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sábado, 21 de julho de 2018

ALEMANHA, CINEMA E CENSURA


FILMES PROIBIDOS NA ALEMANHA ORIENTAL

CRUCIAL PARA A ARTE


Em dezembro de 1965, teve lugar em Berlim a 11ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED). Essa conferência do partido é considerada um dos marcos mais importantes da história cultural da República Democrática Alemã. Altos funcionários do partido se exaltaram com a “decadência” e o “ceticismo” na literatura e no cinema. A consequência foi uma onda de proibições.
“Somos todos escravos!” Essa frase está escrita em branco radiante na parede de uma fábrica em algum lugar em Berlim Oriental. Ela foi escrita por dois adolescentes cheios de raiva e frustração a respeito da burocracia reinante na empresa e da atitude paternalista dos colegas mais velhos. Mas sua revolta não se dirige apenas contra as circunstâncias sob as quais eles trabalham. A frase também vale para toda sua vida – uma vida marcada por ideologia, imposições do Estado e execução de planos socialistas. Isso tinha que acabar.

A cena faz parte de Berlin um die Ecke (Virando a esquina em Berlim, 1965), de Gerhard Klein e Wolfgang Kohlhaase, que foi, como todos os filmes da antiga Alemanha Oriental, produzido pela empresa cinematográfica pública Deutsche Film AG (DEFA). A cena era tão realista que poderia ter acontecido na vida real exatamente da mesma maneira. Para alguns funcionários do SED, o Partido Socialista Unificado da Alemanha, ela era até “realista” demais. Por causa dessa e de outras “cenas subversivas” que não glorificavam o cotidiano da Alemanha Oriental mas apontavam sem rodeios suas contradições e problemas, o filme Berlin um die Ecke foi proibido em meados de 1966. Sua estreia só aconteceu muitas décadas depois.

Trailer: „Spur der Steine“ | © DEFA-Stiftung, via youtube.com

Berlin um die Ecke 
não foi um caso isolado. Como resultado da 11ª Sessão Plenária do Comitê Central do SED, que entrou para a história da Alemanha Oriental sob a alcunha “Kahlschlag” (“desmatamento”), uma dúzia de filmes de ficção da DEFA foram proibidos ou tiveram sua produção paralisada. Entre eles, Spur der Steine (1966, direção: Frank Beyer), Karla (1965, direção: Herrmann Zschoche), Das Kaninchen bin ich (O coelho sou eu, 1965, direção: Kurt Maetzig) e Jahrgang 45 (Nascido em 45, 1966, direção: Jürgen Böttcher), alguns dos melhores filmes produzidos pela DEFA. A onda de proibições acabou de forma brutal com uma arrancada artística no cinema da Alemanha Oriental. Muitos dos filmes proibidos tinham em comum o desejo de contribuir para uma mudança: eles criticavam as condições sociais na Alemanha Oriental – não para acabar com o socialismo, mas para o “melhorar”. No entanto o ponto determinante para as proibições não foi apenas o tom subliminar de crítica social, mas também uma briga dentro da liderança do SED sobre como a Alemanha Oriental deveria se desenvolver no futuro.

ONDA DE PROIBIÇÕES

A 11ª Sessão Plenária teve consequências de longo prazo para o desenvolvimento da arte na Alemanha Oriental. Alguns romances e peças de teatro com críticas sociais não puderam ser publicados, numerosos artistas ficaram proibidos de exercer a profissão ou se apresentar publicamente. A DEFA foi particularmente atingida pelas repressões. Todos os filmes de ficção planejados na época foram inspecionados em relação a seus pontos de vista ideológicos. A onda de proibições durou até meados de 1966 e foi um dos grandes marcos da história do cinema da Alemanha Oriental. Nos anos seguintes, temas que continham crítica social só raramente puderam ser abordados. Os filmes proibidos permaneceram quase todos fora de circulação até 1989/90, quando a Alemanha Oriental foi dissolvida.

Enquanto a política de reformas teve grande ressonância entre a população, as tendências liberais foram controvertidas desde o início dentro da liderança do SED. Sobretudo a cultura mais liberal para os jovens, que se orientava por modelos ocidentais, constituía um problema para os funcionários dogmáticos do SED. O fato de muitos jovens da Alemanha Oriental se interessarem por beat music e fundarem algumas bandas muito populares, por exemplo, não foi tolerado por muito tempo. Os grupos beat foram proibidos, seus fãs, difamados como “arruaceiros” e tratados como delinquentes.

UM TRIBUNAL SIMBÓLICO


  • “Hände hoch oder ich schieße” (Hans-Joachim Kasprzik)© DEFA-Stiftung/ Wolfgang Ebert
    „Hände hoch oder ich schieße“ (Hans-Joachim Kasprzik)
  • “Fräulein Schmetterling” (Kurt Barthel)© DEFA-Stiftung/ E. Hartkopf, Rolf-Eckardt Rambow
    „Fräulein Schmetterling“ (Kurt Barthel)
  • “Der Frühling braucht Zeit” (Günter Stahnke)© DEFA-Stiftung/ Kurt Schütt
    „Der Frühling braucht Zeit“ (Günter Stahnke)
  • “Jahrgang 45” (Jürgen Böttcher)© DEFA-Stiftung/ Waltraut Pathenheimer
    „Jahrgang 45“ (Jürgen Böttcher)
  • “Das Kaninchen bin ich” (Kurt Maetzig)© DEFA-Stiftung/ Jörg Erkens
    „Das Kaninchen bin ich“ (Kurt Maetzig)
  • “Spur der Steine” (Frank Beyer)© DEFA-Stiftung/ Jörg Erkens
    „Spur der Steine“ (Frank Beyer)
  • “Karla” (Hermann Zschoche)© DEFA-Stiftung/ Eberhard Daßdorf
    „Karla“ (Hermann Zschoche)
  • “Berlin um die Ecke” (Gerhard Klein)© DEFA-Stiftung/ Heinz Wenzel
    „Berlin um die Ecke“ (Gerhard Klein)
  • “Wenn du groß bist, lieber Adam” (Egon Günther)© DEFA-Stiftung/ Kurt Schütt
    „Wenn du groß bist, lieber Adam“ (Egon Günther)
  • “Denk bloß nicht, ich heule” (Frank Vogel)© DEFA-Stiftung/ Jörg Erkens
    „Denk bloß nicht, ich heule“ (Frank Vogel)
  • “Der verlorene Engel” (Ralf Kirsten)© DEFA-Stiftung/ Peter Dietrich, Herbert Kroiss
    „Der verlorene Engel“ (Ralf Kirsten)
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A renúncia definitiva à política liberal para a cultura e a juventude foi finalmente selada pelo SED na 11ª Sessão Plenária do Comitê Central, de 15 a 18 de dezembro de 1965. Em seus discursos, altos funcionários como Erich Honecker, Paul Fröhlich e Paul Verner se exaltaram com o comportamento “imoral” da juventude da Alemanha Oriental. E, desde o início, a culpa foi colocada nos artistas. Com seu “ceticismo pequeno-burguês”, os escritores e cineastas difundiriam uma “cultura da dúvida” na Alemanha Oriental e incitariam os jovens à violência. Sobretudo os escritores Wolf Biermann, Werner Bräunig e Stefan Heym foram atacados na sessão plenária. Além disso, os filmes de ficção Denk bloß nicht, ich heule (1965), de Frank Vogel, e Das Kaninchen bin ich, de Kurt Maetzig, foram os alvos principais das críticas. Eles foram apresentados aos participantes como particularmente “nocivos” e difamados como “armações contrarrevolucionárias”.

A dura crítica à cultura veio a calhar para os funcionários dogmáticos do SED. Eles utilizaram as discussões com os artistas para se posicionar fundamentalmente contra todas as tendências liberais na Alemanha Oriental. A 11ª Sessão Plenária foi portanto um debate simbólico sobre o futuro desenvolvimento político da Alemanha Oriental, em que os críticos das políticas reformistas puderam se afirmar. Muitos dos argumentos apresentados contra os artistas eram meros pretextos: ambos os filmes da DEFA ainda não haviam sequer sido exibidos publicamente, não podiam portanto ter exercido nenhuma influência negativa sobre os jovens da Alemanha Oriental. Os textos de crítica ao sistema de Biermann ou Heym eram proibidos de ser publicados na Alemanha Oriental. O ponto principal para que eles fossen atacados como inimigos do partido na 11ª Sessão Plenária foi antes o fato de que eles haviam publicado suas obras no Ocidente. Para alguns funcionários do SED, isso representava uma “traição” ao socialismo.

ONDA DE PROIBIÇÕES

A 11ª Sessão Plenária teve consequências de longo prazo para o desenvolvimento da arte na Alemanha Oriental. Alguns romances e peças de teatro com críticas sociais não puderam ser publicados, numerosos artistas ficaram proibidos de exercer a profissão ou se apresentar publicamente. A DEFA foi particularmente atingida pelas repressões. Todos os filmes de ficção planejados na época foram inspecionados em relação a seus pontos de vista ideológicos. A onda de proibições durou até meados de 1966 e foi um dos grandes marcos da história do cinema da Alemanha Oriental. Nos anos seguintes, temas que continham crítica social só raramente puderam ser abordados. Os filmes proibidos permaneceram quase todos fora de circulação até 1989/90, quando a Alemanha Oriental foi dissolvida.

AUTOR

Andreas Kötzing é jornalista freelancer e historiador, além de dar aulas na Universidade de Leipzig e trabalhar como colaborador na pesquisas do Instituto Hannah Arendt de Dresden.
Tradução: Renata Ribeiro da Silva
Copyright: Goethe-Institut e. V., Internet-Redaktion
Dezembro de 2015

Fonte: https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/mag/20678775.html

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

CICLOVIA EM BERLIM



Projecto

Berlim vai ter uma ciclovia coberta com hortas e pavimento "inteligente"

Chama-se “Radbahn” e é um projecto inovador para a primeira ciclovia coberta da cidade alemã
Texto de Gonçalo Isento • 27/11/2015 - 16:20
Hortas urbanas e outras zonas verdes, "estações de serviço", semáforos e pavimento que gera energia. Imagina tudo isto numa ciclovia coberta com cerca de nove quilometros e no centro de Berlim.

Esta será a primeira grande ciclovia coberta com um percurso desta distância na capital alemã. O projecto— de uma equipa de oito elementos de vários países com formação em urbanismo, gestão cultual, consultadoria, relações públicas e arquitectura — pretende reaproveitar uma ciclovia já existente e dar-lhe mais condições de forma a incentivar os cidadãos a deslocarem-se de bicicleta, tornando o percurso mais rápido, seguro, sem trânsito e mais confortável.

Berlim é hoje das cidades do mundo com maior taxa de circulação de bicicletas, tendência apontada como benéfica tanto para o bem estar físico como ambiental.

A nova via vai passar no centro da cidade, por baixo de um dos viadutos mais conhecidos, o U1, uma linha férrea com 120 anos de existência, sendo também uma mais-valia em dias de chuva. A via já existente é pouco utilizada devido a uma série de obstáculos que afasta os ciclistas, sendo usada maioritariamente como estacionamento automóvel.

O projecto “Radbahn” tem como objectivo aproveitar a via, fazendo dela uma rota sustentável com algumas surpresas. No projecto consta que a via irá ter mais condições de forma a garantir mais segurança e conforto aos ciclistas e menos stress devido à inexistência de trânsito automobilístico. Terá também locais onde será possível fazer uma pausa para descansar, como alguns cafés, “estações de serviço” com assistência técnica, zonas de aluguel de bicicletas, zonas verdes e até hortas urbanas.

Toda a via estará equipada com semáforos e placards informativos.

A ciclovia irá ter uma vertente tecnológica experimental. Um dos pontos fortes deste projecto é o facto de estar equipado com um pavimento que transformará o atrito provocado pelos pneus em energia para iluminar o percurso e as instalações ao longo do trajecto.

Fonte: http://p3.publico.pt/actualidade/ambiente/19011/berlim-vai-ter-uma-ciclovia-coberta-com-hortas-e-pavimento-quotinteligent

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

HORTAS COMUNITÁRIAS




Hortas Urbanas Comunitárias em plena São Paulo: resgate de espaços de cultivo e partilha de relações!


Quando falamos em horta geralmente vem em nossa mente a imagem de um lugar afastado no interior, porém para mim esta imagem foi modificada depois que descobri que dentro de uma das maiores cidades do mundo pessoas se unem para plantar e trocar experiências.

Carros, praças e até o canteiro central de avenida é utilizado para se plantar



Viver numa cidade como São Paulo e buscar manter um certo equilíbrio e qualidade de vida não é tarefa fácil, mas as vezes as soluções são tão simples que nos surpreendem.
O ato de cultivar a terra, plantar sementes e compartilhar os cuidados e seus frutos é ancestral. Sem o alimento e a união entre as pessoas a humanidade não resistiria.
O contato com a terra, a água, o Sol, as sementes, o acompanhar do crescimento de seus frutos, dividir os cuidados e compartilhar sua produção são atividades que trazem bem-estar e união entre as pessoas, além disto comer o que você cultivou tem outro sabor!
Para minha surpresa, ao caminhar pela Avenida Paulista, símbolo de negócios da cidade, vejo na Praça dos Ciclistas, uma pequena horta, com ervas aromáticas. Algo simples e inusitado, mas com grande repercussão em mim. Pareceu que o tempo parou e o contexto da correria e trânsito cotidianos ficaram suspensos... De repente a velha divisão campo x cidade foi rompida!

A Horta do Ciclista fica em plena Avenida Paulista, uma das mais impotantes do Brasil

A Horta do Ciclista fica em plena Avenida Paulista, uma das mais impotantes do Brasil
A Horta do Ciclista fica em plena Avenida Paulista, uma das mais impotantes do Brasil


Como pode uma pequena área verde no meio do asfalto e arranha-céus, em que pessoas em geral passam uma pelas outras sem se olharem, algumas sementes serem plantadas pela união de gente por um ideal?
Depois desta experiência, que deixou meus olhos mais apurados, comecei a perceber coisas que antes a correria desenfreada da cidade escondia de mim. Acabei encontrando a horta comunitária na Praça das Corujas, próxima da Vila Madalena. Um espaço organizado onde as pessoas se dividem nos cuidados de uma horta comunitária. O local é aberto a todos que queiram contribuir e colher com bom-senso. E o interessante é que a horta não é destruída, ela é de todos e todos cuidam dela.

Horta das Corujas na Vila Beatriz

Detalhe de um pé de boldo, cultivado na Horta das Corujas
Detalhe de um pé de hortelã, cultivado na Horta das Corujas
Detalhe de uma berinjela, cultivada na Horta das Corujas
Um pequeno abacaxi, cultivado na Horta das Corujas
Detalhe de uma folha de couve da Horta das Corujas
Os pássaros são bem vindos na horta
Visão geral da Horta das Corujas e da Praça das Corujas


Experiências como estas nos deixam perplexos, já que todos os dias somos bombardeados com notícias de corrupção, atos destrutivos, egoismo extremo, violência e muito pouco amor para com o próximo.
E engana-se que pensa que para criar uma horta urbana é necessário um terreno. Subindo pela Rua Dr. Homem de Melo, em Perdizes, me deparei com um carro velho que virou uma horta estacionada na própria rua. O que era uma sucata deu lugar a várias ervas e plantas variadas e ficou lindo.

Horta urbana feita dentro de um carro abandonado em Perdizes
Horta urbana feita dentro de um carro abandonado em Perdizes

Estas hortas são espaços onde se pode respirar, não por causa das plantas purificarem o ar, mas sim por ser um local onde é possível o encontro entre as pessoas, o partilhar do cuidado e o compartilhar de seus frutos, bem como troca de conhecimento e ensino para as crianças sobre os cuidados com a terra, valorizando o contato com a natureza e com os outros. O espaço não é de ninguém, em geral são públicos, e por isso mesmo tratado com respeito por todos. Os ideais de sustentabilidade, de cultivo orgânico são vivenciados na prática o que mostra que é possível convivermos com a natureza e com os outros de outra forma, ao contrário das notícias que são repetidas todos os dias.

As hortas comunitárias resgatam o contato com a natureza e ampliam as redes sociais e solidárias, resultando em saúde mental e harmonia consigo, com os outros e com o ambiente. São em si mesmas revolucionárias, pois são contrapontos às verdades cotidianas das grandes cidades.

Um projeto que apesar de não ser considerado uma horta comunitária, mas que é um exemplo muito interessante por parte da iniciativa privada é a horta urbana do Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo. Para resolver o problema do lixo orgânico gerado pelos restaurantes da praça de alimentação o superintendente do Shopping, Sergio Nagai, resolveu efetuar a compostagem do lixo e acabou por criar uma horta urbana no teto do shopping. Toda a produção é destinada aos próprios funcionários do Shopping.




Exemplos pelo mundo

São inúmeras as experiências com hortas comunitárias ou hortas urbanas e jardins comunitários pelo mundo.
Um exemplo bem interessante é este jardim criado no teto de um ônibus na Catalunha, Espanha.







Em Portugal a idéia começa a espalhar-se também. Em Lisboa um projeto pretende criar 130 hortas urbanas que fornecerão alimento a preços muito abaixo dos praticados no comércio.
Em Nova York hortas urbanas estão crescendo nos telhados dos edifícios no bairro do Brooklin. A empresa Bright Farms planta perto de supermercados, o que ajuda a encurtar o caminho entre a comida e os pontos de venda.


Uma cidade localizada no norte da Inglaterra chamada Todmorden criou o projeto “A incrível Todmorden comestível”. Este projeto utiliza toda a área pública do município para fazer plantações comunitárias onde qualquer morador da cidade pode colher alimentos gratuitamente. A cidade incentiva também as pessoas a ajudar no plantio e as crianças estão aprendendo desde cedo a importância do cultivo e da terra. São aproximadamente 40 hortas esplanadas pela pequena cidade de 17 mil habitantes. Todos os lugares disponíveis são utilizados para plantar.
Além das plantações outro projeto na mesma cidade tem como objetivo a criação de galinhas.

Horta urbana na cidade inglesa de Todmorden: Créditos da imagem Incredible Edible Todmorden







Conclusão

Ao contrário do que possamos imaginar é possível sim plantar e colher nossos próprios alimentos nas grandes metrópoles. Além do benefício ambiental e social podemos também resgatar prazeres há muito esquecidos ou que nunca tivemos a oportunidade de experimentar.
Os verdadeiros prazeres não são caros... ser bem recebida na horta, sentir os diversos e surpreendentes aromas das ervas, trocar experiências e conhecimentos... reconhecer no sorriso de quem planta a felicidade da partilha!

Referência(s)

Fonte: http://www.sermelhor.com.br/ecologia/hortas-urbanas-comunitarias-em-plena-sao-paulo.html


Hortas comunitárias se popularizam cada vez mais em Berlim



Seja no telhado de um shopping, seja em um antigo aeroporto, as hortas estão se espalhando por Berlim. Cada vez mais, moradores trabalham a terra para cultivar tomates, batatas e... vínculos sociais, em uma cidade onde ainda parece haver espaço para tudo.

Alguns agriões esmirrados resistem bravamente às chuvas e aos fortes ventos que varrem as pistas de aterrissagem de um aeroporto fechado em outubro de 2008 e transformado em um amplo parque para os berlinenses.

Quando chega o bom tempo, pepinos, aipos e manjericão crescem à sombra dos girassóis nesse jardim comunitário. Recentemente, uma colmeia instalada no meio dos pequenos lotes começou a produzir o primeiro mel a levar o selo do antigo aeroporto de Tempelhof.

De dia, carrinhos de mão e mangueiras são usados a todo vapor nas matas de ervas aromáticas. Ao anoitecer, amigos brindam com cerveja para celebrar o espírito coletivo e a amizade.

"Allmende Kontor" e o vizinho "Rübezahl Garten" são duas das inúmeras hortas que cresceram como grama na capital alemã. No bairro popular de Wedding, uma associação planeja instalar cultivos de cenouras e morangos no telhado de um supermercado local.

"Trata-se de cultivar hortaliças e também de participar de um projeto coletivo, de fazer coisas juntos. É um lugar onde todo mundo participa", explica Burkhard Schaffitzel, um dos iniciadores do "Rübezahl Garten".

"As pessoas vêm de todos os horizontes, de imigrantes turcos a estudantes, passando por aposentados", conta Gerda Münnich, uma entusiasta da "Allmende Kontor".

Esse é exatamente o segredo do sucesso. Sua horta já conta com cerca de 300 "arrendatários" e tem uma lista de espera de mais de 200 pessoas. Os responsáveis pelo jardim pagam 5.000 euros por ano à Prefeitura para utilizar seu pedaço de terra e fazem apelos por doações para manterem a iniciativa.

Legumes e verduras crescem em baldes e caixas de madeira, porque a Prefeitura não permite as plantações diretamente no solo no antigo aeroporto. Alguns optaram pela originalidade. Sapatos usados, mochilas, ou até uma velha cadeira de escritório: vale tudo para garantir seu espaço na horta.

Horta, um lugar de socialização A escolha pela jardinagem cria um estilo de vida e, ao redor dela, surgem "pequenos lugares". O mecânico de bicicletas "Ismael" oferece seus serviços em um reboque velho e amassado, instalado no terreno, enquanto uma "praça do povo", no centro do jardim, permite que a comunidade possa assar salsichas quando o grupo organiza festas.

"A horta não é apenas um lugar dedicado a uma atividade de auto-subsistência, mas um lugar de socialização", explica a socióloga alemã Christa Müller, que escreveu um livro sobre o "urban gardening".

O fenômeno é internacional. Desde seu início nos bairros pobres de Nova York, já foram criadas hortas comunitárias em Paris, Montreal e outras cidades. Na capital alemã, houve um empurrão muito particular: a reunificação da cidade, após a queda do Muro no final de 1989, que dividiu Berlim por 28 anos. A mudança deixou uma grande quantidade de espaços vazios e abandonados.

"Londres e Paris estão saturadas. Aqui ainda temos lugar para plantar verduras", comemora Schaffitzel.

Para muitos, criar uma horta coletiva também é uma iniciativa cidadã. "Fazemos política no meio das alfaces", brinca Gerda Münnich, que, depois de passar sua carreira diante das telas dos computadores, decidiu se dedicar às abóboras e aos repolhos.

"É se apropriar um pouco da cidade. É participar da decisão coletiva. Esse pequeno terreno que eu cultivo é um pedacinho da cidade que me pertence", diz ela, com orgulho.

Para a socióloga Christa Müller, esse movimento é uma espécie de contrapeso à sociedade neoliberal.

Esses novos urbanos "ficam felizes de produzir algo eles mesmos, no lugar de encher o carrinho no supermercado", considera Burkhard Schaffitzel, do "Rübezahl Garten".

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2014/01/28/hortas-comunitarias-se-popularizam-cada-vez-mais-em-berlim.htm

domingo, 23 de agosto de 2015

VAUBAN*



Vauban - Arquitetura Sustentavel (1)

Vauban: A cidade que recicla, gera energia, quase não tem carros e tem gente feliz

Atualmente cada vez mais cidades vêm aderindo ao conceito de sustentabilidade, criando propostas que melhoram a qualidade de vida, reduzindo a poluição, reutilizando e reciclando materiais, racionalizando uso de água e energia e gradualmente tornando a cidade cada vez mais integrada à comunidade com lugares para interação social, melhoria da mobilidade urbana, diminuindo a segregação social e principalmente a gentrificação.
A cidade de Vauban, em Freiburg, na Alemanha se tornou um modelo de cidade sustentável. O projeto começou em meados dos anos 90 em um terreno onde era base militar francesa nomeada em homenagem ao engenheiro militar francês Sébastien Le Prestre de Vauban. Em 1993 iniciou-se o planejamento da cidade, e já nos anos de 1995 e 1996 foram feitos encontros comunitários para conscientização sobre o uso de energia. Em 1998 começaram as primeiras construções e em 2006 o projeto de Vauban estava concluído e funcionando!
Planejada para até 5.000 habitantes, a cidade teve suas casas construídas para funcionar como micro usinas de geração de energia elétrica. Essa geração de energia não só supre às necessidades do local como gera créditos, ou seja, as casas geram mais energia do que consomem (cerca de 4 vezes) e toda essa energia excedente é repassada para rede pública.
Além da tecnologia em prol da sustentabilidade, todas as construções foram pensadas sobre os conceitos do bioclimatismo. No verão, com a posição aparente do sol em ângulo mais alto, as varandas servem para impedir a entrada direta de calor, já no inverno, com a insolação em um ângulo mais baixo, as grandes janelas permitem a passagem de iluminação natural sem comprometer o conforto ambiental interno. Essas janelas são compostas por camadas de vidro para isolar o calor dentro da edificação e muitos dos prédios ainda possuem coletores solares ou placas fotovoltaicas. Além disso, as coberturas possuem sistemas de captação de água da chuva, que é utilizada para irrigação de jardins e uso em vasos sanitários.
A reciclagem é outro aspecto exemplar da Vauban. Todos os resíduos gerados são totalmente separados em coletores espalhados pela cidade e cerca de 65% desses resíduos são reciclados.
Para evitar a circulação de automóveis nos bairros, foram criados estacionamentos para visitantes nas vias periféricas, fazendo da caminhada e da bicicleta as ferramentas de locomoção oficiais do local. Para facilitar ainda mais a mobilidade foram determinadas áreas de ciclovias que cortam praticamente todas as ruas do bairro, juntamente com os “trams”, aqueles bondes que andam sobre tapetes de grama.
A adoção dessa conjunto de ações sustentáveis planejadas fez com que, em 2009, cerca de 70% das famílias escolhessem viver sem o uso de automóvel e de maneira muito mais harmônica com o ambiente.
Vauban - Arquitetura Sustentavel (2)
Vauban - Arquitetura Sustentavel (3)
Vauban - Arquitetura Sustentavel (5)

* Título editado
Fonte: http://www.arquiteturasustentavel.org/vauban-a-cidade-que-recicla-gera-energia-quase-nao-tem-carros-com-gente-feliz/