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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

GREVE NAS UFs




A “PÁTRIA EDUCADORA” ESTÁ ATACANDO A UNIVERSIDADE PÚBLICA



05 SET 2015 

Bernadete Menezes*, especial para o Jornalismo B

Os técnicos e professores das universidades públicas brasileiras estão em greve já há várias semanas. Nessa greve, a luta não é apenas por salário, pois este é apenas a ponta do iceberg da crise das universidades hoje. Muitos técnicos recém-concursados ficam apenas alguns anos e vão para outros empregos, pois os salários estão entre os mais baixos do funcionalismo federal. Nosso piso hoje é de R$ 1.140,00 e nossos auxílios são risíveis, como R$ 80,00 para creche.
Foto: Assufrgs
Foto: Assufrgs
Mas o que pouco aparece na imprensa é que as universidades estão em crise. O corte de R$ 9 bilhões na Educação atingiu em cheio as universidades. Não há verba para pagar as empresas de terceirizados, o que tem acarretado inúmeras greves por todo o país. Não há verba para manutenção dos prédios e nem para construção de novos para acolher a demanda de crescimento de programas como o Reuni. A Ufrgs, considerada uma das melhores universidades do país, está tendo aulas nos prédios de colégios de Porto Alegre. Temos três prédios interditados, vários com problemas de manutenção, as passagens para as bancas de mestrado e doutorado foram suspensas, já tivemos três greves de terceirizados somente este ano. Esses são alguns dos efeitos dos cortes do governo em uma universidade considerada de excelência.
Arrochar salários de técnicos e professores e realizar cortes em um setor estratégico como a Educação e a produção de novas tecnologias é matar a galinha dos ovos de ouro. Muito se fala que parte de nossa crise acontece porque a pauta de exportação do Brasil se resume a alimentos, minerais e petróleo – os famosos commodities. Que é necessário superar o déficit tecnológico, para substituir importações. Mas a política do governo Dilma Rousseff (PT), é a política do bombeiro louco, que tenta apagar o incêndio com gasolina. Cortar verbas de investimentos e custeio das universidades é atacar a pesquisa. Todos sabem que é nas universidades públicas onde se produz mais de 90% da pesquisa no Brasil. Que a Petrobras só é essa grande empresa, na qual as grandes transnacionais estão de olho, devido à pesquisa desenvolvida na UFRJ. A tecnologia de extração de petróleo em águas profundas, que exportamos até para o Japão, foi produzida dentro de nossas universidades.
Por isso, nossa greve é por condições de trabalho e parte disso são nossos salários, mas é estratégica a luta contra os cortes de verbas, em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. Que a universidade seja o espaço de produção de nossa independência tecnológica, por uma nova sociedade justa, igualitária e ambiental/socialmente sustentável.
*Coordenadora de Serviços Públicos da Intersindical e Coordenadora Geral da Assufrgs.

Fonte: http://jornalismob.com/2015/09/05/a-patria-educadora-esta-atacando-a-universidade-publica/

quarta-feira, 20 de maio de 2015

CRÔNICA: INTRANSIGÊNCIA DO GOVERNO ESTADUAL MANTÉM SERVIDORES EM GREVE

Luciano Egidio Palagano*
"Se governar fosse fácil, não seriam necessários espíritos iluminados."
(Bertolt Brecht)
"Nas coisas humanas, não há nada mais difícil que governar bem."
(Petrus Crinitus)
"É falta de habilidade governar com tirania." (Marquês de Maricá)

Há poucos dias atrás eu publiquei um texto (clique aqui para visualizar) onde afirmava que, seria necessário um minimo de habilidade politica por parte do governo do estado do Paraná para que a situação de guerra declarada entre o governo estadual e os servidores se resolvesse.

Concentração de greve em Marechal Cândido Rondon/PR
Foto: Luciano Egidio Palagano
Situação esta, que vem trazendo prejuízos a todas as partes envolvidas:
  • Para os servidores, que estão lutando pelos seus direitos e que terão que, para cada dia que a greve se estenda, repor os dias parados para que não tenham prejuízo em seus vencimentos. Greve não se faz para brincar, greve se faz para lutar e é a última alternativa utilizada pelos trabalhadores, e os servidores estaduais estão bem conscientes disso: de que todo este processo se tornou não só uma luta pelos seus direitos mas também, após o dia 29/04, uma luta pela manutenção de sua dignidade.
  • Para o governo, que tem a sua imagem cada vez mais desgastada, não só pelo movimento mas principalmente pela maneira com que esta lidando com a situação. Táticas tragicômicas já foram executadas por parte do governo neste processo, como em um primeiro momento colocar os deputados da bancada governista dentro de um camburão, serrando as grades da ALEP para votarem um projeto em sessão secreta no restaurante da casa e em outro momento mobilizar um efetivo bélico ao custo de mais de quatro milhões de reais (R$ 4000000,00), para em um ato de atentado a ordem constitucional, impedir uma manifestação dos servidores em greve.
Estátua do Marechal de Ferro
utilizando uma máscara em alusão
ao ocorrido no dia 29/04.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Algo que levou o estado do Paraná para as páginas de jornais de âmbito mundial, e não foi para elogiar o estado e o governo que estes jornais voltaram os olhos para os acontecimentos da província paranaense.
  • Para a população, que pela demora na resolução da presente situação se vê cada vez mais atingida pela falta de serviços públicos que quando funcionam normalmente já não funcionam como deveriam funcionar devido a falta de estrutura e material humano, imagine então quando estes mesmos serviços se encontram parados completamente.
Mas infelizmente, esta necessária habilidade politica por parte do governo parece não existir, pois o mesmo não só fechou a mesa de negociação conforme noticiado há uma semana, mas mantém a intransigência em não aceitar negociar com os servidores em greve.
Servidores na Manifestação do dia 19/05 em frente ao
Palácio do Iguaçu - Curitiba. Foto: Luciano Egidio Palagano
Ontem (19/05), na mesa que deveria ser de negociação, após um ato que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba, o chefe da casa civil Eduardo Sciarra (PSD) afirmou que, o governo estadual não negociará com os servidores enquanto estes se mantiverem em greve e não apresentou nenhuma proposta que pudesse estimular os servidores a sairem da greve.
Que garantia tem os servidores de que um governo que até agora não cumpriu com suas promessas vá negociar, se estes encerrarem a greve? Com a continuidade da greve, pelo menos existe uma pressão perante o governo, sem a greve até mesmo isso deixaria de existir.
A impressão que se tem é que, o governador (juntamente com seus assessores) quer subjugar o movimento “na marra”, como se esta fosse uma disputa pessoal entre o movimento e a pessoa do governador, e não uma situação social que atinge o estado inteiro e que necessita de um minimo de abertura ao diálogo e habilidade politica para ser solucionada.
Concentração anterior a marcha. Praça Santos Andrade - Curitiba
19/05/2015 - Foto: Luciano Egidio Palagano
Inclusive, é de no minimo se estranhar, a não presença do chefe do executivo na conversa direta com os sindicatos, sempre mandando os seus representantes, o governador da mostras de, aparentemente, não se preocupar com a situação no estado.
Seria interessante que o governador deixasse de governar através do marketing e das bombas e passasse a agir como governador do estado, lembrando que governador significa tanto no latim como no grego um cargo de liderança:
Do latim: Praetor/Gubernator** – “o que vai em frente” (que é justamente o que Beto Richa não faz ao se ausentar da mesas de negociação), “Diretor”, “Líder” (o que mais lhe falta neste momento: liderança)
Grego: Kybernan*** - “pilotar ou ir ao leme de um navio”, “dirigir”, algo para o qual é necessário uma habilidade que o Governador demonstra não ter, aliás, será que Beto Richa ainda pode ser chamado de Governador com “G” maiúsculo depois da maneira como vem mostrando lidar com a situação no Paraná?
Como colocado anteriormente, os servidores lutam pela manutenção de sua dignidade, e consequentenmente a maneira como o estado vem tratando o movimento só faz acirrar ainda mais os animos, que já se encontram exaltados.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Ao fundo da imagem temos a Catedral de Curitiba. Foto: Luciano Egidio Palagano
A solução para a atual crise se encontra nas mãos do governo, mas ao que parece o governo, devido a sua incompetência e inabilidade politica, não consegue visualizar isso.
Desta forma segue a greve, com o movimento engrossando cada vez mais, ao contrário do que o governo busca com sua intransigência, uma vez que a partir da intransigência do governo, mais uma vez demonstrada no dia de ontem, começa agora a articulação e o chamado para uma greve geral dos Servidores do Paraná.
Outra consequência da intransigência do governador, da casa civil e da secretaria da fazenda, é o fato de que com a pressão que os servidores vem fazendo junto aos deputados estaduais, a base do governo na Assembleia Legislativa (aquela mesma base que defendia o governo até dentro do camburão) começa a se rebelar sinalizando que a pressão dos servidores em cima dos mesmos vem apresentando resultados.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Somando-se a todos estes fatos os gritos de Fora Beto Richa “pipocam” por todo o estado, em shoppings, estádios, teatros, shows musicais... a popularidade do governador cai a olhos vistos e ao que parece (em um governo pautado pelo marketing) a única solução que o governador vê para tentar reverter este quadro é gastar mais dinheiro público em propaganda e marketing. Entrando assim em um espiral que leva o estado do Paraná cada vez mais para o fundo do poço, e quem governa/segue em frente neste caminho é o timoneiro Beto Richa juntamente com seu estado maior.
Marcha do dia 19/05 que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba.
Foto: Luciano Egidio Palagano
Aguardemos os próximos passos, torcendo para que o Governador em um insigth perceba o que significa governar, e se atente para a necessária habilidade para ocupar este cargo.


* Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná
** Fonte: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/governador/ acessado em 20/05/2015 às 12h27
*** Idem

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CRÔNICA: Servidores X Governo DO PARANÁ: Bonde Desgovernado

Luciano Egidio Palagano*
Frase que explica a concepção de Democracia da maioria dos políticos:
“Democracia é quando eu mando em você,
ditadura é quando você manda em mim.”
(Millôr Fernandes)


Hoje, 15/05, o Campus da UNIOESTE de Marechal Cândido Rondon foi palco de mais um protesto dos servidores estaduais.
Um dia depois do governo estadual anunciar que encerrou as negociações com os sindicatos que representam as diversas categorias em greve no estado do Paraná, o campus de Marechal Cândido Rondon da Unioeste foi palco de mais um protesto que unificou professores e funcionários da UNIOESTE e da Rede de Educação Básica.
O protesto ocorreu durante a realização de uma das mesas do XV Seminário de Extensão da Unioeste, que começou ontem 14/05, os manifestantes fizeram uma recepção ao Deputado Federal Evandro Roman (PSD) em um ato de repúdio à defesa que o mesmo fez na Câmara dos Deputados em Brasília dos atos do Governo Estadual, relacionados aos fatos ocorridos no dia 29/04.
Na mesma mesa também deveria ter estado presente o atual Secretário de Esportes do Paraná, Douglas Fabrício, que, segundo informações, não se fez presente por motivos de saúde.
Logo na chegada já foi possível ver o constrangimento do deputado quando o mesmo se deparou com o cemitério simbólico em frente da Biblioteca do Campus.
Dep. Evandro Roman (PSD) e Assessor
chegando no XV SEU. Ao fundo: cemitério da gestão Richa
Imagem: Luciano Egidio Palagano
Assim que o mesmo se dirigiu à mesa e iniciou sua fala, os manifestantes (vestidos em trajes de luto, com a boca tapada por tiras escuras e segurando cartazes) deram as costas ao deputado esvaziando a plateia e se posicionando ao lado do cemitério entoando o grito “Fora Beto Richa”.
Enquanto os manifestantes se posicionavam ao lado do cemitério e a plateia ficava cada vez mais vazia, era perceptível a preocupação e o constrangimento do parlamentar com o ato, uma vez que volta e meia, durante a sua fala, ele inseriu algum termo de homenagem à educação e aos professores, aparentemente tentando mediar a tensa situação que se verificava no momento.
Após a fala do deputado, foi aberto um espaço para questionamentos e apesar da temática da mesa não ser a greve dos servidores e nem mesmo os fatos ocorridos no dia 29/04, foi este o tema que dominou o debate.
A professora Aparecida Darc (comando de greve da UNIOESTE) fez uma fala ao deputado no sentido de que o protesto realizado naquele momento não era uma questão de vontade, mas sim de necessidade e de que a fala do professor coordenador da mesa (Professor Luís Peres – Ed. Física), que colocou que o parlamentar havia conseguido recursos para a Universidade, e a atuação do parlamentar com relação aos fatos do dia 29/04 e de todo o processo de mobilização era no minimo contraditório.
O deputado ao responder a professora colocou que não era de esquerda e nem de direita, e que defendia o direito de greve, mas que era preciso também defender a ordem instituída.
Servidores segurando faixa da manifestação
Imagem: Luciano Egidio Palagano

Um terceiro questionamento foi feito ao parlamentar pelo integrante da rede estadual de educação básica, Maicon Palagano, que mencionou que o atual chefe da casa civil do Paraná (Eduardo Sciarra - PSD) que é do mesmo partido de Evandro Roman, enquanto deputado votou contra a penalização do trabalho escravo. E que, já que o deputado em sua fala se dizia a favor do movimento dos servidores, por que ele, na qualidade de Deputado Federal, também não denunciava o Governo Estadual à PGR à exemplo dos Deputados Ivan Valente, Chico Alencar, e Jean Willys (PSOL). Ao responder o questionamento do servidor, o parlamentar apenas disse que, como os deputados mencionados são de extrema esquerda (na avaliação do parlamentar) ele não entraria neste assunto.
Mas, talvez dentre todos os questionamentos, aquele que mais tenha se destacado (devido a polêmica resposta dada pelo parlamentar) tenha sido o do Professor do curso de História da Unioeste, Gilberto Calil que também integra o comando de greve da UNIOESTE. O mesmo questionou o deputado sobre a sua afirmação de não ser nem de esquerda e nem de direita, e sim a favor do povo (sentido genérico).
Servidores aguardando a chegada do Dep. Evandro Roman
Imagem: Luciano Egidio Palagano
O professor questionou o deputado sobre esta afirmação, e colocou que historicamente o agrupamento politico que sempre trouxe este discurso de não ser esquerda e nem direita foi o fascismo**. Ao responder o professor, Evandro Roman reiterou a posição anterior, dizendo novamente que defendia o povo e não era nem de esquerda e nem de direita e que se isso fosse ser fascista ele não via nenhum problema nisso.
Após este debate, a situação se manteve tensa até o final da mesa, onde na saída do deputado alguns de seus assessores ensaiaram um bate boca com alguns manifestantes um pouco mais exaltados.
Enfim, o ocorrido hoje na Unioeste serviu como uma mostra sobre a atual situação do Estado do Paraná, pois na reunião do Conselho Estadual da APP juntamente com o Comando Estadual de Greve da entidade ficou deliberada a continuidade da greve apesar das ameaças do governo, assim como também deliberaram pela continuidade as várias assembleias das entidades representativas dos professores e servidores das IES, além da SANEPAR, que ao que tudo indica começa uma paralisação no próximo dia 19/04. Desta forma, a partir da semana que vem, caso o governo não tenha um insight de habilidade politica para atuar junto ao movimento grevista, se configura a construção de uma greve geral dos servidores estaduais no estado.
Dep. Evandro Roman é recepcionado por manifestantes.
Imagem: Luciano Egidio Palagano
Acontece que, aparentemente o governo vai na contramão desta necessária habilidade, pois ontem uma das medidas do mesmo foi fechar a mesa de negociação.
Fica então a pergunta: como resolver o atual impasse, se por parte do governo não existe a possibilidade de diálogo? Ao que parece o governo tomou uma posição e quer enfiar a mesma “goela abaixo” dos servidores, nada surpreendente para uma gestão que fez o uso de tamanho aparato policial no dia 29/04, na intenção de impedir os servidores de participarem da sessão que votava a mudança na PRPrevidência.
Este impasse em que se encontra o estado, e que já acumulou desde ações que beiraram o ridículo como deputados chegando na ALEP em um camburão e trágicas como o “Massacre no Centro Cívico” parece estar longe de ser resolvido. O bonde continua acelerando cada vez mais, e ao que parece, segue Desgovernado.

* Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná
** O fascismo é um movimento político e social que nasceu na Itália pela mão de Benito Mussolini na sequência da Primeira Guerra Mundial. Trata-se de um movimento totalitário e nacionalista, cuja doutrina (e as similares que se desenvolvem noutros países) recebe o nome de fascista.
O fascismo surgiu como terceira via perante as democracias liberais (como a norte-americana) e o socialismo (a URSS). Para além do regime de Mussolini na Itália, são considerados fascistas os da Alemanha de Adolf Hitler e da Espanha de Francisco Franco.
O fascismo baseia-se num Estado todo-poderoso que diz encarnar o espírito do povo. A população não deve portanto procurar nada fora do Estado, que está nas mãos de um partido único. O Estado fascista exerce a sua autoridade através da violência, da repressão e da propaganda (incluindo a manipulação do sistema educativo).
O líder fascista é um maioral que está acima dos homens comuns. Mussolini denominava-se como Il Duce, que deriva do latim Dux (“General”). Trata-se de lideranças messiânicas e autoritárias, com um poder que se exerce de maneira unilateral e sem consultar (pedir a opinião) quem quer que seja.
Na Alemanha, o fascismo está associado ao nazismo. Este movimento teve uma forte componente racial, que promulgava a superioridade da raça ariana e procurava exterminar as restantes colectividades, como os judeus, os ciganos e os negros.
O neofascismo e o neonazismo repetem atitudes dos movimentos originários (violência, autoritarismo), apesar de negarem ou minimizarem os crimes cometidos por esses grupos ao longo do século XX.

Leia mais: Conceito de fascismo - O que é, Definição e Significado http://conceito.de/fascismo#ixzz3aFRo5nyH

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Debutando: XV SEU

Seminário de Extensão da UNIOESTE (SEU) completa 15 anos e apresenta  mostra fotográfica sobre o “Massacre do Centro Cívico”.


por Luciano Egidio Palagano (texto e fotos)*


A greve dos servidores do estado do Paraná continua a todo vapor, o Fórum das Entidades Sindicais (FES), após uma reunião com representantes do governo, onde nenhuma proposta foi apresentada pela administração estadual, informou ao Governo do Estado que não participará de mais nenhuma mesa de negociação enquanto o Governo não tiver uma proposta à ser apresentada às categorias em greve.
Ao que parece, os sindicatos se cansaram de sentarem à mesa de negociação para o governo simplesmente marcar outra reunião. Foi apresentado uma espécie de ultimato ao governo estadual, colocando como prazo máximo para o mesmo o dia 14/05 para a apresentação de uma proposta sobre as reivindicações das categorias. Segundo informações, caso o governo não apresente nada até o dia 14/05 o FES cogita chamar uma greve geral dos servidores a partir do dia 18/05.
Na mesma esteira das categorias que já estão em greve, como a Educação Básica e Ensino Superior, ontem os servidores da Sanepar também aprovaram indicativo de greve a partir do dia 18/05, o que provavelmente vai “engrossar o caldo” do movimento grevista dos servidores estaduais a partir da semana que vem.
Percebe-se assim, que a situação no Paraná se torna cada vez mais critica e tensa, e apesar de tudo isso, até o momento o governo estadual não apresentou nenhuma proposta concreta para solucionar este dilema que atinge não só os servidores, mas toda a população paranaense.
Professores assistem vídeo que trata da Previdência na concentração de greve
em Marechal Cândido Rondon.

Alias, a impressão que se tem, é que o executivo não esta muito preocupado com a situação do estado, uma vez que o governador não se fez presente na mesa de negociação com o FES no dia 12/05. Ao invés do chefe do executivo, o governador Beto Richa (PSDB), se fazer presente na negociação com os sindicatos, demonstrando assim um minimo de preocupação com a situação no Estado, ele resolveu se dirigir a Brasília para assistir a sabatina do jurista paranaense indicado ao STF Luiz Edson Fachin, algo plenamente justificável se a situação no estado não fosse de pleno “incêndio”.
Marechal Cândido Rondon: Ontem, 13/05/15, teve inicio o XV Seminário de Extensão da Unioeste (XV SEU) com o seguinte tema: “SEU 15 Anos: Interfaces e Novas Perspectivas” e até mesmo o Seminário de Extensão foi influenciado pelo movimento grevista.
Este, que é um evento acadêmico, tem a intenção de debater e apresentar a comunidade acadêmica e externa, os projetos de extensão realizados pelos diversos cursos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. No corrente ano, o mesmo esta sendo realizado no campus de Marechal Cândido Rondon. Isto, em um período em que os servidores estaduais (incluindo os professores e funcionários das IES), encontram-se em “clima de guerra” com o governo do estado.
Desta forma, a oportunidade do evento esta sendo utilizada pelo movimento grevista para dar voz às suas reivindicações, ao mesmo tempo em que coloca em debate com a sociedade o porque da greve, e expõe os fatos ocorridos nos fatídicos dias 28 e 29/04, datas que viram ocorrer o evento que ficou conhecido internacionalmente como “Massacre do Centro Cívico”.
Assim, aqueles que se fizerem presentes ao evento, poderão prestigiar uma Mostra Fotográfica Intitulada “Registro de um Massacre”, a mostra, que esta sendo realizada pela ADUNIOESTE e pelo Comando de Greve Docente da UNIOESTE, tem por objetivo apresentar imagens feitas nos dias 28 e 29/04 no Centro Cívico em Curitiba.
Fazendo parte dos eventos do XV SEU, também ocorrerão algumas mesas de debate sobre o Ensino, a Pesquisa e a Extensão no Estado do Paraná, com certeza, dado o momento de afloramento de diversas greves no estado, o processo de greve dos servidores da educação acabará entrando no debate, mesmo que de maneira paralela. Talvez, uma das mesas mais interessantes para quem pretende se inteirar sobre as greves no estado, seja aquela que vai se realizar hoje (14/05) a partir das 13h30 na tenda da concentração de greve dos servidores da UNIOESTE. A mesa terá o seguinte tema: “As condições do ensino público no Paraná” e será composta por representantes da APP-Sindicato, ADUNIOESTE e SINTEOESTE, clique aqui para ter acesso a programação completa do XV SEU.
Abaixo, seguem alguns registros do XV SEU:
Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"

Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"

Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"

Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"


Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"


Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"

Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"


Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"


Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"


Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"
Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"




Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"
Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"




Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"
Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"




Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"
Caderno de Assinaturas da
Mostra Fotográfica: "Registros de um Massacre"



Cemitério Simbólico do Governo Estadual e Base aliada

Faixa do Sindicato dos Servidores da Unioeste (SINTEOESTE)
dá as boas vindas aos participantes do XV SEU.



Cemitério Simbólico do Governo Estadual e Base aliada

Cemitério Simbólico do Governo Estadual e Base aliada

* Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PARANAENSES DÃO LIÇÃO DE CIDADANIA AO BRASIL



Em mobilização histórica, professores e servidores estaduais conseguem adiar votação de "pacotaço" do governo. 

Mas greve continua pelo pagamento das férias e manutenção da previdência.

Lição de cidadania: Praça Nossa Senhora da Salete na manha da sexta-feira, 13/02/2015, depois de quatro dias abrigando mais de 20 mil professores e servidores. 

 Classificados pelo governador Beto Richa de baderneiros, depois de acampar e abrigar-se por 4 dias na Praça Nossa Senhora da Salete, defronte ao Centro Cívico, os professores e servidores da educação do Estado do Paraná proporcionaram ao Brasil um belo exemplo e uma magnífica imagem de cidadania e responsabilidade social, para acrescer àquelas que mostraram o seu poder de mobilização.  

Foto: Bruno Covello




noticia/2015/02/manifestantes-invadem-patio-da-alep-e-governo-pede-retirada-de-pacotaco.html









































Nesta sexta-feira, 13, depois de todos os confrontos de ontem, 12/02, que vem sendo identificados como “a Batalha da Assembleia”, a praça amanheceu limpa e em completa normalidade para o uso dos cidadãos curitibanos, embora professores ainda continuem acampados no local. Situação, aliás, que deve permanecer inalterada durante os feriados de carnaval, segundo disse em rede estadual, Hermes Silva Leão, diretor presidente da APP Sindicato. Ou, até que o governador os chame para negociar a pauta de reivindicações do movimento.


Plenário da Assembleia também resultou intacto. Não será preciso reconstruir...




O plenário da Alep, igualmente ocupado pelos professores e servidores, também ficou impecável, visto que não houve “quebra-quebra” e, assim, nada tendo que ser “reconstruído”, como sugeriu um blogueiro político paranaense, que também anunciou em primeira mão a colocação de vidros entre o plenário e as galerias. Veja em: http://www.fabiocampana.com.br/page/2/





















Ao final então, do que se pode considerar o primeiro tempo do jogo de braço que se estabeleceu entre os servidores e o governador do Estado do Paraná por 4 dias, fragorosamente perdido pelo governo, o líder deste na Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Luiz Claudio Romanelli, dizia que o governador havia decidido retirar os famigerados projetos do “pacotaço” paranaense. Ao mesmo tempo, o governador dizia que a decisão havia sido tomada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano, embora circulasse até pelas redes sociais um documento do secretário chefe da Casa Civil endereçado à presidência da Casa, solicitando a retirada do projeto, mas sem assinatura.

Com uma base parlamentar de mais de 80% dos 54 deputados da Alep, o governo paranaense subestimou o poder de mobilização dos seus servidores contra as medidas que ele deseja adotar para sanear as finanças do Estado. As aulas nem chegaram a começar na rede estadual de ensino do Estado Paraná. E, o que ele conseguiu com a tentativa da manobra parlamentar de transformar o plenário em comissão geral, foi a real perspectiva e a iminência de uma greve geral no funcionalismo do Estado, envolvendo educação, saúde, e segurança talvez, já que as mulheres dos policiais militares se juntaram aos professores, na mobilização desta semana na Alep.

Deputados reunidos no restaurante da Assembleia Legislativa, em sessão plenária...

...e dentro do camburão da Polícia Militar, antes de cortarem a cerca. Vandalismo de quem?

O governador conseguiu muito mais. Conseguiu colocar quase todos os deputados da casa num camburão blindado, danificou o patrimônio público, cortando cercas, no intuito de fazer adentrar os deputados nas dependências da Alep, cujos acesso estavam bloqueados pelos manifestantes, e fazer acontecer a sessão plenária que votaria seus projetos, a revelia das mais de 20 mil pessoas que lá fora se encontravam se posicionando contra ele. E a maioria dos deputados paranaenses se dispuseram a protagonizar uma imagem emblemática, correndo pelos jardins da casa, fugindo de professores, que ficará na história do Estado. Algo como a cavalaria de Álvaro Dias em 1988.



Servidores do MPU em protesto na ponte Ayrton Senna, entre os estados Paraná e Mato Grosso do Sul. A manifestação foi organizada pelo Núcleo de Assis Chateubriand, com o apoio de Terra Roxa, Jesuitas, Nova Aurora, Formosa d'oeste, Tupâssi, Palorina, Toledo, MCrondon, Mercedes e Guaíra. Mais de 300 pessoas participaram da manifestação na manhã desta sexta-feira,13. Para amanhã estão previstas novas manifestações em Toledo. E, para a próxima quarta-feira, em Guaíra, defronte a Câmara de Vereadores.



Esvaziada a Alep, a greve continua e com indicativos de se transformar num movimento geral do funcionalismo público paranaense, que se soma a outros nacionais (108 núcleos do Ministério Público da União estão em greve há 9 dias). Universidades Estaduais, Hospitais Universitários e outros órgãos também decretaram greve nesta semana, até porque, o governo parece não ter desistido de buscar a aprovação dos projetos.







As manifestações continuam por todo Estado. Pontes são fechadas, ruas nas cidades do interior são ocupadas por professores e servidores no intuito de informar e esclarecer a população sobre os objetivos e motivos da greve e do movimento. 











Fontes Diversas
Com a colaboração de Luciano Palagano e Nino Willemann