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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

UNILA




Pedagoga de reserva indígena de São Miguel do Iguaçu é primeira aluna guarani em mestrados da UNILA



A mestranda é diretora auxiliar no Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, localizado na reserva Ocoy

Manter as tradições e o modo de viver indígenas e, ao mesmo tempo, conviver com um mundo em constante transformação são os desafios que Delmira de Almeida Peres se propõe a abordar em seu trabalho de mestrado “Saberes indígenas, metodologias e processos de ensino-aprendizagem”. Indígena e moradora da Reserva Indígena Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, ela é a primeira aluna da nação guarani a fazer um mestrado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Delmira é pedagoga e diretora auxiliar no Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, localizado na reserva. 

Ela está finalizando os créditos e começa a preparar a dissertação do mestrado Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos (IELA). “Vim fazer o mestrado porque sonho em subir de nível nos estudos e, ao mesmo tempo, para mostrar, não só para a comunidade, mas também para a sociedade brasileira, que o indígena também é capaz. Para dar exemplo para os indígenas que estão na aldeia, que estão estudando”, diz. “Desde criança, sempre pensei: tenho que dar o exemplo.”

Delmira acredita que estudar é uma necessidade cada vez maior para os povos indígenas. “Acabou a floresta, não tem mais caça, não tem mais pesca, [nossa ferramenta de trabalho] não é mais a canoa, nem a flecha, principalmente aqui no Oeste do Paraná, na fronteira onde vivemos”, comenta. No seu projeto de mestrado, Delmira quer mostrar que é possível conciliar a educação formal com os saberes indígenas, buscando metodologias e processos de ensino e aprendizagem adequados a esse objetivo. “A gente sabe muito bem que não é mais como antes e procura estratégias para um ensino-aprendizagem voltado ao conhecimento indígena, que esteja mais próximo”, explica. “Se não praticarmos [a cultura e tradições], vão se acabar.”

Futuro

A educação é preocupação crescente na Reserva do Ocoy, diz Delmira, que enfrentou muitos desafios para poder cursar a faculdade de Pedagogia. “Hoje, no Ocoy, temos dois estudantes de Pedagogia, na Unioeste, dois estudantes de magistério e um fazendo Administração”, comenta com orgulho. “Vejo que eles estão mais interessados”, diz. Segundo ela, 15 alunos estão terminando o ensino médio e demonstram interesse em fazer um curso superior. Na reserva, onde moram entre 700 e 750 indígenas, 310 estão matriculados em diferentes níveis escolares (do pré ao ensino médio).

Segundo ela, um grupo de professores indígenas está produzindo materiais específicos para alfabetizar as crianças da aldeia, voltados à tradição, ao guarani e à língua materna. “O nosso sonho é alfabetizar o aluno indígena dos anos iniciais só na língua materna. Esse é nosso sonho. Para depois, no terceiro, quarto ano, iniciar o português. Vejo que só assim se vão manter a língua e a tradição, o modo de viver indígena”, acredita.

Delmira com um grupo de estudantes e professores da UNILA 


Fonte: 

Assessoria de Imprensa UNILA



segunda-feira, 25 de maio de 2015

MAIS UMA SEMANA DE GREVE COMEÇA COM MOBILIZAÇÕES EM TODO O ESTADO

por Luciano Egidio Palagano*

O estado de guerra declarada entre os servidores estaduais e o governo do estado continua:
Na última sexta feira (22/05), em Marechal Cândido Rondon os servidores estaduais fizeram um ato de protesto na reunião do Conselho dos Municípios Lindeiros, que se realizou no centro de eventos da cidade. Neste protesto, os servidores portando cartazes, faixas, cruzes e caixões representando os deputados da base aliada e o governo, se manifestaram aos presentes, pedindo o apoio do Conselho dos Lindeiros para a pauta dos servidores.
Servidores Estaduais em ato no Encontro do Conselho dos
Municípios Lindeiros (22/05). Foto: Luciano Egidio Palagano
          A professora Aparecida Darc do comando de greve da UNIOESTE, representando todos servidores no ato, fez uma fala ao microfone onde explicitou as razões da greve e por que os servidores ainda permanecem na mesma. Você pode visualizar a fala da professora clicando aqui.
Servidores Estaduais em ato no Encontro do Conselho dos
Municípios Lindeiros (22/05). Foto: Luciano Egidio Palagano
Já no dia de hoje, a Segunda-feira iniciou uma semana que começa com mobilizações no estado inteiro, em uma ação coordenada a nível estadual pelo comando estadual de greve da APP-Sindicato, os 32 núcleos regionais de educação do estado amanheceram ocupados ou com piquetes em frente aos mesmos. O ato de protesto é realizado de forma a tentar impedir o lançamento das faltas dos servidores em greve, no caso do Núcleo de Educação de Toledo a ocupação ocorreu na tarde de hoje (25/05).
Ainda na tarde de hoje, enquanto os servidores em Toledo ocupavam o NRE, em Marechal Cândido Rondon mais um protesto ocorreu. Desta vez em frente a Justiça do Trabalho, onde o Deputado Estadual Elio Lino Rusch (DEM) foi recepcionado na saída do prédio. O mesmo se encontrava no prédio devido à duas audiências relacionadas a ações trabalhistas, nestas ações o deputado é acusado de não ter pago todos os direitos trabalhistas para um casal que trabalhou em um sítio de propriedade do parlamentar na cidade de Marechal Cândido Rondon.
Assim que Servidores da UNIOESTE e da Rede de Educação Básica ficaram sabendo da vinda do deputado, começaram a se organizar para o ato de protesto, e logo após às 14 horas portando cruzes, caixões e faixas, se dirigiram ao local e aguardaram a saída do mesmo.
Servidores Estaduais aguardando a saída do Deputado Elio
Rusch (DEM) em frente a Justiça do Trabalho em Marechal Cândido
Rondon (25/05). Foto: Luciano Egidio Palagano
Entoando palavras de ordem como “Raposa sai da toca”, “Covarde”, “O Elio Rusch, que papelão; é inimigo da Educação” e outras, os servidores ficaram posicionados em frente ao prédio da justiça do trabalho por aproximadamente uma hora à uma hora e meia aguardando a saída do deputado, e enquanto lá se encontravam a maioria das pessoas que saiam do local manifestavam apoio aos servidores.
O parlamentar ao sair (filmando os manifestantes) foi recebido com vaias e palavras de ordem, os servidores seguiram o deputado até o veículo em que o mesmo se retiraria do local, que segundo algumas informações pertence ao advogado do deputado, ao chegarem no carro o mesmo foi cercado (por algum tempo) pelos manifestantes, que vaiavam e questionavam a posição do deputado com relação ao apoio que o mesmo dá ao governo do estado.
Aos gritos de "Covarde! Covarde!" Servidores Estaduais
 seguem o Deputado Elio 
Rusch em direção ao carro.
Rondon (25/05). Foto: Luciano Egidio Palagano
Após as vaias, manifestações e algumas falas, os manifestantes liberaram o veículo que com o parlamentar dentro se evadiu do local, em seguida os servidores se dirigiram a UNIOESTE para a realização de uma reunião do comando de greve ampliado onde foram debatidos os próximos passos do movimento.






* Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná
Confira abaixo mais algumas imagens da ocupação do Núcleo Regional de Educação de Toledo e das manifestações realizadas em Marechal Cândido Rondon na última semana. Para uma melhor visualização clique nas imagens:

Ato/Manifesto de repúdio dos Servidores estaduais ao Deputado Elio Rusch (DEM) em frente a Justiça do Trabalho em Marechal Cândido Rondon (25/05)
Fotos: Luciano Egidio Palagano





  

Ocupação do Núcleo Regional de Educação de Toledo na tarde do dia 25/05:
Fotos: Professora Marinalva








Ato/Manifesto dos Servidores Estaduais no Encontro do Conselho dos Municípios Lindeiros em Marechal Cândido Rondon (22/05). Fotos: Luciano Egidio Palagano

 





quarta-feira, 20 de maio de 2015

CRÔNICA: INTRANSIGÊNCIA DO GOVERNO ESTADUAL MANTÉM SERVIDORES EM GREVE

Luciano Egidio Palagano*
"Se governar fosse fácil, não seriam necessários espíritos iluminados."
(Bertolt Brecht)
"Nas coisas humanas, não há nada mais difícil que governar bem."
(Petrus Crinitus)
"É falta de habilidade governar com tirania." (Marquês de Maricá)

Há poucos dias atrás eu publiquei um texto (clique aqui para visualizar) onde afirmava que, seria necessário um minimo de habilidade politica por parte do governo do estado do Paraná para que a situação de guerra declarada entre o governo estadual e os servidores se resolvesse.

Concentração de greve em Marechal Cândido Rondon/PR
Foto: Luciano Egidio Palagano
Situação esta, que vem trazendo prejuízos a todas as partes envolvidas:
  • Para os servidores, que estão lutando pelos seus direitos e que terão que, para cada dia que a greve se estenda, repor os dias parados para que não tenham prejuízo em seus vencimentos. Greve não se faz para brincar, greve se faz para lutar e é a última alternativa utilizada pelos trabalhadores, e os servidores estaduais estão bem conscientes disso: de que todo este processo se tornou não só uma luta pelos seus direitos mas também, após o dia 29/04, uma luta pela manutenção de sua dignidade.
  • Para o governo, que tem a sua imagem cada vez mais desgastada, não só pelo movimento mas principalmente pela maneira com que esta lidando com a situação. Táticas tragicômicas já foram executadas por parte do governo neste processo, como em um primeiro momento colocar os deputados da bancada governista dentro de um camburão, serrando as grades da ALEP para votarem um projeto em sessão secreta no restaurante da casa e em outro momento mobilizar um efetivo bélico ao custo de mais de quatro milhões de reais (R$ 4000000,00), para em um ato de atentado a ordem constitucional, impedir uma manifestação dos servidores em greve.
Estátua do Marechal de Ferro
utilizando uma máscara em alusão
ao ocorrido no dia 29/04.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Algo que levou o estado do Paraná para as páginas de jornais de âmbito mundial, e não foi para elogiar o estado e o governo que estes jornais voltaram os olhos para os acontecimentos da província paranaense.
  • Para a população, que pela demora na resolução da presente situação se vê cada vez mais atingida pela falta de serviços públicos que quando funcionam normalmente já não funcionam como deveriam funcionar devido a falta de estrutura e material humano, imagine então quando estes mesmos serviços se encontram parados completamente.
Mas infelizmente, esta necessária habilidade politica por parte do governo parece não existir, pois o mesmo não só fechou a mesa de negociação conforme noticiado há uma semana, mas mantém a intransigência em não aceitar negociar com os servidores em greve.
Servidores na Manifestação do dia 19/05 em frente ao
Palácio do Iguaçu - Curitiba. Foto: Luciano Egidio Palagano
Ontem (19/05), na mesa que deveria ser de negociação, após um ato que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba, o chefe da casa civil Eduardo Sciarra (PSD) afirmou que, o governo estadual não negociará com os servidores enquanto estes se mantiverem em greve e não apresentou nenhuma proposta que pudesse estimular os servidores a sairem da greve.
Que garantia tem os servidores de que um governo que até agora não cumpriu com suas promessas vá negociar, se estes encerrarem a greve? Com a continuidade da greve, pelo menos existe uma pressão perante o governo, sem a greve até mesmo isso deixaria de existir.
A impressão que se tem é que, o governador (juntamente com seus assessores) quer subjugar o movimento “na marra”, como se esta fosse uma disputa pessoal entre o movimento e a pessoa do governador, e não uma situação social que atinge o estado inteiro e que necessita de um minimo de abertura ao diálogo e habilidade politica para ser solucionada.
Concentração anterior a marcha. Praça Santos Andrade - Curitiba
19/05/2015 - Foto: Luciano Egidio Palagano
Inclusive, é de no minimo se estranhar, a não presença do chefe do executivo na conversa direta com os sindicatos, sempre mandando os seus representantes, o governador da mostras de, aparentemente, não se preocupar com a situação no estado.
Seria interessante que o governador deixasse de governar através do marketing e das bombas e passasse a agir como governador do estado, lembrando que governador significa tanto no latim como no grego um cargo de liderança:
Do latim: Praetor/Gubernator** – “o que vai em frente” (que é justamente o que Beto Richa não faz ao se ausentar da mesas de negociação), “Diretor”, “Líder” (o que mais lhe falta neste momento: liderança)
Grego: Kybernan*** - “pilotar ou ir ao leme de um navio”, “dirigir”, algo para o qual é necessário uma habilidade que o Governador demonstra não ter, aliás, será que Beto Richa ainda pode ser chamado de Governador com “G” maiúsculo depois da maneira como vem mostrando lidar com a situação no Paraná?
Como colocado anteriormente, os servidores lutam pela manutenção de sua dignidade, e consequentenmente a maneira como o estado vem tratando o movimento só faz acirrar ainda mais os animos, que já se encontram exaltados.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Ao fundo da imagem temos a Catedral de Curitiba. Foto: Luciano Egidio Palagano
A solução para a atual crise se encontra nas mãos do governo, mas ao que parece o governo, devido a sua incompetência e inabilidade politica, não consegue visualizar isso.
Desta forma segue a greve, com o movimento engrossando cada vez mais, ao contrário do que o governo busca com sua intransigência, uma vez que a partir da intransigência do governo, mais uma vez demonstrada no dia de ontem, começa agora a articulação e o chamado para uma greve geral dos Servidores do Paraná.
Outra consequência da intransigência do governador, da casa civil e da secretaria da fazenda, é o fato de que com a pressão que os servidores vem fazendo junto aos deputados estaduais, a base do governo na Assembleia Legislativa (aquela mesma base que defendia o governo até dentro do camburão) começa a se rebelar sinalizando que a pressão dos servidores em cima dos mesmos vem apresentando resultados.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Somando-se a todos estes fatos os gritos de Fora Beto Richa “pipocam” por todo o estado, em shoppings, estádios, teatros, shows musicais... a popularidade do governador cai a olhos vistos e ao que parece (em um governo pautado pelo marketing) a única solução que o governador vê para tentar reverter este quadro é gastar mais dinheiro público em propaganda e marketing. Entrando assim em um espiral que leva o estado do Paraná cada vez mais para o fundo do poço, e quem governa/segue em frente neste caminho é o timoneiro Beto Richa juntamente com seu estado maior.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Aguardemos os próximos passos, torcendo para que o Governador em um insigth perceba o que significa governar, e se atente para a necessária habilidade para ocupar este cargo.


* Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná
** Fonte: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/governador/ acessado em 20/05/2015 às 12h27
*** Idem

sexta-feira, 4 de julho de 2014

JORNALISMO



#jornalistasmobilizados: Até onde irá a intransigência patronal? 

 

No dia 1º de julho completou-se dois meses da data base dos jornalistas paranaenses. A negociação está travada por uma proposta dos empresários dos meios de comunicação do Estado, em especial do interior, que querem a todo custo reduzir o piso mínimo de seus trabalhadores.
Querem retirar uma conquista histórica da categoria: o piso unificado estadual. Piso este que muitos destes empresários sequer respeitam atualmente, ou seja, querem legalizar uma irregularidade que já acontece nas cidades do interior: jornalistas recebendo abaixo do piso e trabalhando em carga horária superior a cinco horas previstas na CLT (sem remuneração de hora extra) e sob a forte pressão de assédios morais dos mais variados tipos.
A principal "justificativa" dos representantes dos patrões é a dificuldade dos empresários manterem seus negócios. Uma "dificuldade" questionável pelos números apresentados pelo projeto Intermeios e o Diesse, que provam o contrário, mostrando que todos os segmentos da mídia (TV, impresso e rádio) tiveram crescimento significativo em seus faturamentos, especialmente quando comparado a desvalorização do salário de seus trabalhadores. Se há a dificuldade, que usem a criatividade em seus setores comerciais, se reciclem, mas não busquem cortar daqueles que são os verdadeiros responsáveis pela lucratividade de suas empresas. 
Na última segunda-feira (30/06), a direção do Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas do Paraná) tentou reabrir o diálogo, porém eles seguem tentando nos empurrar goela abaixo uma "proposta" já rechaçada pelos trabalhadores em assembleias e por abaixo assinados. A única resposta para os trabalhadores na mesa foi: "SÓ NEGOCIAMOS COM A REDUÇÃO DO PISO (sic)!".
Enquanto outros sindicatos pelo país usam o exemplo do Paraná para lutar por piso unificado, nossos patrões paranaenses querem retroceder com uma proposta ridícula de diferenciar trabalhadores do interior e da capital. As perguntas que não querem calar: Qual o objetivo dos empresários em protelar a data base, uma vez que eles sabem que uma proposta de redução do piso já foi descartada amplamente pelos jornalistas? Até onde irá a intransigência dos sindicatos patronais?
 
em http://sitiocoletivo.blogspot.com.br/2014/07/jornalistasmobilizados-ate-onde-ira.html - acesso em 04/07/2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

QUESTÃO INDÍGENA






publicado em Uniao Campo Cidade e Floresta*



ITAIPU

A maior hidrelétrica do mundo insiste em negar dívida com indígenas

Estima-se que cerca de 100 comunidades guaranis sofrem impacto com a instalação da usina, e até hoje a imensa maioria delas não recebeu a compensação adequada pelos territórios tradicionais que perderam: mais de 80 mil hectares, apenas do lado brasileiro

BIANCA PYL
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Território Guarani, Brasil. A maior hidrelétrica do mundo em termos de geração de energia, Itaipu, localizada no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai, completa, em 2012, 30 anos de funcionamento. Apesar da imensa riqueza que a usina já gerou nessas três décadas, a empresa que a administra foi incapaz, até hoje, de saldar a dívida que gerou com a remoção de dezenas de comunidades indígenas guarani para a formação de seu lago.
Itaipu, tem um nome em lingua guarani, “pedra que canta”, e foi construída em pleno território indígena, em lugar onde, há séculos, os cronistas e historiadores registram a presença de grupos guarani. Estima-se que quase 100 comunidades guarani – falantes dos dialetos nhandeva (conhecidos como Avá-Guarani) e mbya – sofreram o impacto da instalação da usina, e a imensa maioria delas até hoje não recebeu compensação adequada pelos territórios tradicionais que perderam: mais de 80 mil hectares, só do lado brasileiro, segundo cálculos de estudiosos.
José (nome fictício), 52, era só um jovem quando a área onde morava, Oco’y Jacutinga, foi atingida pelo lago formado por Itaipu, sendo obrigado a mudar radicalmente um estilo de vida que, hoje, só sobrevive em suas memórias: “A gente tinha mato suficiente para caçar, rio para pescar, espaço para nossa cultura”. Depois que surgiu Itaipu, tudo mudou. Em 1982, ele foi morar na recém-criada aldeia avá-guarani do Oco’y, na beira do lago de Itaipu, em São Miguel do Iguaçu (PR). Poucos anos depois, com a rápida superlotação daqueles 251 hectares, participou do movimento que pressionou pela constituição de nova aldeia guarani.
Em 1997, surgiu o Tekoha Añetete, terra indígena localizada em Diamante D’Oeste (PR). Eram 1.744 hectares comprados por Itaipu. Ainda assim, era pouca terra. Tanto que, 11 anos depois, ele partiu com 17 famílias aliadas para fundar nova aldeia, a Vy’a Renda Poty, ocupação de 109 hectares não regularizada, próxima a Santa Helena (PR).

De acordo com informações dos indígenas, colhidas pela antropóloga Malu Brant, na região de Itaipu, do lado brasileiro, existiam ao menos 32 aldeias guarani. Elas desapareceram entre 1940 e 1982, período entre a criação do Parque Nacional do Iguaçu (1939) e o alagamento para formação do lago Itaipu (1982).
Pelo menos nove aldeias foram alagadas pela usina, de acordo com o levantamento da antropóloga, que iniciou pesquisa na região por solicitação da Justiça Federal de Foz do Iguaçu. O depoimento de dona Maria (nome fictício) repassa todo esse drama. Ela conta ter nascido em 1924, na mesma área onde morava seu Pedro antes da inundação, Oco’y Jacutinga. Nos anos 40, Narcisa presenciou um massacre. “Eu e minha família assistimos escondidos. Eu vi, eu vi, mataram tudo! Abriam a barriga com facão e jogavam depois nas Cataratas (do Iguaçu)”, contou ela a Malu.
Nessa época, destaca a antropóloga, os Guarani da região do Parque Nacional do Iguaçu foram expulsos pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
Florestal (IBDF). De nova localidade, na mesma região, a família de Maria foi expulsa em 1962 – também pelo IBDF – e seguiu para formar outra aldeia, junto a Foz do Iguaçu, de onde foram novamente afastados, dessa vez pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), segundo lembra (Malu explica que foi para promover o assentamento de colonos retirados da área do parque). Em 1981, Maria voltou à área onde nascera, que, por fim, foi alagada por Itaipu. Acabou indo morar no Oco’y, onde tiveram de se espremer dezenas de famílias.
A terra de Oco’y tem 7 km de comprimento por 240 metros de largura e os primeiros 100 metros a partir das bordas internas do lago são de usufruto de Itaipu, só os 140 metros restantes são destinados à população indígena. A aldeia é constituída de quatro lotes doados a quatro famílias indígenas. Isso quando, segundo os depoimentos, havia mais de 70 famílias em Oco’y Jacutinga, área próxima dali que foi alagada.
Ali, além de tudo, os Guarani disputam espaço com colonos. Os agrotóxicos usados pelos agricultores no entorno da aldeia poluem a água do lago, muitas vezes utilizada pelos indígenas. Além disso, Oco’y é o único local do estado do Paraná com incidência de malária. O controle da doença é feito por meio de borrifamento de um produto tóxico, que provoca mais contaminação. A comunidade sobrevive com cestas básicas doadas por Itaipu.
Añetete
A superpopulação em Oco’y, um dos únicos espaços disponíveis na região para refúgio dos índios depois que foi formado o lago da usina, gerou movimentos por novas demarcações de terra em poucos anos, como se viu na história de José. Mesmo a criação de Añetete, em 1997, não resolveu a questão de terras.

Além disso, ali, o acesso dos indígenas às habitações, desde a entrada, permanência, saída de famílias e a própria condução interna da exploração da terra, tudo é controlado por representantes de Itaipu, segundo a antropóloga. Os Guarani trabalham nas plantações comunitárias e recebem como pagamento cestas básicas. “Isso mantém uma relação de dependência com a usina”, denuncia.
Na página da Itaipu na internet, uma frase destoa do que é relatado pelos indígenas: “Itaipu age para que os índios alcancem a independência econômica”. Segundo depoimentos colhidos pela antropóloga, Itaipu também estipula o número máximo de cinco novas famílias por ano que podem vir morar no Añetete. “Isso não ocorre em qualquer outro aldeamento guarani no Brasil, tratando-se de intervenção incorreta, arbitrária”.
Após novas pressões dos Guarani, em 2004, Itaipu adquiriu uma área com 509,5 hectares, a atual aldeia de Itamarã, também em Diamante D’Oeste (PR), onde foram morar 40 famílias. A aldeia Vy’a Renda Poty, onde vive José, está localizada em área pertencente ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O local fica próximo à antiga aldeia de Dois Irmãos, uma das que hoje se encontram submersas pelas águas da Itaipu. “Essas retomadas de terra demonstram a urgente necessidade de ampliação territorial. É uma dívida histórica que o Estado brasileiro continua se negando a reconhecer”, relata Paulo Porto Borges, da Operação Amazônia Nativa (Opan), que acompanha os Guarani no oeste do Paraná desde 2000.
José afirma que Itaipu não presta nenhuma assistência em Vy’a Renda Poty. “Mesmo sendo culpa deles a nossa perda de território. A empresa diz que, se voltarmos para a aldeia Añetete, vamos receber cesta básica, só que não tem espaço lá. Eles tiraram nossas terras e agora precisamos deles até para se alimentar, não queremos isso.”
Para Malu Brant, a Funai foi omissa em todo o período histórico. Atualmente há três áreas em fase de identificação antropológica na região. “É necessário haver o reconhecimento das terras que eles perderam por conta desses megaprojetos e a identificação de áreas de acordo com o que eles tinham”, analisa.
Do lado paraguaio, o problema com Itaipu se arrasta até hoje também. Mario Rivarola, da Organização Nacional dos Aborígenes Independentes (Onai), relata que foram 60 as comunidades desalojadas por Itaipu nos anos de 1970. “Faziam promessas, diziam que iam reassentar e indenizar. Tudo ficou na teoria. Os que não aceitavam sair eram levados por policiais e militares”, diz. “O que mais dói é que obrigaram-nos a sair, mas algumas áreas não foram alagadas. Hoje estão ocupadas por fazendas.”

Nhande reko
Os Guarani do Paraná integram uma extensa rede social, que começa no norte da Argentina e só termina nas aldeias do Espírito Santo. Deslocando-se através de fronteiras que não foram estabelecidas por eles, esses indígenas reivindicam dos governos dos países que hoje os abrigam o reconhecimento dessa condição transnacional.
Em fevereiro deste ano, aconteceu no Tekoha Añetete o 1º Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, organizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com o governo paraguaio e Itaipu. O reconhecimento, pelo Mercosul, dessa cidadania guarani que ultrapassa as fronteiras foi uma das principais reivindicações formuladas durante o evento. Convenientemente para as instituições envolvidas, o documento final do evento não fez menção à questão da terra.
Mas é justamente esse traço cultural guarani, sua gigantesca rede social, que Itaipu utiliza para justificar a superlotação nas aldeias, conforme texto no site da empresa na internet: “As migrações fazem parte da cultura avá-guarani. Esses índios costumam migrar frequentemente, mas sempre retornam aos locais de origem. (…) Isso contribuiu para o retorno daquelas famílias que, durante os anos 60 e 70, haviam migrado para o Paraguai. O retorno resultou em superpopulação na reserva do Oco’y”. Só faltou explicar que a migração para o Paraguai foi resultado de esbulho realizado pelo próprio governo brasileiro.
Procurado pela reportagem, Jair Kotz, superintendente de Gestão Ambiental de Itaipu, afirmou: “Itaipu considera que a comunidade, representada pela Funai e com o acompanhamento de várias outras entidades, foi reassentada, pelo Incra, em área de tamanho adequado, muito maior do que a até então ocupada. Posteriormente, a Itaipu, sempre de forma consensual com todos os envolvidos, adquiriu área ainda maior para a comunidade indígena, área escolhida por ela, somando-a àquela que já fora destinada originalmente”. Como se viu nos depoimentos aqui citados, a tal “forma consensual” com que Itaipu negociou as compensações territoriais não foi tão abrangente assim.



*FONTE: https://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/2010/12/04/itaipu-a-maior-hidreletrica-do-mundo-insiste-em-negar-divida-com-indigenas/ ACESSADO EM 01/01/2014 - COLABORAÇÃO DE DIOGO OLIVEIRA

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALEP



 Realidade dos Indígenas do Paraná*






Uma audiência pública realizada na manhã deste 11 de dezembro, no plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, de forma inédita,  reuniu políticos, índios e entidades, partidos e pessoas envolvidas com a questão indígena no Estado.

Na mesa de condução dos trabalhos estavam o deputado estadual Péricles de Mello, secretário da Comissão de Cultura e do Conselho Parlamentar pela Cultura da Paz – Conpaz- Pr.; o deputado Tadeu Veneri, presidente da Comissão de Direitos Humanos e o deputado Rasca Rodrigues, vice – presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da ALEP. 

Também fizeram parte da mesa a Dra. Antonia Lélia Neves  Sanches, Procuradora da República no Estado do Paraná, assim comoo Dr. Olympio Sá Sotto Maior Neto, Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público;  o Dr. Luis Eduardo Canto Bueno,  Coordenador da Área Indígena  do Caop-DH; e, o Dr. Teo Marés – Procurador do Município de Pinhais. 

Ainda participaram Diogo de Oliveira, representante da Presidência Nacional da FUNAI;  Maria Tereza Uille  Gomes, secretária estadual de Justiça Cidadania e Direitos Humanos do Estado do Paraná e os caciques Romancil Cretã e Ilson Soares, além de Rildo Mendes, oordenador Administrativo da Articulação dos Povos indígenas do Sul – Arpin – Sul, e,  Tina Tchenna Maso,  representante da Plataforma Dhesca Brasil.

A audiência, que foi uma conquista de diversos movimentos, teve ainda a participação de várias lideranças indígenas, da Cáritas Paraná, Gestão Ambiental, Defensoria Pública do Estado do Paraná, Instituto Arayara, de representantes do Psol PR e Psol Marechal. Cândido Rondon, da Liderança do PT, da Base de cultura do PC do B, do grupo "Somos todos Guarani Kaiowá Curitiba" , do SOS Floresta e do Líbres.

Dentre as deliberações da audiência ficou estabelecida a constituíção de um grupo de trabalho composto por lideranças indígenas, representantes dos poderes públicos municipal, estadual e federal, além das entidades participantes da audiência, tendo ficado agendada a primeira reunião do grupo entre os dias 16 a 20 de dezembro do corrente ano, em local e hora ainda a ser definido. 

Definiu-se também a criação de Frente Parlamentar de apoio aos Povos Indígenas, a criação do Conselho Estadual específico dos Povos Indígenas, um compromisso da Secretaria Estadual de Justiça Cidadania e Direitos Humanos, que encaminhará a proposta ao Governador, após consulta e aprovação das lideranças indígenas; e, a criação da Comissão Mista sobre terras indígenas com a participação do Poder Público e lideranças indígenas.

Ficou estabelecida ainda a tentativa da criação de uma CPI sobre decretos do ex governador Moysés Lupion e uma investigação sobre exploração de madeireiras e hidrelétricas para justa indenização, além de outras como a realização de uma audiência pública com o ministro da Justiça sobre os temas e a confirmação da presença de um representante da Itaipu Binacional nas próximas audiências sobre o tema. Aventou-se dentre os temas uma auditoria sobre o repasse do ICMS ecológico para as aldeias indígenas e uma audiência pública para debater e regularizar a questão indígena na cidade de Guaíra até março de 2014, reunião esta que pode ser realizada em Guaíra ou Marechal Cândido Rondon.  





Abaixo segue Carta de Repúdio encaminhada pela Aldeia Tekoha Y’hovy e entregue na audiência:

















Fotos: Matias Eduardo de Carvalho
Colaboração: Luciano Egídio Palagano

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

RETRATO DO CAPITALISMO

  • O material a seguir retrata uma faceta da busca da maioria das pessoas pelo "seu lugar ao sol" e suas consequências, tendo como variante a maneira que elas escolheram para chegar ao tal lugar.  (Créditos: Lorenzo Balen)

     

     

     

     O DESCASO DE ALFREDO KAEFER (PSDB) E A SITUAÇÃO DRAMÁTICA DOS TRABALHADORES DA DIPLOMATA (CAPANEMA-PR) E DA GLOBOAVES (CASCAVEL-PR)‏

     

01/01/2013
Relato-manifesto que produzimos depois de acompanhar de perto a situação dos trabalhadores da Diplomata em Capanema-PR. A situação é completamente caótica e exige resolução imediata! Há indícios que o Deputado Federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR) esteja aplicando um golpe econômico com manobra jurídica. Isso está sendo investigado. Um duro golpe na economia regional (sudoeste) e acabando com milhares de empregos. Capanema retrocederá por anos. Diversos trabalhadores já tiveram que ir embora da cidade. Quem quiser se solidarizar de alguma forma, entre em contato. Importante divulgarmos ao máximo essas informações para que sirvam como pressão para que a prefeitura de Capanema e o Governo do Estado façam alguma coisa.

Saudações socialistas,
Lorenzo Gabriel Balen, militante do PSOL de Toledo.

TODO APOIO AOS TRABALHADORES DA DIPLOMATA EM CAPANEMA!


RELATO-MANIFESTO SOBRE A SITUAÇÃO DOS TRABALHADORES DA DIPLOMATA

Milhares de trabalhadores da empresa Diplomata de Capanema-PR, controlada pelo Deputado Federal Alfredo Kaefer (PSDB), estão sendo vítimas de diversos ataques da empresa contra seus direitos. Desde 2008 a empresa não deposita o FGTS, há três meses não fornece cesta-básica, há dois não paga os salários e, neste final de ano, não pagou o 13º e nem outros benefícios. A empresa, assim como outras da família Kaefer, já vem sendo motivo de protestos em diversos municípios do Paraná e de outros estados.

A EMPRESA PODE TER ADIADO A "FALÊNCIA" PARA APLICAR UM GOLPE ECONÔMICO?
A suspeita foi levantada pelos credores na ação de recuperação judicial que tramita na 1ª Vara Cível de Cascavel-PR

A Diplomata buscou em agosto a recuperação judicial, para evitar a falência, em função das dívidas milionárias e irresponsáveis que fizeram. Porém, desde então, não se apresentou informações necessárias para a justiça. Uma dessas informações referente a real riqueza de Alfredo Kaefer. A justiça decidiu investigar mais a fundo e constatou que, às vésperas do pedido de recuperação judicial, Kaefer transferiu diversos bens para terceiros e, após isso, se afastou da direção da empresa, a fim de evitar que suas propriedades fossem executadas devido às dívidas. Há fortes indícios de que o empresário e político tucano ainda controla a empresa, direta ou indiretamente. Em outubro foi entregue o plano de recuperação, porém, quase nada vem sendo cumprido. A justiça determinou o bloqueio das contas bancárias. A dívida ultrapassa R$600 milhões e aumenta a cada dia. Somente com folha de pagamento, são mais de R$3 milhões.

Em função destas circunstâncias, os trabalhadores, ao perceberem que não tinham suporte por parte do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Francisco Beltrão e Região – que se eximiu quase que inteiramente nesse processo, decidiram pela greve no dia 15 de dezembro. Dias após, dezenas de famílias resolveram cercar a empresa e acampar em frente aos portões, devido não terem mais condições sequer de pagarem o aluguel, as contas de água e luz e mesmo garantir sua alimentação diária. Fizeram isso como forma de não deixar que as mais de 150 toneladas de frango que se encontram no interior do frigorífico deixem o local sem garantia de que essa mercadoria possa se converter no pagamento de seus salários. Mesmo a situação estando tão complicada, pouca coisa está sendo feita para resolver a questão.

Situação similar ocorreu em Cascavel, na empresa Globoaves - também da família Kaefer, em que os trabalhadores tiveram o 13º salário atrasado e ameaçam greve. Em Xaxim-SC, a justiça determinou a suspensão das atividades da Diplomata, devido à falta de pagamento dos trabalhadores e o endividamento de pequenos agricultores.

A SITUAÇÃO DOS TRABALHADORES ESTÁ DRAMÁTICA
Diante dessa grave situação, membros de organizações de luta política da região oeste e sudoeste deslocaram-se para o local onde os trabalhadores estão acampados para acompanhar de perto, tomar o relato dos próprios trabalhadores e verificar possibilidades de apoio. Chegando lá, observaram-se as condições subumanas de sobrevivência a que foram submetidos os trabalhadores.

Sem contar com qualquer apoio por parte da Prefeitura ou do Governo do Estado, improvisaram uma cozinha coletiva e revezam-se diariamente para recolher doações nas ruas da cidade e no comércio, a fim de conseguirem comprar alimentos. Um dia garantindo o próximo. Alguns já perderam a moradia e grande parte deles corre risco de despejo por falta de pagamento de aluguel. Os pagamentos de prestações de casa própria também estão em atraso. Passaram a comemoração do natal na rua, o que deve se repetir na virada do ano. E, ainda, estariam sendo chantageados e ameaçados para que deixem o local. Além disso, a empresa demitiu os trabalhadores da segurança, que estavam também com os salários atrasados, e contratou uma grande equipe de segurança privada armada de Cascavel para fazerem ronda.

Confira o vídeo da passeata que os trabalhadores organizaram autonomamente no centro de Capanema exigindo os seus direitos e os salários:
http://www.facebook.com/photo.php?v=313092078809344


Mesmo a empresa não depositando o FGTS há cinco anos, nas eleições de 2010 a Diplomata doou aproximadamente R$2 milhões para a campanha de Alfredo Kaefer, este político irresponsável que levou a empresa para a falência. Já a Globoaves repassou quase R$1 milhão para a campanha dele. As mesmas empresas que alegam não terem recursos para pagar os trabalhadores, esbanjam no financiamento político daquele que coloca em risco as condições de vida dos trabalhadores e, segundo a justiça, pode estar aplicando golpes econômicos com manobras jurídicas.

A omissão por parte da prefeitura de Capanema, a ineficiência e o silêncio do sindicato, a truculência da empresa e a tentativa de fuga de responsabilidades de Alfredo Kaefer, tudo isso recai sobre os próprios trabalhadores que tem somente seu corpo e seu espírito para garantir o seu sustento, que lhes está sendo negado. Sem contar que também está prejudicando os fornecedores de aves e trabalhadores das granjas e do transporte de cargas, que também passam por privações devido à falta de pagamentos. E isso tudo traz também um grave impacto na economia regional.

Não se pode deixar que uma crise dos patrões seja utilizada como motivo para descontar todo ônus nos trabalhadores! Destacamos a necessidade de ampla solidariedade das pessoas e organizações para com a causa e de que o município auxilie essas famílias. É urgente que a empresa acerte com os trabalhadores todas as pendências e que sejam punidos os responsáveis por esses crimes. Repudiamos publicamente o Dep. Fed. Alfredo Kaefer (PSDB) por não respeitar nem a dignidade tampouco o direito dos trabalhadores.
-PELA ATENÇÃO IMEDIATA DA PREFEITURA DE CAPANEMA E DO GOVERNO DO ESTADO AOS TRABALHADORES!
-PELO PAGAMENTO IMEDIATO DOS SALÁRIOS!
-PELA PUNIÇÃO DE ALFREDO KAEFER!
-PARA SALVAR A ECONOMIA LOCAL E OS EMPREGOS: ESTATIZAÇÃO DA EMPRESA SOB O CONTROLE DOS TRABALHADORES!
Capanema, 29 de dezembro de 2012.
Representações presentes na ocupação dos trabalhadores
ADVT – Associação de Defesa dos Vitimados pelo Trabalho/Francisco Beltrão
Partido Socialismo e Liberdade – PSOL | Núcleos de Francisco Beltrão e Toledo
Diretório Central dos Estudantes da UNIOESTE/Marechal Cândido Rondon
Centro Acadêmico de Historia da UNIOESTE/Marechal Cândido Rondon
Representações que se somam à luta dos trabalhadores
APP de Luta e Pela Base – Oposição APP Sindicato/Região Oeste
Assembléia Nacional dos Estudantes Livre – ANEL Paraná
Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural  - ASSESSOAR
Associação dos Estudantes de São Pedro do Iguaçu – AESPI
Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB Seção Marechal Cândido Rondon
Associação dos Pós-Graduandos da Unioeste – APG
Casa da América Latina - Foz do Iguaçu
Centro Acadêmico de Ciências Sociais "Florestan Fernandes"  - UEM
Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Unioeste/Toledo
Centro Acadêmico de Direito “XVIII de Novembro” da Unioeste/Marechal Cândido Rondon
Centro Acadêmico de História "Nadir Aparecida Cancian" – UEM
Centro Acadêmico de Serviço Social "Divanir Munhoz" – UEPG
Centro de Direitos Humanos - CDH Foz do Iguaçu
Centro de Direitos Humanos – CDH Londrina
Centro de Estudos Políticos e Culturais de Londrina
ASSIBGE - Sindicato Nacional IBGE - Núcleo Sindical Paraná
Coletivo Barricadas Abrem Caminhos
Diretório Acadêmico de Biologia Erasmus Darwin - UEPG
Diretório Acadêmico de Geografia Luis André Sartori - UEPG
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Maringá – DCE UEM
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Ponta Grossa – DCE UEPG
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Centro Oeste – DCE UNICENTRO (Irati)
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – DCEs UNIOESTE (Francisco Beltrão/Toledo)
Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Ceretta - Marechal Cândido Rondon
Partido Comunista Brasileiro - PCB Foz do Iguaçu
Partido Socialismo e Liberdade – PSOL Paraná | DIREÇÃO ESTADUAL
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU Região Oeste
Pastoral Operária de Marechal Cândido Rondon
Rompendo Amarras – Campo de Juventude e Movimento Estudantil

Sindicato Docente da Unioeste - ADUNIOESTE/Seção Sindial do ANDES-SN
União da Juventude Comunista - UJC Foz do Iguaçu
Unidade Classista - Foz do Iguaçu


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Fotos: Lorenzo Gabriel Balen