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sábado, 13 de maio de 2017

TELHADO BARATO E SUSTENTÁVEL


GARRAFAS DE PLÁSTICO VIRAM TELHADO BARATO E SUSTENTÁVEL


Telhados de palha são usados pela humanidade há gerações, e estão presentes das ocas indígenas brasileiras até as típicas casas alemãs. É compreensível, pois se trata de um método durável com um sistema natural que não retém calor. O problema da palha é o seu cultivo excessivo, que fez com que lugares como Maqui Picuna, no Equador, não tenham matéria-prima disponível para implantação desse tipo de telhado. O que resta? Utilizar os modelos de zinco ondulado, por exemplo, que, em comparação aos de palha, retêm calor e são barulhentos durante chuvas.
É aí que o Dr. David Saiia entrou. Ele é professor de Economia Estratégica e Sustentabilidade da Universidade de Duquesne, nos EUA, e criou um método que transforma garrafas plásticas em telhados. Juntamente com sua parceira, Vannah Le, e um grupo de seus estudantes, ele foi ao Equador ajudar a instalar os telhados de plástico.
O processo envolve cortar o topo e a base da garrafa enquanto o resto é cortado em tiras. As tiras são amarradas em extensões de bambu ou derretidas com uma solda ultrassônica. O resultado permite um produto que dura mais, e que possui ventilação, vedação contra chuva e entrada de luz natural na casa, além de ser feito de um material com alta disponibilidade e barato.
Devido às políticas públicas de reciclagem implantadas no Equador em 2012, o país tem criado uma cultura de reciclagem que aumentou a quantidade de plástico coletada no país. O incentivo foi tanto que o país entrou na lista de recordes do Guiness por coletar mais de 1,5 milhão de garrafas de plástico em quinze dias.
De tudo isso não veio apenas a ideia de ajudar uma comunidade. Saiia e Vannah Le criaram o Reuse Everything Institute (em português, Instituto de Reutilizar Tudo), que procura descobrir e redescobrir maneiras de melhor gerenciar a atividade humana de uma maneira ecológica e sustentável. Eles esperam que essa invenção possibilite desenvolver uma nova indústria que gerará empregos para aqueles que desejam fabricar, vender e instalar telhados, aproveitando o grande problema que é a poluição do plástico.
De acordo com o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), só em 2011, 6,5 milhões de toneladas de resinas plásticas foram consumidas pelos brasileiros e, desses, apenas 21% foi reciclado. Parece uma boa iniciativa para o Brasil, não?
Assista a animação (em inglês) da Reuse Everything Institute sobre o projeto.
http://www.ecoguia.net/noticias/garrafas-de-plastico-viram-telhado-barato-e-sustentavel/
Colaboração: Mariana Carvalho

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PARA MELHORAR A VIDA DOS POVOS, CELAC PROPÕE FORTALECER UNIDADE LATINO-AMERICANA E CARIBENHA



 Por Alexandre Haubrich
Aconteceu nesta semana, no Equador, o IV Encontro da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). O objetivo do encontro, que reuniu representantes de 33 países, é fortalecer a unidade entre os países para melhorar a vida de seus cidadãos, conforme apontou em seu discurso de abertura o presidente equatoriano Rafael Correa, que presidia a Celac e passou a presidência de forma provisória ao presidente da República Dominicana, Danilo Medina, que irá sediar o próximo encontro.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Durante os debates entre os representantes dos países da região, foram discutidas medidas para avançar sobre cinco pontos levantados em uma reunião anterior, realizada em novembro: a redução da pobreza e das desigualdades, o fortalecimento da Educação, da Ciência, da Tecnologia e da Informação, o consenso sobre políticas relacionadas ao meio ambiente e contra as mudanças climáticas, a gestão de financiamento para o desenvolvimento enfatizando a infraestrutura e a conectividade, e o desenvolvimento e potencialização do bloco regional.
Diversos representantes nacionais destacaram que o sistema econômico mundial conduzido pelos países centrais do capitalismo está causando problema aos mais pobres. Nesse sentido, foi lembrada a importância de que a Celac desenvolva mecanismos que protejam os países-membros da ingerência do grande capital internacional. Por outro lado, países cujos governos se alinham com o neoliberalismo, como a Colômbia e a Argentina, defenderam medidas de “austeridade”, enquanto outros governantes ressaltaram a importância de ampliar os investimentos sociais. Ao contrário do presidente argentino, Maurício Macre, o mandatário colombiano participou do encontro.
O IV Encontro da Celac definiu-se pela formação de uma missão ao Haiti para dar suporte ao país em sua atual crise política, assim como reiterou seu respaldo à Argentina na disputa pelas Ilhas Malvinas. Os 33 países membros também assinaram declaração que defende a necessidade de proteção aos migrantes na América Latina e no Caribe. Foi ainda referendado o compromisso em consolidar e implementar o Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome 2025, que se baseia em quatro eixos: coordenar estratégias, oferecer acesso aos cidadãos a alimentos nutritivos, oferecer bem-estar nutricional aos grupos vulneráveis, e garantir a estabilidade da produção em casos de desastres naturais que podem ocorrer.
Entre as definições da Celac, a Comunidade também decidiu mais uma vez manifestar-se pelo fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba e pela devolução ao povo cubano do território onde os EUA mantém a base militar de Guantánamo. O Encontro ainda saudou a reaproximação política entre Washington e Havana, mas destacou que as medidas defendidas são necessárias para que esse processo possa consolidar-se.
O primeiro vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, representou o governo da ilha. Além de agradecer a nova manifestação de solidariedade da Celac ao povo cubano,  Díaz-Canel manifestou apoio ao governo venezuelano frente às ações desestabilizadoras movidas pela oposição e exigiu a derrubada da ordem executiva aprovada no último ano pelo presidente estadunidense Barack Obama que qualificou a Venezuela como “ameaça” e estabeleceu sanções ao país. “Cuba acredita na cooperação, na solidariedade e na necessidade de ação coletiva, e temos na Celac os mecanismos para alcançar esses objetivos”, destacou.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, agradeceu a solidariedade dos povos latino-americanos e caribenhos frente às dificuldades políticas e econômicas que seu país tem enfrentado. Ele ainda defendeu que os países que fazem parte da Celac devem fundamentar suas relações com base em princípios de ajuda mútua e complementaridade: “nossa grande força é a unidade na diversidade”, afirmou.
A presidenta Dilma Rousseff (PT) representou o Brasil no Encontro, e, em seu discurso, defendeu a cooperação como forma de enfrentar os desafios econômicos e propôs atuação conjunta entre os países-membros para o combate ao Zika Vírus na região.
Com informações de TeleSur, Prensa Latina, Blog do Planalto, Cubadebate e Granma.

Fonte: http://jornalismob.com/2016/01/29/para-melhorar-a-vida-dos-povos-celac-propoe-fortalecer-unidade-latino-americana-e-caribenha/

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

COMUNICAÇÃO




Discurso de Assange na embaixada do Equador em Londres (em Português)
Posted: 19 Aug 2012 09:00 PM PDT
Escrito por Redação http://agencianota.blogspot.com.br/

   Falo daqui, porque não posso estar mais perto de vocês. Obrigado por estarem aí.
Obrigado pela coragem de vocês e pela generosidade de espírito.

   Na noite de 4ª-feira, depois dessa embaixada ter recebido uma ameaça, e de a polícia ter cercado o prédio, vocês vieram para cá, no meio da noite, e trouxeram, com vocês, os olhos do mundo.

   Dentro da embaixada, durante a noite, eu ouvia os policiais andando pelas entradas de incêndio do prédio. Mas sabia que, pelo menos, havia testemunhas. Isso, graças a vocês.
Se o Reino Unido não pisoteou as convenções de Viena e outras, foi porque o mundo estava atento e vigilante. E o mundo estava vigilante, porque vocês estavam aqui.

   Por isso, da próxima vez que alguém lhes disser que não vale a pena defender esses direitos tão importantes para nós, lembrem a eles dessa noite de vigília, tarde da noite, na escuridão, à frente da Embaixada do Equador. Façam-nos lembrar como, pela manhã, o sol raiou sobre um mundo diferente, quando uma valente nação latino-americana levantou-se em defesa da justiça.

   Agradeço ao bravo povo do Equador e ao presidente Correa, pela coragem que manifestaram, ao considerar o meu pedido e ao conceder-me asilo político.

   Agradeço também ao governo e ao ministro do Exterior do Equador Ricardo Patiño, que fizeram valer a Constituição do Equador e sua noção de cidadania universal, na consideração que deram ao meu caso.

   E ao povo do Equador, por apoiar e defender sua Constituição. Tenho uma dívida de gratidão também com o pessoal dessa embaixada, cujas famílias vivem em Londres e que me manifestaram gentileza e hospitalidade, apesar das ameaças que todos eles receberam.

   Na próxima 6ª-feira, haverá reunião de emergência dos ministros de Relações Exteriores da América Latina em Washington, DC, para discutir essa nossa situação. Sou extremamente grato ao povo e aos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Venezuela e a todos os demais países da América Latina que defenderam o direito de asilo.

   Ao povo dos EUA, Reino Unido, Suécia e Austrália, que me deram apoio e força, mesmo quando seus governos me negavam qualquer direito. E às cabeças mais arejadas de todos os governos, que ainda lutam por justiça: o dia de vocês raiará.

   À equipe, apoiadores e fontes de Wikileaks, cuja coragem, compromisso e lealdade foram sem iguais.

   Minha família e meus filhos, que vivem sem pai, perdoem-me. Logo estaremos novamente reunidos.

   Enquanto Wikileaks estiver sob ameaça, ameaçadas estarão também a liberdade de expressão e a saúde de nossas sociedade. Temos de usar esse momento para articular a decisão diante da qual está hoje o governo dos EUA.
   Voltará o governo dos EUA a reafirmar os valores sobre os quais aquela nação foi fundada? Ou o governo dos EUA despencará do precipício, arrastando com ele todos nós, para um mundo perigoso e repressivo, no qual os jornalistas serão para sempre silenciados, pelo medo das perseguições, e os cidadãos serão condenados a sussurrar na escuridão?

   Digo que isso não pode continuar.

   Peço ao presidente Obama que faça a coisa certa.

   Os EUA têm de desistir dessa caça às bruxas contra Wikileaks.

   Os EUA têm de cancelar a investigação pelo FBI, contra Wilileaks.

   Os EUA têm de se comprometer a não perseguir nem processar nosso pessoal, nossa equipe e nossos apoiadores.

   Os EUA têm de prometer, ante o mundo, que nunca mais perseguirão jornalistas exclusivamente porque jornalistas lancem luz sobre crimes cometidos pelos poderosos.

   Têm de ter fim todos os discursos insanos sobre processar empresas de jornalismo, seja Wikileaks ou o New York Times.

   A guerra do governo dos EUA contra os que apitam e lançam sinais de alarme justificado e legítimo tem de acabar.

   Thomas Drake e William Binney e John Kiriakou e tantos outros heroicos guardas avançados, que alertaram para os piores perigos que eles, antes de outros, viram chegar, têm de ser – eles têm de ser! – perdoados e indenizados pelos riscos a que se expuseram e pelos sofrimentos que padeceram, para bem cumprir seu dever, como bons servidores do interesse público.

   E o soldado que permanece em prisão militar em Fort Levenworth, Kansas, que a ONU constatou que viveu sob as mais monstruosas condições de prisão em Quantico, Virginia, e que ainda não foi julgado, mesmo depois de dois anos de prisão, tem de ser posto em liberdade.

   Bradley Manning tem de ser libertado.

   Se Bradley Manning realmente fez o que é acusado de ter feito, então é herói e exemplo para todos nós, e um dos mais importantes prisioneiros políticos do mundo, hoje.

   Bradley Manning tem de ser libertado.

   Na 4ª-feira, Bradley Manning completou 815 dias de prisão sem julgamento. A lei estipula o prazo máximo de 120 dias.

   Na 3ª-feira, meu amigo Nabeel Rajab, presidente do Centro de Direitos Humanos do Bharain foi condenado a três anos de prisão, por um tweet.

   Na 6ª-feira, uma banda russa foi condenada a dois anos de cadeia, por uma performance de conteúdo político.

   Há unidade na opressão. Tem de haver absoluta unidade e absoluta determinação na resposta. Obrigado.


Fonte: http://agencianota.blogspot.com.br/
Mais informações : http://pt.wikipedia.org/wiki/Julian_Assange