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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

MEIO AMBIENTE

Governo do Paraná violenta processo democrático para aprovar obra milionária no litoral

PGE impôs, por exigência do governador, conquista da concessão de licença prévia para construção de Faixa de Infraestrutura em Pontal. Ela viabiliza instalação de complexo portuário e não beneficia a população ou o veranista
    Encontro realizado na segunda-feira em Pontal do Paraná. Foto: Divulgação/OJC

Uma decisão abusiva e antidemocrática encerrou a reunião que ocorreu na última segunda-feira (20), em Pontal do Paraná, no litoral do Estado. O encontro tinha por intenção discutir a viabilidade da construção de empreendimentos milionários na região, como uma rodovia paralela à PR-412, um canal de drenagem, uma linha de transmissão de energia elétrica, um gasoduto, um ramal ferroviário. Todos viabilizariam a instalação de um porto privado e, somados, têm o custo de R$ 369 milhões.
Logo no início da reunião, Antonio Carlos Bonetti, presidente do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense (Colit) consentiu com o pedido de vistas feito por representantes do Mater Natura, MarBrasil, SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles alegaram graves inconsistências na proposta de construção da Faixa de Infraestrutura e afirmaram que não seria possível conceder licença prévia para a execução da obra antes de esclarecer pontos essenciais, como a ausência de um estudo de impacto qualificado sobre porções de Mata Atlântica que existem no local e formam a maior faixa do bioma preservada do Brasil. As entidades elaborariam um parecer com questionamentos e a outra parte teria 15 dias para responder.
Algumas horas depois, no entanto, por interferência e pressão da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), diretamente orientada pelo governo, a decisão do conselho mudou, o pedido de vistas foi “cassado” e a solicitação de licença prévia entrou em votação pelos membros do Colit, sendo aprovada por 22 votos a cinco. A dragagem para o porto Ponta do Félix, em Antonina, que também havia sido retirada de votação, voltou à pauta e, igualmente, foi autorizada pelos integrantes do grupo.
Ausência de transparência e prejuízos incalculáveis
Juliano Dobis, diretor-executivo da MarBrasil, lamentou a situação e lembrou o abuso que representa a carência de informações sobre os impactos que as obras vão gerar. “A construção da Faixa de Infraestrutura, somada à instalação das empresas de grande impacto na zona industrial de Pontal do Paraná e à futura duplicação da PR-407, impactará, somente como efeito de borda, mais de quatro mil hectares de floresta de restinga, manguezais e caxetais na planície costeira situada entre os municípios de Pontal do Paraná e Paranaguá, tornando as unidades de conservação ali localizadas, como a Estação Ecológica do Guaraguaçu e o Parque Estadual do Palmito fragmentos desconectados. Essa condição isola espécies como lontras, onças e jacarés. Uma grave ameaça a ambientes de extrema importância para a conservação da biodiversidade”, explicou.
Dailey Fisher, representante pelo Mater Natura no conselho, defende que é visível e incontestável a pressão que o governo do Estado fez para que o pedido de vistas fosse driblado. “Atropelaram um processo democrático porque a gestão estadual tem total interesse na autorização da licença prévia, conforme deixa claro o parecer do próprio IAP”, diz. Ela afirma que o maior objetivo da emissão da licença prévia exigida pela procuradoria na última segunda-feira é a consolidação da licença para a instalação do Porto de Pontal. “Todas as empresas que operariam no complexo industrial são privadas e a Faixa de Infraestrutura serviria a um complexo industrial portuário que vai alterar drasticamente Pontal do Paraná. O fluxo previsto de caminhões vai ser superior a 200 mil por ano, ou 550 por dia. Se nem a manutenção adequada da PR-412 tem sido feita, qual a garantia de que a nova estrada terá a devida manutenção?”, questiona.
Dailey também conta que os estudos de tráfego apresentados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Faixa de Infraestrutura previram oito faixas de tráfego – quatro na nova rodovia e quatro com a duplicação da PR-412. Mas o Governo do Paraná hoje cogita a construção de uma rodovia de pista simples, mantendo a PR-412 como está. “Conforme o próprio estudo apresentando no EIA, essa não seria a solução para os problemas de mobilidade de moradores e veranistas na alta temporada. Uma pista simples não atenderia o aumento no fluxo de caminhões, veranistas e moradores sem a ocorrência dos tradicionais problemas de mobilidade. A população não sabe o que está por vir”.
Para Juliana Quadros, integrante do Observatório de Conservação Costeira (OC2), entidade que entende os prejuízos e altíssimos impactos ambientais que as obras vão gerar, reforça que a Faixa de Infraestrutura interessa, majoritariamente, a um grupo de empresários com interesses na instalação do porto privado de Pontal do Paraná e coligados no governo do Estado. “A proposta de construção da Faixa vem para atender às necessidades deste complexo portuário, e não da população de Pontal ou do veranista. Esse é apenas um artifício utilizado por esse grupo para conquistar apreço popular. Mais uma vez, o que se observa é a iminência de uma situação de injustiça socioambiental em que o bônus ficará nas mãos de poucos, mas o ônus será de todos os moradores de Pontal e do Litoral”.
Ela diz, ainda, que apoiar o projeto é apoiar oligarquias que buscam a exploração da flora, fauna e comprometem a manutenção de recursos culturais e naturais da região. “Se um município portuário fosse sinônimo de progresso e desenvolvimento econômico, Paranaguá não sofreria tanto com a desigualdade social, moradias irregulares, problemas respiratórios gerados pela poluição do ar, atropelamentos, violência e outras mazelas que predominam em cidades portuárias”, defende.
Para o vice-presidente do Observatório de Justiça e Conservação (OJC), Aristides Athayde, que acompanhou a reunião, o encontro terminou com “uma verdadeira afronta ao direito do cidadão em manter o meio ambiente equilibrado”. “Diante da negativa do pedido de vistas, as dúvidas continuam a pairar e as incertezas em relação ao licenciamento da ‘estrada da destruição’ persistem. Um mandado de segurança contra essa afronta a direitos será providenciado”.
Giem Guimarães, presidente do OJC, reforça que a atual gestão do Paraná pretende decretar o fim da vocação turística de Pontal, Ilha do Mel e região. “Trata-se de uma alteração irremediável e abusiva. A porção de Mata Atlântica que vai ser destruída tem estado primário de conservação e é uma das últimas conservadas do Brasil. Comunidades indígenas também não estão sendo consideradas no processo, bem como a valiosa capacidade de produção de água da região”, lembra.
Parecer do IAP reconhece inconsistências sobre efeitos da obra
Para que a construção da Faixa de Infraestrutura seja autorizada, um parecer do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) seria necessário, mas o próprio órgão chegou a oficializar este ano que “não seria possível deliberar pela viabilidade ambiental prévia do empreendimento, uma vez que os demais componentes da Faixa não estavam devidamente contemplados a fim de subsidiar com os impactos cumulativos e seus efeitos sinérgicos”.

O documento diz ainda, que “o Estudo de Impacto Ambiental EIA/RIMA apresentou diversas inconsistências e faltou com melhores informações relativas aos efeitos sinérgicos e acumulativos do projeto, mas que pela relevância e urgência declarada pelo governo do Estado, a comissão se coloca favoravelmente ao licenciamento”.

Ministério Público do Paraná é contra a construção da rodovia*
Em julgamento de recurso apresentado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em ação ajuizada pelo Ministério Público, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região manteve a proibição de construção do “Corredor Rodoviário do Porto de Antonina”, trecho de rodovia que ligaria a BR-277 às cidades de Morretes e Antonina, no Litoral paranaense. Segundo o MPPR, a construção causaria danos ambientais irreversíveis em região de Mata Atlântica.
A pretensão de construir a rodovia já havia sido proibida em decisão transitada em julgado em 2010, referente a projeto elaborado no ano 2000. Mas um novo projeto foi apresentado em 2016, para implantação de trecho praticamente idêntico, com emissão, pelo IAP, dos respectivos Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental. A 2ª Promotoria de Justiça de Antonina solicitou em Juízo o cumprimento da sentença emitida em 2010, argumentando que a decisão daquele ano proibiu qualquer projeto de construção de rodovia ligando a BR 277 ao Porto de Antonina que acarretasse os mesmos danos ambientais que decorreriam do projeto original e que não fosse indispensável para o desenvolvimento da região.
O pedido de cumprimento da sentença gerou o recurso impetrado pelo IAP. Na resposta às alegações do IAP, que pretendia autorizar a obra, o MPPR argumentou que permanecia válida a decisão judicial contrária à construção da rodovia, considerando-se inclusive a grande semelhança entre os projetos de 2000 (proibido judicialmente me 2010) e de 2016. A decisão do TRF-4 indeferiu o recurso do IAP, mantendo os efeitos da decisão que proíbe a construção da rodovia.
Com informações da assessoria de imprensa do MP-PR.
Fonte: Observatório de Justiça e Conservação - OJC/ http://porem.net/2017/11/23/governo-do-parana-violenta-processo-democratico-para-aprovar-obra-milionaria-no-litoral/

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

AGROTÓXICOS



Seminário na Unioeste aponta impactos dos agrotóxicos na educação e na saúde pública

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Cascavel, sediou na noite desta quarta-feira (19/11) o Seminário ‘Escolas do Campo e Agrotóxicos’. Promovido pelo mandato do vereador Paulo Porto (PCdoB), o evento reuniu cerca de 120 pessoas, entre pesquisadores, profissionais da saúde, agricultores, movimentos sociais, professores e alunos das escolas do campo; todos preocupados com a escalada do uso de agrotóxicos e a contaminação de ambientes e das pessoas dela resultante, com severos impactos a saúde pública e a segurança alimentar.
O evento foi aberto com uma palestra da médica Lilimar Mori, chefe de Vigilância de Saúde da 10ª Regional do Governo do Estado. Ela apresentou dados sobre o uso de agrotóxicos na área de abrangência do órgão e das notificações de intoxicações e óbitos, entre os anos de 2007 e 2014. Enquanto a média de intoxicações no Paraná é de sete pessoas por 100 mil habitantes, na área da bacia do Paraná 2 (Oeste do Paraná) o índice chega a 53,5 por 100 mil.
Nos últimos sete anos, a 10ª Regional de Saúde registrou um total de 3.229 casos de intoxicação exógena, sendo a maior parte por medicamentos (45,9%). As intoxicações por agrotóxicos agrícolas, raticidas, agrotóxicos domésticos e de saúde pública resultaram em 645 notificações, cerca de 20%. A maior parte dos registros aconteceu em Cascavel, com 2.433 casos (75,3%), seguido de Boa Vista da Aparecida com 224 e Guaraniaçu com 109 casos. Vale lembrar que a 10ª Regional não abrange municípios da área de Toledo e Foz do Iguaçu.
A maior parte das notificações por agrotóxicos são de intoxicação por herbicida (41,7%) e inseticida (37,3). A pulverização aérea representa 25,5% dos casos de intoxicação por agrotóxicos, seguido da diluição com 13,4% e tratamento de sementes com 4%. Também foram registrados, entre 2007 e 2014, um total de 35 óbitos por intoxicação, sendo 12 deles em virtude dos agrotóxicos.
Segundo a especialista, mesmo que ingredientes ativos dos agrotóxicos, por seus efeitos agudos, possam ser classificados como medianamente ou pouco tóxicos, não pode se perder de vista os efeitos crônicos que podem ocorrer meses, anos, ou até décadas após a exposição, manifestando-se como várias doenças como cânceres, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
De acordo com Lilimar Mori, o problema dos agrotóxicos ainda é pouco pesquisado e com um escasso número de fontes oficiais de informação. Por isso, ela fez o alerta para os casos desconhecidos relativos ao tema. “Além das notificações de causas ignoradas de intoxicação temos aquelas situações que sequer chegam ao nosso conhecimento. Os casos registrados são um universo muito pequeno dentro do que a gente sabe que acontece aqui na região Oeste”, destacou a médica.
Recursos hídricos
Elaine Marchioro, coordenadora da Via Campesina do Paraná, apresentou dados do crescimento do uso do agrotóxico no Estado. O uso deste tipo de tipo de produto no Paraná cresceu 20%, entre 2008 e 2011, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O Estado consome por ano 96,1 milhões de quilos de agrotóxicos, que representa mais de 9 quilos por hectare de área plantada, três vezes mais que a média nacional. “Esse dado é preocupante, uma vez que apesar do crescimento do uso de agrotóxicos, a produção neste período se manteve estável. Ou seja, está se utilizando mais veneno para produzir a mesma coisa”, alertou.
Esses números se acentuam nas regiões Central e Oeste do Estado. Em Cascavel, por exemplo, a quantidade de tóxicos nas plantações é de 23 kg/ha/ano. “Os agrotóxicos utilizados no Paraná, especialmente em nossa região, são classificados como perigosos e muito perigosos, em uma escala que vai de pouco a altamente perigosos. São altamente tóxicos, aqueles que chamamos de faixa vermelha”, relatou Elaine.
Além da contaminação direta dos alimentos, os agrotóxicos são a segunda maior causa de contaminação dos recursos hídricos no país, atrás somente do despejo do esgoto doméstico, alertou Elaine. A bacia hidrográfica do Alto Piquiri (Centro-Oeste e Oeste) utilizou no período pesquisado 19,3 milhões de quilos, mais de 20% do total de agrotóxicos aplicados no Estado. “Anteriormente a contaminação em alto grau estava restrita as águas rasas e poços artesianos, mas parte das águas profundas também já estão contaminadas”, aponta a militante.
Para coordenadora da Via Campesina, o desafio é contrapor esse atual modelo do agronegócio, que opta por uma produção baseada na expansão de fronteiras agrícolas para exportação de commodities e na monocultura cada vez mais dependente do veneno e de fertilizantes químicos. “É preciso um olhar diferenciado dos nossos agentes públicos e dos profissionais de saúde para o campo. Nossa tarefa, enquanto camponeses, é seguir fazendo a luta pela agroecologia, pela defesa do meio ambiente, da fauna, da flora e da biodiversidade”.
Educação do campo
Diretores, professores e alunos de educação do campo trouxeram relatos sobre o encaminhamento de crianças a postos de saúde em decorrência da exposição a aplicação do agrotóxico, especialmente pela pulverização aérea perto das escolas. Alunos do Colégio Aprendendo com a Terra e a Vida Zumbi dos Palmares, no assentamento Valmir Mota, e da comunidade Alto Alegre, no reassentamento São Francisco, decoraram o seminário com cartazes alertando para os riscos da aplicação de agrotóxicos e dizeres como “Não passe veneno perto de escolas, hospitais e casas”, “Não podemos aceitar o latifúndio passando veneno perto de nossa escola” e “Agrotóxico mata”.
Para o vereador Paulo Porto, idealizador do seminário, é preciso mobilizar os diferentes atores sociais para os danos causados pelo uso dos agrotóxicos. “Nosso desafio é criar políticas públicas de controle e regulação do uso, medidas legislativas e alternativas que dialoguem com os movimentos sociais e com o segmento da agricultura familiar e camponesa. Nosso mandato tem esse compromisso junto aos movimentos sociais de ampliarmos o debate sobre esse tema junto à sociedade. Não podemos continuar aceitando que o cidadão do Oeste do Paraná consuma 12 litros de agrotóxicos por ano, quase três vezes mais do que a média nacional”.

 Enviado por ACS em qui, 20/11/2014 - 16:47

 

 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

QUESTÃO INDÍGENA x MEIO AMBIENTE





Índios ocupam área em Guaíra para evitar desmatamento


Índígenas da aldeia guarani Tekoha Y’hovy ocuparam na manhã desta terça-feira, (04) uma área de aproximadamente um alqueire e meio de mata remanescente, que estaria sendo derrubada para a construção de um condomínio residencial. A aldeia é uma das oito existentes na cidade de Guaíra, oeste paranaense, na fronteira do Brasil com o Paraguai e com o estado do Mato Grosso do Sul, região onde os conflitos entre índios e ruralistas são intensos e desproporcionais.


A área está localizada em frente da aldeia


Indígenas reunidos na avenida e os policias, ainda pela manhã (Foto: Ilson Soares)

A área ocupada, contígua à aldeia, separada apenas por uma avenida, já havia sido reivindicada pelos índios, que presenciaram nos últimos dias a derrubada de árvores no local. Durante a manhã o clima foi tenso com a ocupação, liderada pelo cacique da aldeia Ilson Soares, tendo na verdade terminado com o retorno dos índigenas à entrada da aldeia.

Momento tenso, quando índios e ruralistas estão frente a frente (Foto: Ilson Soares)


Entretanto, a tensão continuou durante todo o dia. Segundo José Tadeu Campos Araujo Filho, da FUNAI de Guaíra, o órgão acionou o Ministério Público Federal, para que a Polícia Federal fizesse a proteção da aldeia, e ele próprio acompanhou o proprietário da área, dono de uma corretora de imóveis na cidade, numa audiência com o procurador, ainda na parte da manhã. 

Ruralistas reunidos defronte o prédio da Polícia Federal de Guaíra durante a tarde

O cacique Ilson Soares e o representante da Funai, José Tadeu Campos Araújo Filho, pouco antes da audiência no MPF que poria fim à ocupação.
À tarde, muitos ruralistas se encontravam reunidos em frente ao prédio da Polícia Federal de Guaíra, enquanto um carro de som espalhava a notícia de que uma área privada estava sendo invadida. Os índios, já fora da área, aguardavam a audiência no MPF. No final da tarde, com a promessa de que nenhuma árvore será derrubada no local, o conflito aparentemente terminou.

Entretanto, diante da exaltação dos ruralistas no decorrer do dia, os indígenas estavam apreensivos e com medo de represálias na noite de ontem, terça, visto que a Polícia Federal deixou de proteger a aldeia no final da tarde.

A Polícia Federal passou a tarde guardando a entrada da aldeia por solicitação do MPF, se retirando de lá ao final dela.



 
Links relacionados :

http://laislainy.wordpress.com/2014/11/04/guaira-contra-desmatamento-indios-prometem-defender-area-com-a-propria-vida/

http://catve.com/noticia/6/100801/?fb_action_ids=354616521366004&fb_action_types=og.comments&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1511238

http://cgn.uol.com.br/noticia/112085/ocupacao-indigena-deixa-clima-tenso-em-guaira









domingo, 24 de novembro de 2013

PROFISSÃO: JORNALISTA




#DESAFIOS DE UM JORNALISTA, NO SENTIDO LITERAL DA PALAVRA*

(...) há quem discorra e estude a tal "imparcialidade jornalística". Não acredito nela, tampouco na imparcialidade científica... prefiro a sinceridade de quem se posiciona de forma clara e objetiva, desde que não descambe para a negligência e manipulação da informação (desafio nº 1)! Cada vez que acompanhamos o cotidiano midiático, vemos que é cada vez mais insustentável esse "mito" vendido especialmente por quem detêm dos meios de produção da comunicação, na ampla maioria privados e comerciais, o que torna naturalmente difícil o cumprimento da chamada "função pública do jornalismo" (desafio nº 2). E como a opinião pública é cada vez mais a opinião publicada, vale a reflexão (desafio nº 3)!


* Faço das suas minhas palavras caro Júlio...
Compatilhado de https://www.facebook.com/sitio.coletivo/posts/569072966499622

sábado, 19 de outubro de 2013

CARTA AVÁ-GUARANI ÀS COMUNIDADES BRASILEIRAS NÃO INDÍGENAS



Foto: Ana Mº de Carvalho

Nós, lideranças Avá-guarani das regiões oeste e centro oeste do Estado do Paraná, Brasil. Sendo: Tekohá Marangatu , Tekohá Y’Hovy, Tekohá Porâ, Tekohá Karumbey, Tekohá Jevy, Tekohá Tatury, Tekohá Guarani e Tekohá Miri do município de Guairá; Tekohá Araguaju, Tekohá Pohâ Renda, Tekohá Ñemboete, Tekohá Yvyraty Porá e Tekohá Tajy Poty no município de Terra Roxa; Tekohá Vy’a Renda no município de Santa Helena.
Reunidos na Aldeia Y’Hovy/Eletrosul, Guairá-PR, no dia vinte e oito de setembro de dois mil e treze, discutimos as questões que são do interesse do povo Guarani. A precária realidade que os poderes públicos do Brasil desconhecem (as três esferas do poder).
Falar dos nossos direitos, enquanto povos indígenas, é voltar um olhar para as situações complexas que vivemos todos os dias, principalmente quanto aos conflitos decorrentes da disputa sobre a terra.
Convencer positivamente sobre os nossos direitos constitucionais é um desafio constante. Mas é preciso vencer a visão de que terras indígenas e/ou a luta pela demarcação de terra são empecilho ao desenvolvimento ao desenvolvimento econômico de um estado ou do país ou, por outro lado, de exploração.
A constituição Federal de 1988, em seu artigo 231, reconhece a nós, povos indígenas, o direito à diferença, consubstanciada no reconhecimento de nossa organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e nossos direitos originários sobre as terras que ocupamos.        
O nosso direito territorial é originário e anterior às ocupações não indígenas. Por isso, o poder público (Legislativo, Executivo e Judiciário) tem o dever constitucional de demarcar e de proteger, salvaguardar o que diz a Constituição.
Por isso, nós, avá-guarani desta região do Paraná, assim como os indígenas de todas as outras etnias do Brasil, manifestamos o nosso repúdio às propostas e projetos de lei que tem o objetivo de restringir os nossos direitos, violando a Constituição Federal e ferindo a dignidade do nosso povo, que sempre esteve neste país, não viemos de fora.
Tais propostas trazem um grande retrocesso à história do Brasil. É como se voltássemos ao período de colonização ou da ditadura militar. Propostas como a Emenda Constitucional - PEC 215, que passa do Executivo para o Legislativo a competência da demarcação, a criação de novas terras indígenas e também de rever limites das terras já demarcadas violam direitos só recentemente pelos povos indígenas.
Outra proposta que também vem sendo uma afronta aos nossos direitos é o Projeto de Lei Complementar 227/2012, que tem como objetivo permitir a exploração dos recursos minerais em terras indígenas. E, como se não bastasse, em 2012 foi emitida a portaria 303 da Advocacia Geral da União que, constitucionalmente impõe 12 condicionantes a serem aplicadas na demarcação da Raposa Serra do Sol. E, agora, em 2013, a criação da PEC 137, que avilta o artigo 6º na Constituição Federal, sendo que estes são direitos conquistados por cada cidadão garantindo o direito de se manifestar, do respeito à diferença étnico-racial e a convivência de acordo com os costumes e tradições de cada povo.
Nós repudiamos essas propostas e projetos de lei, pois sabemos que são  inconstitucionais, estão desrespeitando a Constituição Federal. Elas foram criadas por políticos com o objetivo de beneficiar os ruralistas e o agronegócio que já destruiu mais de 60% das terras brasileiras, sendo que esta produção é toda exportada, e portanto, não é voltada para a população brasileira.
O agronegócio, até hoje, só tem beneficiado grandes ruralistas e também outros países, porque, da mesma forma, a população carente não indígena também vive em situação desumana, sem educação ou saúde de qualidade. Sem deixar de lembrar as comunidades quilombolas, que também são obrigadas a viver de maneira muito precária.
Através deste documento, manifestamos que é uma vergonha para o nosso país a forma com que o governo e os políticos vêm tratando a população em geral, oprimindo as comunidades indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos e etc. Tudo isso para fortalecer o latifúndio e os grandes empreendimentos que, de maneira devastadora, vem tomando conta de nosso país.
Repudiamos também a medida provisória que autoriza o uso indevido de agrotóxicos e a reforma do Código Florestal, que permite cultivar praticamente dentro dos rios e, assim, destruir de vez a vida do chão que todos nós necessitamos para continuarmos vivos.
No oeste do Paraná, nas cidades de Guairá e Terra Roxa, nós guaranis lutamos pela terra, não para prejudicar o ruralista, mas sim porque esses dois municípios sempre pertenceram ao nosso povo, e, hoje, querem provar o contrário hipocritamente, de forma discriminatória, dizendo palavras horríveis a nosso respeito, começando pela esfera municipal em Guaíra.
Exigimos destes municípios, no mínimo, a metade do que era nossa terra de volta e que nos respeitem e nos aceitem como somos, um povo diferente com valor específico.
E, mais uma vez, estamos deixando bem claro que, a reintegração de posse não resolverá nada, pois estamos decididos que não sairemos de onde estamos. Porque, por muito tempo, os não indígenas assistiram da arquibancada as derrotas de nossos antepassados e outros, correndo, deixando suas terras, para que hoje, os não indígenas se considerem “donos das propriedades compradas”.
Mas os tempos mudaram, hoje queremos justiça pelo sangue derramado dos nossos parentes, hoje não temos mais medo dos não indígenas, portanto, não correremos mais. E depois, ir para onde? Se o Brasil é o país dos povos indígenas.
Se hoje somos considerados um problema para o desenvolvimento é porque, no passado, foram cometidos erros que até hoje não são admitidos. E é necessário que se resolva enquanto há tempo, para que, no futuro, não se repita e para que a situação não se torne incontrolável.

Gratos pela atenção! 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

TRABALHO ESCRAVO





Polícia Rodoviária Federal divulga imagens de alojamento de trabalho escravo em Mercedes
Os estrangeiros trabalhavam irregularmente para uma empresa, 
que não teve o nome divulgado, na extração de 
pedras às margens da BR-163.



A Polícia Rodoviária Federal divulgou imagens que policiais fizeram do alojamento em Mercedes em que pessoas eram mantidas em condição de trabalho escravo. O galpão fica localizado em uma propriedade rural. O caso foi flagrado em uma operação conjunta com a Polícia Federal na sexta-feira (08).
Os trabalhadores dormiam em colchões no chão. A comida fica sobre o fogão, não há geladeira para armazená-la. O banho era com um balde e uma privada foi improvisada no chão. No local foram encontrados 13 paraguaios.
Abra o link para ver as imagens:
http://ricmais.com.br/pr/ric-noticias/policia-federal-investiga-trabalho-escravo-na-regiao-oeste/
Os estrangeiros trabalhavam irregularmente para uma empresa, que não teve o nome divulgado, na extração de pedras às margens da BR-163. Eles recebiam R$ 50 por dia, mas desse valor eram descontados o alojamento e a alimentação. O dono da empresa deve responder criminalmente.
Outra denúncia levou a Polícia Federal à Terra Roxa onde 25 paraguaios trabalhavam com visto de turista em quatro propriedades rurais.
Os paraguaios foram levados para a Delegacia de Polícia Federal em Guaíra e devem deixar o país. A Polícia Federal abriu inquérito que será encaminhado ao Ministério Público Federal.
Fonte:  Postado em 12/02/2013 14:51por http://portalrondon.com.br/ver_noticia.php?uid=16008