quando da realidade bate a porta e começa a sumir a água das torneiras e, de repente, milhões ficarão sem água, como acontecerá em 2015 em São Paulo. É o que diz um trabalho divulgado pela The Nature Conservancy sobre o problema da falta de água nas grandes cidades.
Detonaram o mato dos mananciais
Se 14,3 mil hectares dos 493,4 mil hectares que formam os sistemas Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Grande fossem reflorestados com mato nativo, isso diminuiria em 568,9 mil toneladas de sedimentos que são jogados nos cursos d’água, que alimentam os reservatórios.
“- A sedimentação tem impacto direto na quantidade e na qualidade da água dos mananciais. Isso ocorre porque não há cobertura vegetal ao redor dos rios e das represas. O solo exposto, além de sofrer erosão e não absorver a água das chuvas provoca o escoamento da terra para os corpos d’água, assoreando o leito e diminuindo a vida útil dos reservatórios”, como explica Samuel Barreto, coordenador do Movimento Água para São Paulo.
A região dos mananciais já perdeu 70% da mata nativa para a pecuária e agricultura. Os números levantados pela organização não governamental SOS Mata Atlântica são piores – só restam 488km2, ou seja, 21,5%. Não se trata de uma novidade brasileira. A erosão na China já consumiu 19% da área agrícola e os números apontam para descarga de terra superior no rio Yang-Tsé, o maior da Ásia, superior as dos rios Nilo e Amazonas juntos – três bilhões de toneladas ao ano.
O tempo passa, as cidades inflam, os rios são empanturrados não somente de terra, de solo perdido, juntamente com seus nutrientes e dos fertilizantes químicos, mas também de esgoto e lixo de todo tipo. É uma situação vergonhosa o que acontece no Brasil, onde o tratamento de esgoto ainda não é considerado uma prioridade, mesmo com verbas federais autorizadas. O conto do vigário de políticos sem compromisso com a população não combina com obras que ficam embaixo da terra. Hoje, ao se fazer uma pesquisa sobre assoreamento de rios e represas no país, o resultado é revoltante. Sem exceções, todos os principais rios brasileiros estão assoreados e entupidos de esgoto e lixo. Seus afluentes, córregos e nascentes foram detonados, sem mato para proteção. Tudo em nome do progresso e da modernidade, que fede com os excrementos de milhões de pessoas.
Colapso do sistema público de água
Em 2015, justamente quando o assunto solo poderá ganhar as páginas da mídia ordinária, o país será usado como exemplo do que pode ocorrer na maior metrópole, a falta de água nas torneiras paulistas. O Centro de Desastres Climáticos, do INPE calculou as estimativas de chuvas até abril – mesmo com fevereiro acima da média-, além do que a SABESP retira do sistema Cantareira. E a previsão é que o sistema seca em julho. No início de dezembro passado ocorreu um encontro na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, sobre as perspectivas de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. O professor Pedro Luiz Cortês, da Uninovo, coordenador do encontro, disse:
“- Temos um sistema cada vez mais suscetível a eventos climáticos, como secas prolongadas, além do consumo cada vez mais intenso. Desde 2012 sabíamos que entraríamos num regime de falta de chuvas. O governo deveria vir a público apresentar os cenários com os quais está trabalhando”.
Outro comentário, agora do professor Reginaldo Berto, do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas, da USP:
“- É preciso se preparar para o colapso do sistema público de abastecimento a partir de abril de 2015”.
 
Enquanto isso, a mídia ordinária faz uma contagem regressiva ao contrário, dando uma falsa impressão à população de que as coisas estão melhorando: chegou a 8,9% e continua subindo. O Sistema Cantareira, assim como outros sistemas de abastecimento, começou a entrar em colapso ao longo dos últimos anos. A essência do problema é que a classe política conservadora não considera o ambiente como parte da vida e do suporte da vida, além de combater as mudanças climáticas, como se fosse ideia de comunista. E, por essa e outras, que o país, que tem água doce em grande quantidade, dará um exemplo ao contrário ao mundo. Claro, que tudo ainda depende da decisão técnica do governador paulista.       


Fonte: http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FMeio-Ambiente%2FDesertificacao-por-que-este-assunto-nao-esta-na-capa-dos-jornais-%2F3%2F32899

links relacionados: http://m.estadao.com.br/noticias/geral,desertificacao-ameaca-producao-de-alimentos-diz-onu,44333,0.htm


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ALIMENTAÇÃO


ONU recomenda mudança global para dieta sem carne e sem laticínios

INT 4441725759 3f96c02dc2Foto ilustrativa / reprodução internet.

Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, da escassez de combustíveis e dos piores impactos das mudanças climáticas, afirmou hoje um relatório da ONU. Na medida em que a população mundial avança para o número previzível de 9,1 bilhões de pessoas em 2050 e o apeite por carne e laticínios ocidental é insustentável, diz o relatório do painel internacional de gerenciamento de recursos sustentáveis do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP).
Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam sustancialmente devido ao crescimento da população e do consumo de produtos de origem animal. Ao contrário dos que ocorre com os combustíveis fósseis, é difícil procurar por alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial nos impactos somente seria possível com uma mudança substancial na alimentação, eliminando produtos de origem animal”.
O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos de origem animal causam mais danos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis”.

A recomendação segue o conselho de Lorde Nicholas Stern, ex-conselheiro do governo trabalhista inglês sobre a economia das mudanças climáticas. O Dr. Rajendra Pachauri, diretor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), também fez um apelo para que as pessoas observem um dia sem carne por semana para reduzir emissões de carbono.

O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o desenvolvimento econômico, eles disseram.

Ernst von Weizsaecker, um dos cientistas especializados em meio ambiente que coordenaram o painel, disse: “A crescente riqueza econômica está levando a um maior consumo de carne e laticínios – os rebanhos agora consomem boa parte das colheitas do mundo e, por inferência, uma grande quantidade de água doce, fertilizantes e pesticidas”.

Tanto a energia quanto a agricultura precisam ser "dissociadas" do crescimento econômico porque os impactos ambientaris aumentam grosso modo 80% quando a renda dobra, afirma o relatório.

Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo da UNEP,afirmou: “Separar o crescimento dos danos ambientais é o desafio número um de todos os governos de um mundo em que o número de pessoas cresce exponencialmente, aumentando a demanda consumista e persistindo o desafio de aliviar a miséria e a pobreza".

O painel, que fez uso de diversos estudos incluindo o Millennium Ecosystem Assessment (avaliação do ecosistema no milênio), cita os seguintes itens de pressão ambiental como prioridade para os governos do mundo: mudanças climáticas, mudanças de habitats, uso com desperdício de nitrogênio e fósforo em fertilizantes, exploração excessiva dos oceanos e rios por meio da pesca, exploração de florestas e outros recursos, espécies invasoras, fontes não seguras de água potável e falta de saneamento básico, exposição ao chumbo, poluição do ar urbano e contaminação por outros metais pesados.

A agricultura, particularmente a carne e os laticínios, é responsável pelo consumo de 70% de água fresca do planeta, 38% do uso da terra e 19% da emissão de gases de efeito estufa, diz o relatório, que foi liberado para coincidir com o dia Mundial do Meio Ambiente no sábado.
Ano passado, a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU (FAO) disse que a produção de alimentos teria de aumentar em 70% para suprir as demandas em 2050. O painel afirmou que os avanços na agricultura serão ultrapassados pelo crescimento populacional.
O professor Hertwich, que é também diretor de um programa de ecologia industrial na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, disse que os países em desenvolvimento, onde se dará grande parte do crescimento populacional, não devem seguir os padrões de consumo ocidentais: “Os países em desenvolvimento não devem seguir nossos modelos. Mas cabe a nós desenvolver tecnologias em, digamos, energia renovável e métodos de irrigação.”

Fonte: Brasil em Pauta / Guardian
Fonte: http://www.olharanimal.org/consumo/907-onu-recomenda-mudanca-global-para-dieta-sem-carne-e-sem-laticinios Acesso em 02/02/2015



Cowspiracy: O documentário que anda a fazer veganos vai ser exibido em Lisboa

São vários os relatos pelo mundo de pessoas que viram o filme e decidiram mudar a alimentação, não para proteger animais, mas para salvar o planeta. O apresentador português João Manzarra é um deles.

"O 'Cowspiracy' pode ser o mais importante filme feito para inspirar a salvação do planeta", disse o realizador do "The Cove"
©D.R.

Comer animais pode ser mais prejudicial para o planeta do que tomar duches longos e conduzir carros poluentes. A pegada ecológica causada pela agricultura animal, e ainda pouco conhecida, é o tema de “Cowspiracy”, cuja estreia em Portugal acontece no sábado, 10 de janeiro, às 11h00, no cinema do Saldanha Residence, em Lisboa. A sessão, que inclui debate com os realizadores e mostra de gastronomia, esgotou em poucos dias, pelo que foi adicionada uma nova data para o dia seguinte.
“O ‘Cowspiracy’ pode ser o mais importante filme feito para inspirar a salvação do planeta“. O elogio é forte, mais ainda porque veio de Louie Psihoyos, realizador de “The Cove” (“A Baía da Vergonha” é o título em português), documentário norte-americano sobre a caça de golfinhos no Japão e que venceu o Óscar de melhor documentário em 2010.
O título do filme realizado por Kip Andersen e Keegan Kuhn é um trocadilho entre as palavras vaca (cow) e conspiração (conspiracy), mas “Cowspiracy” tem mais a ver com factos do que com teorias da conspiração, factos que mostram a existência de um problema maior do que todas as vacas que habitam a Terra: a pegada ecológica causada pela criação de animais para alimentação. A partir daí, os realizadores questionaram várias Organizações Não Governamentais (ONG) ambientalistas, como a Greenpeace, sobre porque é que a questão não está a ter a atenção que merece. As reações compiladas no filme surpreendem.
Os vários casos de pessoas por todo o mundo que deixaram de comer carne, ou que renunciaram aos produtos de origem animal, podem fazer com que “Cowspiracy” pareça mais uma ação para proteger os direitos dos animais, mas não, não restem dúvidas: este é um filme ambientalista. Se não sabia que 51% das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa são causadas pela pecuária e atividades relacionadas (dados do Worldwatch Institute), eis a razão por que os realizadores decidiram avançar com as filmagens.
“Fiquei chocado por aos 29 anos de idade estar completamente deslocado do problema principal de insustentabilidade do planeta”, disse o apresentador João Manzarra ao Observador. “O documentário é muito factual, trata de problemas reais e devastadores que não são tratados nem pela maioria das ONG, e que são ignorados pela maioria das pessoas”. Em Portugal, João Manzarra é o exemplo mais mediático da influência de “Cowspiracy”. “Vi-o no dia 19 de novembro e fui confrontado com toda a sua informação no voo entre Amesterdão e Lisboa”, contou. “Quando terminou comprometi-me a não alimentar mais a criação de gado até surgir um contraditório convincente para os problemas expostos no filme, o que não aconteceu até hoje”.
Desde então que o apresentador se tornou vegano, ou seja, não consome nenhum produto de origem animal, seja carne, peixe, laticínios ou ovos. O adeus ao sushi foi difícil, mas a derradeira prova foi a venda da sociedade na Petisqueira Matateu, que abriu em 2013, no Estádio do Restelo. Terminou assim o confronto de consciência. Mas começou também o julgamento público. “Jamais esperei o tamanho do impacto que esta decisão pessoal causou. Recebi os maiores elogios e as maiores ofensas de toda a minha vida, as pessoas têm uma ligação emocional muito forte ou com os animais ou com o sabor deles”, disse.
O passo seguinte foi contactar os realizadores, no sentido de transmitir que o esforço e o trabalho colocados na realização da narrativa tinha atravessado o Atlântico até Portugal e que tinha “mudado consciências”. Rita Silva, presidente da ONG portuguesa ANIMAL, também já tinha mostrado interesse em exibir o filme em Portugal, por isso os realizadores puseram os dois em contacto e assim foi possível organizar os dois visionamentos em Lisboa.
“Enquanto profissional da área senti que o documentário estava muito bem conseguido, é inteligente e factual. Acho que eles são heróis”, disse ao Observador Rita Silva, que já conhecia Kip Andersen e Keegan Kuhn. Dedicada à causa animal há 11 anos e vegana há uma década, Rita Silva acreditou sempre que “Cowspiracy” teria uma boa adesão do público português, mas confessou que não imaginava que “fosse tão grande”. A visibilidade que João Manzarra tem dado nas redes sociais ajudou. “O facto de ele ter partilhado uma coisa que mexeu com ele, sem impor nada, fez com que as pessoas ficassem muito mais ligadas a isto. É importante que as pessoas vejam o filme pelo filme e que quaisquer mudanças que façam seja pelas razões certas”, defendeu.
Mudanças. Depois do visionamento, Rita Silva quer ver resultados e, para isso, organizou um debate, no qual os realizadores do filme, Kip Andersen e Keegan Kuhn, vão participar por videoconferência. “Que seja esclarecedor e imparcial, que se encontrem soluções e que se explique como agir localmente” são os frutos que João Manzarra espera que nasçam da conversa. No espaço do cinema vão estar também algumas bancas de comida “para desmistificar o que as pessoas têm como uma coisa complicadíssima, que é não comer animais”, adiantou.
Os bilhetes para a primeira sessão já esgotada custavam 6,50 euros cada. Para a sessão extra de dia 11 de janeiro, também às 11h00, custam 4 euros, valor menor que se justifica pela ausência de debate e de degustação de produtos de origem vegetal que vai ter lugar no dia 10. Todo o dinheiro dos bilhetes reverte a favor da causa: 25% da receita será entregue à Animals United Moviment Films & Media e 75% à ANIMAL.
Para quem não conseguir ir ao cinema, o documentário também pode ser visto no site oficial por menos de 10 dólares (cerca de 8 euros, à taxa de conversão atual).

Fonte:  http://observador.pt/2015/01/05/cowspiracy-o-documentario-que-anda-a-fazer-veganos-vai-ser-exibido-em-lisboa/ Acesso em 02/01/2015