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segunda-feira, 20 de março de 2017

INSTITUTO ANIMA

“Unidade na Diversidade para uma Vida Melhor para todos”





Mauro Kassow Schorr (Orua)* e Maristela Regina Ogliari Schorr**

* Engenheiro Agrônomo, terapeuta Integral & naturista, escritor, ecoprodutor de alimentos e de sementes sem agrotóxicos

** Bióloga, produtora de alimentos integrais e viveirista

Instituto Anima de Desenvolvimento e Cultura Sustentável
Rua Erica Olsen da Veiga 29 - Sitio Vida Nova e Espaço Terapêutico Pulsar
Enseada do Brito - Palhoça - SC - Brasil - CEP 88.138 - 823
Prêmio Fritz Müller 2009 - Fatma - Governo do Estado de SC
Fones (55)- (48) - 3242 4019- Oi : 98442 7424 - Tim: 99970 1724 Whats - Vivo: (49) 99103 0897
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Facebook: Home Page e Ecoloja: Institutoanimasc:
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CNPJ: 19148819/0001-29 & Inscrição Estadual: 25731682-5
CPF: 59290986972
Blogger de Reflexão: http://culturadecristal.blogspot.com/
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Vídeos: Parte I e outros do Sitio do Anima: http://www.youtube.com/v/iTrUPs6dEfw&hl=pt_PT&fs=1&
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domingo, 22 de janeiro de 2017

SANEAMENTO



Saneamento Ecológico Vs Convencional*
























































Os sistemas convencionais de tratamento de esgotos provocam impactos ao meio ambiente e à saúde das populações, através do lançamento de esgotos parcialmente tratados em corpos de água. Essas formas de tratamento e disposição de esgotos apresentam sérios riscos ao ambiente e à saúde da população (Esrey, 1998). Os conceitos e técnicas apresentados pelo Saneamento Ecológico e pela Permacultura representam uma nova abordagem a essa problemática, apresentando soluções ecoeficientes para tratamento e reuso domiciliar dos efluentes.
O esgoto doméstico é composto essencialmente por água de banho, excretas, papel higiênico, restos de comida, sabão, detergentes e águas de lavagem, oriundos das águas servidas de residências, instituições, estabelecimentos comerciais ou quaisquer edificações que disponham de instalações de banheiros, lavanderias e cozinhas (Ministério da Saúde, 1999). Apesar dos hábitos dos usuários e do volume de água consumido afetarem diretamente a sua composição, os efluentes do esgoto doméstico podem ser classificados basicamente em dois tipos: águas negras e águas cinza.
A divisão das águas negras (oriundas do vaso sanitário) e das águas chamadas cinzas (não contaminadas com fezes) permite o tratamento prático e descentralizado dos diferentes tipos de efluentes domésticos, o que possibilita o reuso da água e o aproveitamento dos nutrientes contidos no esgoto.
O tratamento da água cinza é relativamente simples, dependendo do objetivo do reuso, podendo ser feito nas próprias residências, inclusive com aplicação direta no solo, para irrigação de árvores e jardins, desde que sejam seguidos alguns critérios de ordem sanitária (Ridderstolpe, 2004). Já o efluente do vaso sanitário, contendo fezes e urina, é chamado de água negra e necessita de sistemas de tratamento mais complexos para reduzir sua carga de agentes patogênicos (Esrey et al., 1998).
O Saneamento Ecológico tem como enfoque principal o aumento da disponibilidade hídrica pela economia de água, a proteção dos recursos hídricos pelo não lançamento de esgoto – tratado ou não – nos cursos de água, possibilitando a reutilização racional de todos os nutrientes presentes nas excretas (Winblad & Simpson-Hérbert, 2004). Também representa uma das soluções para a queda nas emissões de carbono, além de estar diretamente ligado a três dos oito objetivos de desenvolvimento incluídos nas Metas do Milênio das Nações Unidas, a serem cumpridos até 2015, que são: erradicar a extrema pobreza e a fome, reduzir a mortalidade infantil e garantir a sustentabilidade ambiental (SIWI, 2005).
Neste contexto uma série de soluções alternativas tem sido apresentadas, testadas e implantadas em todo o mundo e a equipe do Ecoeficientes não poderia deixar de abordá-las. Neste primeiro momento, daremos foco àquelas técnicas que julgamos ser as mais simples, eficientes e acessíveis. Nomeadamente o BET (Bacia de Evapotranspiração), a Fossa Séptica Biodigestora, os Biodigestores Chinês e Indiano (que se aplicam mais em áreas rurais e produzem biogás), o Bason (sanitário compostável seco) e os Filtros Biológicos (utilizados para o tratamento das águas cinzas).
Pedro Monteiro


As linhas de tratamento de esgoto são aplicáveis nas mais diversas situações e a experiências. Trazem benefícios por devolverem ao meio ambiente um efluente tratado com alta eficiência, evitando a poluição, e trazendo ainda, como opção, o seu reúso.
Entre os empreendimentos que utilizam as estações de tratamento de esgoto doméstico (ETEs) estão residências, chácaras, pousadas, hotéis, resorts, condomínios, conjuntos habitacionais, construtoras, shopping center, usinas, aeroportos, hospitais, prédios de escritórios, escolas, comércios e indústrias. Também são realizados projetos específicos para bairros, vilas, distritos e municípios, incluindo sistemas isolados destinados a locais de difícil acesso, atendendo concessionárias e empresas de serviços municipais de saneamento ambiental e unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. Seguem exemplos de ETEs fabricados pela Mizumo, que atua no segmento desde 2001, e suas descrições.
FAMILY



É a estação pré-fabricada ideal para tratamento de esgoto sanitário de residências. Também é indicada para pequenos estabelecimentos comerciais ou mesmo pequenas indústrias – conforme as normas NBR 12.209/2011, NBR 7.229/93 – versão corrigida 1.997 – e NBR 13.969/97. Sua capacidade de tratamento é variável, atende a vazões diárias de 1,6 m³ (1.600 litros/dia) a 3,2 m³ (3.200 litros/dia) para sistemas conjugados, o que representa até 20 usuários. O tanque possui 2,4 m de comprimento, 2,10 m de altura e 1,20 m de largura e é fabricado de PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro), o que confere resistência e alta proteção química à corrosão do esgoto sanitário. A área necessária para a implantação do sistema varia entre 3,5 m² e 8,0 m². A ETE possui reatores anaeróbios e aeróbios, decantadores (montados internamente aos sistemas), conexões tubulares de PVC, meio suporte de polietileno, difusor de ar de EPDM, e soprador de ar. O sistema de desinfecção é feito por meio de pastilhas de cloro, já integrado ao produto. A implantação desta linha pode ser feita tanto acima do nível do solo como enterrada.
BUSINESS



É a estação pré-fabricada ideal para tratamento de esgoto sanitário de residências de alto padrão, pequenos condomínios, pousadas, hotéis, estabelecimentos comerciais, industriais, entre outros – conforme as normas NBR 12.209/2011, NBR 7.229/93 – versão corrigida 1.997 – e NBR 13.969/97. Sua capacidade de tratamento atende a vazões diárias de 4 m³ (4.000 litros/dia) a 20 m³ (20.000 litros/dia) por módulo, o que representa, em média, 210 usuários. O tanque possui 2,0 m de diâmetro e é fabricado de PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro), o que confere resistência e alta proteção química à corrosão do esgoto sanitário. A área necessária para a implantação do sistema varia entre 23 m² e 38 m². O processo de tratamento é composto por um reator anaeróbio, um filtro aeróbio com difusão de ar por bolhas finas e decantador secundário com sistema de air lift para retorno do lodo. O sistema de desinfecção é feito por meio de pastilhas de cloro, já integrado ao produto. A implantação desta linha pode ser feita tanto acima do nível do solo como enterrada.
PLUS



É a estação pré-fabricada ideal para tratamento de esgoto sanitário de grandes estabelecimentos comerciais, industriais, entre outros empreendimentos – conforme as normas NBR 12.209/2011, NBR 7.229/93 – versão corrigida 1.997 – e NBR 13.969/97. Sua capacidade de tratamento atende a vazões diárias de 25 m³ (25.000 litros/dia) a 600 m³ (600.000 litros/dia) por módulo, o que representa, em média, 6.000 usuários. O tanque está disponível nas versões com 2,5 m e 3,2 m de diâmetro e é fabricado de PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro), o que confere resistência e alta proteção química à corrosão do esgoto sanitário. A área necessária para a implantação do sistema varia entre 37 m² e 500 m². O processo de tratamento é contínuo e composto por reatores anaeróbios, filtros aeróbios com difusão de ar por bolhas finas e decantador secundário com sistema de air lift para retorno automático do lodo. O sistema de desinfecção conta com o tanque de contato integrado ao produto, com dosagem de hipoclorito feito por bombas dosadoras. Para projetos especiais, este processo também pode ser feito por radiação ultravioleta. A implantação desta linha pode ser feita tanto acima do nível do solo como enterrada.
TOWER




A Mizumo foi a primeira empresa no país a ter em linha de produção uma estação pré-fabricada de tratamento de esgoto no formato vertical: o Mizumo Tower. É ideal para tratamento de esgoto sanitário de grandes estabelecimentos comerciais, industriais, conjuntos e condomínios habitacionais e outros empreendimentos – conforme as normas NBR 12.209/2011, NBR 7.229/93 – versão corrigida 1.997 – e NBR 13.969/97. A solução foi idealizada e totalmente desenvolvida por engenheiros da empresa e sua capacidade de tratamento atende a vazões diárias de 30 m³ (30.000 litros/dia) a 800 m³ (800.000 litros/dia) por módulo, o que representa, em média, 8.200 usuários. Os tanques possuem 2,5 m e 3,2 m de diâmetro e são fabricados de PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro), o que confere resistência e alta proteção química à corrosão do esgoto sanitário. A área necessária para a implantação do sistema varia entre 33,5 m² e 280 m². O processo de tratamento é contínuo e composto por um reator anaeróbio de fluxo ascendente (UASB), um filtro aeróbio de leito fixo (anel Pall) com difusão de ar por bolhas finas e decantador secundário concêntrico ao reator aeróbio. O retorno do lodo é automático, por sistema de air lift.
CUSTOMER



A flexibilidade industrial e o domínio de tecnologias permitem à Mizumo desenvolver estações de tratamento de esgoto (ETEs) únicas, inteiramente adequadas às necessidades do cliente e com padrão de produção que garante rapidez na instalação do sistema. São sistemas robustos, com baixos custos operacionais, garantias e suporte técnico. A linha Customer é indicada para projetos especiais e beneficia, dentre outros empreendimentos, bairros, vilas, distritos e municípios, bem como as empresas de serviços municipais de saneamento ambiental e as unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A solução pode atender até 30 mil usuários, ou seja, uma vazão de até 50 litros de esgoto/segundo – vazões maiores são avaliadas, caso a caso, pela equipe de engenharia de aplicações da Mizumo.
Os tanques possuem diâmetros variáveis e são fabricados de PRFV (plástico reforçado com fibra de vidro), o que confere resistência e alta proteção química à corrosão do esgoto sanitário. Esse sistema requer pouco espaço físico para instalação: de 0,5 a 2,0 m²/m³ de esgoto/dia. O processo de tratamento associa várias tecnologias de domínio da Mizumo: processos anaeróbios (UASB, reator anaeróbio sequencial, decantador primário, etc.); processos aeróbios (filtro aeróbio submerso, reator aeróbio de leito fixo, reator aeróbio de leito expandido, filtros biológicos percoladores); reatores anóxidos; e decantadores secundários e lamelares. Esta estação de tratamento é completa, pois a empresa dispõe de equipamentos periféricos tais como Estação Elevatória de Esgoto (EEE), gradeamentos mecanizados, sistemas de difusão de ar, geradores de energia, filtros, queimadores de biogás, controle/automação, desinfecção por cloro e ultravioleta.
* Texto editado
Fontes: http://ecoeficientes.com.br/guia-de-empresas/mizumo/
http://www.ecoeficientes.com.br/saneamento-ecologico-vs-convencional-3/

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

PERMACULTURA




Nascido em 1928 numa aldeia piscatória no noroeste da Tasmânia, Austrália, o escritor, professor, ecologista e “rebelde agrário” Bill Mollison (nome pelo qual era conhecido) acreditava que “embora os problemas do mundo sejam cada vez mais complexos, as soluções permanecem embaraçosamente simples”. 



Bill Mollison 

Morreu em setembro de 2016, aos 88 anos, um dos pais da permacultura, Bruce Charles Mollison. As suas ideias sobre um sistema agrícola que trabalha em conjunto com – e não contra – a natureza têm vindo a ganhar reconhecimento, ao longo dos anos. Hoje em dia, a permacultura é praticada por mais de 3 milhões de pessoas em 140 países. 

A maior mudança que precisamos de fazer é a do consumo para a produção, mesmo que em pequena escala, nos nossos próprios quintais. Se apenas 10% de nós fizermos isto, haverá o suficiente para todos. Daí a futilidade dos revolucionários que não têm quintais, que dependem do próprio sistema que atacam, e que produzem palavras e balas, não comida e abrigo", escreveu na sua autobiografia. 

A permacultura – termo que vem da junção das palavras “cultura” e “permanente” – surge da convicção de que o mundo natural possui a chave para um sistema estável e produtivo. Os sistemas ecológicos permitiriam às pessoas satisfazer as suas necessidades e ao mesmo tempo fortalecer a natureza, ao invés de a empobrecer. 

Inspirou-se na sabedoria dos agricultores de subsistência um pouco por todo o mundo, que, ao longo do tempo, têm utilizado métodos sustentáveis na sua agricultura: cultivar um grupo variado de plantações, utilizar espécies perenes para criar sistemas produtivos estáveis e assegurar a existência das condições para a regeneração dos solos. 

“Os únicos sistemas de energia seguros são os derivados de sistemas biológicos. Um jardineiro de Nova Guiné pode caminhar pelos portões do seu jardim, tirando uma unidade de energia e distribuindo 70. Um agricultor moderno, que conduz um trator através do portão, tira 1000 unidades de energia e dá uma de volta. Qual é o agricultor mais sofisticado? Estamos a livrar-nos do nosso solo ainda mais rapidamente do que estamos a destruir a nossa atmosfera. Para cada um de nós há uma perda de dez toneladas de solo por ano. A natureza só consegue substituir uma ou duas toneladas. Vamos deixar aos nossos filhos uma terra onde não há solo nem água potável.” 

Elementos como plantas e animais também devem ser conjugados de modo a que sejam mutuamente benéficos, ou, como uma vez declarou: “não tem um problema de lesmas, tem é falta de patos!” 


Espiral de ervas aromáticas
Um elemento clássico da permacultura – a espiral de ervas aromáticas 

Trabalhou como pescador, guarda-florestal e caçador. Em 1954, juntou-se à Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), trabalhando extensivamente em investigação agrícola. Ao fim de 10 anos, deixou a organização e decidiu estudar biogeografia – o estudo da distribuição das plantas e dos animais – na Universidade de Hobart, conta o The Guardian. Nesta universidade foi nomeado professor, em 1968, e alguns anos mais tarde criou uma disciplina nova, a psicologia ambiental. 

Com o passar do tempo, foi-se sentindo cada vez mais limitado pelo mundo académico tradicional e procurou unir os seus estudos ao mundo natural. 

Aos 50 anos, abandonou a educação formal. Juntamente com David Holmgren, um estudante de design ambiental, começou a dar forma ao que conhecemos atualmente como permacultura, indo buscar inspiração às culturas tradicionais e adaptando, ao mesmo tempo, as oportunidades das novas tecnologias. A estes esboços, os dois introduziram conceitos de culturas indígenas, de outros pioneiros da ecologia e de camponeses. 

Foi assim que surgiu, em 1978, o “Permacultura Um”, o precursor do “Permaculture – A Designers’ Manual”, que se tornaria a “bíblia da permacultura”, usada ainda hoje como referência por professores.

Bill Mollison decidiu então dar cursos de duas semanas sobre permacultura para difundir o conceito. Alguns dos seus alunos viriam também a dar cursos semelhantes de 72 horas e, ao fim de 10 anos, as suas ideias tinham-se espalhado pelos cinco continentes. Os cursos originais foram evoluindo, entretanto, e abordam, hoje em dia, para além da agricultura, áreas como a engenharia, a construção, a arquitetura e o design ecológicos.


Bill Mollison

Bruce Charles Mollison nasceu a 4 de maio de 1928 e morreu a 24 de setembro de 2016.

Fonte: http://www.theuniplanet.com/2016/12/pai-da-permacultura-solucoes-para-os.html 
Colaboração: Luiz Hedel



terça-feira, 10 de maio de 2016

SUSTENTABILIDADE INTEGRADA





I Congresso Nacional Online de Sustentabilidade Integrada -  CONAINTEGRA
I Congresso Nacional Online de Sustentabilidade Integrada -  CONAINTEGRA

O evento, que será ONLINE e Gratuito, inicia no dia 30 de maio e encerra no dia 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
  É fato observar no comportamento sociopolítico atual em todos os cantos do mundo que estamos vivendo o que muitos chamam de crise mundial. Seja qual for a crise - social, ambiental, econômica, ética, de identidade - há sempre a oportunidade de mudarmos nosso ponto de vista e transformarmos nossa (in)dignação numa (digna)ação.
Foi percebendo nestes últimos meses a comunicação dos brasileiros nas redes sociais que o casal Raphael Autran (oceanógrafo e consultor ambiental)  e Fernanda Dorta (jornalista e educadora) apostaram na mobilização em rede e na disseminação de informações que causem impacto positivo na vida das pessoas.
"Convocamos diversos especialistas, amigos e profissionais e estamos construindo um trabalho em rede integrando as pessoas à informações e conteúdos humanizados, que incentive novas práticas para viver em sociedade visando o empoderamento coletivo de respeito à Vida. Esse é o maior objetivo do congresso Online de sustentabilidade integrada" afirma  Fernanda. 
Por que sustentabilidade integrada?
Mesmo com a banalização do termo "sustentabilidade", o conceito sustentabilidade  integrada surge da necessidade de não olhar mais para as questões humanas e sociais de  modo dissociado do meio ambiente, de outros sistemas vivos e dos desafios globais do planeta. Sobretudo, integrar as diferentes dimensões que potencializam a vida, sejam projetos sociais que estão dando certo no país, experiências na área do desenvolvimento humano, reflexões profundas sobre o modelo de consumo atual, práticas para uma cultura de paz, entre outros temas que serão organizados de forma sistêmica e apresentados durante o encontro.
Como vai funcionar o Congresso?
A fim de propagar novas idéias, soluções, caminhos e reflexões que nos inspirem a mudar nosso comportamento rumo uma vida mais humana e sustentável-  o CONAINTEGRA  é uma série de palestras e conteúdos exclusivos que estarão disponíveis gratuitamente durante uma semana para quem se cadastrar na plataforma do congresso.
Mais de vinte especialistas de todo Brasil (conheça os palestrantes temas das palestras na íntegra) compartilharão "caminhos e soluções para tornar a nossa vida mais equilibrada e sustentável".
O Conaintegra abordará temas norteadores como Desenvolvimento Humano e Socioambiental, Consumo Responsável, Economia Solidária e Criativa, Permacultura e Design Ecológico de comunidades sustentáveis, Educação Emocional e Espiritualidade, Saúde Integral, dentre outros.
Estima-se que mais de duas mil pessoas estejam conectadas durante a semana do meio ambiente na plataforma do congresso. Serão exibidas em média de três a quatro palestras por dia. Cada participante receberá a programação do evento e chamadas atualizadas sobre cada palestra via e-mail ecomunidade do congresso no facebook.
“São muitos caminhos e projetos transformadores acontecendo no Brasil. O mais importante desse congresso é mostrar às pessoas, que independente das ferramentas e soluções, a mudança que queremos ver no mundo está em nós”, parafraseia Raphael, mencionando a sabedoria de Mahatma Gandhi.
Como participar?
Para garantir sua vaga gratuitamente, acesse: www.conaintegra.com.br 
Faça parte da nossa comunidade na nossa fanpage, participe, convide seus amigos e ajude-nos a co-construir o congresso. 
Observações:
Contatos para entrevista: Raphael Autran – co-criador Conaintegra (48) 9621-2753
Palestrantes: Confira no site qual mais interessa para entrevista e entre em contato pelo telefone (48) 9144-1009 – Fernanda
Forte abraço e seguimos juntos!


Fonte: http://www.gazetadocerrado.com.br/index.php/colunas/planeta-vivo/item/336-i-congresso-nacional-online-de-sustentabilidade-integrada-conaintegra

sábado, 2 de abril de 2016

PERMACULTURA PARA TODOS



Por uma Permacultura morena e ecossocialista


Acampamento Nova Palestina, do MTST, na Zona Sul de São Paulo
Acampamento do MTST, em S.Paulo. Teórico afirma: “organizar uma comunidade, trabalhar o conceito de biorregionalismo, a economia, as relações, a governança, a politização… aí está o grande desafio”
Cresce, no Brasil, interesse por novos métodos de viver e produzir. Mas ainda é branco e pragmático. É hora novo passo: o de associar-se às periferias, às maiorias e às lógicas não-capitalistas
Djalma Nery entrevista Thomas Enlazador
Se você não sabe o que é permacultura1, não se preocupe: isso não é um privilégio seu. Como grande parte das práticas e propostas do chamado ‘mundo alternativo’, esse conceito é praticamente desconhecido do grande público, circulando majoritariamente por entre círculos iniciáticos e por seus arredores imediatos. É fato que, com o passar dos anos – ainda que lentamente – cada vez mais pessoas tem tomado contato com a permacultura por meio de cursos, vídeos, palestras e espaços de difusão do conhecimento.
Uma observação rápida no perfil geral de seus principais promotores e entusiastas pode levar a uma confirmação da restritividade do conceito: homens, brancos, jovens, universitários, de classe média e classe média-alta. Esse é um fato que constato pela vivência pessoal e pela pesquisa de mestrado que venho desenvolvendo desde 2013 sobre a popularização da permacultura no Brasil, a ser defendida e publicada até o final de 2016.
Em fevereiro desse ano entrevistei o amigo e permacultor Thomas Enlazador, fundador do extinto Ecocentro Bicho-do-Mato e do IBC (Instituto Biorregional do Cerrado), entre diversos outros projetos. Com base nessa entrevista – e na importância que vejo em seu conteúdo – decidi redigir essa matéria para movimentar o tema.
Mais do que um punhado de técnicas, a permacultura apresenta um outro projeto de vida e de sociedade, integral e integrado, e que afeta todas as áreas da existência humana. Thomas lembra que não podemos nos restringir apenas aos seus aspectos técnicos, que muitos de nós já dominam:
“fazer horta mandala e sanitário seco, qualquer um faz: você pega um PDF, bate a cabeça duas ou três vezes, mas faz. Fica profissional. Mas organizar uma comunidade, trabalhar o conceito de biorregionalismo, a economia, as relações, a governança, a institucionalização, a politização… aí é onde está o grande desafio, em especial do design social, sobre o qual venho me debruçando”.
Ele traça também um pouco da cronologia da permacultura brasileira, e faz sua crítica ao processo e à conjuntura:
“A permacultura no Brasil já passou por vários momentos. Aquele momento inicial em que estava restrita a 4 institutos, depois uma segunda geração, uma terceira, uma quarta, quinta, acho que hoje já estamos indo pra sexta geração de permacultores nacionais, haja visto que a permacultura já vai fazer 25 anos, desde quando foi realizado o primeiro PDC2 nestas terras. A permacultura no Brasil carece de base social, de unidade em cooperação, confiança e estratégias conjuntas. (…) Um Brasil Permacultor precisa de PermaAtivistas. Articuladores Sociais da Permacultura, que farão o Eco para a popularização, visitação, integração, inclusão social e intercâmbios econômicos mais justos e cooperados em rede.
Latinizemos mais nossa permacultura, emancipemos politicamente nossos Ecoletivos e Organizações de Resistência e Defesa de Territórios. Por Gaia, por Nós e pelas Futuras Gerações. Chegamos ao limiar da transformação.
A permacultura enquanto conceito e movimento pode agir com maior postura e firmeza nos processos da construção política dos Estados, Nações, Municípios, Vilas, Bairros, Biorregiões, e nos espaços de controle e participação social. Neles podem e devem ser pautados as soluções propostas pela permacultura. A partir dessa incisão em instancias e articulações institucionais, abre-se o leque para implementarmos uma Cultura Politica Regenerativa, pautando a Permacultura como politica publica na co-criação de Planos Diretores, Saneamento, etc.
Trabalho por uma Permacultura Popular, Ecosocialista, Solidária, Cabocla e claro, com maior conexão espiritual com nossos ancestrais. Pela conexão com Pachamama, no respeito e na cura com as plantas de poder, no sacramento dos ritos e mitos, das intergerações e Biorregiões, de brancos, pardos, amarelos e negros, hippies e punks, de gays, trans e lésbicas, das nossas duas centenas de povos indígenas em franca ameaça, dos ribeirinhos, kalungas, mendigos e refugiados, dos favelados, dos atingidos por barragens, dos sírios, haitianos e ciganos… A Perma, Ecovilas e Práticas Sustentáveis ainda não estão acessíveis, e se encontram em universos econômicos elitizados. Os educandos de cursos de perma, moradores de ecovilas e afins são em geral, brancos, filhos de classes média e alta, com bom nível universitário. A maior concentração de iniciativas se encontra no Eixo Sul-Sudeste. São poucos negros, indígenas, pescadores, rendeiras, sem teto e sem terras. Estão ainda parcialmente excluídos, mas eles dariam uma base concreta na formação política e Ecossocialista da Permacultura Popular Libertária.
Não nos limitemos a criar tão somente um movimento de redução da nossa pegada ecológica, muito menos da permacultura como um fim, e sim um meio.
Engajamento na base social, formação política, ações diretas de desobediência civil não violenta, alianças politicas com campesinos, indígenas, comunidades tradicionais, que como a própria permacultura, estão (estamos) à margem do sistema. Sem essa postura, nos fechamos em uma “bolha de luz verde e pseudo-sustentável” que não emancipa comunidades e muito menos insere socialmente.
Enxerguemos para além do numero de painéis solares de nossos institutos ou ecovilas, dos basons e das bioconstruções, dos hectares de Safs e Selfies. Deveria assumir uma postura mais aguerrida. De ecovilas de refugiados, de sanitários secos na favelas, da agrofloresta nos sertões e rincões, embaixo da ponte com moradores de rua… E isso, acaba se refletindo no Brasil que vivemos hoje, pode ser perigoso se não nos posicionarmos. Não só para uma ditadura, como é o medo de alguns, mas para que se instale uma democracia de fachada, como já vivemos em alguns aspectos.
Estamos criando uma tendencia a uma elite de comunidades sustentáveis ambientalmente, e despolitizadas socioeconomicamente? Grande parte dos projetos no Brasil, incluindo as próprias ecovilas, acabam tendo posturas que refletem a postura de uma cidadão que se alheia a politica e se ocupa na construção do seu bem estar social e zona de conforto. Uma desprezo pela politica, mas uma visão de conformismo com o Capitalismo que acaba os encubando. Um arquétipo coxinha, só que com um recheio mais sustentável. Ao invés de ser uma coxinha de frango é uma coxinha de jaca. Ótimo! Que bom que é sustentável, que bom que é ecológico. Celebremos que ocupam esse espaço, e que indivíduos compromissados estão fazendo esse movimento ligado à sustentabilidade. Porém isso não basta! Se não houver emancipação e formação política da conjuntura biorregional, nacional e global das esferas socioeconômicas, ambientais e política, sem a busca pela unidade na construção de um Brasil EcoSocialista, Solidário e Diverso, continuaremos a permaculturar de nós pra nós mesmos”
1per1
Thomas ressalta também que, dentro das iniciativas
“(…) existem várias exceções. Várias não, algumas, que estão buscando levar a permacultura pros assentamentos do Movimento dos Sem Terra; pra produtores rurais; pro movimento mais campesino; para o Movimento dos Sem Teto, etc. Eu acho que a permacultura no Brasil precisa se voltar mais para os movimentos sociais e para as comunidades tradicionais, democratizar mais esses cursos, viabilizá-los financeiramente, e não transferir o custo dos cursos somente para as inscrições”.
Por fim, reconhece também
“(…) que a permacultura está começando a dar um salto no sentido de ser um pouco mais conhecida no Brasil. A gente ainda tem um abismo muito grande – institutos que cobram 2.500, 3.000 reais em um PDC, colocando-se como o melhor PDC do Brasil. Eu acho que a gente tem que sair um pouco dessa disputa, desse jogo de ego da permacultura. Eu acho que o momento agora é da permacultura se emancipar enquanto movimento, e trazer mais pra dentro esses permacultores antigos que não estavam muito conscientes da importância política da permacultura.”
É interessante citar que muitas pessoas justificam sua atração pela permacultura em seu caráter prático. Mais do que ‘falar’ de mudança, permacultura ‘é mudança em si’. Temos aí já um interessante salto qualitativo do discurso à ação, ainda que individual ou localizada. O que parece estar se anunciando nas discussões cada vez mais presentes no interior da ‘comunidade permacultural’ brasileira e mundial, é a proposta de um novo salto, onde, reconhecidos os limites da atuação local e individualizada, parte-se agora para uma articulação regional e global, na busca da ação e da prática comum balizada pelos princípios éticos da permacultura, pois o coletivo é sempre mais forte que o indivíduo.
No entanto, para esse salto, é indispensável difundir e popularizar cada vez mais esta proposta de transformação. Para além da constituição de uma rede de comunidades alternativas, o que se discute é tornar possível uma alternativa social ampla e inclusiva. E para isso, torna-se clara a necessidade de acessar a fração majoritária da população, composta pelas camadas sociais mais vulneráveis e excluídas.
Não se trata de convencer ninguém. Não é necessário converter pessoas, e nem é preciso uma maioria absoluta. Se for possível romper ao menos a zona do privilégio e do silêncio, e caminhar lado a lado com os movimentos sociais populares, urbanos e rurais, empoderá-los e ser por eles empoderada, a permacultura brasileira certamente se aproximará de seu objetivo de transformação social concreto e objetivo, aqui e agora.
Muito trabalho a ser feito; muita reflexão e mudança, sempre! O que vem depois da coxinha de jaca?
–
2 Sigla para ‘Permaculture Design Course’, ou Curso de Design em Permacultura: considerado por muitos a ‘porta de entrada’ para este universo. Possui um currículo básico que aborda todos os rudimentos e princípios centrais em, no mínimo 72h de curso.

Fonte: http://outraspalavras.net/brasil/por-uma-permacultura-morena-e-ecossocialista/