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sábado, 30 de março de 2019

BRASIL

DOCUMENTO INÉDITO MOSTRA QUE NÚMERO DE PRESOS NOS PRIMEIROS DIAS DO GOLPE MILITAR DE 64 PODE SER QUATRO VEZES MAIOR*





UM DOCUMENTO INÉDITO encontrado pelo Intercept no arquivo histórico do Ministério do Exterior da Itália mostra que o número de presos nos primeiros dias do golpe militar brasileiro de 1964 pode ser quatro vezes maior do que se estimava até hoje.

Um ofício enviado do Rio de Janeiro em 8 de julho de 1964 por Eugenio Prato, então embaixador italiano no Brasil, ao Ministério do Exterior da Itália – a Farnesina – cita que “foram efetuadas cerca de 20 mil prisões nos primeiros dias da revolução”. Até hoje, o número estimado de detenções nos dias seguintes ao golpe militar vinha de um único documento, produzido pela embaixada norte-americana no Brasil, que falava em “em torno de 5 mil pessoas”. Ele é mencionado no capítulo 3, parágrafo 67, do relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
Como o regime militar sempre escondeu o número oficial de presos, o documento produzido pelos italianos se soma ao da embaixada dos Estados Unidos como únicos registros históricos conhecidos sobre as detenções nos dias que se seguiram ao golpe de estado de 1964, quando os militares derrubaram o presidente eleito João Goulart para empossar uma sequência de ditadores que se perpetuariam no poder até março de 1985, sequestrando crianças, queimando dissidentes em fornos, enterrando clandestinamente opositores em covas coletivas, forjando suicídios e praticando diversos outros crimes pelos quais ninguém foi punido até hoje.
“Esse documento que vocês encontraram é muito importante”, nos disse Pedro Dallari, advogado e um dos coordenadores da Comissão Nacional da Verdade. “No próprio relatório que produzimos, a gente diz que ainda existem muitos documentos a serem descobertos”, lembrou Dallari. “Vale lembrar que tanto a informação norte-americana quanto a italiana são estimativas porque não havia registro das prisões, elas eram feitas de maneira aleatória.”
Paulo Vannuchi, que trabalhou em um dos principais livros sobre o período, “Brasil Nunca Mais”, coordenado por dom Paulo Evaristo Arns, também comentou a descoberta. “Ao longos dos 40 anos que trabalho focado nesse tema, pude ver em vários textos uma estimativa genérica de 50 mil prisões ao longo de toda a ditadura militar no Brasil. Portanto, os números citados nesse documento do Ministério das Relações Exteriores da Itália me parecem bastante razoáveis.” Vannuchi, que em 1975 mencionou 233 nomes de torturadores e assassinos em um extenso dossiê entregue à Ordem dos Advogados do Brasil, acredita que um número ainda maior de pessoas tenham sido presas pelo regime. “É provável que os números estejam subestimados.”
A Itália era governada, à época, por uma coalizão entre os conservadores da Democracia Cristã e partidos de esquerda. No documento obtido pelo Intercept, intitulado “Prisões de elementos comprometidos com o governo Goulart”, o então embaixador Prato não revela suas fontes de informação sobre as prisões. Chamando o golpe de estado de “revolução”, o diplomata comunica que “não se conhece o número exato das pessoas que continuam presas”, mas sugere que “1.500 continuam detentas à espera de julgamento”.
Os documentos deixaram o grau “confidencial” em dezembro de 2015.
Até hoje, o número de presos é um dos grandes mistérios do período ditatorial. “As pessoas eram levadas em massa para estádios e navios transformados em prisões coletivas”, diz Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. Estádios como dos clubes Ypiranga, em Macaé (RJ); Esporte Clube Comerciários, em Criciúma (SC); os navios Raul Soares, em Santos (SP); Princesa Leopoldina, na Guanabara; Corumbá, em Campo Grande (MS), lembra, são citados no relatório final da Comissão.

Exército armou e fardou civis

Outro informe ao qual tivemos acesso mostra como o Exército armou cidadãos civis, sobretudo os declaradamente de direita, para derrubar o governo e fazer “ações de limpeza” nas ruas – ou seja, prender pessoas. Intitulado “A situação em São Paulo”, o comunicado foi enviado em 8 de abril pelo consulado italiano de São Paulo à embaixada no Rio, e transmitido à Farnesina três dias depois.
O texto chama as organizações civis que participaram do golpe de “heróis”. Sobre São Paulo, está registrado: “Nesta enorme cidade, além dos 5 mil, dos quais só uma parte agiu desde o início, e recebeu uniforme e armas do exército. Os elementos que se reuniram depois ficaram à paisana, e reforçaram, e em parte ainda reforçam, as forças policiais nas ações de limpeza”. O informe ainda aponta para as numerosas prisões que “continuam”. E cita os primeiros desaparecidos políticos. “Poucos são liberados e há alguns casos de desaparecimento sem rastro após a prisão.”
Para Adrianna Setemy, professora de História da Universidade Federal do Paraná, é fundamental que, diante do atual ambiente político e social instaurado no Brasil, exista a possibilidade de acesso a esse tipo de documento. “Mesmo que diante do ponto de vista metodológico, do historiador, um documento inédito não signifique, a princípio, uma reviravolta na historiografia, ele traz a possibilidade de elaborarmos novas perguntas, novas questões e também a necessidade de questionarmos o que foi escrito até então”, explicou.
Para a professora, que foi pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade, os novos documentos indicam que o tema ainda precisa ser pesquisado, não só por ter voltado a ocupar a “ordem do dia”, mas para combater as falas que tentam negar a história. “Os vestígios servem justamente para que a gente possa enfrentar qualquer tipo de covardia.”

Militares se organizaram antes da Operação Condor

Outros dois documentos encontrados no arquivo mostram como os militares brasileiros se articularam para controlar os exilados políticos ainda no primeiro ano do governo, plantando as sementes do que viria a ser, nos anos 70, a Operação Condor: uma rede do terror de repressão política e troca de prisioneiros formada pelos serviços de inteligência das ditaduras da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, com apoio da CIA.
Os principais alvos daquele primeiro ano de governo, sob comando do general Humberto de Alencar Castello Branco, eram o ex-presidente deposto João Goulart e seu cunhado, o ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola – que havia montado uma campanha para evitar que os militares dessem um golpe de estado ainda em 1961.
Ambos viviam no Uruguai. Cerca de 300 exilados políticos brasileiros viviam naquele país, segundo um dos informes da Farnesina, de 11 de junho de 1964, produzido pela embaixada italiana de Montevidéueo, intitulado “Política brasileira”. Ele foi enviado com cópia às embaixadas italianas do Rio de Janeiro e de Washington. O documento avisa que o “presidente do conselho nacional está preocupado com as atividades políticas dos refugiados brasileiros que vivem no país” – citando Jango e Brizola – e avisa que “o governo uruguaio poderá rever sua posição e adotar medidas restritivas de liberdade de movimento”.
Um segundo documento enviado em 2 de dezembro pela embaixada do Rio ao governo italiano, e que traz no título “Desconforto nos círculos políticos parlamentares”, relata que o então ministro do exterior brasileiro Vasco Leitão da Cunha pediu ao governo do Uruguai uma estrita vigilância nas atividades dos exilados brasileiros – citando novamente Brizola.
“É interessante notar como o governo ditatorial do Brasil procurava fazer pressão ao governo do Uruguai, que naquela época ainda era uma democracia, para vigiar os exilados brasileiros”, nos disse Francesca Lessa, pesquisadora italiana da Universidade de Oxford que investiga as responsabilidade pelos crimes transnacionais da Operação Condor.
“Sem dúvida, essa atividade de vigilância e controle do exilado são embriões do que veio a ser a Operação”, analisa Lessa. Para ela, os documentos são importantes porque “mostram como os militares já estavam se organizando antes mesmo da Condor, que não ao acaso se concretizou nos anos 70 e se nutriu de todas as experiências de políticas repressivas da região colocadas em prática nos 60”.

*Este texto foi publicado originalmente na newsletter do Intercept Brasil. 

sábado, 11 de março de 2017

O SOL E O PLANETA TERRA*



3 Estudos recentes mostram que a atividade solar é o potente motor real do Clima!**

Sempre foi dito pelo aquecimentistas que os ciclos de atividade solar, em sua maior parte, podem ser ignorados, que secundo eles a atividade solar é neutra com o clima terrestre e dos outros planetas. Não  tem um impacto. Portanto, torna-se quase engraçado quando – a cada mês – um novo estudo científico publicado  diz exatamente o oposto.

Um exemplo remonta a novembro de 2016, quando o site ” Letters Geophysical Research ” ( Geophysical Research Letters) publicou um estudo realizado por Adrián Martínez-Asensio et al sobre o impacto da  atividade solar sobre  o nível do mar. Os cientistas têm documentado que o limite do nível da água no outono em Veneza e Trieste é, de fato, controlada pelo ciclo solar (que tem um período de +/- 11 anos). No inverno, o impacto do sol pode ser visto em outras cidades costeiras, como Marselha, Ceuta (resort espanhol), Brest e Newlyn  no Reino Unido.
Aqui está o fascinante resumo do artigo:
Decadal variabilidade dos limites europeus no nível do mar relacionadas com atividade solar . Este estudo investiga a relação entre as mudanças decadal na atividade solar e os limites ao longo da costa europeia do nível do mar e derivados a partir de dados que avaliam as marés. O nível do mar em Veneza no outono varia com o undecenal ciclo solar, como sugerido por estudos anteriores, mas uma ligação semelhante também foi encontrado em Trieste (sempre na Italia). Além disso, também tem sido encontrado a influência solar de inverno sobre os limites do nível do mar em Veneza, Trieste, Ceuta, Brest e Newlyn. A influência do ciclo solar é também evidente nos limites do nível do mar derivado do modelo barométrico, com padrões consistentes com as correlações espaciais obtidos a partir de medições das marés. Este acordo indica que o link para o ciclo solar passa através da modulação das forças atmosféricas. O único padrão que mostrou variabilidade atmosférica regional, coincidindo com o período undecadal foi o padrão Atlântico Médio.
Outro exemplo remonta a março de 2016.  Jordahna Ellan-Ann Haig e Jonathan Nott  reconstruiu a história do ciclone tropical ao longo dos últimos 1500 anos na Australia. Aqui, eles descobriram que a variabilidade observada foi controlada principalmente para a atividade solar, ao longo das décadas e séculos. Haig e Nott  esperam que a previsão das futuras tempestades tropicais podem  beneficiar-se do importante fator solar encontrado.
Segue o  resumo do trabalho:
A força solar ao longo dos últimos 1500 anos e a atividade do ciclone tropical australiano . Previsões sazonais  precisos da atividade dos ciclones tropicais  são críticos para o desenvolvimento de estratégias de migração dos 2,7 bilhões de habitantes, que vivem nas regiões próximas ao ciclone. Indicadores tradicionais (o índice de Oscilação Sul   e os vários índices de temperaturas de superfície) falharam nos últimos anos como preditores na região da Austrália . A duração limitada destas gravações (menos de 50 anos) dizem-nos que a nossa atual compreensão dos fatores-chave em larga escala – período inter decenal, seculares e milenares – é limitada. O desenvolvimento de um novo índice de atividade no ciclone tropical que cobre os últimos 1500 anos tem permitido o exame da climatologia de ciclones tropicais em escalas de tempo na resolução mais alta do que era possível anteriormente. Aqui, mostra-se que, em adição aos índices climatéricos bem conhecidos, que a influência solar  dirige  amplamente os ciclos decenais, multi decenais e centenários dentro dos dados gravados sobre os ciclones tropicais .
Finalmente, existe um exemplo recente – notável – da América do Sul. Andrés Antico e  Maria Tores  examinaram a taxa de saída da água do Rio Amazônia nos últimos 100 anos, em um artigo publicado em 2015. Eles descobriram que o desenvolvimento segue de muito perto a variação solar.
Segue-se o ‘ resumo :
Evidência de um fator solar de dez anos na Amazônia: 1903-2013 . E ‘foi mostrado que os climas tropicais podem ser particularmente influenciados pelo ciclo solar de dez anos; Em qualquer caso, a relação entre a influência solar e o Rio da Amazônia tropical tem sido negligenciado nas pesquisas anteriores. Neste estudo, nós trazemos provas dessa ligação, analisando os dados (1902-2013), relacionados com a carga do volume do rio Amazônia . Identificamos um fluxo de ciclo de dez anos que está relacionado inversamente com a atividade solar, tal como medido pelo ciclo de manchas de dez anos. Esta relação persiste ao longo do tempo e parece ser o resultado da influência do sol no Oceano Atlântico tropical. A largura do fator solar de dez anos sobre o fluxo aparece modulada pela variabilidade do índice inter decenal do Atlântico Norte. Uma vez que o Rio Amazônia é um elemento importante do ciclo da água do planeta, os nossos resultados têm implicações para estudos em escala global.

Mais informações: https://sandcarioca.wordpress.com/2017/02/21/aumentam-as-chances-de-uma-nova-idade-do-gelo/
Fonte:https://sandcarioca.wordpress.com/2017/02/16/3-estudos-recentes-mostram-que-a-atividade-solar-e-o-potente-motor-real-do-clima/
Colaboração: Luiz Hedel
*Título editado
** Tradução da fonte

quinta-feira, 17 de março de 2016

EXCEDENTE DE COMIDA



ITÁLIA

Itália muda lei para que todos os supermercados deem a comida não vendida aos necessitados


16/3/2016, 8:43

Itália prestes a aprovar lei que obrigará supermercados a doarem alimentos que não sejam vendidos a organizações de caridades


Lei sobre desperdício alimentar já foi aprovada em França. Agora é a vez de Itália
Getty Images
Depois de, em fevereiro, França ter aprovado uma lei que proíbe os supermercados de deitarem fora ou desperdiçar comida que não tenha sido vendida, é a vez da Itália se tornar o segundo país europeu a ter uma lei contra o desperdício de comida.
De acordo com o que se sabe da intenção dos partidos, é de crer que a lei será votada favoravelmente já na próxima segunda-feira, afirma o Independent.
A diferença entre a lei dos dois países é que, em França, os supermercados que desperdiçarem comida serão multados, enquanto em Itália a proposta é compensar os negócios que não desperdicem comida. Este incentivo serve para auxiliar o problema de desperdício de Itália, que se estema atinja o valor de 1200 milhões de euros.
De momento, cada estabelecimento italiano que queira doar comida deve declarar essa doação, mas com a nova lei será oferecida uma redução nos impostos a quem o fizer.
A par desta medida, há 17 artigos que pretendem alterar a regulação sobre segurança alimentar, permitindo que comida “fora de validade” seja doada.
O Ministro da Agricultura italiano, Maurizio Martina, contou ao jornal diário La Repubblica que, “de momento recuperamos 550 milhões de toneladas de comida em excesso, mas em 2016 queremos chegar aos 1000 milhões.”

Fonte:http://observador.pt/2016/03/16/italia-muda-lei-os-supermercados-deem-comida-nao-vendida-aos-necessitados/